Sem desmonte – paródia do governo Rollemberg

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Sem desmonte

Paródia de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa

Piano: Bruno Camargo (vídeo do youtube)

Cai, cai, cai cai cai cai

Cai o viaduto, cai o viaduto, cai o viaduto

 

Não posso votar

Em mais ninguém do PSB

40 é o número

Não vá esquecer

 

Moro no Itapoã

E seu eu perder a eleição

Que ocorre em outubro agora

Só daqui a 4 anos

 

E além disso DF

Tem outras coisas

Rollemberg não parou de desviar

Sei de 10 por “centô”

Afirmou Renato Santana

 

Cai, cai, cai cai cai cai

Cai o viaduto, cai o viaduto, cai o viaduto

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Como Bolsonaro lavou dinheiro da JBS

Fonte: Folha Vitória.

Para quem acredita que Jair Messias Bolsonaro é honesto, ou não soube ou soube e não se atentou direito para a lavagem de dinheiro que fez com “doação” da JBS, empresa do clã de corruptos dos irmãos Batista. Entenda os passos:

  • A JBS doou 300 mil reais para Jair Bolsonaro, diretamente em sua conta de campanha.
  • Segundo o próprio Bolsonaro diz, DEPOIS de ver quem era o doador, no caso a JBS, afirmou que não queria mais o dinheiro e extornou para o partido, à época o PP (Partido Progressista), partido herdeiro da ditadura e com vários envolvimentos em inúmeros casos de corrupção no país, sendo a Lava Jato apenas um deles.
  • O PP então, no mesmo dia, faz uma transferência eletrônica para a conta de campanha de Bolsonaro que, agora, passa a aceitar os recursos.

Bem, para quem não entendeu a tramoia, essa é a forma mais suja e fácil de se lavar dinheiro: no quintal de casa! É o mesmo fazer campanha numa feira e ver a carteira de uma senhora caindo da bolsa e, ao invés de pegar e avisá-la, deixa que um correligionário pegue a carteira e coloque-a no bolso de seu terno.

Mas há quem diga o seguinte:

“O PP em 2014 tinha 5 milhões de reais de fundo partidário, logo poderia muito bem repassar 200 mil reais à Bolsonaro, até por ele ser puxador de votos”.

Sim, pode sim. Ocorre que qualquer centavo que o PP repasse à Bolsonaro, mesmo que não venha da JBS, é fruto de corrupção. São muitas as captações de dinheiro desviado. O PP tem um fundo partidário grande porque consegue eleger muitos deputados na conhecida fórmula da velha política de vender a alma por um generoso cheque. Então, os 200 mil reais que Bolsonaro fingiu ter rejeitado foram cobrir os gastos de campanha de outros candidatos, enquanto que os 200 mil reais de fundo partidário que foram para pagar seus cabos eleitorais ou panfletos tiveram uma roupagem de verba lícita.

“Mas eu conheço um deputado que se elegeu pelo PP e é honesto, nunca acharam nada contra ele”.

Bem, ainda que algum dia exista esse milagre em uma organização criminosa como é o PP, a corrupção continua gritante. O dinheiro do fundo partidário ou doações de CPF para o PP ou algum candidato do partido não compõem o grosso da receita que, distribuída, foi utilizada para pagar desde a marmita de quem ficou bandeirando para Bolsonaro como as passagens de avião do Ciro Nogueira para encontrar os doleiros ligados à Petrobras.

“Não acredito em você, isso aqui é um blog e não tem compromisso com a verdade”.

Então leia você mesmo no site da Folha de São Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886798-qual-partido-nao-recebe-diz-bolsonaro-sobre-propina-a-radio.shtml

“Ah, mas a Folha de São Paulo é um jornal comunista”.

Errou de novo! É um jornal ultra conservador que há poucos anos lançou uma matéria chamando a ditadura brasileira de ditabranda, talvez tentando camuflar que nos anos de chumbo emprestava as dependências do jornal para práticas de tortura.

“E quem mais publicou sobre isso?”

A Rádio Jovem Pan, outro meio de comunicação que apoiou o golpe e que não teria motivo algum pra flertar com a esquerda. Leia:

http://jovempan.uol.com.br/programas/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina-qual-partido-nao-recebe.html

“É tudo mentira, ele jamais faria caixa 2”.

Bem, então acredite no que o próprio Bolsonaro entregou como prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na eleição de 2014, clicando no link abaixo:

http://inter01.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2014/abrirTelaReceitasCandidato.action

 

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Crônica – Feliz ano novo, lista de transmissão!

 

Há um fenônemo relativamente novo e que tem a ver com as tecnologias da informação e comunicação (TIC): os votos de felicidade em datas comemorativas! Nestas, o natal e ano novo merecem destaque e, mais do que o natal, o ano novo. Difícil dizer quem não recebeu feliz ano novo ao menos umas 20 vezes em diferentes montagens de aplicativos, mas poucas ligações e ainda menos mensagens pessoalmente.

Essa prática não é tão antiga porque remonta à popularização do uso do celular no país. Lembro-me bem das mensagens de feliz natal com árvores construídas com ponto e vírgula nos celulares analógicos Nokia 3220, quando o jogo Snake I (cobrinha) era uma espécie de “pixel todo pintado” que se movimentava por uma tela de fundo cinza. Depois lembravam de nosso aniversário no MSN com os emoticons de parabéns que colocávamos precedendo o nick. Logo veio o Orkut que não nos deixava mais esquecer a data de aniversário de quem estivesse em sua rede e ai de quem não deixasse uma mensagem em seu scrap book. O Facebook inovou pouco, mas tornou-se o herdeiro natural do Orkut para essa e outras funções. Porém, foi com o WhatsApp que as pessoas sentiram-se abraçadas como nunca com mensagens automáticas do tipo “um ano novo cheio de paz” que vai para uma lista de transmissão com mais de 200 contatos e que volta com alguns “obrigado, pra você também” e um pensamento de “puxa, legal ele ter lembrado de mim” ou então “tio Carlos mandou feliz ano novo aqui no grupo pra todo mundo”.

Mas quem é esse todo mundo?

Ora, o WhatsApp não lembra o aniversário de ninguém, portanto não é tão eficaz como uma rede como o Facebook que já tem até modelo pronto de felicitações para as translações dos indivíduos. Contudo, em datas comemorativas nacionais o Whats App se destaca: você recebe a mesma imagem tanto em grupos como no privado e, claro, faz o seu papel: repassa para seus grupos e contatos individuais. Como a maior parte das pessoas não espera entrar em outros grupos para ver se aquela informação já foi repassada – até porque senão corre o risco de não conseguir ler as milhares de inutilidades que recebem diariamente –, recebem de volta o meme da Dercy Gonçalves dizendo “de novo essa po…” e outras respostas que colocam o internauta como desatento. O todo mundo que você queria atingir já foi atingido por outra pessoa que recebeu a mesma mensagem de todo mundo num grupo ou individualmente. Não entendeu? Experimente ter WhatsApp que vai entender.

Portanto, é como se cada pessoa tivesse uma câmera presa ao peito e caminhasse num grande salão, captando o que as outras pessoas fazem e reproduzindo continuamente até que a Matrix resolva mudar a programação e enviar o “meme do dia” que deve ser repassado adiante. É pior do que as correntes de e-mail com Power point do Yahoo-grupos do início deste século! Eu poderia até dizer que a reprodução das relações sociais tem a ver com a forma como a sociedade moderna molda comportamentos, mas porque quero que as pessoas não parem de ler nesse ponto, prefiro parafrasear o finado comunicador Chacrinha adaptando-o ao século XXI: no “WhatsApp nada se cria, tudo se copia”. De fato, se parássemos para pensar no conteúdo do que escrevemos nas redes sociais, certamente ficaríamos surpresos de perceber que até quando nos achamos autênticos por não encaminhar algo, o que digitamos foi um surrado “kkkk” – com algumas variações de “k” para mais ou para menos – ou emoticons (olha aí o MSN de novo).

Se você concordou com a crônica até este ponto, então prepare-se para uma segunda afirmação, consequência do ponto anterior: os desejos de feliz ano novo não são tão francos quanto você pensa! Conheço inúmeras pessoas que têm lista de transmissão da família, faculdade, trabalho, igreja, crushes e as utilizam de acordo com o objetivo que pretendem alcançar. Vamos ver: uma hashtag #ForaTemer é ótima provocação para o grupo da família que se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Vídeo motivacional do tipo “use filtro solar” com narração do Pedro Bial pode ser utilizado no grupo da empresa para tentar parecer o funcionário pró-ativo e não entrar no Programa de Demissão Voluntária pós Reforma Trabalhista. Sendo foto de cerveja gelada, encaminha-se pro pvt do crush como quem não quer nada, mas entregando o estágio avançado de carência afetiva. Tudo isso encaminhado com bastante velocidade e pouca reflexão sobre o que significa aquela mensagem para quem a recebe – e uma mesma foto pode ter distintas apreensões por cada pessoa.

Com o ano novo não é diferente e não pense que a mensagem foi mais pessoal porque tem seu nome. Tente ver se recentemente você conversou pessoalmente com a pessoa e verá que faz sentido a “lembrança”. Em tempo: fará mais sentido ainda se tiver conversado com ela no WhatsApp, pois na hora de encaminhar vai estar a foto e nome da pessoa lá, tudo para encorajar seu dedo nervoso a repassar o dado adiante. Pode parecer amargo de ler isso, principalmente para quem encaminhou a mesma imagem para muita gente, mas a verdade é que será que se não houvesse a possibilidade de lista de transmissão teriam lembrado de você? Olha confesso que é melhor um ano novo impessoal do que os vídeos sem graça de rally que um amigo engenheiro me envia. Pense bem: se começássemos a devolver os mesmos memes que recebemos para as pessoas que nos enviaram, começaria a III Guerra Mundial. Melhor deixar pra lá.

Obviamente não é necessário acabar com as listas de transmissão ou com outras mensagens automáticas nas redes sociais e, em especial, no WhatsApp na data de 31 de dezembro. Rede social também é entretenimento! Tampouco fique triste se recebeu uma mensagem impessoal no natal ou ano novo, pois não será o único. Em tempo: se fosse o único seria ótimo! Listas de transmissão são ótimas mobilizadoras para manifestações populares ou comunicação interna em organizações públicas e privadas. Quem acha que causa ruído é porque mesmo na comunicação presencial faz questão de brigar por besteira, então até no dia em que dominarmos a telepatia essas pessoas causarão discórdia.

Bem, agora que terminei de escrever esse texto, como bom vascaíno, vou ali encaminhar um meme do Muralha hilário para meus amigos flamenguistas. Antes vou divulgar o link desta crônica individualmente para alguns grupos seletos e contatos VIPs de minha agenda telefônica, claro. Não quero causar a falsa impressão de que você pode ter se reconhecido neste texto, seja como emitente, receptor ou pelas duas coisas. E você? Não vai querer saber qual é o meme do Muralha?

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Crônica – Podemos rir dos atrasados do ENEM?

Casamentos, batizados, encontro com namorada(o) mulher/marido, amante, reunião da empresa, velório, jogo de futebol, pronunciamento do presidente, se tem horário marcado, lá está ele, o atraso. Quando estava na graduação na UnB, havia um ditado que dizia que o Movimento Estudantil chegaria atrasado na revolução. E os bolcheviques não escapam à maldição:  cansei de ouvir bate-boca nos encontros de pedagogia, nas reuniões do DCE, do centro acadêmico e até entre anarquistas e autonomistas nas reuniões do MPL, sempre tendo o atraso como pauta.

Mas podemos rir de quem chega atrasado no ENEM ? Sim, podemos. Não devemos obrigar  aqueles que não querem rir a se juntarem a nós, mas percebo um certo patrulhamento de colegas da esquerda em cima de quem procura os famosos vídeos #showdosatrasados do ENEM. E de fato é um show: grito, esperneio, performances com choro e tudo que acabe com a frase “deixa eu entrar”. Fica difícil “pra mim não rir”. Tivesse aceitado que o portão fechou em vez de tentar “barganhar um por fora”, outra cruel característica de nossa população, não entraria pros vídeos. Portanto, são eles que fazem os vídeos viralizar e não quem os assiste.

Mas os marxistas insistem: às vezes não há ônibus onde ele mora. De fato, há muitos casos assim. Porém, os casos que chamam a atenção são de candidatos(as) abordados(as) de forma desrespeitosa no caminho para a prova ou quem combinou de sair antes do trabalho e o chefe sacaneou segurando mais um pouco. Por estas razões não se vê o patrulhamento ideológico e é claro que não há como saber o motivo da pessoa chegar atrasada. Ir um monte de gente pra porta atrapalhar quem chega e inclusive xingar é lamentável, mas os vídeos e memes estão aí para lembrarmos que a zoeira não pode morrer.

Se é consenso que se os ingleses são conhecidos pela pontualidade, os brasileiros abusam dos 15 minutos de tolerância – que para quem não sabe, não existem no ENEM! Nem se a organização da prova falasse que o horário é 12:45 com 15 minutos de tolerância chegariam no horário. É só dar uma volta nos locais de prova pra ver um monte de carro importado estacionado na calçada, em rampas de acesso, como quem diz “qualquer coisa multa que eu pago”. Se chegaram no horário não queriam andar muito e se chegaram atrasados(as), continuam a errar. Nos dois casos é pouco provável que sejam carros que tenham vindo da periferia, mas ai de quem rir dessas pessoas que estacionam em local errado e querem ter o direito a entrar com 1 minuto de atraso!

E o que eu acho mais sem sentido nisso tudo é ver colegas da esquerda que fizeram bem pior do que rir dos atrasados do ENEM quererem colocar quem faz isso como monstro! Não são todos, mas tem muita gente aí querendo ser mártir da moralidade. Me lembro de um encontro da pedagogia em 2007 na UFMA em que uma colega teve que enfiar a mão no vaso e pegar uma nota de 20 reais. Desde então sua identidade passou a ser “fulana mão na merda”, até para os mais novos que não participaram desse encontro mas sabiam da história. Ela fez isso porque estava com grana sobrando? Tinha outro colega (na verdade era inimigo), de Belo Horizonte, que não tomava banho de jeito nenhum, e não era problema de pobreza pois nos encontros os banheiros eram liberados até pra quem não pagava inscrição. Os apelidos dele eram piores do que qualquer vídeo de choro com portão fechado. Tinha o cara que “comia” macaco, o garanhão do tipo “fui ao banheiro e peguei 11”, a chorona, o “pau de lápis”, o “anaconda”, a “Ré Bordosa” e muita fofoca sobre a vida pessoal de todo mundo. Sei tanto podre de tanta gente que daria para escrever mais do que os volumes d´O Capital. Mas tudo bem, vamos esquecer tudo isso porque agora existem os embaixadores da ONU pra defender os atrasados do ENEM. Querem reclamar? Reclamem de quem chega no horário e espera do lado de dentro do portão só pra ver a galera chegando atrasada e dando show porque não conseguiu entrar. Tá certo que pode ser estratégia para rir e fazer a prova mais leve, mas não deixa de ser uma maldade imensa no coração. Deus tá vendo. Baixa a bola pessoal. Estamos no mesmo barco contra as opressões, mas não confundam isso com os vídeos dos atrasados no ENEM.

Ainda pelo lado dos “defensores dos fracos e oprimidos”, gostaria de saber o que eles podem dizer de pessoas que acampam 2 meses esperando um show. Antes que você pense que foi erro de digitação, permita-me repetir: 2 meses! Sim, é o que um grupo que esperava pelo show da Beyonce no Morumbi (SP) aguardou – e virou até documentário. Não são poucos os casos de acampados para esperar shows, mas certamente não são pessoas miseráveis e nem ricas. Não são miseráveis porque a população em pobreza e extrema pobreza não tem 2 meses livres nem se juntar 10 anos de trabalho e não são ricos porque estes tem outros meios de conseguir acesso exclusivo em shows e não aguentariam uma noite em barraca na rua. Essa galera que espera show acampada por meses é grande parte da classe média chorona dos portões do ENEM, mas ai de quem falar da cultura do atraso perto do Tribunal do Santo Ofício. É claro que não se deve aceitar piadas racistas, classistas ou de discriminação com a população LGBT, mas reclamar de quem ri do show dos atrasados do ENEM é integrar a parte mais chata da esquerda, e pode dizer emendar com “se [defesadeumdireito],  então sou chato(a)”.

Em tempo, eu e minha esposa estávamos inscritos no ENEM 2017. Quando fiz a inscrição ela ainda estava grávida e achávamos que ia dar pra fazer a prova, deixando a nossa filha com alguém ou levando-a para ser amamentada enquanto fazia a prova. Erramos! Por ser nossa primeira filha, vimos que a atenção que ela deve receber é bem maior do que imaginávamos. Preferimos não ir fazer a prova e aproveitamos para ficar com nossa filha em seu aniversário de 6 meses. Fazemos parte dos 30% de abstenção. Não aparecemos em nenhum dos vídeos chegando atrasado porque sequer saímos de casa. Fizemos nossa escolha e estamos satisfeitos com ela. Conforme mostrado acima, há casos de candidatos que de fato tiveram problemas pra chegar no horário, mas há os que sempre utilizam da máxima “vai dar tempo”. Para esses últimos, utilizamos o mesmo critério de quando vimos (e isso inclui os comunistas puritanos) a pegadinha da Anabelle no Silvio Santos: rir muito!

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BRB – DENÚNCIA – DIREITO DO CONSUMIDOR

BRB lança nova versão de seu internet banking

Perdi o meu cartão de crédito e solicitei outro ao BRB. Após 10 dias, por não ter chegado em minha casa, no dia 20/10/2017 fui buscá-lo em minha agência (Conjunto Nacional), como fiz outra vez. O cartão constava no sistema como DESTRUÍDO e fui ao atendimento saber por qual razão um cartão que havia sido solicitado há 3 semanas estava destruído. O atendente ligou na central e me informou que o cartão não estava destruído, mas havia retornado à central e que erraram ao colocar o status no sistema. Ainda, disse para que eu ligasse na quarta-feira (25/10/2017) para ver se o cartão já se encontrava em minha agência.

 

Hoje, 27/10/2017, liguei em minha agência às 11h10 para perguntar se o cartão havia chegado. O mesmo funcionário que me atendeu pessoalmente informou que iria ver no caixa e me retornaria a ligação. Às 11h30, liguei novamente e outro funcionário atendeu, informando que a pessoa com quem eu tratara estava em atendimento e não podia me atender naquele momento. Às 11h50 nova ligação e o atendente com quem eu falara desde o dia em que estive presencialmente na agência ainda não tinha ido ver se o meu cartão estava na agência. Isso depois de 40 minutos do primeiro contato! Às 11h55 ele me ligou e informou que o cartão está na agência, mas que ainda consta no status do sistema como DESTRUÍDO e que após eu pegá-lo no caixa, devo me dirigir à mesa dele para reparar esse erro no sistema. Resumindo: retornarei ao banco após vários dias de ter a informação de que o cartão consta como DESTRUÍDO (ainda que não esteja) e, de posse do cartão, terei que continuar no banco para que eles alterem o status de DESTRUÍDO! A redundância nunca foi tão perfeita numa frase aplicada à um banco.

 

Bem, já são 12h00, estou em Vicente Pires, há 20 km de distância do Conjunto Nacional e de um local de difícil estacionamento, em região central de Brasília. Não vai dar tempo de eu me deslocar até a agência, resolver o problema e retornar para dar aula na Estrutural às 13h00. Hoje é sexta, então são mais 3 dias sem cartão até que na segunda-feira, 30/10/2017, quando o banco abrir às 11h00 eu tente resolver toda esta incompetência do BRB para pegar o cartão.

 

Não irei falar o nome dos funcionários que me atenderam porque não acho que é individualizando a questão que as coisas vão melhorar no BRB. O banco deve contratar mais funcionários e investir na comunicação. Não é possível que para saber se um cartão está na loja um funcionário tenha que se deslocar de sua mesa até o caixa. Senti-me na década de 1980! A internet como meio em processos administrativos de gestão da informação parecem não fazer parte do cotidiano do banco.

 

É por isso, e por não ter um bom aplicativo de smartphones, que uso o BRB apenas para cartão de crédito e fiz portabilidade para o Banco do Brasil, mesmo o GDF quase que nos obrigando a receber o salário e manter a conta em sua Casa da Mãe Joana. Descobri que ainda não fiz o suficiente: é hora de pensar em abandonar o cartão de crédito do banco e concentrar minha vida financeira no Banco do Brasil.

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Ratio summa, cura gay

BRASÍLIA, DF, 05.04.2017: CONGRESSO-CULTO – Bancada evangélica realiza culto evangélico na Câmara dos Deputados em Brasília. (Foto: Anna Virginia Balloussier/Folhapress)

Não causa estranheza, embora revolte bastante, a decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho em relação à ação movida pela psicóloga Rozângela Alves Justino. O país vive uma onda conservadora que ultrapassou o debate da direita versus esquerda, caminhando para o que há de pior em qualquer modo de produção no mundo. O debate ganhou as redes sociais novamente com o tema da cura gay e, enquanto há os que acham que o juiz não se manifestou a favor das terapias de reversão sexual, há os que consideram que ele legalizou a prática no país.

Para compreender melhor a polêmica que envolve o CFP (Conselho Federal de Psicologia), segue trecho da Ata da Audiência:

 

“Sendo assim, defiro, em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do C.F.P., em razão do disposto no art. 5º. inciso IX, da Constituição de 1988”.

 

Psicologia cristã

 

Não é correto escrever sobre este caso sem que se saiba quem é a proponente da ação. Aliás, esse é um dos aspectos mais importantes nesse debate. Rozângela possui cargo no gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que está no primeiro mandato e é apadrinhado político de Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Bem, parece que se parássemos por aqui já teríamos elementos suficientes para saber que estamos a lidar com a nata da ignorância brasileira, mas vamos além: Rozângela perdeu o registro de psicóloga em 2009 por promover terapias de reversão sexual para curar homossexualidade masculina e feminina. A justificativa para essas ações era a de que “pessoas abusadas na infância ou adolescência e que sentiram prazer nessas relações, tornavam-se homossexuais”.

Ainda à época em que foi repreendida pelo CFP, Rozângela afirmou que sente-se orientada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais. Em resumo: Rozângela considera-se uma representante divina e agora tem o aval da justiça para continuar sua saga contra o público LGBT. A psicóloga ainda soltou a pérola de que “o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país”. Então é isso: uma cruzada do gayzismo e CFP contra o exército de Deus!

 

Ato jurídico: ter poder não é ter conhecimento

 

O fato de Rozângela ser uma testa de ferro de Silas Malafaia e ter entrado na 14ª Vara do Distrito Federal suscita dúvidas se de fato já não sabia qual seria a decisão do juiz Waldemar. Malafaia também é psicólogo, muito articulado politicamente e ele próprio se envolveu em caso de cura gay recentemente, sendo desautorizado pelo CFP. Dificilmente daria um tiro no escuro ao entrar com um processo na justiça e correr o risco de uma derrota.

Waldemar, por sua vez, se não agiu de má fé, demonstra ignorância e desrespeito em relação aos profissionais de psicologia. A resolução CFP n. 1/1999 afirma, dentre outros aspectos importantes, que:

 

Art. 2° – Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

 

Isto significa que qualquer psicólogo que insiste em dizer que a homossexualidade é doença, perversão, desordem psíquica ou afins, incorre em transgressão à norma do CFP, podendo ser punido de acordo com o código de ética profissional da categoria. A resolução vai além:

 

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

 

Este foi um ponto bastante debatido nas redes sociais. Afinal: se alguém solicitar ao psicólogo uma (re)orientação sexual, para utilizar a mesma expressão do juiz Waldemar, o psicólogo que também deseja fazê-lo tem competência para isso? Segundo o juiz a resposta é afirmativa para esta pergunta. O juiz Waldemar utiliza um engodo em sua linguagens, típica de juristas, chegando inclusive a afirmar que homossexualidade não é crime. Balela! O que importa de sua decisão é a permissão dada à psicólogos que queiram realizar a chamada cura gay. Se o juiz passasse 99 páginas fazendo a defesa de que homossexualidade não é doença e, ao final, desse causa ganha à Rozângela, o resultado seria o mesmo: a legalização da cura gay não mais pelos fanáticos neopentecostais, mas pela ciência.

Alguns dizem que a opinião do juiz é contraditória. Contudo, o que ele fez não passa de um deboche para no final dar uma canetada e dizer que, a partir dali, são válidas as terapias de reversão sexual. Para fundamentar sua decisão, o juiz utiliza-se do Art. 5º, IX da CF/1988, que diz:

 

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

 

Ao confundir liberdade com libertinagem, o juiz retira a autonomia do CFP e todo o acúmulo de pesquisas do conselho e de organismos internacionais para permitir a ação covarde de Rozângela e de todo o bonde de corruptos neopentecostais que vibraram com a decisão de Waldemar. Tal como nos três casos de juízes que bloquearam o Whats App por não ter as informações solicitadas do aplicativo, o magistrado se coloca acima do bem e do mal para decidir um ponto vencido há tempos pela comunidade científica.

Falando nisso, Waldemar reforça o preconceito à comunidade LGBT com a justificativa de “liberdade científica”. Esquece ele que não há nada mais contra a ciência do que a cura gay. A homossexualidade já deixou de ser lida como doença desde 1990. Até Sigmund Freud, pai da psicanálise, em 1935, escreveu que homossexualidade não é doença. Porém, para Waldemar o científico mesmo é a ação de uma beata preconceituosa e os gritos de “nós vamos pro pau” de Silas Malafaia. Tal qual a luta contra o Ato Médico há cerca de 7 anos, que fazia profissionais de saúde se dobrerem aos médicos, iniciaremos a luta contra o Ato Jurídico, que faz todos os profissionais, incluindo os médicos, se dobrarem frente aos juízes.

 

E se o juiz Waldemar julgasse processos semelhantes de outras profissões?

 

Imaginemos as seguintes situações:

  1. Uma assistente social que trabalha com o Marco Feliciano e que considera que a atuação profissional deve se pautar com base na fé e não no código e ética da profissão, iniciando o dia de trabalho com uma oração;
  2. Um médico que trabalha com Eduardo Cunha e diz que a homossexualidade deve-se à concentração de determinados tipos de células no esfíncter que, se inibidas, curam o paciente;
  3. Uma engenheira que trabalha com Marcelo Crivella e diz que para a construção de residências pelo programa Minha Casa, Minha Vida não é necessário seguir as normas técnicas de construção civil, alterando a quantidade de cimento por metro quadrado e economizando verba para a prefeitura;
  4. Um veterinário que trabalha com Antony Garotinho e afirma que a castração de animais em situação de rua é ato contra a vontade de Deus, pois estes nasceram livres como os homens e não podem ter sua natureza modificada; e
  5. Uma farmacêutica prima do bispo Ronaldo Fonseca e que trabalha numa farmácia de manipulação, misturando aos medicamentos uma espécie de óleo da prosperidade dado pelo seu pastor.

As cinco situações acima são qualquer coisa, menos ciência. Acredite: algumas delas são verdadeiras! Todas as profissões acima são qualquer coisa, menos ciência. Ainda que a maioria dos conselhos profissionais sejam ruins e atuem basicamente na reserva de mercado, certo é que todo profissional deve respeitar o que diz as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso (DCN), a Lei de Regulamentação da profissão e o Código de Ética da mesma.

Não é o juiz Waldemar quem tem que dizer que é uma questão de liberdade Rozângela poder atuar com a cura gay, mas sim o CFP que já repudia esta prática há décadas. Em tempo: não há proposta científica na ação de Rozângela. O que ela quer é uma autorização da justiça para aplicar uma roupagem científica à terapias de reversão sexual por via da igreja. De sobra, Rozângela e a Bancada da Bíblia ainda levam de presente a vitória numa queda de braço judicial com o movimento LGBT. Analisando mais profundamente, a bancada BBB (Bala, Bíbliae Boi), que já ocupa o Executivo e Legislativo, acaba de ocupar o Judiciário, dividindo o país em franquias.

A resolução do CFP não tem como objetivo punir Rozângela. Esta foi apenas a consequência da resolução, que antecede em 10 anos a punição da psicóloga. A resolução do CFP foi escrita no âmbito dos direitos humanos, de respeito à diversidade, à forma de ser e estar de cada pessoa, impedindo que ações proselitistas ataquem a dignidade de homossexuais. Este histórico foi ignorado pelo juiz Waldemar.

 

Quem gostou da decisão do juiz?

 

Se após ler este e outros textos você ainda considera a decisão do juiz correta e que ela não legaliza terapias de reversão sexual, saiba que o deputado Sóstenes Cavalcante não é o único “democrata” que comemorou a decisão do magistrado. Malafaia, Feliciano, Crivella e toda sorte de estelionatários que se escondem atrás do discurso da teologia da prosperidade acharam que a justiça agiu corretamente. Logo eles, que há anos lutam pela legalização da cura gay na justiça, acharam na 14ª Vara do DF a chance que precisavam para frear, ainda mais, os poucos avanços conquistados pela comunidade LGBT.

No mínimo, ainda que analisasse somente o Art. 5º, IX da CF/1988, o juiz deveria optar pela opção mais benigna dentre as duas resultantes da interpretação restrita da regra jurídica: a da garantia de direitos no país que mais mata homossexuais em todo mundo. Relativizar a decisão do juiz por conta da manobra literária que ele aplicou para silenciar o CFP é corroborar com o fundamentalismo. Por incompetência ou má fé, Waldemar trocou o martelo pela Folha Universal e decretou: ratio summa, cura gay.

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Razão superior. Dir Espírito de eqüidade que deve determinar a escolha da solução mais benigna, dentre as duas resultantes da interpretação estrita de determinada regra jurídica.

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E (quase) gozamos juntos: crítica de crônica da cidade

A crônica do jornalista Guilherme Goulart no dia 11/09/2017 no jornal Correio Braziliense (CB), impresso de maior circulação no Distrito Federal, causou revolta em muita gente. Vários indivíduos e grupos, não só de mulheres, manifestaram-se contrários à naturalização da exploração da imagem da mulher. Com um agravante: ao que tudo indica, a história parece ser verdadeira! Fossem outros tempos, o autor do texto ganharia títulos do tipo “Nelson Rodrigues Candango” ou algo assim. Felizmente, a sociedade evoluiu e agora cobra retratação pela publicação machista assinada por Goulart.

Se ater aos erros de escrita de Goulart, como quando ele diz que a estagiária Melissa “escondia o nervosismo com o andar tão leve e brilhante quanto pluma e paetê” para em seguida dizer que ela era “segura e independente e não dava ponto sem nó” é reproduzir a misoginia do jornal por não apontar o aspecto político da crônica. Até mesmo os representantes da “fauna masculina” e da “matilha” que agem para proibir exposições de arte sabem bem que nome se dá aos fatos narrados na crônica: assédio sexual. Não fosse a correção do editor de texto do computador do CB, único editor pelo qual Goulart passou, o português arcaico combinaria bem com o linguajar chulo utilizado na crônica.

Por falar em editor, é bom que se diga que o jornalista não publicou sozinho. Nem dono de jornal publica editorial sem que antes se faça uma reunião, minimamente, com os principais diretores da empresa. Dizer que a sociedade da informação exige uma produtividade de publicações em maior velocidade é tentar achar uma resposta técnica para cobrir a postura patriarcal que o CB teve no caso. A riqueza dos detalhes sórdidos se passa no próprio jornal que, ao invés de pedir desculpas à ex-funcionária, publica sua história como um troféu de um caçador na parede da sala. Em outras palavras: a crônica da cidade nunca ofendeu tanto a capital do país e, principalmente, as mulheres. Empurrar o jornalista como escudo é não fazer a confissão de que a redação do CB é um espaço desrespeitoso para estagiárias, legitimando e encorajando quem quiser repetir a narrativa.

A cronologia da história da estagiária no CB lembra bem as histórias da seção Fórum da antiga Ele & Ela, que juntamente com a Sexy concorria com a Playboy na década de 1990 no ramo de revistas ditas masculinas. Neste Fórum, leitores(as) publicavam suas histórias picantes ou “trocavam caixa postal” para se conhecerem. Isso significa que até o público conservador que não achou a publicação de Goulart agressiva, deve reconhecer que em época de Tinder, Whats App e outras redes sociais, o jornalista está completamente desatualizado sobre como e onde escrever seus contos eróticos bizarros como pano de fundo para a sua apatia diante de casos de assédio sexual no trabalho. Parafraseando o Fórum da revista Ele & Ela, faltou somente o final, comum à todas histórias e que felizmente Goulart não conseguiu: “e gozamos (quase) juntos”.

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Crianças da Estrutural estudarão mais longe em 2018!

 

 

Manifestação nesta sexta-feira, 29/09/2017 às 08h00 em frente ao CED 01 da Estrutural!

Venha e traga sua família. Precisamos defender a prioridade absoluta das crianças de estudarem perto de casa.

Lute contra a mudança das crianças do CED 01 para o outro lado da Estrutural.

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Alunos do 4º e do 5º ano do Centro Educacional 01 (CED 01) da Estrutural terão que estudar no SIA a partir de 2018. São crianças de cerca de 10 anos que terão que pegar ônibus escolar para ir ao CEF 03 (antiga Escola Classe 1), novo destino de crianças dos Anos Iniciais da Estrutural. É o que garante Afrânio Barros, diretor da Regional de Ensino do Guará, regional que compreende também a Estrutural. Afrânio ainda não fez nenhum tipo de comunicado à comunidade da Estrutural. Portanto, é bom que os pais que estão com os filhos matriculados no 3º ano da Escola Classe 2 e no 4º ano do CED 01 fiquem alertas, pois terão que enviar seus filhos para o outro lado da BR a partir do ano que vem.

Os professores souberam da mudança por meio de boatos na tarde do dia 1º/08/2017. No dia 02/08/2017 a diretora do CED 01, Estela Silva, comunicou formalmente os professores dos Anos Iniciais (4º e 5º ano) do CED 01, que assinaram documento (veja aqui) para tomar ciência do fato. Na semana seguinte, dia 07/08/2017, às 10h30, Afrânio compareceu ao CED 01 com a assessora Andréa Silva, comunicando a mudança e dizendo que queria ouvir os professores, mas sem deixar qualquer espaço para não implementar  esta decisão torpe e autoritária. O CED 01 atenderá alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), invertendo a prioridade de que alunos menores estudem mais próximos à sua residência.

O Diretor Afrânio não apresentou absolutamente nenhum motivo para que a mudança ocorra. Disse apenas se tratar de estratégia de matrícula, estratégia esta que não encontra respaldo na comunidade pela situação de vulnerabilidade em que se encontram crianças da Estrutural e que irá aumentar ao quando elas estudarem longe de casa. Além do mais, o CEF 03 não é uma escola e sim um prédio comercial que em 2016 abrigou temporariamente alunos da Escola Classe 1 da Estrutural, que estavam na EAPE (Asa Sul, quadra 908), enquanto se resolvia o problema de insalubridade devido à quantidade de gás metano em seu antigo terreno. O prédio do CEF 03 é inseguro, possui elevador, salas menores e com péssimo isolamento acústico, próximo à pista de grande circulação de carros (EPTG e vias do SIA) e em área de indústrias que trabalham com metais pesados e muitos poluentes. O tráfego de caminhões é intenso e sabemos que veículos grandes têm mais dificuldade de visualização, aumentando o risco de atropelamentos. O espaço para recreação é “uma cobertura que até parece um ginásio”, nas palavras da própria assessora Andréa Silva na reunião do dia 07/08/2017. Enfim, o CEF 03 não passa do local onde Afrânio quer despejar os alunos menores que atualmente estudam no CED 01.

 

Razões para a permanência das crianças no CED 01

 

Durante a reunião dodia 07/08/2017, foram mostrados à Afrânio inúmeros motivos para que não se retirem o 4º e 5º anos do CED 01, a saber:

1.             Violação de direitos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente, tais como igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (BRASIL, Lei n. 8.069/1990, Art. 53, I e II).

2.             Dificuldade de acesso principalmente para alunos com necessidades especiais, sobretudo cadeirantes.

3.             Diminuição da frequência de pais às reuniões escolares, uma vez que esta já é baixa com a escola próximo à residência dos alunos.

4.             Garantia de que, por razões óbvias, se tiver que haver crianças menores estudando próximas à sua residência e crianças maiores em local mais afastado, essa deve ser a atitude a ser tomada.

5.             O local para o qual irão remanejar as crianças do 4º e 5º ano do CED 01 não é escola e funcionou apenas como um “quebra-galho” das turmas da Escola Classe 1 da Estrutural que saíram da EAPE e foram para o SIA enquanto o GDF não arrumava o problema do gás  na Escola Classe 01.

6.             O CED 01 é uma das 4 escolas da Regional do Guará, dentre 23 avaliadas pelo INEP, que conseguiu atingir a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2015. As outras 3 escolas se localizam no Guará.

7.             Aumento da evasão e do índice de retenção, interferindo diretamente no IDEB da escola, ainda que esta seja uma preocupação menos importante de que a própria frequência e rendimento do aluno às aulas.

8.             Falta de diálogo com a escola e principalmente com a comunidade, fazendo com que os pais saibam da mudança somente no final do ano na renovação de matrícula dos filhos. Esta é uma clara afronta à identidade cultural da comunidade com o estabelecimento de ensino, considerado um patrimônio pelos moradores.

9.             A constante greve de motoristas e monitores de ônibus escolares, com pagamentos atrasados desde o governo passado (Agnelo Queiroz – PT) até o atual (Rodrigo Rollemberg – PSB), conforme manifestações destes trabalhadores em agosto de 2016 demonstrou.

10.         Dificuldade das crianças menores acessarem políticas sociais e serviços de utilidade pública, tais como Conselho Tutelar, Centro Cultural, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Coletivo da Cidade, restaurante comunitário e outros serviços por demanda realizados eventualmente em parceria com o Sistema S (SESC, SENAI, SENAC) e a iniciativa privada na região central da cidade.

 

A reação da escola

No dia 08/08/2017, ou seja,no dia posterior à reunião com Afrânio, os professores dos Anos Iniciais do CED 01 manifestaram-se contrariamente à mudança feita de forma antidemocrática e sem apresentação de motivos realizada pela regional de ensino do Guará. Por unanimidade, ou seja, TODOS os 40 professores dos Anos Iniciais do CED 01 da Estrutural, efetivos e temporários, são contra a mudança absurda proposta pela gestão ineficiente de Afrânio À frente da CRE-Guará.

Segue abaixo memorando n. 139/2017 do CED 01 da Estrutural para a UNIPLAT (Unidade Regional de Planejamento Educacional e de Tecnologia na Educação), setor da regional de ensino do Guará responsável pela estratégia de matrícula.

memo 139/2017 – folha 01

memo 139/2017 – folha 02

memo 139/2017 – folha 03

 

 

 

 

A cobrança do Conselho Tutelar da Estrutural

 

Como professor do CED 01 da Estrutural, assim que soube das mudanças pretendidas pela Regional de ensino do Guará, dirigi-me ao Conselho Tutelar para relatar o ocorrido. Tempos depois a diretora do CED 01, profa. Estela Accioly,  fez o mesmo. Também conversei com o conselheiro tutelar Djalma ainda em agosto na própria escola, que se prontificou a colaborar com a situação do CED 01. Fui atendido pela conselheira Michelle, que me informou que colocaria o assunto em discussão na próxima reunião do CT da Estrutural, que ocorreu no início de agosto de 2017. O CT da Estrutural envio o ofício n. 124/2017 à CRE/Guará, que foi respondido pelo ofício n. 101/2017 no dia 05/09/2017.

Pela primeira vez a regional de ensino recuou e informou que resposta da regional de ensino foi dizer que as turmas de 4º e 5º anos continuariam no CED 01 da Estrutural no ano letivo de 2018. Essa resposta é insuficiente, pois demonstra apenas que a regional optou por fazer a última geração de anos Iniciais no CED 01 em 2018 da forma que segue:

1- Em 2018, alunos aprovados das turmas do 4º ano vão para o 5º ano.

2- Permanecem no CED 01 apenas turmas de 4º e 5º anos de alunos retidos (reprovados);

3- Em 2019, alunos do 5º ano vão para o 6º ano, atingindo o ciclo dos Anos Finais do Ensino Fundamental, e as turmas de 4º e 5º anos, de alunos retidos ou aprovados, vão para o outro lado da Estrutural ou qualquer outro prédio comercial que o governo chame de escola, acabando de uma vez por todas com os Anos Iniciais no CED 01.

A resposta vazia e debochada da CRE/Guará pode ser vista abaixo:

Ofício n. 101/2017 – CRE Guará

 

 

 

 

 

A tentativa da regional do Guará de evitar protestos na comunidade

Em sua milésima tentativa de explicar as razões que não existem para levar alunos do 4º e 5º ano para estudarem a quilômetros de casa, a regional de ensino do Guará enviou, na data de 26/09/2017, o ofício n. 139/2017 – REG 119049/2017 para o CED 01 da Estrutural com o assunto da oferta de matrícula para 2018. Detalhe: a data do ofício é a mesma da reunião da comunidade da Estrutural no auditório do CREAS que discutiu este ataque do governo à comunidade. Isto significa que Afrânio começa a sentir, cada vez mais forte, a mobilização da população da Estrutural contra o ataque que quer fazer com as crianças da cidade. A última coisa que um governador Rollemberg quer são protestos na Estrutural, até porque tem um dos piores índices de aprovação no país e vai tentar a reeleição, mesmo sabendo que não tem chance alguma de ir pro segundo turno e será apenas para marcar posição e defender seu governo caloteiro.

No ofício, a regional diz que o CED 01 continuará a atender a comunidade da Estrutural, algo que sequer foi questionado pela população. Essa é uma estratégia torpe de retórica de tentar ludibriar a comunidade dizendo o óbvio: a escola é e atende a cidade! Tanto é verdade que na continuidade do ofício, a regional relata toda a infraestrutura do CED 01, informando que a escola tem salas, banheiros readaptados e média de 25 alunos por turma. Esquece de dizer que a média aponta turmas que tem (e devem ter) menos alunos, por serem de integração inversa, e que há turmas com mais de 30 alunos, o que forçará ainda mais a demanda em salas menores e sem o devido isolamento acústico como é o caso do CEF 03 no SIA.

A canalhice do ofício da regional é tanta que fala em cumprir o Art. 3º, “parágrafo” IV do Regimento Escolar da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, que diz:

Art. 3º – As unidades escolares, de acordo com suas características organizacionais de oferta e de atendimento, classificam-se em:

(…)

VI – Centro Educacional – destinado a oferecer as séries/ os anos finais do Ensino Fundamental, o Ensino Médio, a Educação de Jovens e Adultos, bem como o ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos integrados.

A primeira observação à este trecho do ofício 139/2017 da CRE/Guará é técnica: não é PARÁGRAFO VI e sim INCISO VI. Pode parecer irrelevante, mas é esta total falta de conhecimento do que há de mais básico no conhecimento da lei que permite com que Afrânio, na reunião do dia 07/08/2017 no CED 01, diga aos professores que nos próximos resultados da Prova Brasil a Escola Técnica do Guará tenha aumento do IDEB, sendo que a Prova Brasil é uma avaliação feita apenas no 5º e 9º ano do Ensino Fundamental, que não é atendido pela Escola Técnica.

A segunda observação é a de que não se pode dar como vencida a questão de que a escola é um CED 01 e deve seguir as características que lhe impõem o Regimento Escolar da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, pois assim como agora, essa mudança não foi discutida com a comunidade. O ofício visa acalmar os ânimos da comunidade falando apenas em que os alunos com necessidades especiais continuarão a estudar no CED 01.

A única coisa que os ofícios da regional do Guará não falam é para onde vão os alunos egressos do 3º ano das escolas classe 1 e 2 da Estrutural, pois são eles que serão mandados pro CEF 03 já a partir de 2018. É este o ponto que a regional se nega a admitir.

Segue abaixo o ofício n. 139/2017 da CRE/Guará, enviado na tentativa de anestesiar a revolta da comunidade contra os desmandos de Rollemberg e Afrânio:

Ofício n. 139/2017 – CRE/Guará

 

 

 

 

 

 

A versão não oficial

 

Existe a especulação de que a mudança do 4º e 5º ano do CED 01 da Estrutural não tenha sido uma estratégia pedagógica e sim um acordo de politicagem entre Afrânio e Wilson, diretor do CEF 03. Wilson perdeu eleição de uma escola no Guará e, como é próximo à Afrânio, teria recebido a proposta de ficar no CEF 03 (antiga Escola Classe 1 da Estrutural). Inicialmente Wilson teria rejeitado, por dizer que se tratava de uma escola difícil de se trabalhar, mas Afrânio o teria convencido. Atenção para a bomba: o diretor da Regional de  O ensino do Guará teria prometido à Wilson que o CEF 03 ficaria com Anos Iniciais a partir de 2018. Foi aí que Wilson teria aceitado e, agora, teria chegado a vez de Afrânio cumprir a sua parte do trato.

 

O que pode ser feito a respeito?

 

Ou a comunidade da Estrutural se mobiliza para ser ouvida ou vai ser tarde quando perceber que foi enganada e suas crianças de 10 anos irão pegar o escolar para estudar fora do bairro. Segue abaixo os órgãos públicos que podem ser acionados pela internet, por telefone ou pessoalmente. Relate o caso e peça urgência na resolução, pois em breve governo irá iniciar o processo de remanejamento dos professores e os docentes que dão aula nos Anos Iniciais terão que pegar outra escola para ir trabalhar. Isto enfraquece a mobilização para a permanência do 4º e 5º ano no CED 01.


DENUNCIE AQUI:

 

Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude – MPDFT

Endereço:  Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, SEPN 711/911, Bloco B.

Telefones:  (61) 3348-9009 / 3348-9029 / 3348-9041

E-mail: proeduc@mpdft.mp.br

__________

Conselho Tutelar da Estrutural

Endereço: Setor Central Área Especial 19 ao lado do TRE – CEP: 71255-230

Telefones: (61) 3465-5161 / 3465-6909 – Plantão CISDECA – (61) 3217 – 0657

 __________

Ouvidoria do Governo do Distrito Federal

http://www.ouv.df.gov.br/#/

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Eterna Galinha Pintadinha das futuras infâncias

Por muito tempo relutei em saber o que era essa tal de Galinha Pintadinha. Até que minha filha nasceu e fui obrigado a saber o que era, pois diziam que hipnotizava as crianças – o que, de fato, acontece!

Aí dígito no YouTube e vou ver os sucessos desse sucesso infantil, assim, bem redundante. Fui procurar por nome é mal toquei na tecla “G” está lá, “Galinha Pintadinha” – não é mentira, faça o teste se não acredita em mim! Parti pra ouvir as músicas e qual não é a minha surpresa ao perceber que a Galinha Pintadinha nada mais é do.que as mesmas músicas que eu ouvia na década de 1980 e 1990, só que cantadas por um desenho azul que recebeu o nome de Galinha Pintadinha.

Se o médico psiquiatra Flávio Gikovate não tivesse falecido em 2016, talvez eu achasse que seria ele a pessoa por trás da criação da Galinha Pintadinha, tamanha a tara de patentear o senso comum. Certo é que revivi grandes clássicos de minha infância com uma animação tosca em flash que em poucos anos minha filha vai chamar de Galinha Pintadinha, quando na verdade é cantiga que minha vó já sabia no início do século XX em Belém do Pará. Não perdoaram nem “atirei o pau no gato”.

É tudo um musical de Galinha Pintadinha, o galo Carijó e outros animais falantes, mas sem a moral das fábulas. E como desenho não envelhece, anota aí: meus netos vão ouvir achando que Galinha Pintadinha fez mais música infantil que os 20 LPs Xuxa só para Baixinhos. A galinha é atemporal e polissêmica!

Poderia continuar a dar spoiler aqui pra vocês, mas vou ali colocar Balão Mágico pra minha filha ouvir e acalmar o choro.

Adivinha quem vai cantar?
Mix – Galinha Pintadinha: http://www.youtube.com/watch?v=zKOubVELVNw&list=RDEMKITLBk9680k7nmsKd8ITXQ

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3 lições sobre a greve dos servidores da limpeza

No dia 15 de Agosto de 2017 a greve dos servidores da limpeza de escolas do Distrito Federal, dentre outros locais, completou uma semana. A empresa que contrata os terceirizados, Juiz de Fora, alega ter solicitado empréstimo junto ao BRB (Banco de Brasília) para pagar funcionários. Por sua vez, o GDF afirma ter depositado cerca de seis milhões na conta da empresa para pagar atrasados de maio e metade de junho. Podemos ver três lições em relação ao ocorrido: a importância do trabalho não intelectual na estrutura das escolas, a invisibilidade social destes trabalhadores e, por fim, a falta de identidade de classe dos professores com servidores não docentes.

  1. Condições sanitárias de trabalho, embora esquecidas atualmente, já foram uma das principais pautas de ação sindical no início do século XX. Das ruas sombrias de Londres às fábricas têxteis de São Paulo, a organização do trabalho – ou melhor, do trabalho social – frente ao sistema produtivo capitalista impunha uma queda de braço constante entre patrões e empregados. Com o advento do fordismo/taylorismo na década de 1930 e o toyotismo na década de 1990, trabalhadores não intelectuais foram os principais alvos de substituição de mão-de-obra por estruturas mecanizadas ou rearranjos administrativos que sobrecarregavam os que não eram demitidos. A mecanização do campo que acelerou o êxodo rural de 1950 no Brasil era uma breve amostra do que estava por vir. Políticas de desvalorização salarial, dentre outras retiradas de direitos, tornaram-se comuns nesse meio. Pois bem, foi necessário que funcionários da limpeza iniciassem um movimento paredista para que se percebesse que eles existem e fazem um trabalho importante como qualquer outro nas escolas.

Logo, a invisibilidade social destes servidores é latente, a ponto de sequer sabermos seus nomes, uma das coisas mais básicas da condição humana. Quando um professor é substituído por outro, é notável. Quando um servidor da secretaria é substituído por outro também se percebe com facilidade. Contudo, a permuta de servidores da limpeza, cozinha ou segurança parece não fazer parte do sentido de ausência de professores. Tanto é verdade que entre uma greve e outra podem passar dezenas de servidores da limpeza por uma escola, mas os professores só irão lembrar que eles estão lá quando os mesmos deixarem de limpar a sala ou fazer o lanche. A invisibilidade social, catalisada por uma falsa sensação de classe média que muitos professores do DF têm, corrobora a tese da precarização do trabalho por pares na educação. O corporativismo, aqui também, mostra suas garras e sufoca, por dentro, a greve deste importante setor das escolas.

Não obstante, não ter identidade de classe é um gargalo histórico e que cobra o seu preço ao longo da história. Na reportagem do DF TV 2ª Edição desta terça-feira, 15/08/2017 (para ver clique aqui!), uma professora grávida de 8 meses aparece limpando sala da Escola Classe 5 do Guará, falando que os alunos não podem ficar sem aula ou em sala suja. Ora, esse é um dos menores problemas frente à ação da professora. Imaginemos então que quando os professores entrarem de greve o GDF irá substituí-los por professores de contrato temporário ou outra modalidade que esteja por vir, esvaziando física e politicamente o espaço de combate que temos com o governo? Infelizmente, por não se perceber como integrante da mesma classe social que o servidor da limpeza, o professor se propõe a realizar o trabalho dos servidores, fortalecendo ainda mais o governo corrupto de Rollemberg que não fez absolutamente nada pela educação. Sabe o exemplo do empresário que economiza demitindo a copeira e pedindo pra secretária “fazer um cafezinho rápido”, assim, no diminutivo, pra não parecer trabalho? Pois é, somos nós, professores, carregando o gene do opressor.

Portanto, para apoiar a greve dos servidores da limpeza é preciso conhecer seus nomes, tratá-lo com respeito e acima de tudo não querer substituir, nem por uma tarde, seu trabalho. Ao varrer a sala ou realizar outras atividades do tipo fazemos com que os servidores fiquem reféns das negociações com o GDF, pois o professor, que não é pago sequer como docente, acumula a função de servidor da limpeza. Bater palmas para estas ações é o primeiro passo para afirmar “para quê serve Conselho de Classe”, com o Alexandre Garcia a tiracolo. O fato dos professores não discutirem formação política em sua formação inicial ou continuada condiciona mais reportagens como as que apareceram no DF TV 2ª edição.

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