Quem é Marcos Pontes, futuro Ministro da Ciência e Tecnologia?

A última vez que Marcos César Pontes – futuro ministro da Ciência e Tecnologia – atualizou o currículo Lattes foi em 20/11/2012. Dei print logo porque sei que é capaz dele atualizar esses dias, mas segue o link pro Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4630643H4

Pelo jeito há 6 anos Marcos Pontes vive de seu belo sorriso estampado nos livros destaque de livrarias de aeroporto. O que muita gente não sabe é que Marcos Pontes é só um tenente-coronel que por influência da diplomacia de Lula pegou uma carona pra ver o mundo azul como o soviético Yuri Gagarin, primeiro ser humano a chegar ao espaço. É de Gagarin a célebre frase:

“A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!”

Como política de financiamento, atualmente a NASA já oferece esse tipo de “serviço” para milionários dispostos a pagar alguns milhões de dólares pela aventura do rolezinho lá em cima, o que deixará um pouco menor o recalque de Luciano Gang, dono da Havan.

Temos um verdadeiro astronauta de mármore no #MCT

Música maestro…

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo

Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul

 

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Crônica – Domingo na urna

Urna eletrônica. Imagem: Agência Brasil

Crônica – Domingo na urna

Rafael Ayan

 

José, rei da brincadeira, encontra com João, rei da confusão, na feira em que aquele trabalhava. João inicia o debate:

– Ei José, você acredita nessas urnas eletrônicas?

– Uai compadre, nunca tive motivo pra desacreditar.

– Como não? Você não vê as pesquisas? Querem colocar que Bolsonaro diminuiu a diferença de votos para Haddad.

– Isso é pesquisa compadre. Não é resultado. O que vale é o que tá na urna.

– Sim, mas se as urnas não garantirem a vitória de Bolsonaro, então teve fraude.

– Mas e se Bolsonaro ganhar?

– Então elas respeitaram a vontade do povo.

– Mas isso não é democracia João! Só vale quando o seu candidato ganha?

– Sim, porque é o que o povo quer. O povo não quer candidato de esquerda e essas urnas roubam pro PT.

– E quem te disse que o PT é de esquerda?

– Eles são gayzistas, querem kit gay nas escolas, são corruptos e não podemos deixar que o Brasil se torne uma Venezuela.

– (Com cara de saco cheio) bem, olhando por esse lado…

– Pois é, as urnas roubam pro PT, isso é fato, não se discute.

– Verdade João. Viu quem ganhou a eleição por São Paulo? Tiririca. E foi a terceira vez. TER-CEI-RA!

– Comunista dos piores. Lembra da calça jeans vermelha que ele usava? Ninguém usa caça jeans vermelha. Deve estar tramando algo com anões e mágicos do circo em que trabalhava.

– Isso mesmo José! E o Alexandre Frota. Lembra dele? Daqueles DVDs piratas da Brasileirinhas que eu comprava direto ali no Afonso, tá ligado? Foi eleito.

– Como não lembro? Claro que sim. Comunista dos bravos. Até trabalhou na Globo. Deve ter recebido muitos dólares da Lei Rouanet.

– Vagabundo. Precisamos dar um jeito nisso. Esse congresso só tem vermelhos.

– Calma João, não podemos fazer nada. Eles são maioria. Se ainda pudéssemos eleger uma bancada da bala, da bíblia, do boi… teríamos militares, pastores e ruralistas para nos defender. Mas não: o Congresso Nacional só tem comunista por causa dessas urnas fraudadas! Temos que prender esses bandidos.

– Falou tudo João. Bandidos vermelhos. Ou saem do país, ou cadeia para eles.Vamos pra cima com tudo.

– Isso, isso… e vamos acabar com a raça de todos aqueles que mudaram de partido para enganar o povo, como se nunca tivessem se filiado à partidos corruptos ou que pegaram verba pública para si.

– Topo! Começaremos por Bolsonaro.

– Ok. Vamos acabar com Bolso… Quem?

– Bolsonaro.

– Bolsonaro por quê?

– Ora, ele ficou por mais de uma década no PP, Partido Progressista, do Maluf. Até lavou 200 mil da JBS quando ainda era desse partido.

– Mentira.

– Juro de pés juntos. E digo mais: ele saiu do PP e foi pro PSC, Partido Social Cristão, do pastor Everaldo, já pensando em ser candidato a presidente. Logo em seguida se desentendeu com Pastor Everaldo e saiu para habitar o PSL, que recebeu meio milhão de propina do Mensalão em 2010.

– Mas Bolsonaro é diferente!

– Sim, é, mas para pior. Até ano passado divulgavam um monte de meme dizendo que os militares empobreceram ao ocuparem cargos públicos. Pois Bolsonaro só viu seu patrimônio aumentar exponencialmente.

– Mas ele defende a família.

– Qual delas? Até o momento está na 3ª esposa.

– José, você tá me parecendo essas urnas fraudadas.

– E você tá parecendo os torturadores da ditadura, com a diferença de que quer continuar desinformado.

 

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Haddad foi o único ministro a acolher a Pedagogia


Daqui a 3 semanas essa imagem faz 13 anos. É uma foto que tem muita história e representa muito do momento político atual. Foto: Antonio Rodrigues “Kromado”.

Você estuda ou estudou Pedagogia? Saiba que a única vez que representantes de estudantes de Pedagogia foram recebidos por um Ministro da Educação em quase 100 anos de MEC foi por Fernando Haddad – aliás, nenhum ministro jamais recebeu. E saiba que o movimento estudantil de Pedagogia foi convidado a voltar para um encontro político com Haddad. Conheça essa história…

Em 2005 a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), juntamente com o Centro Acadêmico Pedagogia do Oprimido da Universidade de Brasília (CAPe/UnB), organizaram o VII FoNEPe (Fórum Nacional dos Estudantes de Pedagogia) em Brasília. A UnB sediou o evento. No dia 14/11/2005, aniversário de 75 anos do MEC, fizemos um ato no Ministério da Educação (MEC) reivindicando que as Diretrizes Nacionais (DCN) do Curso de Pedagogia não fossem aprovadas antes de reunião com a ExNEPe para discutir o tema.

O CNE (Conselho Nacional de Educação), responsável pela formulação das DCNs, estava com um projeto que os estudantes de Pedagogia avaliavam como ruim para a nossa formação. Pois bem, durante o ato, conseguimos com que uma comissão, inicialmente com 3 estudantes, subissem para negociar com o Chefe de Gabinete da Secretaria Executiva do MEC, Alberto Kopittke. Fui uma das pessoas escolhidas para essa comissão e negociei para que mais 6 pessoas entrassem como parte da comissão, além de 3 estudantes de Pedagogia que iriam “cobrir a comunicação do evento”, sendo a Erin Conceição, da UFSC, e o Antônio Rodrigues “Kromado”, da UnB.

Alberto nos recepcionou e nos levou ao gabinete, ao que apresentamos as reivindicações quanto às DCNs. Num dado momento, Fernando Haddad, que havia acabado de chegar de uma viagem, entrou na sala do chefe de gabinete e, mesmo tendo outra reunião agendada, parou para nos ouvir. Ele poderia ter ido embora ou simplesmente não ter entrado na sala, pois viu a manifestação ao chegar ao prédio e foi avisado pela assessoria que os “xiitas” habitavam a sala do chefe de gabinete. Haddad, que não é de fugir de debate, pagou pra ver! Após explicarmos o motivo da manifestação, solicitamos ao ministro que ele assinasse um documento se comprometendo a não homologar as DCN do CNE sem antes fazer uma reunião presencial com a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (documento ao lado). Enquanto isso, voltaríamos à UnB para construir uma contraproposta para apresentar ao MEC e ser debatido com o CNE.

Pelo fato da Executiva ser bastante desorganizada e não ter sequer um site ou telefone de contato, a assessoria do MEC entrou em contato através de meu e-mail pessoal, solicitando uma reunião em cerca de 2 semanas. Avaliamos que não tínhamos condições de participar em tão pouco tempo, até pelo caráter do movimento estudantil não conseguir se deslocar com facilidade em um país de dimensões continentais como o Brasil sem planejar com bastante antecedência – daí nossos encontros serem sempre nas férias de julho e os menores nos feriados de abril e novembro. Então, pecamos pela nossa desorganização, mas Fernando Haddad não só nos recebeu como nos convidou para retornar e apresentar a nossa contraproposta de DCN – que está sendo escrita até hoje!

Por isso, se você estuda ou estudou Pedagogia, vai lembrar que a partir de 2006 acabaram aquelas inúmeros habilitações como Normal Superior, Ciências da Educação e outras, restando apenas Pedagogia. O professor Erasto Fortes, Naquele tempo diretor da Faculdade de Educação da UnB e hoje no CNE, chegou a contar cerca e 100 habilitações análogas à Pedagogia. Bem, fato é que Haddad consultou outras organizações, como o Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR), A Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE) e homologou um documento para tentar um consenso que, obviamente, não seria (como não foi) bem visto pelo Movimento Estudantil de Pedagogia, mas hoje percebo que temos uma profissão com o mínimo de identidade. O setor público (vide principalmente concursos) e a iniciativa privada reconhecem no Pedagogo alguém com formação muito mais abrangente que o foco na base docente, como colocavam as primeiras resoluções do CNE.

Em 2007 participei de minha segunda gestão no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, na Executiva de Estudantes de Pedagogia do DF e na Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia. Posso contar os inúmeros atos que fiz contra ações de Fernando Haddad que considerei equivocadas, algumas delas que já revi e penso de outra forma e outras em que estou ainda mais convicto do erro do MEC. O mesmo digo sobre o governo Lula. Contudo, é fato que Haddad sempre foi aberto a receber os movimentos sociais no ministério e nunca pesou contra ele qualquer denúncia de corrupção – vindo agora em ano eleitoral somente para desgastá-lo e tentar eleger Alckmin, que ficou em 4º lugar na corrida presencial e viu os tucanos encolherem significativamente no mapa político devido à sua política de terras arrasadas com Lava Jato, Globo e Folha de São Paulo, que agora vêm com o rabo entre as pernas arrependidos do monstro fascista que criaram!

Manuela D´Ávila, vice na chapa de Haddad, foi a vereadora mais jovem eleita por Porto Alegre em 2004. Mesmo após vereadora, continuou a participar do movimento estudantil e alavancar seu grupo político, a UJS (União da Juventude Socialista), que parasita a União Nacional dos Estudantes (UNE) há 30 anos. Contudo, Manuela está longe de ser uma inimiga de classe. Jornalista, será um elo importante de Haddad com a mídia e os movimentos sociais. Não é uma vice metida a rica como Mourão, que não vê a hora de ocupar o Palácio do Jaburu e articular a perda de mais direitos dos trabalhadores – para quem achava que com Michel Temer estava pouco.

 Fernando Haddad é qualquer coisa, menos uma pessoa sectária que não sabe dialogar com o contraditório – ainda mais nesse período de polarização e ódio pelo qual passa a sociedade brasileira. Escolher Haddad não é dar carta branca ao PT e quem fala isso é alguém que votou pela primeira e última vez no PT em 2002. Desde o início do governo Lula me organizo na oposição, construindo greves na UnB, lutando pelo passe livre, pegando sol na cabeça pra participar de assembléia de professores quando ainda era estudante de graduação e me filiando ao PSOL em 2013, enxergando na via institucional também (mas não só) uma forma de aumentar um grupo de pressão ao governo. Não sou militante de redes sociais, de compartilhar meme e achar que lacrei e fiz a diferença pro país. Fui detido 3 vezes, algemado em duas delas, militando pelo movimento estudantil. Cheguei a responder processo por isso. Até hoje carrego cicatriz na mão direita porque fui jogado numa caminhonete blazer por cima de dois outros estudantes e o policial bateu o porta-malas umas 5 vezes até fechar. Vergonha? Jamais. Orgulho define, faria tudo de novo, e numa democracia temos a garantia de, se presos, sabermos que não passaremos pelo pau de arara, como não passei, embora excessos de quem quer que a ditadura volte sempre existam.

Faço esse registro pessoal porque vejo nas redes sociais muitas pessoas que militaram comigo contra as reformas do PT, desde a Reforma da Previdência em 2003 até o anteprojeto de Reforma Universitária do Átila Lira, o Plano Nacional de Educação e muitas outras bandeiras que carregamos lado a lado. Nós mudamos? Não, continuamos os mesmos. A conjuntura política mudou? Completamente. Não estamos mais diante de uma disputa no campo democrático entre o trabalhismo de centro e a social democracia paulista. A eleição de Haddad certamente me fará continuar a organizar muitas outras greves, fechamento da Esplanada dos Ministérios, atos em autarquias federais e agências reguladoras, mas a eleição de Bolsonaro, como o próprio disse essa semana, me levará para a cadeia, e sabemos bem o que a cadeia em regimes autoritários é só um estágio para o desaparecimento

Se você fez Pedagogia, você faz parte dessa história direta ou indiretamente e não vai trocar os erros do PT pela democracia. Ajude a divulgar para outros(as) colegas da Pedagogia.

Vai na fé colega! Domingo é Haddad 13!

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Ditadura nunca mais!

 

Meu primeiro e último voto no PT foi em 2002. De lá para cá, anulei todos os votos em 2006, época de minha fase anarquista ao militar no MPL (Movimento Passe Livre) e, a partir de 2010, passei a votar no PSOL, filiando-me em 2013. A disputa do PT contra José Serra em 2002, Geraldo Alckmin em 2006, Serra novamente em 2010 e Aécio Neves em 2014 tinha um aspecto que permitia o voto nulo: a democracia não estava em risco. Sabíamos que o PSDB no governo seria muito ruim, com uma onda de privatizações e o rebaixamento da soberania nacional ao capital rentista. Contudo, ainda havia correlação de forças no Congresso Nacional e a possibilidade de um debate mínimo de pautas identitárias como movimento de mulheres, negros e LGBT.

Os governos petistas pecaram por se tornarem uma máquina eleitoral sem escrúpulos, colocando o voto a todo custo acima de qualquer princípio de um partido com uma militância de esquerda e com parlamentares e o próprio Lula fazendo um governo de centro e, não raro, liberal na esfera econômica, chamando o Meireles pra presidência do Banco Central – o que foi inclusive utilizado como um dos eixos de marketing eleitoral do banqueiro nessas eleições. O aceno aos fisiologistas do centrão foi um dos maiores erros do PT: a entrega de cargos para os falsos pastores mercadores da fé, milicianos patrocinados pela indústria armamentista e lobistas dos agrotóxicos e da soja! Era questão de tempo para que um deputado conseguisse reorganizar esse grupo de pressão, capitalizando essa massa de corruptos em torno de pautas-bomba aprovadas com o aval do PSDB e a liderança de Eduardo Cunha do (P)MDB, outro ex-aliado.

Os tucanos, aliás, reduziram sua bancada à metade e agonizam vendo seu antigo eleitorado dormindo com o inimigo PSL que em 2014 só elegeu um deputado federal e agora subiu para 53 deputados e um senador. As mídias corporativas como Globo, Veja e Folha de São Paulo foram pelo mesmo caminho, colocando a Lava Jato como centro do debate político por não poder dizer que a corrupção é peça fundamental na engrenagem do sistema capitalista. Pergunta: valeu a pena criticar o PT pelos seus acertos e não pelos seus erros? A vitória de Bolsonaro iniciará o combate não somente a militância de esquerda, mas aos grandes veículos de comunicação, que terão seu espaço privilegiado de fomentadores de terra arrasada esvaziado pelo controle da Polícia Federal para não atuar contra a corrupção. Receita antiga da ditadura, esse aspecto tem outro ponto que seria cômico se não fosse trágico: Bolsonaro sonha em controlar a mídia, como já deu a entender em algumas propostas.

Passado o período do golpe, o PT terá que saber lidar com uma ampla frente democrática contra a tomada do poder por um fascista. Para isso, Haddad tem que assumir protagonismo, uma vez que independente da avaliação que tenhamos sobre Dilma, o que o brasileiro pensa é que não dá pra confiar novamente na indicação de Lula, por mais agradecido que o povo seja ao ex-presidente. O PT deve fazer, urgentemente, a autocrítica sobre seus erros. A cobrança não é só de Marina ou Ciro, como foi na campanha do 1º turno, mas do povo brasileiro. Quem duvidar, observe as urnas. Cada visita que Haddad fizer à Lula vai parecer que não tem autonomia e que é mais dependente do ex-presidente do que Bolsonaro do Posto Ipiranga Paulo Guedes. A militância petista não pode enxergar o movimento dessa frente democrática como uma massa de filiados, de pessoas que gostam do PT, mas sim um último suspiro na tentativa de evitar que um intolerante que persegue minorias e quer entregar o país chegue ao cargo mais alto da República.

Feita a autocrítica, a campanha de Haddad começará a crescer não somente em números, mas em qualidade. Bolsonaro, por sua conhecida preguiça intelectual e desinteresse pelos estudos, não tem a mínima condição de debater com Haddad, um doutor respeitado na comunidade científica por pesquisadores das mais diferentes colorações partidárias. Resta à Bolsonaro continuar jogando com a desinformação de memes do MBL e milhares de sites com fake news ainda não derrubados,com manchetes sensacionalistas que seus eleitores adoram compartilhar sem sequer ler o conteúdo. Não adianta discutir as inúmeras investidas de Bolsonaro contra as mulheres, negros, gays, pois os eleitores dele não se importam com isso – inclusive compactuam com a visão preconceituosa do capitão. O que vai virar voto a partir de agora é debater o plano de governo (ou seria Carta de Intenções) de Bolsonaro, mostrando os cortes de direitos trabalhistas, aumento da CPMF, perseguição à mídia (institucional e independente) e prejuízos ao trabalhador em geral com sua carteira de trabalho verde e amarela. É hora de mostrar como Bolsonaro sempre votou contra o povo em seus 28 anos de mordomia na Câmara dos Deputados. O Nordeste já deu a dica e no Ceará, que tem 77 das 100 melhores escolas públicas do país, Bolsonaro ficou em 3º lugar, perdendo para Ciro e Haddad.

Não há vácuo na política e o voto nulo ou a desistência de votar não vai deixar o fascista de fora. É preciso se posicionar. Haddad e PT devem ficar pequenos diante da nova configuração de massas que irá tomar as ruas, do ponto de vista de querer capitalizar dividendos militantes com isso. De “Haddad é Lula”, o lema deve ser “Democracia é #EleNão”, obtendo votos para Haddad ou virando votos de Bolsonaro para voto nulo ou branco. Dia 1º de janeiro, certamente o PSOL estará na luta que sempre esteve, com uma bancada ainda maior, fazendo o contraponto das medidas de Haddad e votando contra aos projetos que atacam o trabalhador.

Quando os militares chegaram ao poder em 1964, vários elementos contribuíram para isso: um inimigo criado pela mídia; a promessa de empregos e retomada do crescimento econômico; a pecha de corrupção como patente da esquerda; marcha de famílias organizadas por religiosos estelionatários; a simulação de um ambiente de guerra nas ruas, inclusive com o uso de tanques, apontando para uma ameaça comunista de tomada de poder. Se parte desse cenário é culpa de PT e PSDB – que dividiram o poder e os votos em 1º e 2º turno no último quarto de século -, bem como da mídia ávida por mais verba publicitária e desonerações fiscais, que não aumentemos essa bomba atômica jogada no próprio território elegendo Bolsonaro presidente. A solução de nossos problemas passa pela democracia, sempre.

Não fico feliz com meu voto no 2º turno pra presidente, mas ficarei mais triste com a vitória do PSL e a impossibilidade de continuar a votar futuramente. Não é justo que o Nordeste tenha que salvar o país sempre, como

Agora é Haddad, 13, nas redes sociais e nas ruas, porque a pior das democracias vale muito mais do que a menos pior das ditaduras.

Não ao fascismo! Marielle presente! #EleNão

Prof. Rafael Ayan

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Paródia – águas do vaso

Imagem: último segundo

 

Águas do vaso

Baseada na música Águas de Março de Tom Jobim – clique aqui para ouvir

Autor: Rafael Ayan

 

É pau, é pedra, tiro, porrada e bomba

Proposta do Bozo, para a segurança

Fala que o dedo é pênis, MEC distribuiu,

O livro pras crianças, e lá vem fake news,

Quer armar as pessoas, e não é com peixeira,

É a Taurus, lucrando, é açaí com escopeta

 

Tentar até que tento, entender as besteiras

Mas Daciolo é profundo, é o mestre da asneira

Ele segue pregando, com a bíblia na mesa

É URSAL, é o cão, monte sua fortaleza

É Marina falando, que é uma mulher guerreira

Cavalo paraguaio, perde sempre a dianteira

É Goulart, é João, déjà vu de sessenta,

É golpe militar, uma história sangrenta

 

Ciro promete o céu, fala de educação

IDEB de Sobral, pobreza no sertão

É um juros bem pouco, o seu nome limpinho

Lá vai tu de novo, comprar outro carrinho

 

É Geraldo, chamando, vice de Kátia Abreu

Ana Amélia responde, também pode, ser eu

São duas ruralistas, tudo da mesma corja

Veneno na comida, as rainhas da soja

Sósia do Fábio Júnior, com botox na cara

Dizendo que é único, podemos dar risada

Aplaude a Lava Jato, mas que cara sinistro

Por ter sangue tucano, quer o Moro ministro

 

Diz que é, democracia, que é partido, cristão,

O chato do Eymael, vem falar, de nação

São as águas do vaso, um tanto de excreção

Fazendo a analogia, chamo de eleição

 

Amôedo e Meirelles, são banqueiros, pois é

Querem os juros lá em cima, sufocando a ralé

Vai você que é mortal pedir desoneração

O governo te xinga: vagabundo, ladrão

A tal, de Vera, quer o trabalho unido

Assembleias com o povo, e assim decidindo

É Manu, é Haddad, já não tem tantos fãs,

Correndo atrás do tempo, invocando o xamã

Que está trancafiado, fora da eleição

E o Aécio tranquilo nunca viu a prisão

 

Pau, pedra, lona, vizinho

Teto, Boulos, é o caminho

Taxa, rico, rica, oh, foice, martelo,

Cinquenta, PSOL

 

É Sonia Guajajara, o voto do povão

É o voto da massa, despejando o patrão

 

 

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Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil.

 

Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

Clique aqui para baixar o conteúdo da carta em PDF

O relato que descrevo abaixo aconteceu com um discente de minha escola, situada na Cidade Estrutural, e fala sobre o descaso do GDF com o Sistema Socioeducativo. Porém, está longe de ser um caso raro no DF.

Na última quinta-feira, 16/08/2018, um estudante residente na Cidade Estrutural e matriculado em escola no mesmo bairro foi detido por estar com um MBA (Mandado de Busca e Apreensão). Motivo: não frequentar regularmente as atividades da UAMA (Unidade de Atendimento de Meio Aberto), esta situada no Guará. O adolescente recebe um cartão de transporte para ir à UAMA, mas sofre com os inúmeros problemas de quem utiliza o transporte público no DF em relação ao cartão. O pai, único responsável legal, trabalha o dia inteiro e não encontra tempo para representar o adolescente na UAMA, cumprindo a agenda de assinar os documentos formais, dentre outras. O adolescente detido estava acompanhado de 2 irmãos e um amigo, este último também cumprindo medida de liberdade assistida. Ao serem questionados sobre o motivo da apreensão, os policiais civis disseram “isso é assunto nosso”, sem falar para onde o levariam. Tal situação apavorou os irmãos e impediu que o pai o procurasse com maior rapidez.

No sábado, 18/08/2018, passei na casa do estudante e vi conversei com o mesmo. Minha preocupação era porque na sexta-feira, 17/08/2018, ele faltou aula e, para mim, ainda estava sob o poder do Estado. No Dia das Mães desse ano, o adolescente passou pelo mesmo procedimento, dormindo na DCA (Delegacia da Criança e do Adolescente) e retornando para casa no dia posterior, ou seja, já são duas faltas em 2018 de discente retido no ano e vítima da incompetência do governo Rollemberg. Foi então que eu soube o motivo da atual apreensão, a mesma de maio desse ano: atualização de cadastro! Detalhe: o adolescente mora no mesmo local de quando foi apreendido em maio, o que significa que se não atualizaram o cadastro novamente, podemos esperar nova apreensão em pouco tempo por causa da ineficiência do poder público.

É comum adolescentes da Cidade Estrutural que cumprem alguma medida de meio aberto deslocarem-se a pé para a UAMA do Guará, uma vez que o bairro não conta com esta unidade da Secriança (Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude), tendo a violação de direitos aumentada exponencialmente. Ora, caso não haja recursos para a construção de UAMA e lotação de servidores na Cidade Estrutural, fato é que deveriam retirar UAMA com menor número de atendimentos e colocar onde se mais necessita. O raciocínio da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) repetido por Rodrigo Rollemberg durante todo o seu mandato, afirmando não ter dinheiro para gastos sociais, não faz sentido, pois das empreiteiras que investiram (e esse é o verbo adequado) em sua campanha, os pagamentos vultuosos só aumentaram.

Aliás: como explicar a falta de dinheiro se o próprio GDF anuncia a criação de mais duas unidades de internação para adolescentes? Isso deixa claro que a política do governo para a juventude é a de encarceramento e não a de aumentar os atendimentos nas UAMAS, que contribuem para que adolescentes não voltem a entrar em conflito com a lei. Logo a Cidade Estrutural que tem a maior população de crianças e adolescentes no DF é privada de políticas sociais básicas, como uma UAMA, ao passo que a verba de publicidade de Rollemberg foi a ordem de 70 milhões em 2017.

Outro ponto importante a ser destacado é que a reiterada apreensão de adolescentes que cumprem medidas de meio aberto faz com que eles voltem cada vez mais violentos para a escola. Ao contrário dos especialistas socioeducativos (pedagogos, assistentes sociais, psicólogos, dentre outros) que trabalham na Secriança e contam sempre com a segurança dos agentes socioeducativos, além de apoio pedagógico, nós professores da Secretaria de Educação não temos qualquer tipo de proteção dentro da escola e vemos nosso trabalho ser extremamente prejudicado pela conjuntura de abandono da proteção social aos adolescentes do DF. Qual será a solução do GDF? Militarizar as escolas? Armas os professores? Construir mais unidades de internação? É mais barato e eficiente chamar todos os aprovados nos concursos Secriança 2015, de orientador educacional e suprir esta e outras necessidades, além de articular um trabalho intersetorial entre secretarias. Esta é uma forma de otimizar o cumprimento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e colaborar com os objetivos do SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo). Infelizmente, não somente pelo calote nos servidores, o que se percebe do governo Rollemberg é o sucateamento e desmonte do serviço público somados às denúncias de incompetência e corrupção.

 

Att,

 

Rafael Ayan

Professor Atividades no CED 01 da Estrutural

 

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Museu Bolsonaro de Escola sem Partido

Portugal nunca pisou na África!

A afirmação é de Jair Messias Bolsonaro, candidato a presidente do Brasil, no Roda Vida de 30/07/2018. Último país a abolir a escravidão e maior destino de africanos escravizados, o Brasil até hoje penaliza a sua população negra, sobretudo a juventude, ora

Jair Bolsonaro no Roda Viva de 30/07/2018.

com uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, ora com políticas públicas que não chegam aos rincões dos grandes centros urbanos ou do sertão nordestino, a não ser as de encarceramento em massa. Restou aos negros contentar-se com o desencargo de consciência cristão da burguesia de que não precisam de cotas e sim de uma educação básica de qualidade, por mais que esse ensino de qualidade nunca tenha chegado – e nem vá chegar.

Ainda assim, há quem diga que não há dívida histórica e que não deve pagar nada a ninguém, quiçá aos negros que (sic)”se entregaram aos portugueses”. Esse alguém é Bolsonaro. Não é a toa que uma das pessoas cotadas para ser vice de Bolsonaro é exatamente o príncipe sem reino, herdeiro dos Bragança e Bourbon e que sonha em recolonizar o Brasil, como não bastasse a eterna desgraça que os portugueses fizeram com o país. Quer conhecer algo mais contraditório que um monarquista disputando a presidência? Então olhe como o Museu Bolsonaro de História Sem Partido reescreveu a identidade brasileira.

 

A ENTREGA

Camaradagem de escravizados: ceder o lugar no transporte é um hábito que herdamos dos africanos nos navios negreiros, como ensinou Rosa Parks.

Um dos momentos mais marcantes da história moderna é a chegada de navios branqueiros, com europeus ávidos por trabalhar no corte da cana-de-açúcar, na exploração de ouro nas minas gerais e nas plantações de café do Oeste Paulista. Os navios eram chamados de branqueiros por causa da quantidade grande de brancos que vinham neles. Eles aceitavam trabalhar sem ganhar nada por isso. Também haviam os navios negreiros, como mostra essa pintura da época, de Rugendas. Perceba que os negros preferiam viajar nos porões do navio, com pouca ventilação e defecando no mesmo local em que comiam, cedendo a “classe executiva” aos portugueses que seguiam na proa.

 

PORTO MARAVILHA: INAUGURADO EM 1503

Fraude: o suposto Cais do Valongo da literatura esquerdopata jamais existiu!

A esquerda insiste que o Porto Maravilha foi o Cais do Valongo, maior porto receptor de escravizados do Novo Mundo. Marcelo Freixo é um deles. Pesquisadores respeitados em todo o mundo como Demétrio Magnoli e Janaína Paschoal sabem bem que o Porto Maravilha foi inaugurado com esse nome e sempre teve estrutura similar à atual. Essa história de que a arquitetura e inclusive o nome do bairro foi modificado para apagar um possível passado escravagista só demonstra a falta de conhecimento histórico dos comunistas, como o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro (ver clicando aqui). Felizmente, com a vitória de Bolsonaro na eleição de 2018, o Colégio Pedro II, mantido pela União, será militarizado e voltará a contar a verdadeira história cartesiana positivista que o povo brasileiro conhece.

 

DEBRET: O PRECURSOR DA LEI ROUANET

Uber do Brasil Colônia: valorização do trabalho negro como motor propulsor do desenvolvimento do país. Tela em óleo de Debret.

O pintor renascentista, realista e dadaísta Debret gostava de retratar o cotidiano do final do Brasil Império e início do Brasil Colônia. Alés dos “istas” já apresentados, Debret também era gayzista, satanista e comunista, mesmo tendo morrido em 1848, ano em que Marx se tornou mundialmente famoso com o Manifesto do Partido Comunista e um século antes dos sucessos de Jean Wyllys e Raul Seixas com os termos. Porém, uma coisa que Debret gostava era de mamar nas tetas da monarquia, seja ela portuguesa ou brasileira, quer dizer, com D. Pedro I, portuguesa também. Pintava momentos inoportunos, como os mostrados acima, dando a entender que havia forte estratificação social no Brasil. O que existiu, de fato, foram negros trabalhando como elevadores (subiam brancos nas costas para acessar andares mais elevados de prédios) ou mesmo transportando pessoas na cidade em armações móveis de rede. Tudo isso fez com que a economia da colônia, à época concentrada no latifúndio da cana-de-açúcar e, posteriormente, com a crise da derrama, houvesse dinheiro em circulação – e o pagamento era na hora, não era como o Uber que só paga na quarta-feira.

 

PAÍSES LUSÓFONOS: O EFEITO PELÉ

Países Lusófonos: a procura pelas escolas de idioma que lecionem português é uma consequência direta do bom futebol brasileiro apresentado no século XX.

Os terra-planistas como Bolsonaro não entendem direito quando se fala que o mundo é uma bola, mas numa coisa concordam: se Portugal nunca pisou na África, então a única coisa que explica africanos deixarem sua língua de lado para falar português foram as investidas de Pelé após consagrar-se tricampeão em 1970, conquistando a Taça Julies Rimmet. O Pelé, falado assim, na terceira pessoa, pelo próprio Edson Arantes do Nascimento, virou uma espécie de divindade, dando palestras e inclusive interrompendo guerras em regiões de conflito do Oriente Médio. O que reforça essa teoria é o fato de Cristiano Ronaldo, o CR7, ter se sagrado 5 vezes o melhor do mundo. Mas se você ainda não acredita, perceba que a Europa tem ganhado as últimas copas, o que explica que os outros países da África falem alemão, italiano, francês e outras línguas européias. Neocolonização e roubo das riquezas naturais africanas é discurso de esquerda rancorosa. A Europa é rica porque tem menos impostos, governos liberais e incentivo ao empreendedorismo.

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Caso tenha achado mais alguma pérola para o Museu Bolsonaro de História Sem Partido, entre em contato com o blog. A obra poderá ser apresentada nesta página. 

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Crônica – Qual sua história no Parque da Cidade?

É possível um brasiliense ficar 30 anos sem ir ao foguetinho do Parque da Cidade Sarah Kubitschek em Brasília?

Sim! Eu fiquei. As últimas vezes que vim à este setor do parque foram em 1988 para aprender a andar de bicicleta com meus pais e depois com Marcia AyanTio Bruno O Mágico e Osmar Beserra Alves Dias para pedalar até o castelinho.

No mesmo parque, após 1988, já fui ao Kart Carrera, nas quadras poliesportivas, no Nicolândia, no campo de areia, no campo de grama (terra), na Escola das Meninas e dos Meninos do Parque, na Escola da Natureza, no Gibão, nas churrasqueiras, no Barulho, ja fiz cooper no maior percurso, fui ao show do Asa de Águia e na Expotchê no pavilhão, nos shows do Bel Marques e tributo à Tim Maia na Praça das Fontes, no pagode do Pirraça, andei de bicicleta de duas rodas (e de 4 rodas também), fora as vezes que matava aula no CASEB (Ensino Fundamental II – 1994 a 1997) e no Setor Oeste (2° e 3° anos – 1999 e 2000) pra ir beber embaixo das árvores perto do pedalinho ou da finada piscina com ondas. Quando tinha 15 anos, até passei pelo buraco na cerca que vai para o cemitério e fiquei com um grupo de góticos discutindo vida pós-morte (sempre com um pé atrás por achar que aquela maquiagem deles estava tão bem feita que eu poderia estar a falar com alguém que já se foi). Perdi a conta de quantas vezes peguei carona ao lado da “Igreja Baleia” pra ir pra casa do Lucas no Cruzeiro Velho, quase sempre descendo no Cruzeiro Novo e volta e meia destilando o preconceito típico dos juvenis da década de 1990: “acho que esse cara era gay, tava olhando pra sua perna, vi até que resvalou a mão quando foi passar a marcha”. Foi ali no Parque da Cidade a primeira vez que experimentei substâncias psicoativas sem o carimbo da ANVISA, sempre na onda de bancar o mais velho com o jargão “claro que já usei né véi?”.

Porém, lá naqueles brinquedos embaixo do foguetinho, ali, nunca mais fui. Volto agora após 3 décadas com minha esposa e filha, revivendo o que é o setor mais tradicional e que criou gerações nos brinquedos mais simples que resistem aos eletrônicos da atualidade. sexta-feira 13 de 2018! Pisar naquela areia é simbólico por saber que ela já foi por mim tocada há 30 anos, sendo que parte dela foi levada pra casa nos ferimentos com sangue dos tombos de bicicleta e na lágrima escorrida no rosto marrom de poeira. A mão direita do meu pai ia no guidão e a esquerda embaixo do banco, empurrando até que eu me equilibrasse por um milésimo de segundo. De novo. Outra vez. Pronto, agora eu já ficava 3 segundos e sorria dizendo que sabia andar, por mais que o tombo fosse maior.

Embora eu e minha esposa sejamos professores da rede pública do DF e façamos muitos passeios para o parque, geralmente eles são para o Nicolândia ou para a parte das quadras. Mas hoje foi a vez de minha filha Raíssa. Eu pensava alto:

“Vai lá filha, corre, se suja, brinca muito. Esta areia também é sua, como é de quem já se foi e de outras pessoas que virão. Vem aqui na arquibancada ver o palhaço, vem. Bem… melhor voltar pra areia porque esse palhaço é muito ruim. Você gosta de pipoca rosa filha?”.

A lanchonete com as máquinas de refrigerante que pareciam colmeias não existe mais. Restaram os banheiros, um bebedouro de desenho mais próximo ao do século XXI e aquele mar de pombos. E claro, ali, ao nosso lado, imponente, o foguetinho, observando tudo e todos. O foguetinho que, para adultos, nunca decolou, mas fez eu e outras crianças viajarmos pra onde queríamos em um simples piscar de olhos. Faça chuva ou faça sol, ele está lá, gratuito, full time, como o balão mágico da década de 1980 que cabia todas as crianças do mundo.

Como numa espécie de batismo do Parque da Cidade, Raíssa colocou areia na boca e ficou com cara de quem comeu jiló. Riu, correu, abraçou a mãe, o pai, fez pose para umas fotos, ignorou outras. Raíssa não foi ao foguetinho, mas fez o reconhecimento de terreno para a sua primeira viagem que será em breve. Sonhe Raíssa, porque infância é pra sonhar mesmo. Chegou sua vez de transformar cada grão de areia em uma história no parque e imaginar o que nem eu ou sua mãe ou qualquer adulto vai conseguir entender. Teu sonho é grande, é como o riso das crianças que brincam contigo: não tem fim. E quando souberes ler e se lembrar desse dia, espero ainda poder ter o prazer de dormir ao seu lado para quem sabe sonharmos juntos uma viagem no foguetinho.

Se você leu esta história até aqui é porque se emocionou e se reconheceu em algumas aventuras, lembrou de outras… Caso queira compartilhar seu momento comigo e outros leitores do blog, pode utilizar o espaço dos comentários para isso ou publique em seu site e me comunique. É sempre um prazer reviver o Parque da Cidade que existe em cada um de nós brasilienses natos ou adotados por este local mágico.

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Plantando uma treta com a esquerda e com a direita

Quer ver eu causar uma treta com a esquerda e a direita ao mesmo tempo?
 
O liberal Anísio Teixeira e o socialista Darcy Ribeiro criaram um dos projetos educacionais mais eficiente e eficaz do mundo na época da construção de Brasília, no Plano Piloto.
 
Pronto, agora a direita vai dizer que o projeto nunca existiu ou foi demasiadamente estatizado e a esquerda vai discutir o estado da arte para saber se Darcy Ribeiro era socialista raiz, nutella ou nem isso, mas o que temos de concreto mesmo, com anos de ataque de Joaquim Domingos Roriz, Cristovam Buarque, José Roberto Arruda, Rogério Rosso, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg são jardins de infância, escolas classe, escolas parque, escola polivalente e centros de ensino médio (Setor Oeste, Setor Leste, Gisno, Paulo Freire, CEAM, Elefante Branco) que formaram para alémdo currículo tradicional milhares de brasilienses natos ou “aconchegados”.
 
O brilhantismo do baiano Anísio Teixeira, criador e ex-reitor da UnB – deposto pelo golpe militar de 1964 -, aliado ao pensamento inovador do mineiro Darcy Ribeiro, também criador e ex-reitor da UnB e perseguido pelos militares, têm muito a ensinar à direita e esquerda atual sobre os perigos de ruptura da democracia, sem capitular para a governança de coalizão (qualquer que seja o nível). “Curiosamente”, para a ditadura militar, os dois educadores eram farinha do mesmo saco.
 
O resultado do militarismo no comando do país todo mundo já sabe: o liberal Anísio Teixeira “apareceu morto” no fosso do elevador do prédio Aurélio Buarque de Holanda, onde residia. Já o socialista Darcy Ribeiro teve os direitos políticos cassados e foi exilado.
 
Não falo isso para que esquerda faça uma chapa com a direita para governar o país, até porque jamais se chegaria à um consenso e, ainda que chegasse, eu não elogiaria e sim criticaria essa fórmula que leva indubitavelmente ao fisiologismo. Contudo, o consenso possível entre os democratas deve ser o de que Bolsonaro não pode ganhar, porque não seria uma derrota dos liberais ou socialistas, mas uma derrota da democracia – e esta, definitivamente, é o que permitiu à Anísio e Darcy sonharem juntos a UnB e a educação básica de Brasília.
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UnB: 10 anos da ocupação de 2008!

Assembleia Estudantil de 9 de Abril de 2008: reocupação da Reitoria da UnB.

Daqui a um mês completam 10 anos que a reitoria da UnB foi ocupada por estudantes. Naquele tempo a UnB figurava nas páginas policiais dos jornais com denúncias de corrupção que pairavam, primeiramente, contra o então reitor Timothy Mulholland. A relação promíscua com fundações de apoio de direito privado, sobretudo a FINATEC, mergulhou a UnB numa forte crise. O patrimonialismo foi tão latente que Timothy morava em um apartamento que era, ao mesmo tempo, residência e representação institucional do GRE (Gabinete do Reitor), ou seja, as contas de água, luz e mobília para o local eram pagos pela UnB, mas desfrutados sem possibilidade de fiscalização pela família do ex-reitor.

O CONSUNI (Conselho Universitário), teoricamente o maior espaço deliberativo da universidade, reuniu-se nas férias de verão para discutir o tema e Timothy afirmou jamais ter visto tamanha perseguição da imprensa à reitoria da universidade. Disse ainda que um dos motivos para tal perseguição foi o modelo de cotas raciais adotado pela UnB em 2004, tentando mitigar os efeitos da crise nos discentes despolitizados. Em vão: após duas assembleias no Ceubinho que não surtiram efeito, a reitoria desdenhou da organização dos estudantes e deixou apenas dois guardas patrimoniais na rampa da reitoria. Na quinta-feira, dia 3 de abril, o 3º andar da Reitoria, onde encontram-se o Gabiente do Reitor e Salão de Atos da Reitoria foi ocupado por cerca de 150 estudantes, um número baixo comparado ao de outras ocupações.

A reitoria da UnB é um prédio relativamente grande e difícil de ser totalmente ocupado. Daí as ocupações concentrarem-se no 3º andar. Como ocorre em todas as ocupações, o reitor ordena que se bloqueie a rampa, desligue os elevadores e reforce a subida da rampa pelo térreo, esperando que os ocupantes desçam e não permitindo a subida de mais pessoas. A estratégia da reitoria foi acertada: no final de semana, a ocupação esvaziou, principalmente por alunos que tiveram sua primeira experiência de ação direta e os que tinham provas próximas. Na Segunda-feira, dia 9 de abril, a ocupação contava com cerca de 60 pessoas – eu fiz esta contagem! Era necessário reocupar o prédio ou a ocupação terminaria naquele dia. Uma assembléia foi marcada para meio-dia e a maioria de 1.600 discentes presentes decidiram reocupar o prédio. Houve pancadaria entre estudantes e prestadores de serviço, sendo que alguns lá estavam a contragosto.

O resultado foi o início de um processo que culminou na destituição da administração da universidade, com fortalecimento de estudantes e técnico-administrativos enquanto categoria, materializado parcialmente no modelo de Paridade Potencial de “eleição” para a reitoria. Para quem acompanhou o movimento pela televisão, achou que o motivo da revolta eram as lixeiras de aproximadamente mil reais compradas pelo ex-reitor para a cobertura na 210 norte, mas a dinâmica do movimento revelou outras demandas mais importantes.

 

Estudantes

 

A gestão do DCE da UnB, “Nada será como antes”, havia tomado posse no dia 1º/11/2007, fim de semestre letivo. Logo, a crise caiu como um grande desafio ao grupo que era composto pela juventude do PSOL, PSTU e estudantes independentes, dentre estes, o Instinto Coletivo, grupo o qual eu participava e que havia ficado em 2º lugar nas eleições pro DCE de 2006. Fortaleceu-se também, durante a ocupação, o grupo Reconstruindo o Cotidiano, com membros ligados à Articulação de Esquerda, corrente interna do PT.

A UJS (União da Juventude Socialista), juventude do PC do B, estava enfraquecida após compor com a juventude da DS (Democracia Socialista), outra corrente do PT, a gestão Para Todos (2006-2007). Continuou desgastada após a ocupação, principalmente por ser diariamente denunciada pela Oposição CCI (Classista, Combativa e Independente), atual RECC. Outros estudantes autonomistas organizavam-se no MPL (Movimento Passe Livre) e foram essenciais na organização de ações direta de segurança do local.

Por fim, havia a UEI (União dos Estudantes Independentes), grupo heterogêneo criado em 2007 por estudantes insatisfeitos com a greve docente – e que teve um racha ideológico relevante com o processo de ocupação da reitoria. Embora muitos estudantes da UnB não saibam, a UEI foi o germe que culminou na criação da Aliança pela Liberdade, grupo de orientação liberal que ganhou quatro eleições para o DCE da UnB. A juventude tucana até arriscou alguma aproximação no momento de efervescência política e mobilização estudantil, mas não obteve o mínimo êxito.

Estes foram os principais grupos estudantis que fizeram parte da mobilização de 2008 e que mudaram um pouco a cultura de hegemonia docente na UnB.

 

Técnicos

 

Historicamente, o PT foi o partido que esteve à frente do SINTFUB (Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília). Assim como nas outras universidades brasileiras, a UnB sustenta a excrescência de haver dois sindicatos: ADUnB (Associação dos Docentes da UnB) e SINTFUB para representar servidores de uma mesma fonte pagadora. Contudo, a categoria dos técnicos sempre foi a mais personalista, com grupos que rondavam nomes e nem sempre projetos políticos, por mais que fossem distintos.

A gestão do SINTFUB também tinha mais cadeiras na FASUBRA (Federação de Sindicato de Trabalhadores Técnico-Administrativos de Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil) e monopolizava o debate sindical de forma bastante ruim, pautando basicamente a defesa da URP, uma gratificação correspondente à 26,05% do vencimento básico dos servidores da UnB.

Havia também o “grupo do Lima”, servidor do COPP (Coordenação de Proteção ao Patrimônio), que foi candidato a reitor da UnB em 1993 – e foi o estopim para que Fernando Henrique Cardoso criasse a lei n. 9.192/1995, eliminando do pleito a presença de estudantes ou técnicos. Lima foi filiado ao PSTU, mas foi afastado após apoiar Márcio Pimentel (Instituto de Geociências) no 2º turno das eleições pra reitoria da UnB em 2008. A expulsão concluiu um desgaste iniciado no 1º turno quando Lima apoiou Volnei Garrafa, professor militante do PT, ao cargo máximo da instituição. Este era um dos grupos mais fortes, com muitos votos na segurança. Por esta razão Pimentel insistiu no apoio de Lima.

O grupo de militantes próximos ao PSOL era composto, dentre outros, por Rogério Marzola, Socorro Marzola e Côrtes. Disputavam com o grupo de Lima os votos de técnicos, uma vez que os votos de quem estava na gestão do SINTFUB eram mais coesos. Também gestava-se o grupo Classe E, um contra-senso jurídico e principalmente político defendido por Frederico Mourão, servidor da BCE (Biblioteca Central). Fred, como é conhecido, reivindicava uma associação para servidores com nível superior que esvaziaria os técnicos Classe E do SINTFUB. O que existia de fato era um preconceito de servidores de nível superior com os de nível médio. Percebendo o enfraquecimento da categoria com esta divisão, a maioria dos técnicos de nível superior não embarcaram na ideia dessa associação.

Por fim estavam os servidores ligados à administração superior, muitos lotados na reitoria. Eram servidores concursados ou prestadores de serviço que concentravam poder sobre outros trabalhadores em função da vista grossa feita pela reitoria. Estavam ligados à limpeza, jardinagem, segurança e cerimonial da universidade. Esse grupo era minoritário e sua defesa da gestão cambaleante de Timothy só fez expor ainda mais o estado de putrefação não republicano em que a UnB se encontrava. Certo é que a maioria dos técnicos apoiou a ocupação.

Uma consequência natural da Paridade Potencial foi o fortalecimento do voto dos técnicos. Em número absoluto, são um pouco maior que o de docentes, mas a maioria está na universidade em dias úteis e votam em peso nas consultas para reitor. O resultado disso foi que a categoria transformou-se no fiel da balança e uma gestão que não tenha bom relacionamento com os técnicos é facilmente derrotada nas urnas. Isso aconteceu com a gestão de José Geraldo Junior (2008-2012) que colocou uma inimiga histórica da categoria na Secretaria de Recursos Humanos. A Secretária quis implantar ponto eletrônico e em 2012, a categoria votou na chapa de oposição: Ivan Camargo (Faculdade de Tecnologia) e Sônia Báo (Instituto de Ciências Biológicas). Por sua vez, Sônia, outra inimiga dos técnicos, quis manter pulso de ferro com os servidores e em 2016 sua chapa de reeleição foi derrotada em 1º turno por Márcia Abraão (Instituto de Geociências) e Henrique Huelva (Instituto de Letras).

 

Docentes

 

É inegável que até o momento das denúncias contra Timothy, o ex-reitor gozava de amplo apoio entre os docentes. Contudo, a gravidade das denúncias, a exposição diária na mídia, a investigação do Ministério Público chegando às unidades acadêmicas e de apoio como o CESPE (atual CEBRASPE) e Editora da UnB e a ocupação e reocupação da reitoria fizeram Timothy declinar do cargo. Numa das assembléias da ADUnB, o professor Tarcísio Marciano Rocha Filho, do Instituto de Física, disse que o saca-rolhas comprado para a cobertura do ex-reitor teria custado o mesmo que sua bolsa de pesquisa. Este é o tipo de fala que choca a moral burguesa de docentes que se consideram imparciais e revela o escárnio em que a UnB, via Conselho Diretor da FUB (Fundação Universidade de Brasília), driblava decisões do CONSUNI e omitia atas de suas reuniões para manter seu poder paralelo. Se era verdade que mais docentes participavam da farra com o dinheiro público, uma maioria – que inclusive votou em Timothy – sentiu-se duramente golpeada e rompeu definitivamente com a gestão, exigindo renúncia imediata. A adesão da UnB ao REUNI (Programa de Reestruturação das Universidades Públicas Federais) sem a discussão com os institutos e faculdades, criando cursos à revelia e sem o consentimento de docentes, foi outro fator que minou Timothy.

No dia 8 de abril, em entrevista coletiva fora da agenda, no CET (Centro de Excelência em Turismo), Timothy informou que não renunciaria e saiu às pressas quando soube que estudantes se deslocavam para o local. Não aguentou por muito tempo: no dia 10 de abril, em carta lida pela ex-decana Dóris Faria na Assembleia de Docentes, Timothy comunicou afastamento do cargo, sendo imediatamente substituído pelo vice-reitor Edgar Mamya, da Faculdade de Tecnologia. Mamya, O Breve, chegou a dizer que não deixaria a universidade acéfala, mas já no dia 12 de abril entregou o cargo e abriu o caminho para a “eleição” de uma gestão pro tempore.

A disputa de poder entre docentes tomou outro contorno com a ocupação da reitoria. Pelo lado dos chamados timothystas havia o professor do Departamento de Filosofia Wilton Barroso Filho, uma espécie de porta-voz da reitoria. Ele foi um dos que, ainda na gestão Timothy, costurou o ato em que servidores foram vestidos de branco à reitoria exigir o fim da ocupação e dizer que queriam trabalhar, simbolizando sua pauta num abraço à reitoria. Na imprensa, servidores que não quiseram se identificar disseram que foram coagidos a comparecer ao ato.

A Diretora da Faculdade de Educação (FE), professora Inês Maria de Almeida, foi outra entusiasta de que Timothy voltaria à reitoria, inclusive divulgando uma carta que falava de crise e no fundo apoiava o fim da ocupação. A Diretora do Instituto de Letras (IL), professora Maria Luiza Ortiz, cubana reconhecida internacionalmente nos movimentos de esquerda, infelizmente caiu nessa armadilha. Isto demonstra a complexidade do movimento docente, pois as Assembleias ampliadas da FE e IL, bem como outras unidades acadêmicas e programas de pós-graduação, aprovaram apoio à ocupação. O apoio à Timothy custou à Inês a não reeleição à Direção da FE em 2010.

Pra se ter uma ideia de como os docentes se movimentavam, houve uma reunião do promotor do Ministério Público com docentes progressistas como Rodrigo Dantas (filosofia), Rita Segatto (Antropologia), dentre outros, na casa do professor Marcelo Hermes-Lima (Instituto de Ciências Biológicas), um impertinente blogueiro liberal que tirou votos da campanha do professor Michelângelo Trigueiro à reitoria em 2008 e fotografava professores sem o seu consentimento para montar novelas em seu blog. Se eu não estivesse nessa reunião não acreditaria em tamanha miscelânea, mas isto comprovou o descontentamento com Timothy.

 

Consequências objetivas e subjetivas da ocupação

 

A ocupação teve várias conseqüências, dentre elas, o debate sobre a democratização dos espaços de decisão da universidade. O número de cadeiras de representação de estudantes e técnicos nos conselhos superiores não aumentou, mas umas das conseqüências com a queda do reitor e vice foi a eleição de uma comissão que elaborou as regras de consulta à comunidade acadêmica para escolha de reitor. A comissão foi eleita entre os membros do CONSUNI.

Participei desta comissão com docentes progressistas como Paulo Cesar Marques (Engenharia Civil) e o saudoso Elício Bezerra (Faculdade de Educação), falecido em 2016. Na Comissão, conseguimos aprovar um documento a ser votado no CONSUNI com redação de Paridade Potencial, ou seja, o denominador da fórmula com a porcentagem de peso de voto por categoria se daria em cima do número de aptos a votar e não de pessoas que votaram. A fórmula despretigiou muito o setor discente, mas foi o possível naquela conjuntura, sendo uma votação apertada no CONSUNI após muita mobilização nos institutos e faculdades – incluindo unidades acadêmicas que em suas bases votaram a favor da paridade e foram representados por professores que agiram de má fé, como ocorreu com o Instituto de Ciências Humanas. A Lista Tríplice encaminhada ao Ministério da Educação (MEC), infelizmente, continuou.

A ocupação permitiu a divulgação de documentos que comprovavam o saldo devedor da FINATEC com a UnB em mais de um milhão de reais. Outro esquema derrubado foi a da Associação de Ex-Alunos, do então presidente Marcelo Valle Sousa, que gerenciava e cobrava 200 reais pela formatura. A partir de 2008 a formatura passou a ser gratuita para todos os cursos.

Os esquemas ligados à técnicos e prestadores de serviço, num primeiro momento, foram parados. Destaca-se que ninguém fazia algum evento na UnB sem que se contratasse o serviço de segurança, por exemplo, de determinado servidor que, por vezes, ganhava em seu horário de trabalho para fazer outro serviço terceirizado. Se você ameaçasse contratar outro serviço de segurança, o servidor dizia que dentro da universidade só ele é quem podia trabalhar. Somava-se à essa máfia e com forma análoga de funcionamento serviços de limpeza que fossem contratados pela comunidade acadêmica para determinado evento. Estudantes de centros acadêmicos ou do DCE que resolviam fazer festas no Centro Comunitário sabem bem como funcionava essa quadrilha.

Quase todos os grupos que lutaram pela paridade indicaram à seus representantes do CONSUNUI que votassem em Roberto Aguiar, ex-professor da Faculdade de Direito, para assumir a reitoria da UnB. Este grupo era apoiado pelo professor José Geraldo Junior, também do Direito, e Cristovam Buarque, ex-reitor e senador da República. Aguiar ganhou e fez uma gestão que não se limitou a organizar a próxima consulta. A venda de imóveis foi um fator de discordância que retirou muitos votos de José Geraldo, seu sucessor no cargo.

A ocupação enquanto instrumento de politização teve muita importância. Ver estudantes que jamais repartiram nem o bolo de aniversário tomando banho utilizando canecas, economizando água e alimentos que vinham puxados por uma corda na janela do Salão de Atos da Reitoria foi uma experiência que me fez perceber o quanto a prática da ação direta, ainda que não revolucionária, fomentou a quebra da inércia do movimento estudantil diante da crise na UnB. Virar a cadeira do reitor e visualizar que é patrimoniada pela FINATEC economiza horas de debate para mostrar como as fundações controlam a universidade. Já diz o ditado: quem paga a banda, escolhe a música!

Entretanto, estes são de longe os maiores problemas. Já no primeiro dia de ocupação, a reitoria desligou a energia e água. Um estudante caiu da rampa mas, felizmente, teve somente escoriações leves. No dia seguinte a reitoria religou os serviços. No dia 9 de abril, a estrategia de descer em grupo, de braço entrelaçado e unido com os poucos que sobraram para encontrar o grupo do térreo e quebrar o bloqueio da segurança foi o que facilitou a entrada de novos manifestantes, com a tomada por completo do prédio. Contudo, a troca de pontapés e socos com guardas patrimoniais machucou vários discentes.

A pauta de reivindicação estudantil não foi integralmente cumprida. Um dos pontos mais graves foi a criminalização de estudantes, como Eduardo Zanata, estudante de Letras, que segurava o caixão do DCE no dia da ocupação do Gabinete do Reitor. A paridade foi parcialmente conseguida, mas o debate da assistência estudantil deixou de ser o quintal das prioridades da reitoria. Prova disso foram as audiências públicas que discentes da CEU (Casa do Estudante Universitário) mobilizaram e conseguiram.

A rádio da ocupação, organizada pelo coletivo Ralacoco, permitiu a contra-informação da grande mídia. Foi realizado um concurso e a rádio recebeu o nome de 5 mil por hora, em “homenagem” à multa que a justiça burguesa estabeleceu ao DCE por não cumprimento da entrega do prédio. A multa, obviamente, não foi paga. Porém, a festa “comemorando” um milhão da multa teve a participação até dos estudantes que eram contra a ocupação e debochavam da cobrança absurda da justiça.

Naquela época o debate de gênero não era tão forte como é hoje. Era comum ver os homens sem camisa na ocupação, algo impensável atualmente. Dois discentes, ambos do DCE, merecem destaque: Luiza Oliveira, estudante de Sociologia, e Fábio Felix, estudante de Serviço Social. Luiza, então militando pelo PSTU e Fábio, referência do PSOL entre os estudantes e militante LGBT, eram conselheiros do CONSUNI e apresentavam-se sempre bastante politizados, desconstruindo categoricamente o discurso de conselheiros docentes contrários à paridade.

As executivas de curso apoiaram a ocupação irrestritamente. À época eu militava na Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) e tinha contato com outras executivas de curso que fizeram sua parte na comunicação, desgastando a reitoria. Discentes de vários lugares do país vieram se somar ao movimento da UnB. Compareceram parlamentares da CLDF como Érika Kokay e Reguffe. A ADUnB, sob a presidência da professora Rachel Nunes (Psicologia), doou marmitas. Outros restaurantes e pais de estudantes fizeram o mesmo. Era comum ver chegar um carro com alguma doação e mensagens de força e apoio às nossas pautas. Uma das novelas da Rede Globo fez menção ao movimento – claro, da sua forma tosca, com uma senhora ao telefone dizendo que aceitava o convite da ocupação para ir dar uma palestra para a ocupação. Docentes ofereceram aulas no hall do prédio. Pra quem não acreditava em almoço grátis, perdeu as bandas que tocaram nas noites sem cobrar um centavo. Poetas, inclusive GOG (salve GOG!), deram seu abraço.

Enfim, este foi um breve relato do processo de ocupação da UnB em 2008. O meu olhar sobre os acontecimentos foram de estudante, técnico, conselheiro do CONSUNI e militante do DCE. Outros olhares virão e é bom que saibamos juntar essas partes para construir o que foi o movimento de 2008 e seus desdobramentos.

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