Maia bota fogo em Temer

A novela da sucessão presidencial brasileira não chega ao fim. Rodrigo Maia não preside mais nenhuma sessão da Câmara dos Deputados sem que saia para se reunir com representantes do setor financeiro, líderes de partidos da base governista, Centrão e até mesmo com membros do PT. A situação de querer Maia no lugar de Temer é tão grande a ponto de Gleisi Hoffman, presidente do PT, ter que agir publicamente proibindo negociatas entre os parlamentares petistas e o deputado do DEM. Contudo, é o tipo de ação que não surtirá efeito diante do revanchismo, ânsia em derrubar Temer, auto proteção e tudo o mais que envolve a ascensão de Maia ao Planalto.

Na noite dessa quinta-feira (06/07/2017), na Argentina, Maia não parava de pegar o celular em meio à um encontro com parlamentares latinos. Questionado pela imprensa, disse que estava de olho no jogo do Botafogo pela Libertadores da América. Genial! O sucessor de Temer quer passar a ideia de que não é outro vampirão sem sal, entoando a mesóclise de forma equivocada, querendo passar ar de culto e não envolvido com os “notórios bandidos” que há apenas 2 meses frequentavam sua casa. Rodrigo Maia tenta passar a imagem de “nossa gente”. Em meio a tantos escândalos e de afastamento da política do cotidiano, Maia afirma lealdade à Temer ao mesmo tempo em que o cozinha em banho maria e posa de engomadinho playboy de 47 anos que pode salvar o país da crise. O exemplo de Collor como caçador de marajás não nos foi o bastante!

Bem, poderíamos ficar com a análise política do parágrafo anterior, mas verdade seja dita: Maia é a única chance de um botafoguense ganhar algo fora do Rio de Janeiro. Logo, cabe a nós, torcedores de todo o Brasil e principalmente de times cariocas, no mínimo, ter solidariedade com o Glorioso de uma estrela e, mais do que nunca, gritar #ForaTemer

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Vicente Pires e o quase voto distrital

 

Alô população de Vicente Pires! Já sabem da última? Parte dos líderes comunitários de nosso bairro quer eleger um deputado distrital e um deputado federal, digamos, nativo. O que essas pessoas têm em comum? Bem, todos se afirmam de direita, cristãos, ou seja, o contrário de mim, que sou socialista e agnóstico. Porém, a principal diferença é que não sou candidato! Logo, posso falar sem paixões desse processo para a escolha de deputado distrital. Perceba você leitor(a) que utilizando as estatísticas das últimas eleições e conhecendo um pouco os envolvidos na disputa, você irá concordar em gênero, número e grau comigo – quer dizer, os pastores não vão concordar em gênero porque acham que é coisa de esquerdista!

 

Voto Distrital e Voto Proporcional

 

A proposta dos líderes comunitários visa unir todos moradores de Vicente Pires para conseguir uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e outra na Câmara Federal. Até aí tudo bem, mas adivinhe como eles querem fazer isso? Fazendo com que o bairro tenha somente um candidato a deputado distrital e um candidato a deputado federal. Sim, já pode rir, a piada pronta é essa!

Em eleições proporcionais, como são as de deputado distrital e deputado federal, é muito mais fácil atingir o quociente eleitoral e eleger um candidato quando se tem vários candidatos em uma mesma coligação. Assim, um puxa voto para o outro e aquele que tiver mais votos entra. Os partidos sabem bem disso: se um candidato tem pouca inserção na região A, coloca-se um candidato B para puxar votos e os votos de A e B podem eleger A, B e/ou C, D e assim por diante. Se o puxador de votos for bom, como Arruda, Clodovil e Enéas em 2002, Tiririca ou Reguffe em 2010 ou Eduardo Suplicy em 2016, mais candidatos são puxados e ganham a eleição.

Também podem ocorrer coligações bizarras (na verdade elas são regras), como a do PT-PROS em 2014 que elegeu Érika Kokay (PT), militante feminista e defensora dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e, de outro lado, Ronaldo Fonseca, fundamentalista evangélico mentor do Estatuto do Nascituro e Bolsa Estupro – e que está no terceiro casamento, vale lembrar. Quem era contra Kokay ou Fonseca, ao votar em um deles para barrar o outro, levou ambos para a Câmara dos Deputados. Acontece que esses líderes comunitários de Vicente Pires sequer compreendem como ocorre a eleição, mas querem participar dela – e serem eleitos. Não é preciso dizer que falta combinar com os milhares de eleitores de Vicente Pires para votar no candidato que propõem, ainda que não gostem dele, como se o bairrismo de votar em quem os líderes comunitários apontam fosse maior que o corporativismo da polícia, professores ou religiosos que sempre elegem seus representantes.

Portanto, o que os líderes comunitários propõem é o voto distrital, que não existe no Brasil e não passará na Reforma Política do digníssimo #ForaTemer que não tem tempo de fazer nada a não ser se defender de acusações de empreiteiros e especuladores travestidos de açougueiros. No voto distrital os deputados são eleitos por distritos, geralmente separados por quantidade de moradores ou eleitores (e não por região administrativa). Cada representante só pode fazer campanha naquele distrito. Assim, só recolhe votos nas zonas e seções de sua região. No sistema atual, os moradores de Vicente Pires votam em candidatos de qualquer lugar do DF. É bem possível que um candidato tenha mais votos fora de Vicente Pires do que dentro do bairro.

 

Possíveis candidatos de Vicente Pires                 

 

Vamos então conhecer uma pequena lista dos possíveis e eternos candidatos de Vicente Pires.

Dr. Charles – para quem não sabe, foi o “nosso” primeiro deputado nativo e nunca fez nada por Vicente Pires. Ficou famoso por colocar o seu banquinho na Praça do Relógio em Taguatinga e consultar gratuitamente, ou seja, dizer que você tem virose. Ficou famoso por um esquema de funcionários fantasmas e também por ser cooptado para votar em Rogério Rosso em abril de 2010, após a saída de Arruda no escândalo do Mensalão do DEM da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=xZedM4TAba8

Dirsomar Chaves – apadrinhado político de Geraldo Magela (PT), Dirsomar quase ganhou para deputado distrital no pleito de 2010. Dos 11.928 votos em 2010, caiu para 10.186 votos em 2014, uma perda de 15% de eleitorado. Com o PT no painel da Lava Jato, sem palanque de expressão ao GDF, Senado ou ao Executivo Federal e com recursos minguados devido à perda do Buriti e Palácio do Planalto, a tendência é sangrar e diminuir ainda mais a votação em 2018. Sua chance é Temer continuar no poder e Rollemberg continuar com o péssimo governo, sobretudo com os servidores públicos, ala em que o PT tem mais capilaridade. É o puxador de votos pra Magela em Vicente Pires e no governo Agnelo ocupou a pasta da antiga Secretaria de Micro e Pequenas Empresas e Economia Solidária. Guarda a Arvips debaixo do braço como o Tião Galinha guardava o seu diabinho da garrafa, sem nem divulgar o edital de eleição da associação.

Pr. Daniel de Castro – por ser filiado ao PMDBretch, é outro que deve diminuir o número de votos. Tem público cativo de evangélicos, mas que já se atenta para optar por partidos dentro do escopo da direita e com nova roupagem, como o Novo ou o Podemos do deputado distrital e líder religioso Rodrigo Delmasso. Dizem que tem um eleitorado em determinadas regiões da Ceilândia. Não é dos que mais aparecem em Vicente Pires.

Major Cruz – tem o voto cativo de policiais militares, mas seu alcance eleitoral vai até onde permite nossa risada com sua performática chegada de jipe aos locais de votação no dia da eleição. Permanecerá no anonimato. Candidata-se porque é de uma legenda de aluguel (PPL) que ainda não arrumou outro melhor.

Apóstolo Ezequias – na época de Cristo, os apóstolos tinham papel mais razoável na sociedade. Ezequias é do PT do B, outra legenda do baixo clero e que está aí somente para vender seus 10 segundos de TV a quem pagar mais. Sua candidatura não tem outra intenção senão a de fortalecer sua igreja para quem sabe, algum dia em um futuro que oramos para não chegar, ter alguma chance de ser eleito.

Paula Matos – em 2014, tentou de todo jeito colar a sua imagem à de Reguffe, mas só conseguiu mesmo ser comparada à Sandra Faraj e seus posicionamentos retrógrados. Passará outra vez despercebida. Faz o tipo “bela, recatada e do lar” e seu discurso não chama votos, nem com os inúmeros carros de som que colocou pra rodar na campanha de 2014 ou com os santinhos que sujaram os locais de votação um dia antes da eleição.

Alberto Meireles – empresário do mundo das duas rodas, rivaliza com Dirsomar como um dos moradores mais antigos de Vicente Pires! Agora pode até parecer abraçadinho com o petista, mas são inimigos mortais. No Miss Vicente Pires 2011, Meireles chamou Dirsomar de “meu irmão”. Pensei que Meireles tinha virado pastor pra ver se conseguia mais votos, mas lembrei que naquela época o PT havia ganhado o GDF com Agnelo e o terceiro mandato seguido pra presidência, o que deu mais sentido às coisas. Concorreu pelo finado PSL – hoje chamado Livres –, que deve ter mudado de nome por ter recebido meio milhão de reais do mensalão do PT que irrigou a campanha de todos candidatos pelo país. Ele não sabe, mas sou amigo de infância de suas sobrinhas e filhos, inclusive frequentando a casa dele na década de 1990. Naquela época tinha bem menos gente e todos se conheciam, mas nem assim arriscaríamos bancar somente um candidato à distrital como fazem atualmente.

Zenóbio Rocha – concorreu a deputado distrital em 2006. Consegui 3.287 votos e sumiu. Provavelmente, ficou com vergonha de ser filiado ao PSL.

Gilberto Camargos – toma café com Renato Mengana, aquele que acumulou o cargo de vice-governador e administrador interino de Vicente Pires e a única coisa que conseguiu foi chamar uma sala de biblioteca e colocar uma barraca de camping por 24 horas no cruzamento da rua 10 com a 3 e apelidar de gabinete de crise. Gilberto é jornalista, presidente da Amovipe, editor do jornal local Conversa Informal (quero o meu bicho!) e despontou como liderança nos últimos anos com as derrubada na chácara 200 e na 26 de Setembro. Creio ter partido dele a ideia de “candidato único” (ele vai negar e dizer que é apenas um servo, sabemos disso), mas certo é que a reunião do dia 19/06/2017 está toda preparada para lançar seu nome como candidato “““““único””””” de Vicente Pires. Será sua primeira tentativa como candidato. Faz a linha João Doria de “não sou político”.

José Geraldo de Oliveira – é servidor da CLDF e do mesmo grupo político de Gilberto Camargos. Faz o mesmo discurso dele, mas de forma mais contida. Provavelmente realoquem Geraldo para a vaga de deputado federal, que exige muito mais recursos financeiros e pela própria natureza do cargo é um trabalho para a nação e não só pro DF. Caso confirmado, será apenas um candidato pra fazer dobradinha com o candidato a distrital (provavelmente Gilberto) e marcar posição do grupo da Amovipe.

Paulo de Társio – obteve 5.666 votos pelo PHS na eleição de 2010. É empresário na cidade, tem uma loja de aluguel de máquinas para construção e limpeza, além de disk entulho. Se colocasse uma de suas caçambas na entrada do condomínio 218 às 19h00 do dia 19/06/2017, era só recolher às 22h00 e ganhar mais 100 pratas. Perdão por não falar mais nada politicamente de Paulo de Társio, mas tirando o cascalho que ele jogou lá pra cima da rua 4 (a fala não é minha), não há mais nada que se conheça dele.

 

Os verdadeiros motivos para um candidato único

 

Só há dois motivos que justifiquem a proposta de tentarem impor um candidato do bairro. O primeiro, como falei, é o desconhecimento de como funciona o sistema eleitoral brasileiro. O segundo, mais provável, é tentar fazer com que lideranças locais materializadas na figura de militares ou religiosos deixem sua candidatura de lado, fortalecendo o grupo político da Amovipe que tem seus expoentes em Gilberto Camargos e José Geraldo Oliveira. Acontece que não há a mínima possibilidade de sair candidato único de Vicente Pires e quem fala isso não sou eu, mas as estatísticas.

Vamos ver se falo a verdade? Observando a eleição de 2014, vejamos a zona 19, seção 37, que fica na Escola Classe Vicente Pires, onde voto. Nesta seção, o PT foi o partido mais votado, com 58 votos, sendo 40 votos para Dirsomar Chaves. Na mesma zona e seção, Dr. Charles teve 5 votos, Pr. Daniel de Castro 3 votos, Paula Matos 16 votos (sua família toda deve ter votado nesta seção), Major Cruz 7 e Apóstolo Ezequias nenhum. Claro que é um exemplo aleatório, mas percebe-se que não se faz uma eleição pensando apenas em Vicente Pires.

 

Amovipe, Arvips, Amorjoquei e outros egos em forma de coletivo

 

A associação de moradores mais antigas de Vicente Pires é a Arvips, ultimamente cooptada pelo PT. O grupo da Amovipe nasceu em meados do governo Agnelo Queiroz, descontentes com a manipulação da Arvips, única associação até então. Foi nessa época também que o servidor Carlos Masson, criou a Amorjoquei, outra associação de moradores, mas só da rua 1, próxima ao Jóquei (não diga!). Essa época de criação de associações coincidiu com a nossa participação nas reuniões do Orçamento Participativo, que de participativo não teve nada e que não encaminhou nenhuma das mais de 100 propostas que colocamos para o então governo do PT. Com tantas associações sendo criadas e temendo que a cegonha não deixasse a minha, pensei até em criar a AMOROCA (Associação dos Moradores da Pororoca, vulgo Rua 10), acabei somente por acompanhar as reuniões do Orçamento Participativo e fui eleito suplente pro Conselho de Cultura de Vicente Pires – que Agnelo nunca nomeou.

Com o crescimento de Vicente Pires, cresceu também a disputa por espaços de poder, sejam eles externos (como a CLDF) ou internos, como é o caso das associações de moradores. Contudo, associações como a Amovipe investiram muito em ações como contenção de derrubadas, estudos sobre o trânsito e propostas para o Conselho comunitário de Segurança, mas esqueceu do principal: a formação política de seus membros. Esse erro os partidos não cometem e é por isso que o PR (atual partido do Dr. Charles), PT e PMDB não deixarão de lançar seus nomes em Vicente Pires para a disputa da CLDF, seja o que for decidido na reunião dos líderes comunitários do bairro. E podem ter certeza que Rollemberg terá um candidato camuflado nessa reunião pra escolha do candidato único, para vermos o quão perigoso é esse modelo de escolher nomes antes de propostas. Os candidatos ligados à igrejas, como Ezequias, Paula Matos ou Pr. Daniel de Castro não deixarão de se lançar candidatos, pois para além da eleição está a projeção de seus nomes em sua base de arrecadação de dízimos e divulgação de agenda conservadora. Isso é legítimo, não é crime algum! É assim mesmo que se faz política e é aí que os membros da Amovipe comeram mosca, achando que política é somente algo institucional da democracia representativa.

Vamos pegar o exemplo de Júlio César. Ele chegou em Brasília em 2011 a mando de seu partido, o PRB, para assumir a Secretaria-Adjunta de Esporte no governo Agnelo e, mesmo sem ser conhecido, ficou em primeiro lugar na eleição de 2014 devido ao apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Não há como concorrer com o poderio econômico e fiéis desmiolados que aceitam bancar esses candidatos. Pergunto: o candidato único de Vicente Pires vai aceitar ser um representante de mais do mesmo da política do “toma-lá-dá-cá” que tanto criticam nos grupos de whats app?

Analisando os dados da eleição de 2014, vemos que apenas os 6 candidatos da tabela deste texto somam 42.655 votos. Se levarmos em conta apenas Dr. Charles, Dirsomar e Daniel de Castro, são 31.199 votos. Qualquer um desses 3 nomes teve mais votos que Luzia de Paula (PEN), última distrital a entrar para a atual legislatura, com 7.428 votos. Ora, sejamos sinceros: alguém acha que o PR, PT ou PMDB vai deixar de investir num candidato certo para investir no candidato bairrista escolhido na reunião de 19/06/2017? A resposta é não, por mais que esses 3 partidos estejam no olho do furacão das denúncias da Lava Jato.

O que daria uma sobrevida, ao menos em tese, para candidaturas de líderes comunitários seria o fim do financiamento privado de campanha. Seria, pois as eleições de 2016 mostraram que as empresas já deram o seu jeito de burlar a lei. Ainda, partidos grandes como PR, PT e PMDB têm muita estrutura para bancar seus candidatos, mas será que o candidato bairrista do Vicente Pires vai querer subir no palanque destas siglas tão manchadas por corrupção? Portanto, a tendência é de pouca variação nos votos dos candidatos mais votados em Vicente Pires, com queda de 15% a 20% no número de votos. As coligações maiores, feitas com partidos com mais estrutura, saem fortalecidas. Magela, padrinho político de Dirsomar, jamais deixará que ele deixe de sair candidato e construa a sua campanha para Deputado Federal na região. O candidato a “deputado regional” de Vicente Pires não sairá nem agora e nem se houver uma Reforma Política que aprove voto misto.

 

O diabo na pele de pregadores

 

Ainda que Vicente Pires conseguisse eleger um candidato da Amovipe, do baixo clero ou dos grandes partidos, o que me incomoda mesmo é vê-los se apresentarem como cristãos. Gente, vamos passar um óleo de peroba na cara que de cristão vocês não têm nada! Não vamos esquecer que vocês são os que de manhã mandam mensagem falando de perdão e a tarde a mensagem é “bandido bom é bandido morto”. Vocês são as pessoas que divulgam fotos de menores no whats app imputando-lhes crimes que jamais cometeram ou, se cometeram, ainda assim não poderiam ter sua identidade revelada de acordo com a legislação brasileira – e olha que é uma legislação burguesa pra proteger ricos. Vocês querem ser eleitos com proposta de resolver problema de trânsito no viaduto Israel Pinheiro ou de ampliar a via Estrutural pra passar em cima do viaduto do córrego Vicente Pires, quando no Sol Nascente tem gente morrendo de fome, sem água, sem esgoto.

Se cada Região Administrativa fosse ter um deputado distrital, precisaríamos aumentar em 50% a CLDF e mesmo assim seria injusto, pois Ceilândia tem quase 600 mil pessoas e Vicente Pires não chega a 100 mil. Sou professor na Estrutural e no horário do almoço tenho que subir a via pra ir em Taguatinga e retornar pra entrar na rua 10B e ir pra casa, um aumento de 7,5 quilômetros no percurso. Jamais eu gostaria que o GDF ampliasse a via Estrutural para que eu economizasse nesse percurso e de tarde desse aula pra alunos que até hoje não receberam o cartão de material escolar do caloteiro Rollemberg. Prioridade em cima da desgraça dos outros tem nome e muitos genocídios foram feitos assim. Líderes de Vicente Pires que se candidatam com uma pauta bairrista não merecem nada mais do que perderem de lavada uma eleição. É nessas horas que sinto que estou do lado certo ao não frequentar igrejas e ter que lidar com essa hipocrisia em forma de “irmãos, a paz do senhor pra você e sua família”. E dinheiro no seu bolso não é mesmo?

Bem, quem quiser acompanhar esse circo, compareça hoje, 19/06/2017 às 19h00 na rua 8, condomínio 218 de Vicente Pires. É lá que Barrabás Distrital e Pilatos Federal serão escolhido pela comunidade de pecadores para representar o povo de bem que já está cansado de politicagem, principalmente porque acreditada que ela não havia chegado às associações de bairro. Com todo o respeito aos colegas que resolverem participar disso, ou ao menos tentando, mas dar o nome para um cheque em branco de um programa a ser construído e que não será bancado pelos partidos é perder o seu tempo e o dos outros.

 

Estatística – candidatos de Vicente Pires nas eleições de 2014

 

Apóstolo Ezequias:

https://www.eleicoes2014.com.br/apostolo-ezequias/

 

Daniel Castro:

https://www.eleicoes2014.com.br/pr-daniel-de-castro/

 

Dr. Charles:

https://www.eleicoes2014.com.br/dr-charles-22123/

 

Dirsomar Chaves:

https://www.eleicoes2014.com.br/dirsomar/

 

Major Cruz:

https://www.eleicoes2014.com.br/major-cruz/

 

Paula Matos:

https://www.eleicoes2014.com.br/paula-matos/

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Primeiro soneto para Raíssa

 

Este é o soneto que escrevi em comemoração ao primeiro “mêsversário” de Raíssa, minha filha com Danielle. Como o próprio título já diz, é apenas o primeiro de muitos.

 

Primeiro soneto para Raíssa

 

És tão bela, Raíssa, minha filha com Danielle

Ofereço este soneto, o primeiro de tua vida

E lembrando de teu rosto, de teus olhos, de tua pele,

Tu me faz bem mais alegre e por isso é enaltecida

 

Em versos alternados, é assim que a rima rege

Se bocejas no berço, já vou dar uma conferida

Pode até ser exagero, sinal de quem protege

Se a mãe não lhe dá peito, vocifera enraivecida

 

Teu sorriso afasta toda maldade

De qualquer intriga ou coisa vã

Outrora eu diria que é vaidade

 

Mas se com um mês já sou teu fã

Viraste minha primeira prioridade

Te amo Raíssa Escovedo Ayan

 

 

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Quando tudo der errado, tente o óbvio!

Imagine o seguinte diálogo entre um policial federal e um senador:

PF: senador, o senhor está preso.

Senador: tem mandado?

PF: Claro que sim.

Senador: pois eu tenho mandato. Além do mais, roubei dinheiro público e, portanto, não posso ser preso.

PF: …

Pronto, fim de conversa! O que parece – e é – o óbvio exime de qualquer responsabilidade quem o anuncia.

Tudo isso bem que poderia ser mais uma esquete do Porta dos Fundos. Contudo, é mais um triste capítulo da política brasileira. Vejamos a manchete do G1 publicada em 02/06/2017, 11h01:

Filmado com mala de dinheiro, Loures caiu em ‘engodo’, diz ministro Eliseu Padilha

Ali, o objetivo era ter a filmagem’, afirmou ministro da Casa Civil em entrevista a rádio Gaúcha. Para ele, Temer e Loures foram alvos de um processo ‘preparado’.

Bem, a manchete é uma prévia da pérola do que Eliseu Padilha, mais um corrupto do time de ministros de Michel Temer, concluiria com a sua tese de armação ilimitada com um governo tão honesto em que o cargo de ministro serve unicamente para dar foro privilegiado à investigados pela Justiça. Disse Padilha:

“A versão que nos chegou é que ele caiu em um engodo, que havia a necessidade de gravar ele com essa mala, com esse dinheiro. Foi preparado todo um processo em que ele [Temer] e o Rodrigo caíram. Não se deu conta de que estava sendo utilizado. Ali, o objetivo era só ter a filmagem”, afirmou o ministro em entrevista à rádio Gaúcha.”

Sensacional! Padilha assume o crime de Rocha Loures e o leitor fica assim, abismado, perguntando-se: onde está o crime? Ora, se o crime é colocado como algo evidente, notório, não sobra espaço para argumentar que o que foi feito é errado, que é passível de punição. Sim Padilha, havia a necessidade de gravar Rocha Loures com a mala. O que você queria, que avisasse que ele estava sendo filmado? Foi preparado um processo sim, é dessa forma que se faz para pegar corruptos como os do governo Temer. Se Rocha Loures não se deu conta de que estava sendo utilizado, então é sinal de que a PF fez um bom trabalho. E o objetivo não era “só” obter a filmagem num primeiro momento, mas agora esta filmagem tem outros objetivos, como comprovar que o golpista Temer sempre se locupletou de propinas. Padilha assume o crime de Rocha Loures e utiliza-se do óbvio para tentar livrar o colega de entrar pro hall de políticos com tornozeleira eletrônica.

Engana-se quem pensa que este episódio foi o único. A máxima “não nego minhas atitudes, você que vê pelo lado negativo” tomou conta da Esplanada dos Ministérios. As quadrilhas do PSDBretch e PMDBretch que sustentam o governo do vampirão sugador de direitos sociais perderam a vergonha na cara.

No dia 30/05/2017 foi divulgado o diálogo do áudio entre os traficantes de cocaína – e nas horas vagas senadores por Minas Gerais – Aécio Neves (PSDB) e Zezé Perrela (PMDB). No diálogo, Aécio reclama da falta de solidariedade de Perrela que no dia 13/04/2017, em entrevista para a rádio mineira Itatiaia, se esnobou por não estar na lista de Janot. Prosseguindo a conversa, Perrela complementa: “mas eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”. Aécio ri do comentário do colega parlamentar. Perrela é ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrela, atual secretário de Futebol do Ministério dos Esportes. Ambos estão envolvidos no caso do helipóptero que caiu com meia tonelada de cocaína em Brejetuba (ES), em novembro de 2013. Não seria preciso este caso para saber que Aécio e Perrela são compadres e traficantes de outros tempos, mas essa história chama muito a atenção pelo fato de o juiz ter mandado soltar os pilotos antes mesmo que fossem interrogados. A cocaína, ao contrário do helicóptero que é dos Perrelas, não tem dono, pelo menos não depois da queda do helicóptero.

Você pode pensar que são episódios diferentes, pois o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese sim, mas ocorre que após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

Não julgue que são episódios diferentes, uma vez que o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese até seria. Porém, após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

 

Vale lembrar que no Brasil a cada três pessoas presas, uma delas é por tráfico de drogas, sendo elas a maioria jovens (15 a 24 anos), negros, moradores de periferias e pegos com poucas quantidades de drogas, algumas vezes até sem provas e que aguardam julgamento em centros de detenção provisória – para os pobres, detenção definitiva. Nesse mesmo país, um senador que escancara para todos que é traficante, tem um helicóptero que é “abatido” por erro do piloto, mas não consegue ser “abatido” pela mesma justiça que lota os presídios de pobres.

No Brasil, mais do que nunca, vale o pensamento do jornalista Aldo Novak: “quando tudo der errado, tente o óbvio”.

 

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Secriança 2015 – Resultado Final – Pedagogo

Bem, parece que a novela do concurso da Secriança 2015 caminha para o fim. Após 14 meses, foi divulgado (atpe que enfim!) pela Fundação Universa o resultado final da Prova de Verificação de Aprendizagem, realizada no dia 30/01/2017. Era a última nota que faltava para compor o resultado final do concurso, resultando na homologação final e na pressão para que o governo caótico de Rollemberg convoque os aprovados.

Segue no link abaixo resultado final do concurso para ESPAF (Especialista Socioeducativo), cargo 102 – Pedagogo, do concurso da Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude. A classificação considera apenas ampla concorrência. O ranking em anexo está de acordo com o Resultado Definitivo da Primeira Etapa RETIFICADO, publicado no DODF de 26/12/2016, bem como com o Resultado Definitivo da Prova de Verificação de Aprendizagem, divulgado no DODF de 15/02/2017.

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Até mais e ótimo trabalho à todos(as) aprovados(as), sejam eles ESPAF ou ATRS.

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Paródia do ECA – Pivete Zé Galo canta Aprender

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Aprender

Pivete Zé Galo

Paródia: Rafael Ayan

Clique no link abaixo e acompanhe com a música:

https://www.vagalume.com.br/ivete-sangalo/arere.html 

 

baseada na música Arerê cantada por Ivete Sangalo

 

As seis medidas socioeducativas

Agora vamos aprender

(aprender)

 

Advertência, reparar o dano e também PSC*

(PSC)

 

A Liberdade Assistida é a LA

A Semi-liberdade não é internar

A internação não é para sofrer

 

Aprender

O artigo 112 vamos ler         REFRÃO

Aprender

É o ECA e não SINASE podes crer

 

Mas mas mas mas mas se é criança

Hey hey hey

Medida protetivaaaaaaaa

 

REFRÃO

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Mulheres nos esportes e divisão sexual do brincar

“Parece até desculpa, que toda vez que a gente perde parece desculpa dizer que precisa de apoio. É repetitivo. Ganhando ou perdendo, vamos falar isso. Tem que começar lá embaixo, nas escolas. Não quero parecer para todo mundo que estamos usando isso como desculpa. Perdendo ou ganhando, tem que dar continuidade na modalidade.”

Cristiane, maior artilheira do futebol olímpico (incluindo os homens) após derrota do Brasil para a Suécia nas Olimpíadas Rio 2016.

Se há algo que chamou a atenção do Brasil nas olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 é a participação feminina. Uma atenção ainda secundária, efêmera, é verdade, mas um início em que podemos encontrar um flanco aberto para pautar questões referentes à gênero na sociedade brasileira. Para isso, três pontos são relevantes no debate: a divisão sexual do brincar, a prática de esportes por mulheres e o papel da escola como instrumento de transformação.

Provavelmente você já ouviu falar de divisão social do trabalho e, não raro, na divisão sexual do trabalho. Esta divisão, tanto social quanto sexual, ocorre também com o brincar, ou seja, quando principalmente a parcela de crianças que não está abandonada à própria sorte trabalhando em semáforos ou sendo violentada sexualmente começa a frequentar o ambiente escolar. Se formos rigorosos, veremos que até antes disso: na decoração de nosso quarto e aniversários, nos brinquedos, nas relações com nossos pais, familiares e amigos, em tudo encontraremos o binarismo do carrinho versus boneca, rosa versus azul, dar porrada versus chorar copiosamente.

Como heterossexual e professor de Anos Iniciais de uma turma de 5º ano (10/11 anos), é natural ver que os meninos, desde a mais tenra idade, se apoderam dos espaços da escola para fazer o que quiser: jogar bola, conversar, brigar, correr. As meninas que saiam da frente. Vou além: trabalhei numa escola em que um professor organizou um campeonato entre as turmas do 4º e 5º anos em que as crianças, dependendo de seu sexo, poderiam jogar futebol e/ou queimada. Os meninos jogavam futebol e as meninas – e os meninos que quisessem – jogariam queimada. Deixei claro que em minha turma era a vontade de cada criança e não o seu sexo que determinava no que iriam participar, e assim foi feito. Em poucos jogos, o time de minha sala era o líder do campeonato de futebol, jogando com time misto. Sobrou pro professor machista inventar uma desculpa esfarrapada e acabar com o campeonato antes que fosse contrariado pela prática: as mulheres podem sim jogar futebol. E ganhar dos homens!

Não deve haver nada mais torturante para uma criança do sexo feminino do que ser forçada a brincar de boneca e casinha: hora de dormir, de acordar, de comer, faz comida pro marido, cuida dos filhos – um inferno astral! Enquanto isso os meninos brincam de mil coisas e trocam suas regras a cada segundo, e se entendem muito bem assim. O que quero mostrar aqui é que a divisão sexual do brincar precede e constrói a divisão sexual do trabalho. Ora, se durante toda a sua vida você vestiu rosa, foi impedida de jogar futebol na escola e realizou uma série de papéis sociais que já estavam pré-determinados, por que diabos vai inventar de querer representar o Brasil em jogos olímpicos num esporte como o futebol ou no judô? Com a conquista de medalhas por mulheres, a coisa começa a mudar.

Muitas das críticas que se faz em redes sociais sobre a participação feminina nos esportes não têm nada de técnico e sim de opressão de gênero. A participação de mulheres no vôley de quadra ou de praia, por exemplo, já era visto como natural. Se o esporte é sem contato e não oferece risco à chamada fragilidade feminina então não tem problema, arriscam os sexistas de plantão. Contudo, os mesmos sexistas deixam claro que o homem também pode participar do vôley e de outros esportes em que as mulheres participam, uma vez que à este sexo estão reservados todos os espaços, do esporte como brincadeira ao esporte como trabalho.

Voltemos ao que disse a atacante Cristiane: “tem que começar lá embaixo, nas escolas”. Pois é, este é um grande desafio minha cara Cristiane. Qualquer pessoa que a partir de hoje olhar para dentro das quadras esportivas escolares vai ver que as mulheres não só não jogam futebol como também não jogam outras modalidades. Os esportes, todos eles, são monopolizados pelos homens e com o aval de docentes. Justificam que a maior demanda é futebol masculino. Pensemos: futebol ou outro esporte é patente dos homens? Joga-se com o pênis? Seios atrapalham a jogar? A demanda é socialmente construída e é doloroso ver que colegas professoras naturalizam o machismo de que são vítimas achando comum a exclusão de suas alunas no meio esportivo, na tomada de decisão, no poder de dizer não. Se acha que estou errado, observe a cultura do estupro e volte a ler este parágrafo que vai fazer sentido.

Reitero o pedido: faça o exercício de passar nas escolas e ver qual é o sexo e o esporte dominante nas quadras. Para quem é docente, sugiro que vão além e perguntem por qual razão as alunas não praticam esportes. Experimente andar pelas escolas e observe se há mulheres praticando esporte. Adianto que quanto mais se aproxima do Ensino Médio, mais difícil de perceber essas amarras que coloquei no texto, justamente por causa de uma construção histórica que dura mais tempo e com vícios difíceis de se reverter por tomarem conta de aspectos subjetivos dos sujeitos. Numa turma de 1º ano as crianças correm livremente na quadra. À medida em que vão crescendo, os alunos e indiretamente a classe docente ensina às alunas que não é para elas ficarem na quadra pra não se machucar, como se a função da quadra fosse esta. Analogamente, perceba que cada participação e medalha de mulheres, das olimpíadas ao campeonato entre turmas de uma mesma escola, representa mais do que a superação em um esporte. Representa, isto sim, um passo adiante na luta contra o patriarcado.

A escola, evidentemente, seria uma alavanca no trabalho contra a divisão sexual do brincar que transforma-se na divisão sexual do trabalho. Não falo de aberrações como o Escola sem Partido ou da escola de fundamentalistas religiosos que não querem discutir gênero porque acham que o “sexo biológico” deve ser determinante nas relações sociais. Falo da escola em que há debates, em que os espaços de coordenação sejam pensados para planejamento e tomada de decisões e não de mera leitura de instrumentos burocráticos do governo e outras posturas frouxas, como se devêssemos algo ao governo das propinas de Rodrigo Rollemberg. Escola que faça o embate com parlamentares, como bem fez o Centro Educacional 6 de Ceilândia (DF) ao ser interpelado por Sandra Faraj (péssima deputada distrital) sobre um trabalho com o tema sexualidade coordenado pelo professor Deneir de Jesus Meirelles. É esta escola que vai ter a coragem necessária de ser a exceção que vai virar exemplo: possibilitar o protagonismo feminino desde criança, formando uma geração que respeita as mulheres, inclusive nos esportes.

No Brasil é comum darmos um jeitinho para acompanhar os jogos da seleção brasileira masculina de futebol no trabalho, famosa por ter os jogadores mais bem pagos do mundo. Em compensação as jogadoras da seleção feminina de futebol tem menores salários, ganho de marketing e visibilidade que a seleção masculina, embora apresente melhores resultados. Pergunto: quem se importa em ver os jogos da seleção feminina mesmo que durante sua folga no domingo? Finalizo o texto repetindo pela terceira vez o que disse a Cristiane: “Tem que começar lá embaixo, nas escolas”. Essa frase da Cris, concretizada, ajudaria não somente o esporte, mas toda a população brasileira a sair, definitivamente, da Idade Média.

E parabéns à Suécia. Parabéns por ter um currículo nacional que promove o protagonismo feminino. Parabéns por 480 dias de licença parental (e não licença maternidade) para cada filho, sendo 2 meses pro pai, 2 meses pra mãe e os 420 dias restantes divididos de acordo com o casal, que pode ser homoafetivo. Parabéns por obrigar que 40% dos conselhos de administração das maiores companhias suecas listadas na bolsa de valores seja composto por mulheres. Parabéns por ter 28% de suas mulheres na administração de suas maiores companhias. Parabéns por estimular o trabalho doméstico realizado por homens. Parabéns por ter jardins de infância em que profissionais são orientados a não diferenciar brinquedos para meninos ou meninas. Não sou desses que tem síndrome de vira-lata e adora criticar o Brasil, mas no quesito igualdade de gênero nosso país não foi nem classificado para participar da disputa. Já a Suécia, ainda que com problemas, é ouro há muito tempo.

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E se empreiteiras doassem ao Criança Esperança?

LOGOFINAL

Responsabilidade social. Como não começar esta história sem falar estas duas palavras? Talvez se começasse com “era uma vez” também seria atraente, mas infelizmente a narrativa do financiamento de campanhas políticas no Brasil por empreiteiras não tem nada de fantasioso. Nem final feliz.

O Criança Esperança é um dos principais produtos da Globo, como as novelas e o futebol. Bem, nem tanto o futebol após a atual geração pipoqueiros de sonegadores de impostos como Neymar. Não pense que a Globo faria algo para perder dinheiro e o Criança Esperança, Lar Doce Lar, Lata Velha ou qualquer coisa que aparente despesa pra emissora, pode ter certeza, é ali onde ela mais lucra. Porém, neste texto não vou entrar no mérito do que o Criança Esperança representa e nem em temas correlatos como desresponsabilização do Estado, filantropismo e “tributação” de ação social, algo que merece uma publicação específica. Mas partindo do pressuposto de que o Criança Esperança é realmente bom, ou necessário, ou melhor do que nada, ou avaliações afins, é bom saber que em 2015 eve recorde de arrecadação 22 milhões de reais. Portanto, guarde este número: o recorde de arrecadação do Criança Esperança em todas suas edições foi 22 milhões de reais em 2015.

Pois bem, aí você vai na internet e procura os valores arrecadados por alguns presidenciáveis e começa a achar que ou a Globo mentiu e o Criança Esperança arrecada muito mais do que o divulgado, ou o TSE (Trinunal Superior Eleitoral) mentiu quanto à divulgação da arrecadação apresentada pelos candidatos e partidos. Mas se você for um pouquinho mais esperto vai descobrir que nem Globo nem TSE te enganaram: basta acompanhar minimamente o cenário político nacional para saber que a maior parte de doações recebidas por partidos sequer constam na prestação de contas. Não fossem as delações premiadas, a atuação da Polícia Federal e os acordos de cooperação do Ministério Público com bancos suíços e outros paraísos fiscais, não saberíamos que o buraco é bem mais embaixo.

Ao observar somente o valor informado pelos partidos e candidatos ao TSE, ou seja, aquilo que ninguém pode negar por ser o próprio arrecadador quem presta contas, vemos que as empreiteiras agem não só no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) de grandes construtoras mas também usando o nome de fachada de suas subsidiárias. São Pequenas Empresas & Grandes Negócios que atacam diretamente o erário público. Somente Dilma e Aécio Neves receberam, juntos, quase 100 milhões de reais. Daria para as empreiteiras, no mínimo, quadruplicarem o orçamento dos projetos do Criança Esperança por todo o país. Seria Fantástico que crianças em todo o Brasil tivessem um Domingo Maior, Domingo Show ou Domingo Espetacular, com muitas brincadeiras, guloseimas, brinquedos. Não precisava nem de Esporte Espetacular ou um Carrossel: bastavam algumas bolas, cordas, papel, tinta e pincel. E olha que estou sendo bem reformista, nem falei de direito à educação ou saúde para o Bem Estar da garotada.

A Andrade Gutierrez doou R$ 21 milhões à Dilma. A mesma Andrade Gutierrez doou à Aécio Neves R$ 19 milhões. O Primeiro Impacto que você teve é comum, pois o valor de fato é alto. A mesma candidata recebeu R$ 20 milhões da OAS. Podemos dizer que Dilma é a Master Chef das arrecadações. Daria para fazer um Vídeo Show com Cissa Guimarães, a menina que quebra o coco mas não arrebenta a sapucaia, perguntando qual a receita de Dilma para conseguir tanta doação.

Somente Andrade Gutierrez doou para campanhas de candidatos em 2014 o equivalente a 83,8 milhões. Vale a Pena Ver de Novo o dado: R$ 83,8 milhões! Não perca a conta de quantos Criança Esperança foram doados por empreiteiras aos candidatos em 2014. É um Mar de Amor a relação entre empreiteiras e políticos. Haja Coração de nossos pobres parlamentares para ver tantos zeros chegando nas contas em época de tanta dificuldade, que é pagar a estrutura de campanhas eleitorais – certamente uma ação mais nobre do que doar à projetos sociais. Êta Mundo Bom esse que vivemos em que não há problemas sociais no Brasil e, os que existem, são resolvidos por meio do investimento em candidaturas políticas.

Fazendo um Balanço Geral, o TSE divulgou que o PT arrecadou R$ 350.836.301,70 e gastou R$ 350.575.063,64, perfazendo um superávit de R$ 261.238,06. Já o PSDB arrecadou R$  222.925.853,17 e gastou R$ 223.475.907,21, ficando com saldo negativo de R$ 550.054,04 – nada que o governo tucano de Alckmin em São Paulo não resolva, quem sabe rifando participações em trechos do metrô ou oferecendo a logística da merenda escolar à empresas que só irão cumprir a parte do contrato que fala do pagamento da contratada. Fosse uma Cidade Alerta, São Paulo não estaria com a maior dívida dos Estados por conta, também, de contratos com empreiteiras, passando o pires na reunião com Temer em Brasília no último dia 22/06/2016.

Existem os que não foram tão privilegiados pelas empreiteiras, como Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Skaf recebeu a bagatela de R$ 250 mil da Andrade Gutierrez. Marina Silva, à época no PSB, recebeu R$ 1 milhão da mesma empreiteira para se apresentar como a terceira via dos ecocapitalistas, tendo Setúbal do Banco Itaú como consultor econômico e pastor Malafaia como consultor em Direitos Humanos – desculpas aos que caíram no conto da sereia de Marina Silva, mas não resisti! Em 2010, ainda no PV (Partido Verde), Marina foi beneficiada por doação de R$ 400 mil da OAS.

Somam-se à esses os Casos de Família, como os Calheiros (PMDB) em Alagoas. Renan, que chefia Uma Família da Pesada, conseguiu arrecadar mais de 7 milhões em 6 empresas, todas elas – por coincidência, claro, – investigadas na Lava Jato. Dizem que A Fazenda dos Calheiros em Alagoas só não é maior que a de Collor e quando é The Noite aumenta mais um pouquinho, com as invasões de pequenas propriedades rurais tomadas à força. Não precisa ser Corujão pra saber disso. Na Paraíba, o candidato a deputado federal em 2014, Pedro Cunha Lima, filho do senador Cássio Cunha Lima, jamais concorreu nem a síndico de prédio. Talvez por isso a Odebretch, famosa por doações generosas, tenha lhe dado apenas o “troco de pão” de R$ 12.850,00. Foi aí que Pedro disse ao pai: “Fala que Eu Te Escuto”, e Cássio falou e mostrou como se faz: arrecadou para si R$ 200 mil com Andrade Gutierrez, R$ 300 mil com OAS e R$ 500 mil com Queiroz Galvão. Resultado: Pedro Cunha Lima foi o candidato a deputado federal mais votado. A Grande Família do finado Eduardo Campos (PSB) em Pernambuco também encheu as borras de ouro com arrecadações de empreiteiras e outros esquemas começaram a aparecer, como o da empresa do jatinho que o derrubou. É dessa forma que os filhos de políticos tornam-se Os Donos da Bola em seus Estados.

Agora Fala Brasil: veja se é certo eu Mais Você nos matando nas redes sociais pra decidir qual nosso corrupto de estimação, o que vai ter as Chaves do cofre e por mais 4 anos nos retirar direitos sociais. Sorte que hoje temos o honesto Michel Temer na presidência da República e aí não precisa mais do MBL (Movimento Brasil Livre), o ILCO (Instituto Liberal do Centro-Oeste), Aliança pela Liberdade e outros grupos chamarem atos contra a corrupção… ou de ataque aos estudantes cotistas e público LGBTTT como ocorreu na UnB dia 17/06/2016! Quando chega a Hora do Faro, seja a Polícia Federal ou o Mídia Ninja nos esclarecem algumas coisas que o livre mercado deixa passar. Liberdade, Liberdade para que os recursos públicos cubram os rombos milionários do setor privado.

Deve ter dado algum Pânico na TV para que nenhum Jornal Nacional trate a questão de financiamento de campanhas de forma mais política, mostrando à população Os Dez Mandamentos da relação promíscua entre empreiteiras e candidatos. Quando você faz uma ligação para o Criança Esperança, A Liga que é formada ajuda muita gente. Contudo, voltando às duas palavras que iniciam essa publicação, se responsabilidade social é levado a sério pelas empreiteiras no país, imagina agora que elas serão proibidas de fazer suas doações aos candidatos? Será o fim do programa Presidente Esperança das empreiteiras? Veremos nas eleições municipais de 2016.

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Pagaremos pela incompetência da Oi?

Você já deveu 1000 reais ao banco? Deixou de pagar 80 reais do cartão de crédito? Já ficou sem pagar o condomínio, luz ou água? Atravessou a rua quando viu aquele vizinho pra quem deve 5 reais desde a rifa da igreja que comprou e não pagou? E se colocássemos alguns zeros na frente de sua dívida?

Pois é. O que distingue uma pessoa física de pessoa jurídica é a vergonha na cara e a capacidade de não afundar ainda mais o país. Por menor que seja a nossa dívida, até o BRB – uma tentativa mal sucedida de banco – lhe cobra com juros e correção monetária mensalmente. Contudo, empresas como a Oi acham que é só aparecer com a cara lavada e dizer que devem 65 bilhões de reais para que se cesse a cobrança em cima de sua má gestão.

Assim fácil defender o neoliberalismo! Os bancos dizem que podem cobrir até 80% do valor, o que significa 48,4 milhões do total, restando. Ainda que a promessa fosse cumprida, esse é o caso típico em que o governo recorre ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para “salvar” uma empresa nacional, ou seja, recorre a nós que bancamos a farra destes incompetentes. Pergunte ao Temer ou à Dilma o que eles fazem para equilibrar contas: cortam garantias do trabalhador e não mexem um dígito sequer no lucro exorbitante das empresas.

Mais uma vez a história se repete e ficamos a ver navios, a esperar nossa fatia do bolo, enquanto empresários se lambuzam com o dinheiro de impostos e tributos pagamos. Com a Oi, em plena crise, solicitando recuperação judicial (leia-se pedindo milhões em isenção de impostos e outras formas que a levariam a não falir) para que possa voltar a ter lucro sem dividi-los com seus clientes.

A Oi simplesmente perdeu o juízo e bateu o recorde de dívida registrado no país. Nem eike Batista foi tão audacioso em pedir tanto o tapinha nas costas do governo. Se fosse um Estado brasileiro, a Oi seria a 5 maior dívida com a União, perdendo apenas para SP, RJ, MG e RS.

Agora toda vez que você reclamar que não consegue pagar suas contas mensais, lembre que você poderia ser a Oi. E reclame mais ainda por saber que no Brasil, quem mais deve, menos paga e mais dinheiro tem. Se até a Globo pediu pra visitar o cofre do BNDES visando salvar suas dívidas sonegadas há décadas, por qual razão a Oi não faria o mesmo? Simples assim.

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Protegido: Reunião CEF 30 com diretor da Regional de Ceilândia

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