Crianças da Estrutural estudarão mais longe em 2018!

Alunos do 4º e do 5º ano do Centro Educacional 01 (CED 01) da Estrutural terão que estudar no SIA a partir de 2018. São crianças de cerca de 10 anos que terão que pegar ônibus escolar para ir ao CEF 03 (antiga Escola Classe 1), novo destino de crianças dos Anos Iniciais da Estrutural. É o que garante Afrânio Barros, diretor da Regional de Ensino do Guará, regional que compreende também a Estrutural. Afrânio ainda não fez nenhum tipo de comunicado à comunidade da Estrutural. Portanto, é bom que os pais que estão com os filhos matriculados no 3º ano da Escola Classe 2 e no 4º ano do CED 01 fiquem alertas, pois terão que enviar seus filhos para o outro lado da BR a partir do ano que vem.

Os professores souberam da mudança por meio de boatos na tarde do dia 1º/08/2017. No dia 02/08/2017 a diretora do CED 01, Estela Silva, comunicou formalmente os professores dos Anos Iniciais (4º e 5º ano) do CED 01, que assinaram documento para tomar ciência do fato. Na semana seguinte, dia 07/08/2017, às 10h30, Afrânio compareceu ao CED 01 com a assessora Andréa Silva, comunicando a mudança e dizendo que queria ouvir os professores, mas sem deixar qualquer espaço para não implementar  esta decisão torpe e autoritária. O CED 01 atenderá alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), invertendo a prioridade de que alunos menores estudem mais próximos à sua residência.

O Diretor Afrânio não apresentou absolutamente nenhum motivo para que a mudança ocorra. Disse apenas se tratar de estratégia de matrícula, estratégia esta que não encontra respaldo na comunidade pela situação de vulnerabilidade em que se encontram crianças da Estrutural e que irá aumentar ao estudarem longe de casa. Além do mais, o CEF 03 não é uma escola e sim um prédio comercial que em 2016 abrigou temporariamente alunos da Escola Classe 1 da Estrutural que assistiam aula na EAPE enquanto se resolvia o problema de insalubridade devido à quantidade de gás metano em seu antigo terreno. O prédio é inseguro, possui elevador, salas menores e com péssimo isolamento acústico, próximo à pista de grande circulação de carros (EPTG e vias do SIA) e em área de indústrias que trabalham com metais pesados e muitos poluentes. O tráfego de caminhões é intenso e sabemos que veículos grandes têm mais dificuldade de visualização, podendo inclusive ocorrer atropelamentos em manobras desses veículos. O espaço para recreação é “uma cobertura que até parece um ginásio”, nas palavras da própria assessora Andréa Silva na reunião do dia 07/08/2017. Enfim, o CEF 03 não passa do local onde Afrânio quer despejar os alunos menores que estudam no CED 01.

 

Razões para a permanência das crianças no CED 01

 

Durante a reunião, foram mostrados inúmeros motivos para que não se retirassem o 4º e 5º anos do CED 01, cito:

1.             Violação de direitos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente, tais como igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (BRASIL, Lei n. 8.069/1990, Art. 53, I e II).

2.             Dificuldade de acesso principalmente para alunos com necessidades especiais, sobretudo cadeirantes.

3.             Diminuição da frequência de pais às reuniões escolares, uma vez que esta já é baixa com a escola próximo à residência dos alunos.

4.             Garantia de que, por razões óbvias, se tiver que haver crianças menores estudando próximas à sua residência e crianças maiores em local mais afastado, essa deve ser a atitude a ser tomada.

5.             O local para o qual irão remanejar as crianças do 4º e 5º ano do CED 01 não é escola e funcionou apenas como um “quebra-galho” das turmas da Escola Classe 1 da Estrutural que saíram da EAPE e foram para o SIA enquanto o GDF não arrumava – como não arrumou – o problema do gás  na Escola Classe 01.

6.             O CED 01 é uma das 4 escolas da Regional do Guará, dentre 23 avaliadas pelo INEP, que conseguiu atingir a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2015. As outras 3 escolas se localizam no Guará.

7.             Aumento da evasão e do índice de retenção, interferindo diretamente no IDEB da escola, ainda que esta seja uma preocupação menos importante de que a própria frequência e rendimento do aluno às aulas.

8.             Falta de diálogo com a escola e principalmente com a comunidade, fazendo com que os pais saibam da mudança somente no final do ano na renovação de matrícula dos filhos. Esta é uma clara afronta à identidade cultural da comunidade com o estabelecimento de ensino, considerado um patrimônio pelos moradores.

9.             A constante greve de motoristas e monitores de ônibus escolares, com pagamentos atrasados desde o governo passado (Agnelo Queiroz – PT) até o atual (Rodrigo Rollemberg – PSB), conforme manifestações destes trabalhadores em agosto de 2016 demonstrou.

10.         Dificuldade das crianças menores acessarem políticas sociais e serviços de utilidade pública, tais como Conselho Tutelar, Centro Cultural, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Coletivo da Cidade, restaurante comunitário e outros serviços por demanda realizados eventualmente em parceria com o Sistema S (SESC, SENAI, SENAC) e a iniciativa privada na região central da cidade.

 

A versão não oficial

 

Existe a especulação de que a mudança do 4º e 5º ano do CED 01 da Estrutural não tenha sido uma estratégia pedagógica e sim um acordo de politicagem entre Afrânio e Wilson, diretor do CEF 03. Wilson perdeu eleição de uma escola no Guará e, como é próximo à Afrânio, teria recebido a proposta de ficar no CEF 03 (antiga Escola Classe 1 da Estrutural). Inicialmente Wilson teria rejeitado, por dizer que se tratava de uma escola difícil de se trabalhar, mas Afrânio o teria convencido. Atenção para a bomba: o diretor da Regional de  O ensino do Guará teria prometido à Wilson que o CEF 03 ficaria com Anos Iniciais a partir de 2018. Foi aí que Wilson teria aceitado e, agora, teria chegado a vez de Afrânio cumprir a sua parte do trato.

 

O que pode ser feito a respeito?

 

Ou a comunidade da Estrutural se mobiliza para ser ouvida ou vai ser tarde quando perceber que foi enganada e suas crianças de 10 anos irão pegar o escolar para estudar fora do bairro. Segue abaixo os órgãos públicos que podem ser acionados pela internet, por telefone ou pessoalmente. Relate o caso e peça urgência na resolução, pois em breve governo irá iniciar o processo de remanejamento dos professores e os docentes que dão aula nos Anos Iniciais terão que pegar outra escola para ir trabalhar. Isto enfraquece a mobilização para a permanência do 4º e 5º ano no CED 01.


DENUNCIE AQUI:

 


Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude – MPDFT

Endereço:  Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, SEPN 711/911, Bloco B.

Telefones:  (61) 3348-9009 / 3348-9029 / 3348-9041

E-mail: proeduc@mpdft.mp.br

 


Conselho Tutelar da Estrutural

Endereço: Setor Central Área Especial 19 ao lado do TRE – CEP: 71255-230

Telefones: (61) 3465-5161 / 3465-6909 – Plantão CISDECA – (61) 3217 – 0657

 


Ouvidoria do Governo do Distrito Federal

http://www.ouv.df.gov.br/#/

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Eterna Galinha Pintadinha das futuras infâncias

Por muito tempo relutei em saber o que era essa tal de Galinha Pintadinha. Até que minha filha nasceu e fui obrigado a saber o que era, pois diziam que hipnotizava as crianças – o que, de fato, acontece!

Aí dígito no YouTube e vou ver os sucessos desse sucesso infantil, assim, bem redundante. Fui procurar por nome é mal toquei na tecla “G” está lá, “Galinha Pintadinha” – não é mentira, faça o teste se não acredita em mim! Parti pra ouvir as músicas e qual não é a minha surpresa ao perceber que a Galinha Pintadinha nada mais é do.que as mesmas músicas que eu ouvia na década de 1980 e 1990, só que cantadas por um desenho azul que recebeu o nome de Galinha Pintadinha.

Se o médico psiquiatra Flávio Gikovate não tivesse falecido em 2016, talvez eu achasse que seria ele a pessoa por trás da criação da Galinha Pintadinha, tamanha a tara de patentear o senso comum. Certo é que revivi grandes clássicos de minha infância com uma animação tosca em flash que em poucos anos minha filha vai chamar de Galinha Pintadinha, quando na verdade é cantiga que minha vó já sabia no início do século XX em Belém do Pará. Não perdoaram nem “atirei o pau no gato”.

É tudo um musical de Galinha Pintadinha, o galo Carijó e outros animais falantes, mas sem a moral das fábulas. E como desenho não envelhece, anota aí: meus netos vão ouvir achando que Galinha Pintadinha fez mais música infantil que os 20 LPs Xuxa só para Baixinhos. A galinha é atemporal e polissêmica!

Poderia continuar a dar spoiler aqui pra vocês, mas vou ali colocar Balão Mágico pra minha filha ouvir e acalmar o choro.

Adivinha quem vai cantar?
Mix – Galinha Pintadinha: http://www.youtube.com/watch?v=zKOubVELVNw&list=RDEMKITLBk9680k7nmsKd8ITXQ

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3 lições sobre a greve dos servidores da limpeza

No dia 15 de Agosto de 2017 a greve dos servidores da limpeza de escolas do Distrito Federal, dentre outros locais, completou uma semana. A empresa que contrata os terceirizados, Juiz de Fora, alega ter solicitado empréstimo junto ao BRB (Banco de Brasília) para pagar funcionários. Por sua vez, o GDF afirma ter depositado cerca de seis milhões na conta da empresa para pagar atrasados de maio e metade de junho. Podemos ver três lições em relação ao ocorrido: a importância do trabalho não intelectual na estrutura das escolas, a invisibilidade social destes trabalhadores e, por fim, a falta de identidade de classe dos professores com servidores não docentes.

  1. Condições sanitárias de trabalho, embora esquecidas atualmente, já foram uma das principais pautas de ação sindical no início do século XX. Das ruas sombrias de Londres às fábricas têxteis de São Paulo, a organização do trabalho – ou melhor, do trabalho social – frente ao sistema produtivo capitalista impunha uma queda de braço constante entre patrões e empregados. Com o advento do fordismo/taylorismo na década de 1930 e o toyotismo na década de 1990, trabalhadores não intelectuais foram os principais alvos de substituição de mão-de-obra por estruturas mecanizadas ou rearranjos administrativos que sobrecarregavam os que não eram demitidos. A mecanização do campo que acelerou o êxodo rural de 1950 no Brasil era uma breve amostra do que estava por vir. Políticas de desvalorização salarial, dentre outras retiradas de direitos, tornaram-se comuns nesse meio. Pois bem, foi necessário que funcionários da limpeza iniciassem um movimento paredista para que se percebesse que eles existem e fazem um trabalho importante como qualquer outro nas escolas.

Logo, a invisibilidade social destes servidores é latente, a ponto de sequer sabermos seus nomes, uma das coisas mais básicas da condição humana. Quando um professor é substituído por outro, é notável. Quando um servidor da secretaria é substituído por outro também se percebe com facilidade. Contudo, a permuta de servidores da limpeza, cozinha ou segurança parece não fazer parte do sentido de ausência de professores. Tanto é verdade que entre uma greve e outra podem passar dezenas de servidores da limpeza por uma escola, mas os professores só irão lembrar que eles estão lá quando os mesmos deixarem de limpar a sala ou fazer o lanche. A invisibilidade social, catalisada por uma falsa sensação de classe média que muitos professores do DF têm, corrobora a tese da precarização do trabalho por pares na educação. O corporativismo, aqui também, mostra suas garras e sufoca, por dentro, a greve deste importante setor das escolas.

Não obstante, não ter identidade de classe é um gargalo histórico e que cobra o seu preço ao longo da história. Na reportagem do DF TV 2ª Edição desta terça-feira, 15/08/2017 (para ver clique aqui!), uma professora grávida de 8 meses aparece limpando sala da Escola Classe 5 do Guará, falando que os alunos não podem ficar sem aula ou em sala suja. Ora, esse é um dos menores problemas frente à ação da professora. Imaginemos então que quando os professores entrarem de greve o GDF irá substituí-los por professores de contrato temporário ou outra modalidade que esteja por vir, esvaziando física e politicamente o espaço de combate que temos com o governo? Infelizmente, por não se perceber como integrante da mesma classe social que o servidor da limpeza, o professor se propõe a realizar o trabalho dos servidores, fortalecendo ainda mais o governo corrupto de Rollemberg que não fez absolutamente nada pela educação. Sabe o exemplo do empresário que economiza demitindo a copeira e pedindo pra secretária “fazer um cafezinho rápido”, assim, no diminutivo, pra não parecer trabalho? Pois é, somos nós, professores, carregando o gene do opressor.

Portanto, para apoiar a greve dos servidores da limpeza é preciso conhecer seus nomes, tratá-lo com respeito e acima de tudo não querer substituir, nem por uma tarde, seu trabalho. Ao varrer a sala ou realizar outras atividades do tipo fazemos com que os servidores fiquem reféns das negociações com o GDF, pois o professor, que não é pago sequer como docente, acumula a função de servidor da limpeza. Bater palmas para estas ações é o primeiro passo para afirmar “para quê serve Conselho de Classe”, com o Alexandre Garcia a tiracolo. O fato dos professores não discutirem formação política em sua formação inicial ou continuada condiciona mais reportagens como as que apareceram no DF TV 2ª edição.

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Maia bota fogo em Temer

A novela da sucessão presidencial brasileira não chega ao fim. Rodrigo Maia não preside mais nenhuma sessão da Câmara dos Deputados sem que saia para se reunir com representantes do setor financeiro, líderes de partidos da base governista, Centrão e até mesmo com membros do PT. A situação de querer Maia no lugar de Temer é tão grande a ponto de Gleisi Hoffman, presidente do PT, ter que agir publicamente proibindo negociatas entre os parlamentares petistas e o deputado do DEM. Contudo, é o tipo de ação que não surtirá efeito diante do revanchismo, ânsia em derrubar Temer, auto proteção e tudo o mais que envolve a ascensão de Maia ao Planalto.

Na noite dessa quinta-feira (06/07/2017), na Argentina, Maia não parava de pegar o celular em meio à um encontro com parlamentares latinos. Questionado pela imprensa, disse que estava de olho no jogo do Botafogo pela Libertadores da América. Genial! O sucessor de Temer quer passar a ideia de que não é outro vampirão sem sal, entoando a mesóclise de forma equivocada, querendo passar ar de culto e não envolvido com os “notórios bandidos” que há apenas 2 meses frequentavam sua casa. Rodrigo Maia tenta passar a imagem de “nossa gente”. Em meio a tantos escândalos e de afastamento da política do cotidiano, Maia afirma lealdade à Temer ao mesmo tempo em que o cozinha em banho maria e posa de engomadinho playboy de 47 anos que pode salvar o país da crise. O exemplo de Collor como caçador de marajás não nos foi o bastante!

Bem, poderíamos ficar com a análise política do parágrafo anterior, mas verdade seja dita: Maia é a única chance de um botafoguense ganhar algo fora do Rio de Janeiro. Logo, cabe a nós, torcedores de todo o Brasil e principalmente de times cariocas, no mínimo, ter solidariedade com o Glorioso de uma estrela e, mais do que nunca, gritar #ForaTemer

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Vicente Pires e o quase voto distrital

 

Alô população de Vicente Pires! Já sabem da última? Parte dos líderes comunitários de nosso bairro quer eleger um deputado distrital e um deputado federal, digamos, nativo. O que essas pessoas têm em comum? Bem, todos se afirmam de direita, cristãos, ou seja, o contrário de mim, que sou socialista e agnóstico. Porém, a principal diferença é que não sou candidato! Logo, posso falar sem paixões desse processo para a escolha de deputado distrital. Perceba você leitor(a) que utilizando as estatísticas das últimas eleições e conhecendo um pouco os envolvidos na disputa, você irá concordar em gênero, número e grau comigo – quer dizer, os pastores não vão concordar em gênero porque acham que é coisa de esquerdista!

 

Voto Distrital e Voto Proporcional

 

A proposta dos líderes comunitários visa unir todos moradores de Vicente Pires para conseguir uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e outra na Câmara Federal. Até aí tudo bem, mas adivinhe como eles querem fazer isso? Fazendo com que o bairro tenha somente um candidato a deputado distrital e um candidato a deputado federal. Sim, já pode rir, a piada pronta é essa!

Em eleições proporcionais, como são as de deputado distrital e deputado federal, é muito mais fácil atingir o quociente eleitoral e eleger um candidato quando se tem vários candidatos em uma mesma coligação. Assim, um puxa voto para o outro e aquele que tiver mais votos entra. Os partidos sabem bem disso: se um candidato tem pouca inserção na região A, coloca-se um candidato B para puxar votos e os votos de A e B podem eleger A, B e/ou C, D e assim por diante. Se o puxador de votos for bom, como Arruda, Clodovil e Enéas em 2002, Tiririca ou Reguffe em 2010 ou Eduardo Suplicy em 2016, mais candidatos são puxados e ganham a eleição.

Também podem ocorrer coligações bizarras (na verdade elas são regras), como a do PT-PROS em 2014 que elegeu Érika Kokay (PT), militante feminista e defensora dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e, de outro lado, Ronaldo Fonseca, fundamentalista evangélico mentor do Estatuto do Nascituro e Bolsa Estupro – e que está no terceiro casamento, vale lembrar. Quem era contra Kokay ou Fonseca, ao votar em um deles para barrar o outro, levou ambos para a Câmara dos Deputados. Acontece que esses líderes comunitários de Vicente Pires sequer compreendem como ocorre a eleição, mas querem participar dela – e serem eleitos. Não é preciso dizer que falta combinar com os milhares de eleitores de Vicente Pires para votar no candidato que propõem, ainda que não gostem dele, como se o bairrismo de votar em quem os líderes comunitários apontam fosse maior que o corporativismo da polícia, professores ou religiosos que sempre elegem seus representantes.

Portanto, o que os líderes comunitários propõem é o voto distrital, que não existe no Brasil e não passará na Reforma Política do digníssimo #ForaTemer que não tem tempo de fazer nada a não ser se defender de acusações de empreiteiros e especuladores travestidos de açougueiros. No voto distrital os deputados são eleitos por distritos, geralmente separados por quantidade de moradores ou eleitores (e não por região administrativa). Cada representante só pode fazer campanha naquele distrito. Assim, só recolhe votos nas zonas e seções de sua região. No sistema atual, os moradores de Vicente Pires votam em candidatos de qualquer lugar do DF. É bem possível que um candidato tenha mais votos fora de Vicente Pires do que dentro do bairro.

 

Possíveis candidatos de Vicente Pires                 

 

Vamos então conhecer uma pequena lista dos possíveis e eternos candidatos de Vicente Pires.

Dr. Charles – para quem não sabe, foi o “nosso” primeiro deputado nativo e nunca fez nada por Vicente Pires. Ficou famoso por colocar o seu banquinho na Praça do Relógio em Taguatinga e consultar gratuitamente, ou seja, dizer que você tem virose. Ficou famoso por um esquema de funcionários fantasmas e também por ser cooptado para votar em Rogério Rosso em abril de 2010, após a saída de Arruda no escândalo do Mensalão do DEM da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=xZedM4TAba8

Dirsomar Chaves – apadrinhado político de Geraldo Magela (PT), Dirsomar quase ganhou para deputado distrital no pleito de 2010. Dos 11.928 votos em 2010, caiu para 10.186 votos em 2014, uma perda de 15% de eleitorado. Com o PT no painel da Lava Jato, sem palanque de expressão ao GDF, Senado ou ao Executivo Federal e com recursos minguados devido à perda do Buriti e Palácio do Planalto, a tendência é sangrar e diminuir ainda mais a votação em 2018. Sua chance é Temer continuar no poder e Rollemberg continuar com o péssimo governo, sobretudo com os servidores públicos, ala em que o PT tem mais capilaridade. É o puxador de votos pra Magela em Vicente Pires e no governo Agnelo ocupou a pasta da antiga Secretaria de Micro e Pequenas Empresas e Economia Solidária. Guarda a Arvips debaixo do braço como o Tião Galinha guardava o seu diabinho da garrafa, sem nem divulgar o edital de eleição da associação.

Pr. Daniel de Castro – por ser filiado ao PMDBretch, é outro que deve diminuir o número de votos. Tem público cativo de evangélicos, mas que já se atenta para optar por partidos dentro do escopo da direita e com nova roupagem, como o Novo ou o Podemos do deputado distrital e líder religioso Rodrigo Delmasso. Dizem que tem um eleitorado em determinadas regiões da Ceilândia. Não é dos que mais aparecem em Vicente Pires.

Major Cruz – tem o voto cativo de policiais militares, mas seu alcance eleitoral vai até onde permite nossa risada com sua performática chegada de jipe aos locais de votação no dia da eleição. Permanecerá no anonimato. Candidata-se porque é de uma legenda de aluguel (PPL) que ainda não arrumou outro melhor.

Apóstolo Ezequias – na época de Cristo, os apóstolos tinham papel mais razoável na sociedade. Ezequias é do PT do B, outra legenda do baixo clero e que está aí somente para vender seus 10 segundos de TV a quem pagar mais. Sua candidatura não tem outra intenção senão a de fortalecer sua igreja para quem sabe, algum dia em um futuro que oramos para não chegar, ter alguma chance de ser eleito.

Paula Matos – em 2014, tentou de todo jeito colar a sua imagem à de Reguffe, mas só conseguiu mesmo ser comparada à Sandra Faraj e seus posicionamentos retrógrados. Passará outra vez despercebida. Faz o tipo “bela, recatada e do lar” e seu discurso não chama votos, nem com os inúmeros carros de som que colocou pra rodar na campanha de 2014 ou com os santinhos que sujaram os locais de votação um dia antes da eleição.

Alberto Meireles – empresário do mundo das duas rodas, rivaliza com Dirsomar como um dos moradores mais antigos de Vicente Pires! Agora pode até parecer abraçadinho com o petista, mas são inimigos mortais. No Miss Vicente Pires 2011, Meireles chamou Dirsomar de “meu irmão”. Pensei que Meireles tinha virado pastor pra ver se conseguia mais votos, mas lembrei que naquela época o PT havia ganhado o GDF com Agnelo e o terceiro mandato seguido pra presidência, o que deu mais sentido às coisas. Concorreu pelo finado PSL – hoje chamado Livres –, que deve ter mudado de nome por ter recebido meio milhão de reais do mensalão do PT que irrigou a campanha de todos candidatos pelo país. Ele não sabe, mas sou amigo de infância de suas sobrinhas e filhos, inclusive frequentando a casa dele na década de 1990. Naquela época tinha bem menos gente e todos se conheciam, mas nem assim arriscaríamos bancar somente um candidato à distrital como fazem atualmente.

Zenóbio Rocha – concorreu a deputado distrital em 2006. Consegui 3.287 votos e sumiu. Provavelmente, ficou com vergonha de ser filiado ao PSL.

Gilberto Camargos – toma café com Renato Mengana, aquele que acumulou o cargo de vice-governador e administrador interino de Vicente Pires e a única coisa que conseguiu foi chamar uma sala de biblioteca e colocar uma barraca de camping por 24 horas no cruzamento da rua 10 com a 3 e apelidar de gabinete de crise. Gilberto é jornalista, presidente da Amovipe, editor do jornal local Conversa Informal (quero o meu bicho!) e despontou como liderança nos últimos anos com as derrubada na chácara 200 e na 26 de Setembro. Creio ter partido dele a ideia de “candidato único” (ele vai negar e dizer que é apenas um servo, sabemos disso), mas certo é que a reunião do dia 19/06/2017 está toda preparada para lançar seu nome como candidato “““““único””””” de Vicente Pires. Será sua primeira tentativa como candidato. Faz a linha João Doria de “não sou político”.

José Geraldo de Oliveira – é servidor da CLDF e do mesmo grupo político de Gilberto Camargos. Faz o mesmo discurso dele, mas de forma mais contida. Provavelmente realoquem Geraldo para a vaga de deputado federal, que exige muito mais recursos financeiros e pela própria natureza do cargo é um trabalho para a nação e não só pro DF. Caso confirmado, será apenas um candidato pra fazer dobradinha com o candidato a distrital (provavelmente Gilberto) e marcar posição do grupo da Amovipe.

Paulo de Társio – obteve 5.666 votos pelo PHS na eleição de 2010. É empresário na cidade, tem uma loja de aluguel de máquinas para construção e limpeza, além de disk entulho. Se colocasse uma de suas caçambas na entrada do condomínio 218 às 19h00 do dia 19/06/2017, era só recolher às 22h00 e ganhar mais 100 pratas. Perdão por não falar mais nada politicamente de Paulo de Társio, mas tirando o cascalho que ele jogou lá pra cima da rua 4 (a fala não é minha), não há mais nada que se conheça dele.

 

Os verdadeiros motivos para um candidato único

 

Só há dois motivos que justifiquem a proposta de tentarem impor um candidato do bairro. O primeiro, como falei, é o desconhecimento de como funciona o sistema eleitoral brasileiro. O segundo, mais provável, é tentar fazer com que lideranças locais materializadas na figura de militares ou religiosos deixem sua candidatura de lado, fortalecendo o grupo político da Amovipe que tem seus expoentes em Gilberto Camargos e José Geraldo Oliveira. Acontece que não há a mínima possibilidade de sair candidato único de Vicente Pires e quem fala isso não sou eu, mas as estatísticas.

Vamos ver se falo a verdade? Observando a eleição de 2014, vejamos a zona 19, seção 37, que fica na Escola Classe Vicente Pires, onde voto. Nesta seção, o PT foi o partido mais votado, com 58 votos, sendo 40 votos para Dirsomar Chaves. Na mesma zona e seção, Dr. Charles teve 5 votos, Pr. Daniel de Castro 3 votos, Paula Matos 16 votos (sua família toda deve ter votado nesta seção), Major Cruz 7 e Apóstolo Ezequias nenhum. Claro que é um exemplo aleatório, mas percebe-se que não se faz uma eleição pensando apenas em Vicente Pires.

 

Amovipe, Arvips, Amorjoquei e outros egos em forma de coletivo

 

A associação de moradores mais antigas de Vicente Pires é a Arvips, ultimamente cooptada pelo PT. O grupo da Amovipe nasceu em meados do governo Agnelo Queiroz, descontentes com a manipulação da Arvips, única associação até então. Foi nessa época também que o servidor Carlos Masson, criou a Amorjoquei, outra associação de moradores, mas só da rua 1, próxima ao Jóquei (não diga!). Essa época de criação de associações coincidiu com a nossa participação nas reuniões do Orçamento Participativo, que de participativo não teve nada e que não encaminhou nenhuma das mais de 100 propostas que colocamos para o então governo do PT. Com tantas associações sendo criadas e temendo que a cegonha não deixasse a minha, pensei até em criar a AMOROCA (Associação dos Moradores da Pororoca, vulgo Rua 10), acabei somente por acompanhar as reuniões do Orçamento Participativo e fui eleito suplente pro Conselho de Cultura de Vicente Pires – que Agnelo nunca nomeou.

Com o crescimento de Vicente Pires, cresceu também a disputa por espaços de poder, sejam eles externos (como a CLDF) ou internos, como é o caso das associações de moradores. Contudo, associações como a Amovipe investiram muito em ações como contenção de derrubadas, estudos sobre o trânsito e propostas para o Conselho comunitário de Segurança, mas esqueceu do principal: a formação política de seus membros. Esse erro os partidos não cometem e é por isso que o PR (atual partido do Dr. Charles), PT e PMDB não deixarão de lançar seus nomes em Vicente Pires para a disputa da CLDF, seja o que for decidido na reunião dos líderes comunitários do bairro. E podem ter certeza que Rollemberg terá um candidato camuflado nessa reunião pra escolha do candidato único, para vermos o quão perigoso é esse modelo de escolher nomes antes de propostas. Os candidatos ligados à igrejas, como Ezequias, Paula Matos ou Pr. Daniel de Castro não deixarão de se lançar candidatos, pois para além da eleição está a projeção de seus nomes em sua base de arrecadação de dízimos e divulgação de agenda conservadora. Isso é legítimo, não é crime algum! É assim mesmo que se faz política e é aí que os membros da Amovipe comeram mosca, achando que política é somente algo institucional da democracia representativa.

Vamos pegar o exemplo de Júlio César. Ele chegou em Brasília em 2011 a mando de seu partido, o PRB, para assumir a Secretaria-Adjunta de Esporte no governo Agnelo e, mesmo sem ser conhecido, ficou em primeiro lugar na eleição de 2014 devido ao apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Não há como concorrer com o poderio econômico e fiéis desmiolados que aceitam bancar esses candidatos. Pergunto: o candidato único de Vicente Pires vai aceitar ser um representante de mais do mesmo da política do “toma-lá-dá-cá” que tanto criticam nos grupos de whats app?

Analisando os dados da eleição de 2014, vemos que apenas os 6 candidatos da tabela deste texto somam 42.655 votos. Se levarmos em conta apenas Dr. Charles, Dirsomar e Daniel de Castro, são 31.199 votos. Qualquer um desses 3 nomes teve mais votos que Luzia de Paula (PEN), última distrital a entrar para a atual legislatura, com 7.428 votos. Ora, sejamos sinceros: alguém acha que o PR, PT ou PMDB vai deixar de investir num candidato certo para investir no candidato bairrista escolhido na reunião de 19/06/2017? A resposta é não, por mais que esses 3 partidos estejam no olho do furacão das denúncias da Lava Jato.

O que daria uma sobrevida, ao menos em tese, para candidaturas de líderes comunitários seria o fim do financiamento privado de campanha. Seria, pois as eleições de 2016 mostraram que as empresas já deram o seu jeito de burlar a lei. Ainda, partidos grandes como PR, PT e PMDB têm muita estrutura para bancar seus candidatos, mas será que o candidato bairrista do Vicente Pires vai querer subir no palanque destas siglas tão manchadas por corrupção? Portanto, a tendência é de pouca variação nos votos dos candidatos mais votados em Vicente Pires, com queda de 15% a 20% no número de votos. As coligações maiores, feitas com partidos com mais estrutura, saem fortalecidas. Magela, padrinho político de Dirsomar, jamais deixará que ele deixe de sair candidato e construa a sua campanha para Deputado Federal na região. O candidato a “deputado regional” de Vicente Pires não sairá nem agora e nem se houver uma Reforma Política que aprove voto misto.

 

O diabo na pele de pregadores

 

Ainda que Vicente Pires conseguisse eleger um candidato da Amovipe, do baixo clero ou dos grandes partidos, o que me incomoda mesmo é vê-los se apresentarem como cristãos. Gente, vamos passar um óleo de peroba na cara que de cristão vocês não têm nada! Não vamos esquecer que vocês são os que de manhã mandam mensagem falando de perdão e a tarde a mensagem é “bandido bom é bandido morto”. Vocês são as pessoas que divulgam fotos de menores no whats app imputando-lhes crimes que jamais cometeram ou, se cometeram, ainda assim não poderiam ter sua identidade revelada de acordo com a legislação brasileira – e olha que é uma legislação burguesa pra proteger ricos. Vocês querem ser eleitos com proposta de resolver problema de trânsito no viaduto Israel Pinheiro ou de ampliar a via Estrutural pra passar em cima do viaduto do córrego Vicente Pires, quando no Sol Nascente tem gente morrendo de fome, sem água, sem esgoto.

Se cada Região Administrativa fosse ter um deputado distrital, precisaríamos aumentar em 50% a CLDF e mesmo assim seria injusto, pois Ceilândia tem quase 600 mil pessoas e Vicente Pires não chega a 100 mil. Sou professor na Estrutural e no horário do almoço tenho que subir a via pra ir em Taguatinga e retornar pra entrar na rua 10B e ir pra casa, um aumento de 7,5 quilômetros no percurso. Jamais eu gostaria que o GDF ampliasse a via Estrutural para que eu economizasse nesse percurso e de tarde desse aula pra alunos que até hoje não receberam o cartão de material escolar do caloteiro Rollemberg. Prioridade em cima da desgraça dos outros tem nome e muitos genocídios foram feitos assim. Líderes de Vicente Pires que se candidatam com uma pauta bairrista não merecem nada mais do que perderem de lavada uma eleição. É nessas horas que sinto que estou do lado certo ao não frequentar igrejas e ter que lidar com essa hipocrisia em forma de “irmãos, a paz do senhor pra você e sua família”. E dinheiro no seu bolso não é mesmo?

Bem, quem quiser acompanhar esse circo, compareça hoje, 19/06/2017 às 19h00 na rua 8, condomínio 218 de Vicente Pires. É lá que Barrabás Distrital e Pilatos Federal serão escolhido pela comunidade de pecadores para representar o povo de bem que já está cansado de politicagem, principalmente porque acreditada que ela não havia chegado às associações de bairro. Com todo o respeito aos colegas que resolverem participar disso, ou ao menos tentando, mas dar o nome para um cheque em branco de um programa a ser construído e que não será bancado pelos partidos é perder o seu tempo e o dos outros.

 

Estatística – candidatos de Vicente Pires nas eleições de 2014

 

Apóstolo Ezequias:

https://www.eleicoes2014.com.br/apostolo-ezequias/

 

Daniel Castro:

https://www.eleicoes2014.com.br/pr-daniel-de-castro/

 

Dr. Charles:

https://www.eleicoes2014.com.br/dr-charles-22123/

 

Dirsomar Chaves:

https://www.eleicoes2014.com.br/dirsomar/

 

Major Cruz:

https://www.eleicoes2014.com.br/major-cruz/

 

Paula Matos:

https://www.eleicoes2014.com.br/paula-matos/

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Primeiro soneto para Raíssa

 

Este é o soneto que escrevi em comemoração ao primeiro “mêsversário” de Raíssa, minha filha com Danielle. Como o próprio título já diz, é apenas o primeiro de muitos.

 

Primeiro soneto para Raíssa

 

És tão bela, Raíssa, minha filha com Danielle

Ofereço este soneto, o primeiro de tua vida

E lembrando de teu rosto, de teus olhos, de tua pele,

Tu me faz bem mais alegre e por isso é enaltecida

 

Em versos alternados, é assim que a rima rege

Se bocejas no berço, já vou dar uma conferida

Pode até ser exagero, sinal de quem protege

Se a mãe não lhe dá peito, vocifera enraivecida

 

Teu sorriso afasta toda maldade

De qualquer intriga ou coisa vã

Outrora eu diria que é vaidade

 

Mas se com um mês já sou teu fã

Viraste minha primeira prioridade

Te amo Raíssa Escovedo Ayan

 

 

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Quando tudo der errado, tente o óbvio!

Imagine o seguinte diálogo entre um policial federal e um senador:

PF: senador, o senhor está preso.

Senador: tem mandado?

PF: Claro que sim.

Senador: pois eu tenho mandato. Além do mais, roubei dinheiro público e, portanto, não posso ser preso.

PF: …

Pronto, fim de conversa! O que parece – e é – o óbvio exime de qualquer responsabilidade quem o anuncia.

Tudo isso bem que poderia ser mais uma esquete do Porta dos Fundos. Contudo, é mais um triste capítulo da política brasileira. Vejamos a manchete do G1 publicada em 02/06/2017, 11h01:

Filmado com mala de dinheiro, Loures caiu em ‘engodo’, diz ministro Eliseu Padilha

Ali, o objetivo era ter a filmagem’, afirmou ministro da Casa Civil em entrevista a rádio Gaúcha. Para ele, Temer e Loures foram alvos de um processo ‘preparado’.

Bem, a manchete é uma prévia da pérola do que Eliseu Padilha, mais um corrupto do time de ministros de Michel Temer, concluiria com a sua tese de armação ilimitada com um governo tão honesto em que o cargo de ministro serve unicamente para dar foro privilegiado à investigados pela Justiça. Disse Padilha:

“A versão que nos chegou é que ele caiu em um engodo, que havia a necessidade de gravar ele com essa mala, com esse dinheiro. Foi preparado todo um processo em que ele [Temer] e o Rodrigo caíram. Não se deu conta de que estava sendo utilizado. Ali, o objetivo era só ter a filmagem”, afirmou o ministro em entrevista à rádio Gaúcha.”

Sensacional! Padilha assume o crime de Rocha Loures e o leitor fica assim, abismado, perguntando-se: onde está o crime? Ora, se o crime é colocado como algo evidente, notório, não sobra espaço para argumentar que o que foi feito é errado, que é passível de punição. Sim Padilha, havia a necessidade de gravar Rocha Loures com a mala. O que você queria, que avisasse que ele estava sendo filmado? Foi preparado um processo sim, é dessa forma que se faz para pegar corruptos como os do governo Temer. Se Rocha Loures não se deu conta de que estava sendo utilizado, então é sinal de que a PF fez um bom trabalho. E o objetivo não era “só” obter a filmagem num primeiro momento, mas agora esta filmagem tem outros objetivos, como comprovar que o golpista Temer sempre se locupletou de propinas. Padilha assume o crime de Rocha Loures e utiliza-se do óbvio para tentar livrar o colega de entrar pro hall de políticos com tornozeleira eletrônica.

Engana-se quem pensa que este episódio foi o único. A máxima “não nego minhas atitudes, você que vê pelo lado negativo” tomou conta da Esplanada dos Ministérios. As quadrilhas do PSDBretch e PMDBretch que sustentam o governo do vampirão sugador de direitos sociais perderam a vergonha na cara.

No dia 30/05/2017 foi divulgado o diálogo do áudio entre os traficantes de cocaína – e nas horas vagas senadores por Minas Gerais – Aécio Neves (PSDB) e Zezé Perrela (PMDB). No diálogo, Aécio reclama da falta de solidariedade de Perrela que no dia 13/04/2017, em entrevista para a rádio mineira Itatiaia, se esnobou por não estar na lista de Janot. Prosseguindo a conversa, Perrela complementa: “mas eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”. Aécio ri do comentário do colega parlamentar. Perrela é ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrela, atual secretário de Futebol do Ministério dos Esportes. Ambos estão envolvidos no caso do helipóptero que caiu com meia tonelada de cocaína em Brejetuba (ES), em novembro de 2013. Não seria preciso este caso para saber que Aécio e Perrela são compadres e traficantes de outros tempos, mas essa história chama muito a atenção pelo fato de o juiz ter mandado soltar os pilotos antes mesmo que fossem interrogados. A cocaína, ao contrário do helicóptero que é dos Perrelas, não tem dono, pelo menos não depois da queda do helicóptero.

Você pode pensar que são episódios diferentes, pois o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese sim, mas ocorre que após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

Não julgue que são episódios diferentes, uma vez que o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese até seria. Porém, após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

 

Vale lembrar que no Brasil a cada três pessoas presas, uma delas é por tráfico de drogas, sendo elas a maioria jovens (15 a 24 anos), negros, moradores de periferias e pegos com poucas quantidades de drogas, algumas vezes até sem provas e que aguardam julgamento em centros de detenção provisória – para os pobres, detenção definitiva. Nesse mesmo país, um senador que escancara para todos que é traficante, tem um helicóptero que é “abatido” por erro do piloto, mas não consegue ser “abatido” pela mesma justiça que lota os presídios de pobres.

No Brasil, mais do que nunca, vale o pensamento do jornalista Aldo Novak: “quando tudo der errado, tente o óbvio”.

 

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Secriança 2015 – Resultado Final – Pedagogo

Bem, parece que a novela do concurso da Secriança 2015 caminha para o fim. Após 14 meses, foi divulgado (atpe que enfim!) pela Fundação Universa o resultado final da Prova de Verificação de Aprendizagem, realizada no dia 30/01/2017. Era a última nota que faltava para compor o resultado final do concurso, resultando na homologação final e na pressão para que o governo caótico de Rollemberg convoque os aprovados.

Segue no link abaixo resultado final do concurso para ESPAF (Especialista Socioeducativo), cargo 102 – Pedagogo, do concurso da Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude. A classificação considera apenas ampla concorrência. O ranking em anexo está de acordo com o Resultado Definitivo da Primeira Etapa RETIFICADO, publicado no DODF de 26/12/2016, bem como com o Resultado Definitivo da Prova de Verificação de Aprendizagem, divulgado no DODF de 15/02/2017.

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Até mais e ótimo trabalho à todos(as) aprovados(as), sejam eles ESPAF ou ATRS.

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Paródia do ECA – Pivete Zé Galo canta Aprender

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Aprender

Pivete Zé Galo

Paródia: Rafael Ayan

Clique no link abaixo e acompanhe com a música:

https://www.vagalume.com.br/ivete-sangalo/arere.html 

 

baseada na música Arerê cantada por Ivete Sangalo

 

As seis medidas socioeducativas

Agora vamos aprender

(aprender)

 

Advertência, reparar o dano e também PSC*

(PSC)

 

A Liberdade Assistida é a LA

A Semi-liberdade não é internar

A internação não é para sofrer

 

Aprender

O artigo 112 vamos ler         REFRÃO

Aprender

É o ECA e não SINASE podes crer

 

Mas mas mas mas mas se é criança

Hey hey hey

Medida protetivaaaaaaaa

 

REFRÃO

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Mulheres nos esportes e divisão sexual do brincar

“Parece até desculpa, que toda vez que a gente perde parece desculpa dizer que precisa de apoio. É repetitivo. Ganhando ou perdendo, vamos falar isso. Tem que começar lá embaixo, nas escolas. Não quero parecer para todo mundo que estamos usando isso como desculpa. Perdendo ou ganhando, tem que dar continuidade na modalidade.”

Cristiane, maior artilheira do futebol olímpico (incluindo os homens) após derrota do Brasil para a Suécia nas Olimpíadas Rio 2016.

Se há algo que chamou a atenção do Brasil nas olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 é a participação feminina. Uma atenção ainda secundária, efêmera, é verdade, mas um início em que podemos encontrar um flanco aberto para pautar questões referentes à gênero na sociedade brasileira. Para isso, três pontos são relevantes no debate: a divisão sexual do brincar, a prática de esportes por mulheres e o papel da escola como instrumento de transformação.

Provavelmente você já ouviu falar de divisão social do trabalho e, não raro, na divisão sexual do trabalho. Esta divisão, tanto social quanto sexual, ocorre também com o brincar, ou seja, quando principalmente a parcela de crianças que não está abandonada à própria sorte trabalhando em semáforos ou sendo violentada sexualmente começa a frequentar o ambiente escolar. Se formos rigorosos, veremos que até antes disso: na decoração de nosso quarto e aniversários, nos brinquedos, nas relações com nossos pais, familiares e amigos, em tudo encontraremos o binarismo do carrinho versus boneca, rosa versus azul, dar porrada versus chorar copiosamente.

Como heterossexual e professor de Anos Iniciais de uma turma de 5º ano (10/11 anos), é natural ver que os meninos, desde a mais tenra idade, se apoderam dos espaços da escola para fazer o que quiser: jogar bola, conversar, brigar, correr. As meninas que saiam da frente. Vou além: trabalhei numa escola em que um professor organizou um campeonato entre as turmas do 4º e 5º anos em que as crianças, dependendo de seu sexo, poderiam jogar futebol e/ou queimada. Os meninos jogavam futebol e as meninas – e os meninos que quisessem – jogariam queimada. Deixei claro que em minha turma era a vontade de cada criança e não o seu sexo que determinava no que iriam participar, e assim foi feito. Em poucos jogos, o time de minha sala era o líder do campeonato de futebol, jogando com time misto. Sobrou pro professor machista inventar uma desculpa esfarrapada e acabar com o campeonato antes que fosse contrariado pela prática: as mulheres podem sim jogar futebol. E ganhar dos homens!

Não deve haver nada mais torturante para uma criança do sexo feminino do que ser forçada a brincar de boneca e casinha: hora de dormir, de acordar, de comer, faz comida pro marido, cuida dos filhos – um inferno astral! Enquanto isso os meninos brincam de mil coisas e trocam suas regras a cada segundo, e se entendem muito bem assim. O que quero mostrar aqui é que a divisão sexual do brincar precede e constrói a divisão sexual do trabalho. Ora, se durante toda a sua vida você vestiu rosa, foi impedida de jogar futebol na escola e realizou uma série de papéis sociais que já estavam pré-determinados, por que diabos vai inventar de querer representar o Brasil em jogos olímpicos num esporte como o futebol ou no judô? Com a conquista de medalhas por mulheres, a coisa começa a mudar.

Muitas das críticas que se faz em redes sociais sobre a participação feminina nos esportes não têm nada de técnico e sim de opressão de gênero. A participação de mulheres no vôley de quadra ou de praia, por exemplo, já era visto como natural. Se o esporte é sem contato e não oferece risco à chamada fragilidade feminina então não tem problema, arriscam os sexistas de plantão. Contudo, os mesmos sexistas deixam claro que o homem também pode participar do vôley e de outros esportes em que as mulheres participam, uma vez que à este sexo estão reservados todos os espaços, do esporte como brincadeira ao esporte como trabalho.

Voltemos ao que disse a atacante Cristiane: “tem que começar lá embaixo, nas escolas”. Pois é, este é um grande desafio minha cara Cristiane. Qualquer pessoa que a partir de hoje olhar para dentro das quadras esportivas escolares vai ver que as mulheres não só não jogam futebol como também não jogam outras modalidades. Os esportes, todos eles, são monopolizados pelos homens e com o aval de docentes. Justificam que a maior demanda é futebol masculino. Pensemos: futebol ou outro esporte é patente dos homens? Joga-se com o pênis? Seios atrapalham a jogar? A demanda é socialmente construída e é doloroso ver que colegas professoras naturalizam o machismo de que são vítimas achando comum a exclusão de suas alunas no meio esportivo, na tomada de decisão, no poder de dizer não. Se acha que estou errado, observe a cultura do estupro e volte a ler este parágrafo que vai fazer sentido.

Reitero o pedido: faça o exercício de passar nas escolas e ver qual é o sexo e o esporte dominante nas quadras. Para quem é docente, sugiro que vão além e perguntem por qual razão as alunas não praticam esportes. Experimente andar pelas escolas e observe se há mulheres praticando esporte. Adianto que quanto mais se aproxima do Ensino Médio, mais difícil de perceber essas amarras que coloquei no texto, justamente por causa de uma construção histórica que dura mais tempo e com vícios difíceis de se reverter por tomarem conta de aspectos subjetivos dos sujeitos. Numa turma de 1º ano as crianças correm livremente na quadra. À medida em que vão crescendo, os alunos e indiretamente a classe docente ensina às alunas que não é para elas ficarem na quadra pra não se machucar, como se a função da quadra fosse esta. Analogamente, perceba que cada participação e medalha de mulheres, das olimpíadas ao campeonato entre turmas de uma mesma escola, representa mais do que a superação em um esporte. Representa, isto sim, um passo adiante na luta contra o patriarcado.

A escola, evidentemente, seria uma alavanca no trabalho contra a divisão sexual do brincar que transforma-se na divisão sexual do trabalho. Não falo de aberrações como o Escola sem Partido ou da escola de fundamentalistas religiosos que não querem discutir gênero porque acham que o “sexo biológico” deve ser determinante nas relações sociais. Falo da escola em que há debates, em que os espaços de coordenação sejam pensados para planejamento e tomada de decisões e não de mera leitura de instrumentos burocráticos do governo e outras posturas frouxas, como se devêssemos algo ao governo das propinas de Rodrigo Rollemberg. Escola que faça o embate com parlamentares, como bem fez o Centro Educacional 6 de Ceilândia (DF) ao ser interpelado por Sandra Faraj (péssima deputada distrital) sobre um trabalho com o tema sexualidade coordenado pelo professor Deneir de Jesus Meirelles. É esta escola que vai ter a coragem necessária de ser a exceção que vai virar exemplo: possibilitar o protagonismo feminino desde criança, formando uma geração que respeita as mulheres, inclusive nos esportes.

No Brasil é comum darmos um jeitinho para acompanhar os jogos da seleção brasileira masculina de futebol no trabalho, famosa por ter os jogadores mais bem pagos do mundo. Em compensação as jogadoras da seleção feminina de futebol tem menores salários, ganho de marketing e visibilidade que a seleção masculina, embora apresente melhores resultados. Pergunto: quem se importa em ver os jogos da seleção feminina mesmo que durante sua folga no domingo? Finalizo o texto repetindo pela terceira vez o que disse a Cristiane: “Tem que começar lá embaixo, nas escolas”. Essa frase da Cris, concretizada, ajudaria não somente o esporte, mas toda a população brasileira a sair, definitivamente, da Idade Média.

E parabéns à Suécia. Parabéns por ter um currículo nacional que promove o protagonismo feminino. Parabéns por 480 dias de licença parental (e não licença maternidade) para cada filho, sendo 2 meses pro pai, 2 meses pra mãe e os 420 dias restantes divididos de acordo com o casal, que pode ser homoafetivo. Parabéns por obrigar que 40% dos conselhos de administração das maiores companhias suecas listadas na bolsa de valores seja composto por mulheres. Parabéns por ter 28% de suas mulheres na administração de suas maiores companhias. Parabéns por estimular o trabalho doméstico realizado por homens. Parabéns por ter jardins de infância em que profissionais são orientados a não diferenciar brinquedos para meninos ou meninas. Não sou desses que tem síndrome de vira-lata e adora criticar o Brasil, mas no quesito igualdade de gênero nosso país não foi nem classificado para participar da disputa. Já a Suécia, ainda que com problemas, é ouro há muito tempo.

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