Quer médico? Vai pra Cuba!

 

Fotos: Araquém Alcântara. Clique nas fotos para ampliá-las.

A incompetência de Jair Bolsonaro não é surpresa para ninguém. Porém, ao acostumar-se a 28 anos de vida parlamentar de deputado, enriquecendo e gastando recurso do auxílio moradia para (sic) comer gente, ficou mal acostumado e não percebe que um presidente eleito, ainda que não empossado, é uma instituição e não um terrorista que coloca bomba em empresas públicas para chantagear o poder público à aumentar o próprio salário. Quando não dormia nas sessões, Bolsonaro passava vergonha em audiências públicas em que não sabia o que falar e, por esta razão, restaram-lhe os gritos e o que é inerente à sua figura: homofobia, misoginia, racismo e inúmeras manifestações de intolerância. Contudo, Bolsonaro tem que entender que sua fala tem consequências maiores do que ações no Supremo Tribunal Federal.

Em menos de três semanas de eleito e ainda sem assumir a presidência, Bolsonaro coleciona trapalhadas na política externa: a) cisão com o mundo árabe ao informar que irá transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, fazendo o Egito cancelar reunião de negócios de investidores do Oriente Médio com empresários brasileiros e o ministro de relações exteriores Aloysio Nunes; b) estranhamento com a China, uma das maiores compradoras do Brasil, ao criticar o Partido Comunista do país e elogiar a política comercial de Trump, dizendo que é um modelo para o país; c) afastamento do ambiente de negócios com a América Latina, incluindo o Mercosul, causando uma fissura em uma relação comercial de duas décadas; d) Ataque à Noruega, dizendo que uma das principais investidoras em políticas contra desmatamento da Amazônia tem muito a aprender com o Brasil nessa área; e) escolha de Ernesto Araújo para o Ministério das Relações Exteriores, que se diz contra o globalismo e é próximo da política autoritária de Trump. O fim do Programa Mais Médicos, certamente, é a pior medida tomada por um presidente que sequer foi empossado e por conta dos milhões de atendimentos nos maiores rincões do país faz o pior inimigo de Bolsonaro torcer para que ele resolva rapidamente a situação, o que significa torcer para o governo dar certo.

Para que sua leitura desse texto seja melhor aproveitada, peço que primeiramente se desarme. Por mais que o texto seja escrita numa perspectiva de esquerda, há consensos que podem ser tirados tanto da causa quanto da consequência desta medida de Bolsonaro. O consenso sobre a causa é que os médicos cubanos não vão embora por uma questão financeira, de quebra do Estado brasileiro por não conseguir pagá-los. Falaremos sobre a causa mais tarde. O consenso sobre a consequência é que, segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), cerca de 30% dos atendimentos em 1.575 cidades, sobretudo os que tem menos de 20.000 habitantes, ficará completamente prejudicado. Em mais de 1.000 municípios só há médicos cubanos! Sabemos que a maior parte dos médicos brasileiros jamais trabalhará para o SUS, seja qual for a proposta salarial e de condições de trabalho que o Estado oferecer.

Logo, sendo qual for a sua orientação ideológica ou opinião sobre Cuba, o responsável direto pela falta de atendimento dos locais mais pobres do país em que cubanos atendiam é Bolsonaro, por sua posição política atrasada sobre Cuba que mais cedo ou mais tarde seria refém de sua desastrada política externa. O que decorrer dessa atitude, do agravo à dor de garganta à morte de fetos não por aborto mas por falta de acompanhamento de médicos cubanos, é ele, o mito, quem deve ser responsabilizado. Em tempo: o nome do programa é Mais Médicos e não Médicos Cubanos. Se a maior parte dos médicos são cubanos, então certamente te enganaram muito sobre aquele seu jargão “vai pra Cuba”. Lembre-se que nem todo brasileiro tem condições de pagar por um plano de saúde que age com lobby no Congresso Nacional e elege os pastores, militares e ruralistas que legislam contra a população.

 

Revalida, ou seja, valida novamente

 

Até pouco tempo quem fazia a revalidação do diploma de médicos estrangeiros eram as universidades federais. Em 2006, quando era estudante da Universidade de Brasília (UnB), fui integrante da Câmara de Graduação, que fazia esse papel de revalidação dos diplomas. Era latente o corporativismo dos professores de medicina nestas câmaras, que inclusive tinham uma participação esmagadora de docentes de todas as áreas e um número irrisório de estudantes, servidores técnico-administrativos e integrantes da sociedade civil.

O Revalida é um exame novo que objetiva avaliar a qualidade da formação de médicos formados fora do país. Ocorre que não são somente médicos formados em Cuba que não  passam no Revalida, mas também os formados em universidades européias e americanas. Aliás: proporcionalmente, os resultados são análogos ao compararmos a revalidação de diplomas de Cuba, Europa e Estados Unidos. Como em Cuba a especialidade é em medicina da família e no atendimento primário – daí inclusive os ótimos níveis de saúde na população cubana –, os participantes do Revalida sofrem ao perceberem testes centrados na medicação e no modelo mercadológico de consultas/exames, fruto da imposição dos planos de saúde à esta política social, via CFM (Conselho Federal de Medicina) e CNE (Conselho Nacional de Educação) através das diretrizes curriculares do curso de medicina.

Isto não quer dizer que a formação em medicina no Brasil seja ruim. O que se coloca é que a grande parte dos brasileiros que têm problemas de saúde (alguns levando à morte) não é porque tenham câncer ou alguma bactéria desconhecida, mas por conta de gravidez sem pré-natal, esquistossomose, vermes adquiridos por falta de saneamento básico ou sanitização de alimentos, sexo inseguro, compartilhamento de seringas por uso indevido de drogas, depressão etc. Adivinha quem atuava nessas áreas e foi o responsável por reduzir drasticamente os números do caos na saúde pública do país? Aqueles que o Bolsonaro mandou pra Cuba!

Ser médico da família não é ser menos importante do que um neurocirurgião. Médicos da família salvam inúmeras vidas. Adiante, Cuba não é uma formadora de médicos de segunda categoria. Foi Cuba o primeiro país a extinguir a transmissão de HIV de mãe para filho. Outras conquistas de Cuba que pego emprestado das publicações da colega Anjuli Tostes, auditora da Controladoria Geral da União (CGU) sobre o tema:

  • Medicamentos custam 40 vezes menos que no Brasil;
  • Desde 1990 trouxe 25.000 crianças que foram afetadas por irradiação no acidente de Chernobyl para serem tratadas em Havana, sem que elas paguem por isso;
  • Todos estudantes de medicina, inclusive de outros países como os Estados Unidos, estudam sem pagar mensalidade na ELAM (Escola Latino Americana de Medicina);
  • Mortalidade infantil de 4 por 1.000 e expectativa de vida de 79 anos, ambas melhores do que nos EUA;
  • Mutirões de médicos cubanos fazendo operação de catarata em diversas partes do mundo, principalmente na África, sem cobrança aos usuários;
  • Programas análogos ao Mais Médicos funcionando em parceria com mais 66 países do mundo, mesmo na Europa, o que significa que de cada 3 países do globo, em um deles há médicos cubanos salvando vidas.

Como “não existe almoço grátis”, uma máxima que os liberais insistem em repetir, é claro que toda essa expertise em saúde, da atenção primária à medicina de ponta, custa   caro. Quem financia? Os próprios médicos que lá estudam, tornam-se servidores do Estado e retornam o investimento estatal em sua formação para Cuba. Porém, é uma verba ínfima perto do que o governo cubano coopta por outras formas, incluindo o comércio com outras nações.

 

Salário dos médicos cubanos

 

Cuba já existia antes do Mais Médicos. Nunca precisou desse programa para sobreviver, para “financiar sua ditadura”. Aliás: Cuba viveu por mais de meio século com embargo econômico dos EUA que se estendeu aos países que se curvaram à Doutrina Truman, como a ditadura militar brasileira. O Programa Mais Médicos (PMM) é apenas um dos investidores na política de saúde de Cuba, que não é só para a ilha e sim para o mundo como mostrado neste texto. O convênio estabelece que o Brasil paga a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) que repassa o dinheiro ao governo cubano que, por sua vez, retém 70% e paga 30% aos médicos.

Mas então por quê Cuba fica com a maior parte dos salários dos médicos cubanos?

Bem, imagine que você é o chefe de Estado (ditador ou eleito em urnas eletrônicas com  fraude, como ocorria no Brasil até a eleição de Bolsonaro) de uma ilha minúscula que faz oposição política à maior máquina de guerra do mundo. Das sete horas da manhã às cinco da tarde, não há crianças pedindo esmola ou sendo prostituídas nas ruas do país: estão todas na escola e todas têm onde morar. Com todas as dificuldades do pouco espaço territorial e com um embargo de 50 anos, vendendo banana, charutos, boxeadores e jogadores de beisebol, pra ser bem performático, você consegue manter não somente uma educação de qualidade como uma saúde em que qualquer operação, da fimose à separação de siameses, é garantida de forma rápida e eficiente pelo sistema público de saúde. Por qual razão deve-se deixar que os egressos de medicina sigam livres para clinicar em algum lugar no mundo sem que haja o retorno do tanto que o povo cubano, arduamente, gastou para a formação dessas pessoas?

Se você acha que esta é uma medida comunista, saiba que situação parecida ocorre com servidores efetivos que solicitam afastamento para estudos no Brasil, exigindo que aqueles que forem afastados “terão que permanecer no exercício de suas funções após o seu retorno por um período igual ao do afastamento” (Lei n. 8.112/1990, Seção IV, Art. 96). Nada mais natural do que cobrar de um servidor que solicitou afastamento com remuneração para estudos e continuou a receber salário que pague o Estado caso não permaneça no setor público pelo mesmo período em que ficou afastado. É este princípio de solidariedade entre Estado e população assistida na educação superior que a classe média brasileira, acostumada a saquear a nação oferecendo baixa produtividade em troca, insiste em (não querer) entender.

Já que os eleitores de Bolsonaro se importam tanto com o salário dos médicos cubanos, clique aqui para ver os concursos para médico no Brasil no ano de 2018. Vários  processos foram prorrogados ou reabertos. Ainda há os que não conseguiram preencher a vaga. Além disso, vamos acabar com essas clínicas comunistas que cobram 100 reais pela consulta e repassam somente 30 reais para os médicos, ou é implicância com Cuba e essas clínicas estão corretas na forma como agem? Mas fiquem tranquilos que antes do final do mês o Bolsonaro resolverá o problema de médicos que o país não solucionou em décadas. Aaahhhhh o mito!

 

Solidariedade e financiamento do Estado

 

O que estranha os brasileiros quando Cuba retém parte do salário dos médicos cubanos é, sem dúvida alguma, um desdobramento da falta de consciência política da população. É o mesmo pensamento que faz uma professora ser contra o Programa Bolsa Família (PBF), sem compreender que o auxílio proporcionado pelo programa tem ação direta na alimentação, participação na escola e frequência ao posto de saúde, ou seja, ofertando mínimos sociais e visando, dentre outras coisas, melhoria no aprendizado. O PBF é um financiamento solidário com distribuição direta de renda aos mais pobres e por isso atacado pela classe média que não se contenta em não abocanhar uma parte maior do orçamento.

Para a maior parte dos brasileiros, um médico e até mesmo outros profissionais com formação em nível superior são considerados doutores, fruto do seu esforço, de seu estudo. Não compreendem que para a maior parte da classe média, fazer uma faculdade não passa de um desdobramento do ensino médio, de uma boa educação com investimentos vultuosos em capital cultural como cursos de línguas e pré-vestibular, passando pela natação, judô e dentista semestralmente – além de não terem que trabalhar e estudar. Ao fazer o curso de medicina em universidades públicas, os universitários têm reforçada a visão meritocrática alimentada pela família, mídia e círculos sociais, jurando que os milhares que deixaram para trás os fazem bons. Pior: afirmam não ter dívida com os miseráveis do país que bancaram sua formação, da compra da cachaça ao pagamento da conta de luz e até do gatonet!

 Certo é que embora seja visto como um espaço hegemônico da esquerda, as universidades concentram o que existe de mais sofisticado no pós-modernismo “nem nem” (nem direita, nem esquerda): defendem a privatização, pois vêm de uma educação básica realizada completamente em escolas particulares, mas não pagaram um centavo em sua formação e nem querem pagar, em forma de serviços, após formados. Iniciativas governamentais já foram feitas neste sentido, exigindo que bolsistas de Licenciatura de faculdades particulares permaneçam um tempo, após formados, lecionando em escolas públicas. O princípio de restituição é o mesmo.

Deixo claro que não quero com isso defender a cobrança de mensalidade em universidades públicas, mas o episódio do Mais Médicos deixa evidente a fábrica de playboys sangue-sugas em que se transformaram as universidades públicas. Claro que é uma generalização e conheço médicos que fazem um excelente trabalho no SUS e nem pensam em clinicar para planos de saúde, mas vale a reflexão. O perfil de universitários de instituições públicas mudou, em parte, com estudantes de classes populares que começaram a frequentar os cursos de medicina após cotas sociais e raciais, além da expansão do número de vagas pós 2007 com o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Públicas Federais (REUNI), parte integrante do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do segundo mandato do governo Lula – verdade seja dita, em muitos locais, a expansão se deu de forma precarizada.

Entretanto, por mais que tenha havido uma mudança no perfil do universitário de medicina no Brasil, com mais negros, pobres e egressos de escolas públicas no ensino superior público e privado, nada se compara à formação humanista da ELAM. Além de estudarem medicina, os universitários cubanos têm aulas sobre a importância da integração latino-americana, de uma medicina da família que aproxime os usuários do profissional. Não é um curso que faça dos usuários eternos clientes dos fármacos de laboratórios que pagam as viagens de verão dos médicos, um ouvinte disciplinado do “é virose” com uma receita repetitiva. Vejamos o exemplo do direito, outro curso elitista e que ainda mantém imbecilidades como as expressões em latim. O Direito tem egressos que aceitam trabalhar no interior do país por propostas bem menos vantajosas do que as oferecidas para profissionais de medicina. É verdade que muitos dos instrumentos para a atuação de profissionais do direito estão disponibilizados na internet. Do pouco de material físico com que trabalha um procurador, um defensor público, nada se compara à simples materiais de sutura em uma unidade básica de saúde. Porém, a visão de fortalecimento de Estado, ainda que a graduação pregue “captar grandes clientes para trazer dinheiro pro escritório”, permite com que a situação de profissionais de direito no interior do país não seja tão caótica quanto a dos médicos. Mas não é só: pensar o país, seus problemas e soluções, na saúde, educação, justiça social, seguridade, é algo pela qual os estudantes de Direito passam, mas não os de Medicina.

 

As famílias dos médicos cubanos

 

Bolsonaro afirmou que vai conceder asilo aos médicos que quiserem permanecer no país. Vejamos quantos serão os médicos, dos 8.300 restantes do programa (45% de um total de 18,3 mil) que aceitarão a proposta. Será que deixarão de viver na perigosa Cuba comunista comedora de criancinhas para morar num país que sequer os reconhece como profissionais? Está na hora de quebrar um paradigma histórico que Bolsoetornaro sempre incentivou, o de que cubanos são reféns em seu país. O retorno à Cuba será com a sensação de dever cumprido e por isso rejeitarão qualquer asilo, até porque ninguém coage suas famílias. Restarão os ingratos que em muitos lugares do mundo não conseguiriam concluir o Ensino Fundamental, mas ficarão no Brasil falando mal do país que investiu em toda a sua educação, da creche à pós-graduação.

Dizer que as famílias de médicos cubanos não podem vir ao país é mentira! Na internet já há inúmeros depoimentos de pessoas do interior do país que afirmaram que conheceram familiares dos médicos cubanos, confraternizaram com eles e até fizeram amizade prometendo um dia também visitá-los, o que não é permitido não por proibição de Cuba mas por falta de recursos financeiros do povo brasileiro. Esta é uma mentira que não dura nem até o edital relâmpago que o Ministério da Saúde vai lançar em breve, almejando, mais uma vez, preencher vagas de médicos para atuarem no interior, em regiões em que o transporte é a hidrovia porque helicóptero não chega.  Daí surge a segunda dúvida: a classe média não entende por que as famílias destes profissionais, mesmo vindo ao Brasil, retornam para casa. Em Cuba a medicina não é uma profissão liberal, ou seja, não existem aqueles caras que ficam nos centros urbanos com placas no corpo com anúncios que vão de habilitação para carteira de motorista à venda de aliança de ouro, passando pelo famoso atestado médico com eufemismo de “exame admissional”.

Se você precisar de um médico em Cuba, ele irá ao seu hotel e lhe dará todo o tratamento  que precisa sem cobrar um centavo por isto. Não é a toa que moradores de cidades dos EUA descapitalizadas após a crise de 2008, como Detroit, procuram Cuba para se tratar. Bombeiros que ficaram com problemas respiratórios após salvarem a vida de milhares de americanos nos atentados de 2001 contra o World Trade Center também se tratam em Cuba, pois a seguridade social americana, pior que o modelo bismarckiano, não lhes garante acesso sequer à nebulizadores – o filme Sicko, de Michael Moore, disponível na Netflix, mostra bem isso.

Dito isso, fica evidente por que as famílias dos médicos cubanos não querem vir para o Brasil. Os brasileiros sabem bem que um salário de 11 mil reais, embora os coloque no grupo dos 10% mais ricos do país, é insuficiente para manter uma saúde e educação de qualidade como eles têm em Cuba, por mais que o modelo de seguridade social beveridgiana do SUS garanta a gratuidade do atendimento e as matrículas no ensino fundamental estejam quase universalizadas. Quem irá trocar a educação de Cuba, com escolas equipadas e professores qualificados, pelas quatro horas adicionais de almoço e origami (quando tem papel) que as escolas brasileiras chamam de educação integral?

 

Então você pensa: “por que é que eu vejo na TV cubanos fugindo da ilha e não o contrário, americanos chegando em Cuba?”. Perceba que se você for em Cuba, o único cuidado que deve ter é o mesmo para quando for à praia de Boa Viagem em Recife: tubarões. Fique tranquilo que ao menos que apareça um helicóptero da CNN no ar, nenhum fusquinha anfíbio abarrotado de gente vai passar por você na praia. Não é de agora que a mídia internacional, pelos interesses mais diversos possíveis – mas sempre envolvendo dinheiro – atacam Cuba. Meios de comunicação como Globo, Folha de São Paulo, revista Veja são apenas alguns dos veículos que embora os “caixa2deBolsonaro” achem comunistas, sempre fizeram o papel de atacar a esquerda de forma rasteira e mentirosa. Vão chorar lágrimas de sangue ao ver o povo brasileiro sofrer sem atendimento médico.

             

A exposição do Conselho Federal de Medicina

 

O ano de 2013 marcou uma série de manifestações por justiça social e combate à corrupção, com milhares de pessoas nas ruas do Brasil e até no exterior. O PT temia pela eleição que se aproximava e fuga de investimentos nos mega eventos da Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016). Quando pressionada por melhoras no país, com destaque para áreas como a saúde, Dilma Roussef anunciou o Programa Mais Médicos. Não demorou para o Conselho Federal de Medicina (CFM) rejeitar a proposta, patrocinando ações intolerantes como escrachos na chegada dos médicos cubanos nos aeroportos.

No dia 14/11/2018, assim que ficou confirmada a decisão de Bolsonaro pela saída dos médicos cubanos, o CFM lançou uma nota (clique aqui para ler) informando que o Brasil tem médicos suficientes para atender o país. Evidente: após o fracasso da campanha contra os médicos cubanos em 2013, por sobrevivência e coerência política, o CFM deveria seguir a mesma linha e publicar um texto do tipo “já vai tarde”, como que querendo reconfortar a população brasileira que o atendimento permanecerá sem baixas. Com isso o CFM perdeu uma ótima oportunidade de permanecer em silêncio ou reconhecer que o Mais Médicos foi um diferencial que ajudou e muito a saúde brasileira.

O CFM sabia que a entrada do Brasil no Mais Médicos era um caminho sem volta, pois instituído o programa e aumentado o número de intercambistas, ao saírem por uma briga com governo posterior, como é o caso agora, deixaria exposta a classe médica por não assumirem os papeis que os médicos cubanos assumem: pegar uma canoa e remar horas para atender um idoso ribeirinho com osteoporose que tropeçou e quebrou a perna. Para quem não sabe, o Mais Médicos não é um convênio com Cuba e sim um programa aberto a qualquer profissional formado em medicina, incluindo brasileiros. Para quem não lembra, quando instituído em 2013, o programa ofertou a possibilidade dos médicos brasileiros trabalharem com salário integral, levando suas famílias para onde quiserem e (obviamente) sem fazer o Revalida. Se os médicos brasileiros não aceitaram na conjuntura econômica de 2013, não é na crise de agora que correrão para o programa.

O fato é que agora o CFM está preocupado e pressionando Bolsonaro para uma rápida solução, pois corporativistas como são sabem bem que as vagas não serão preenchidas, ainda mais por um governo que tem Paulo Guedes que preza por salários baixos e corte de direitos trabalhistas. Por isso, se apressaram ao afirmar na nota que:

3) Cabe ao Governo – nos diferentes níveis de gestão – oferecer aos médicos brasileiros condições adequadas para atender a população, ou seja, infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves;

Ora, condições de trabalho é o que deve ser dado a qualquer trabalhador e não somente aos médicos. Se o policial não tem viatura e o professor não tem quadro, é claro que o trabalho fica prejudicado. Falando em uma perspectiva moralista e conservadora, para vermos a posição do CFM com o mesmo olhar que alguns médicos observam a nota: se a falta de gaze e bisturi mata o paciente na maca, a falta da viatura não permite que o policial chegue a tempo na denúncia de agressão domiciliar e a falta de quadro mata toda uma geração que não aprende a ler nem o mundo, nem as letras e outros códigos. Outra reflexão que deve ser feita: profissionais de saúde como técnicos de enfermagem, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais etc não tem um programa específico para si, do tipo “Mais Enfermeiros” ou “Mais Assistentes Sociais”. Por que será?

 

Braço forte, mão amiga!

 

O Brasil acabou de eleger um presidente militar reserva da reserva dos reservas. Com forte apelo aos militares, não tanto porque gosta deles e mais pelo que recebe da Taurus para promover o armamento civil, Bolsonaro jogou antecipadamente boa parte de seus eleitores contra um governo que nem começou. Sobrará para as forças armadas salvar a imagem de um “militar no poder”. Acontece que a grande massa de mão-de-obra verde oliva não é qualificada para substituir os médicos cubanos. São jovens, grande parte sem concluir o ensino médio, que entraram para as forças armadas para conseguir um soldo e ranchar (comer) no quartel. São aqueles caras que o ditado diz “pau pra toda obra”, da campanha contra a dengue e vacinação de cães, aqueles que pagam 10 flexões sem mexer o pescoço como um professor de aerobahia.

Conheci excelentes praças e oficiais do exército quando participei como estudante em uma operação do Projeto Rondon em Camamu, interior da Bahia, em 2007. Em 2011 e 2012, enquanto mestrando/professor da disciplina do Núcleo do Projeto Rondo da UnB que preparava os graduandos para as operações do Ministério da Defesa e ações próprias da universidade, me aproximei mais dos militares e vi a importância e profundidade de seu trabalho. A pergunta é: o quanto esses jovens militares, que têm suas famílias no interior do país ou nas periferias dos grandes centros urbanos sendo atendidas por médicos cubanos, estão dispostos a colaborar efetivamente com um governo que nem assumiu e já pode ser o responsável direto pela morte de seus familiares?

O que vai acontecer é que o núcleo militar ligado à Bolsonaro, com a interlocução do General Heleno no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), vai deslocar seu quadro de oficiais médicos para os locais deixados pelos médicos cubanos. Pois bem, ocorre que os médicos das forças armadas já atuam em municípios sem cobertura mínima do SUS, mas são ações pontuais e quase sempre em cidades distintas daquelas em que o Mais Médicos enviou profissionais. Entre um militar e um civil médicos, é obrigação deste último o atendimento à população nas demandas da saúde, sendo o militar médico para atender a demanda própria das forças armadas. Se não é este o entendimento, então o Estado brasileiro paga, desnecessariamente e há muito tempo, os militares médicos para não trabalharem, pois se podem ser deslocados para substituir os médicos cubanos é a prova de que não são necessários nos quarteis ou hospitais militares.

O número de militares médicos é muito pequeno. Além de perder a cobertura médica para os militares do quartel e em hospitais das forças armadas, a utilização deles não faz cócegas na carência do número de profissionais cubanos que deixará o país. Ainda que tenham médicos cubanos que queiram ficar no Brasil – e agora que viu a bagunça que fez Bolsonaro não falará mais em Revalida para os cubanos, mas somente para a imprensa para manter a aparência –, o estrago já está feito. O grito de guerra do exército brasileiro só vai servir para ser contado em uma segunda história do Brasil em que os militares perderam uma ótima oportunidade de se manter longe do executivo federal quando este é ocupado por um populista inconsequente, desinformado e intolerante, nada diferente do que foi nos últimos 28 anos enquanto era deputado, mas com consequências muito maiores pra nação.

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Quem é Marcos Pontes, futuro Ministro da Ciência e Tecnologia?

A última vez que Marcos César Pontes – futuro ministro da Ciência e Tecnologia – atualizou o currículo Lattes foi em 20/11/2012. Dei print logo porque sei que é capaz dele atualizar esses dias, mas segue o link pro Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4630643H4

Pelo jeito há 6 anos Marcos Pontes vive de seu belo sorriso estampado nos livros destaque de livrarias de aeroporto. O que muita gente não sabe é que Marcos Pontes é só um tenente-coronel que por influência da diplomacia de Lula pegou uma carona pra ver o mundo azul como o soviético Yuri Gagarin, primeiro ser humano a chegar ao espaço. É de Gagarin a célebre frase:

“A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!”

Como política de financiamento, atualmente a NASA já oferece esse tipo de “serviço” para milionários dispostos a pagar alguns milhões de dólares pela aventura do rolezinho lá em cima, o que deixará um pouco menor o recalque de Luciano Gang, dono da Havan.

Temos um verdadeiro astronauta de mármore no #MCT

Música maestro…

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar

Sempre estar, lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo

Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul

 

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Crônica – Domingo na urna

Urna eletrônica. Imagem: Agência Brasil

Crônica – Domingo na urna

Rafael Ayan

 

José, rei da brincadeira, encontra com João, rei da confusão, na feira em que aquele trabalhava. João inicia o debate:

– Ei José, você acredita nessas urnas eletrônicas?

– Uai compadre, nunca tive motivo pra desacreditar.

– Como não? Você não vê as pesquisas? Querem colocar que Bolsonaro diminuiu a diferença de votos para Haddad.

– Isso é pesquisa compadre. Não é resultado. O que vale é o que tá na urna.

– Sim, mas se as urnas não garantirem a vitória de Bolsonaro, então teve fraude.

– Mas e se Bolsonaro ganhar?

– Então elas respeitaram a vontade do povo.

– Mas isso não é democracia João! Só vale quando o seu candidato ganha?

– Sim, porque é o que o povo quer. O povo não quer candidato de esquerda e essas urnas roubam pro PT.

– E quem te disse que o PT é de esquerda?

– Eles são gayzistas, querem kit gay nas escolas, são corruptos e não podemos deixar que o Brasil se torne uma Venezuela.

– (Com cara de saco cheio) bem, olhando por esse lado…

– Pois é, as urnas roubam pro PT, isso é fato, não se discute.

– Verdade João. Viu quem ganhou a eleição por São Paulo? Tiririca. E foi a terceira vez. TER-CEI-RA!

– Comunista dos piores. Lembra da calça jeans vermelha que ele usava? Ninguém usa caça jeans vermelha. Deve estar tramando algo com anões e mágicos do circo em que trabalhava.

– Isso mesmo José! E o Alexandre Frota. Lembra dele? Daqueles DVDs piratas da Brasileirinhas que eu comprava direto ali no Afonso, tá ligado? Foi eleito.

– Como não lembro? Claro que sim. Comunista dos bravos. Até trabalhou na Globo. Deve ter recebido muitos dólares da Lei Rouanet.

– Vagabundo. Precisamos dar um jeito nisso. Esse congresso só tem vermelhos.

– Calma João, não podemos fazer nada. Eles são maioria. Se ainda pudéssemos eleger uma bancada da bala, da bíblia, do boi… teríamos militares, pastores e ruralistas para nos defender. Mas não: o Congresso Nacional só tem comunista por causa dessas urnas fraudadas! Temos que prender esses bandidos.

– Falou tudo João. Bandidos vermelhos. Ou saem do país, ou cadeia para eles.Vamos pra cima com tudo.

– Isso, isso… e vamos acabar com a raça de todos aqueles que mudaram de partido para enganar o povo, como se nunca tivessem se filiado à partidos corruptos ou que pegaram verba pública para si.

– Topo! Começaremos por Bolsonaro.

– Ok. Vamos acabar com Bolso… Quem?

– Bolsonaro.

– Bolsonaro por quê?

– Ora, ele ficou por mais de uma década no PP, Partido Progressista, do Maluf. Até lavou 200 mil da JBS quando ainda era desse partido.

– Mentira.

– Juro de pés juntos. E digo mais: ele saiu do PP e foi pro PSC, Partido Social Cristão, do pastor Everaldo, já pensando em ser candidato a presidente. Logo em seguida se desentendeu com Pastor Everaldo e saiu para habitar o PSL, que recebeu meio milhão de propina do Mensalão em 2010.

– Mas Bolsonaro é diferente!

– Sim, é, mas para pior. Até ano passado divulgavam um monte de meme dizendo que os militares empobreceram ao ocuparem cargos públicos. Pois Bolsonaro só viu seu patrimônio aumentar exponencialmente.

– Mas ele defende a família.

– Qual delas? Até o momento está na 3ª esposa.

– José, você tá me parecendo essas urnas fraudadas.

– E você tá parecendo os torturadores da ditadura, com a diferença de que quer continuar desinformado.

 

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Haddad foi o único ministro a acolher a Pedagogia


Daqui a 3 semanas essa imagem faz 13 anos. É uma foto que tem muita história e representa muito do momento político atual. Foto: Antonio Rodrigues “Kromado”.

Você estuda ou estudou Pedagogia? Saiba que a única vez que representantes de estudantes de Pedagogia foram recebidos por um Ministro da Educação em quase 100 anos de MEC foi por Fernando Haddad – aliás, nenhum ministro jamais recebeu. E saiba que o movimento estudantil de Pedagogia foi convidado a voltar para um encontro político com Haddad. Conheça essa história…

Em 2005 a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), juntamente com o Centro Acadêmico Pedagogia do Oprimido da Universidade de Brasília (CAPe/UnB), organizaram o VII FoNEPe (Fórum Nacional dos Estudantes de Pedagogia) em Brasília. A UnB sediou o evento. No dia 14/11/2005, aniversário de 75 anos do MEC, fizemos um ato no Ministério da Educação (MEC) reivindicando que as Diretrizes Nacionais (DCN) do Curso de Pedagogia não fossem aprovadas antes de reunião com a ExNEPe para discutir o tema.

O CNE (Conselho Nacional de Educação), responsável pela formulação das DCNs, estava com um projeto que os estudantes de Pedagogia avaliavam como ruim para a nossa formação. Pois bem, durante o ato, conseguimos com que uma comissão, inicialmente com 3 estudantes, subissem para negociar com o Chefe de Gabinete da Secretaria Executiva do MEC, Alberto Kopittke. Fui uma das pessoas escolhidas para essa comissão e negociei para que mais 6 pessoas entrassem como parte da comissão, além de 3 estudantes de Pedagogia que iriam “cobrir a comunicação do evento”, sendo a Erin Conceição, da UFSC, e o Antônio Rodrigues “Kromado”, da UnB.

Alberto nos recepcionou e nos levou ao gabinete, ao que apresentamos as reivindicações quanto às DCNs. Num dado momento, Fernando Haddad, que havia acabado de chegar de uma viagem, entrou na sala do chefe de gabinete e, mesmo tendo outra reunião agendada, parou para nos ouvir. Ele poderia ter ido embora ou simplesmente não ter entrado na sala, pois viu a manifestação ao chegar ao prédio e foi avisado pela assessoria que os “xiitas” habitavam a sala do chefe de gabinete. Haddad, que não é de fugir de debate, pagou pra ver! Após explicarmos o motivo da manifestação, solicitamos ao ministro que ele assinasse um documento se comprometendo a não homologar as DCN do CNE sem antes fazer uma reunião presencial com a Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (documento ao lado). Enquanto isso, voltaríamos à UnB para construir uma contraproposta para apresentar ao MEC e ser debatido com o CNE.

Pelo fato da Executiva ser bastante desorganizada e não ter sequer um site ou telefone de contato, a assessoria do MEC entrou em contato através de meu e-mail pessoal, solicitando uma reunião em cerca de 2 semanas. Avaliamos que não tínhamos condições de participar em tão pouco tempo, até pelo caráter do movimento estudantil não conseguir se deslocar com facilidade em um país de dimensões continentais como o Brasil sem planejar com bastante antecedência – daí nossos encontros serem sempre nas férias de julho e os menores nos feriados de abril e novembro. Então, pecamos pela nossa desorganização, mas Fernando Haddad não só nos recebeu como nos convidou para retornar e apresentar a nossa contraproposta de DCN – que está sendo escrita até hoje!

Por isso, se você estuda ou estudou Pedagogia, vai lembrar que a partir de 2006 acabaram aquelas inúmeros habilitações como Normal Superior, Ciências da Educação e outras, restando apenas Pedagogia. O professor Erasto Fortes, Naquele tempo diretor da Faculdade de Educação da UnB e hoje no CNE, chegou a contar cerca e 100 habilitações análogas à Pedagogia. Bem, fato é que Haddad consultou outras organizações, como o Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR), A Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE) e homologou um documento para tentar um consenso que, obviamente, não seria (como não foi) bem visto pelo Movimento Estudantil de Pedagogia, mas hoje percebo que temos uma profissão com o mínimo de identidade. O setor público (vide principalmente concursos) e a iniciativa privada reconhecem no Pedagogo alguém com formação muito mais abrangente que o foco na base docente, como colocavam as primeiras resoluções do CNE.

Em 2007 participei de minha segunda gestão no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, na Executiva de Estudantes de Pedagogia do DF e na Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia. Posso contar os inúmeros atos que fiz contra ações de Fernando Haddad que considerei equivocadas, algumas delas que já revi e penso de outra forma e outras em que estou ainda mais convicto do erro do MEC. O mesmo digo sobre o governo Lula. Contudo, é fato que Haddad sempre foi aberto a receber os movimentos sociais no ministério e nunca pesou contra ele qualquer denúncia de corrupção – vindo agora em ano eleitoral somente para desgastá-lo e tentar eleger Alckmin, que ficou em 4º lugar na corrida presencial e viu os tucanos encolherem significativamente no mapa político devido à sua política de terras arrasadas com Lava Jato, Globo e Folha de São Paulo, que agora vêm com o rabo entre as pernas arrependidos do monstro fascista que criaram!

Manuela D´Ávila, vice na chapa de Haddad, foi a vereadora mais jovem eleita por Porto Alegre em 2004. Mesmo após vereadora, continuou a participar do movimento estudantil e alavancar seu grupo político, a UJS (União da Juventude Socialista), que parasita a União Nacional dos Estudantes (UNE) há 30 anos. Contudo, Manuela está longe de ser uma inimiga de classe. Jornalista, será um elo importante de Haddad com a mídia e os movimentos sociais. Não é uma vice metida a rica como Mourão, que não vê a hora de ocupar o Palácio do Jaburu e articular a perda de mais direitos dos trabalhadores – para quem achava que com Michel Temer estava pouco.

 Fernando Haddad é qualquer coisa, menos uma pessoa sectária que não sabe dialogar com o contraditório – ainda mais nesse período de polarização e ódio pelo qual passa a sociedade brasileira. Escolher Haddad não é dar carta branca ao PT e quem fala isso é alguém que votou pela primeira e última vez no PT em 2002. Desde o início do governo Lula me organizo na oposição, construindo greves na UnB, lutando pelo passe livre, pegando sol na cabeça pra participar de assembléia de professores quando ainda era estudante de graduação e me filiando ao PSOL em 2013, enxergando na via institucional também (mas não só) uma forma de aumentar um grupo de pressão ao governo. Não sou militante de redes sociais, de compartilhar meme e achar que lacrei e fiz a diferença pro país. Fui detido 3 vezes, algemado em duas delas, militando pelo movimento estudantil. Cheguei a responder processo por isso. Até hoje carrego cicatriz na mão direita porque fui jogado numa caminhonete blazer por cima de dois outros estudantes e o policial bateu o porta-malas umas 5 vezes até fechar. Vergonha? Jamais. Orgulho define, faria tudo de novo, e numa democracia temos a garantia de, se presos, sabermos que não passaremos pelo pau de arara, como não passei, embora excessos de quem quer que a ditadura volte sempre existam.

Faço esse registro pessoal porque vejo nas redes sociais muitas pessoas que militaram comigo contra as reformas do PT, desde a Reforma da Previdência em 2003 até o anteprojeto de Reforma Universitária do Átila Lira, o Plano Nacional de Educação e muitas outras bandeiras que carregamos lado a lado. Nós mudamos? Não, continuamos os mesmos. A conjuntura política mudou? Completamente. Não estamos mais diante de uma disputa no campo democrático entre o trabalhismo de centro e a social democracia paulista. A eleição de Haddad certamente me fará continuar a organizar muitas outras greves, fechamento da Esplanada dos Ministérios, atos em autarquias federais e agências reguladoras, mas a eleição de Bolsonaro, como o próprio disse essa semana, me levará para a cadeia, e sabemos bem o que a cadeia em regimes autoritários é só um estágio para o desaparecimento

Se você fez Pedagogia, você faz parte dessa história direta ou indiretamente e não vai trocar os erros do PT pela democracia. Ajude a divulgar para outros(as) colegas da Pedagogia.

Vai na fé colega! Domingo é Haddad 13!

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Ditadura nunca mais!

 

Meu primeiro e último voto no PT foi em 2002. De lá para cá, anulei todos os votos em 2006, época de minha fase anarquista ao militar no MPL (Movimento Passe Livre) e, a partir de 2010, passei a votar no PSOL, filiando-me em 2013. A disputa do PT contra José Serra em 2002, Geraldo Alckmin em 2006, Serra novamente em 2010 e Aécio Neves em 2014 tinha um aspecto que permitia o voto nulo: a democracia não estava em risco. Sabíamos que o PSDB no governo seria muito ruim, com uma onda de privatizações e o rebaixamento da soberania nacional ao capital rentista. Contudo, ainda havia correlação de forças no Congresso Nacional e a possibilidade de um debate mínimo de pautas identitárias como movimento de mulheres, negros e LGBT.

Os governos petistas pecaram por se tornarem uma máquina eleitoral sem escrúpulos, colocando o voto a todo custo acima de qualquer princípio de um partido com uma militância de esquerda e com parlamentares e o próprio Lula fazendo um governo de centro e, não raro, liberal na esfera econômica, chamando o Meireles pra presidência do Banco Central – o que foi inclusive utilizado como um dos eixos de marketing eleitoral do banqueiro nessas eleições. O aceno aos fisiologistas do centrão foi um dos maiores erros do PT: a entrega de cargos para os falsos pastores mercadores da fé, milicianos patrocinados pela indústria armamentista e lobistas dos agrotóxicos e da soja! Era questão de tempo para que um deputado conseguisse reorganizar esse grupo de pressão, capitalizando essa massa de corruptos em torno de pautas-bomba aprovadas com o aval do PSDB e a liderança de Eduardo Cunha do (P)MDB, outro ex-aliado.

Os tucanos, aliás, reduziram sua bancada à metade e agonizam vendo seu antigo eleitorado dormindo com o inimigo PSL que em 2014 só elegeu um deputado federal e agora subiu para 53 deputados e um senador. As mídias corporativas como Globo, Veja e Folha de São Paulo foram pelo mesmo caminho, colocando a Lava Jato como centro do debate político por não poder dizer que a corrupção é peça fundamental na engrenagem do sistema capitalista. Pergunta: valeu a pena criticar o PT pelos seus acertos e não pelos seus erros? A vitória de Bolsonaro iniciará o combate não somente a militância de esquerda, mas aos grandes veículos de comunicação, que terão seu espaço privilegiado de fomentadores de terra arrasada esvaziado pelo controle da Polícia Federal para não atuar contra a corrupção. Receita antiga da ditadura, esse aspecto tem outro ponto que seria cômico se não fosse trágico: Bolsonaro sonha em controlar a mídia, como já deu a entender em algumas propostas.

Passado o período do golpe, o PT terá que saber lidar com uma ampla frente democrática contra a tomada do poder por um fascista. Para isso, Haddad tem que assumir protagonismo, uma vez que independente da avaliação que tenhamos sobre Dilma, o que o brasileiro pensa é que não dá pra confiar novamente na indicação de Lula, por mais agradecido que o povo seja ao ex-presidente. O PT deve fazer, urgentemente, a autocrítica sobre seus erros. A cobrança não é só de Marina ou Ciro, como foi na campanha do 1º turno, mas do povo brasileiro. Quem duvidar, observe as urnas. Cada visita que Haddad fizer à Lula vai parecer que não tem autonomia e que é mais dependente do ex-presidente do que Bolsonaro do Posto Ipiranga Paulo Guedes. A militância petista não pode enxergar o movimento dessa frente democrática como uma massa de filiados, de pessoas que gostam do PT, mas sim um último suspiro na tentativa de evitar que um intolerante que persegue minorias e quer entregar o país chegue ao cargo mais alto da República.

Feita a autocrítica, a campanha de Haddad começará a crescer não somente em números, mas em qualidade. Bolsonaro, por sua conhecida preguiça intelectual e desinteresse pelos estudos, não tem a mínima condição de debater com Haddad, um doutor respeitado na comunidade científica por pesquisadores das mais diferentes colorações partidárias. Resta à Bolsonaro continuar jogando com a desinformação de memes do MBL e milhares de sites com fake news ainda não derrubados,com manchetes sensacionalistas que seus eleitores adoram compartilhar sem sequer ler o conteúdo. Não adianta discutir as inúmeras investidas de Bolsonaro contra as mulheres, negros, gays, pois os eleitores dele não se importam com isso – inclusive compactuam com a visão preconceituosa do capitão. O que vai virar voto a partir de agora é debater o plano de governo (ou seria Carta de Intenções) de Bolsonaro, mostrando os cortes de direitos trabalhistas, aumento da CPMF, perseguição à mídia (institucional e independente) e prejuízos ao trabalhador em geral com sua carteira de trabalho verde e amarela. É hora de mostrar como Bolsonaro sempre votou contra o povo em seus 28 anos de mordomia na Câmara dos Deputados. O Nordeste já deu a dica e no Ceará, que tem 77 das 100 melhores escolas públicas do país, Bolsonaro ficou em 3º lugar, perdendo para Ciro e Haddad.

Não há vácuo na política e o voto nulo ou a desistência de votar não vai deixar o fascista de fora. É preciso se posicionar. Haddad e PT devem ficar pequenos diante da nova configuração de massas que irá tomar as ruas, do ponto de vista de querer capitalizar dividendos militantes com isso. De “Haddad é Lula”, o lema deve ser “Democracia é #EleNão”, obtendo votos para Haddad ou virando votos de Bolsonaro para voto nulo ou branco. Dia 1º de janeiro, certamente o PSOL estará na luta que sempre esteve, com uma bancada ainda maior, fazendo o contraponto das medidas de Haddad e votando contra aos projetos que atacam o trabalhador.

Quando os militares chegaram ao poder em 1964, vários elementos contribuíram para isso: um inimigo criado pela mídia; a promessa de empregos e retomada do crescimento econômico; a pecha de corrupção como patente da esquerda; marcha de famílias organizadas por religiosos estelionatários; a simulação de um ambiente de guerra nas ruas, inclusive com o uso de tanques, apontando para uma ameaça comunista de tomada de poder. Se parte desse cenário é culpa de PT e PSDB – que dividiram o poder e os votos em 1º e 2º turno no último quarto de século -, bem como da mídia ávida por mais verba publicitária e desonerações fiscais, que não aumentemos essa bomba atômica jogada no próprio território elegendo Bolsonaro presidente. A solução de nossos problemas passa pela democracia, sempre.

Não fico feliz com meu voto no 2º turno pra presidente, mas ficarei mais triste com a vitória do PSL e a impossibilidade de continuar a votar futuramente. Não é justo que o Nordeste tenha que salvar o país sempre, como

Agora é Haddad, 13, nas redes sociais e nas ruas, porque a pior das democracias vale muito mais do que a menos pior das ditaduras.

Não ao fascismo! Marielle presente! #EleNão

Prof. Rafael Ayan

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Paródia – águas do vaso

Imagem: último segundo

 

Águas do vaso

Baseada na música Águas de Março de Tom Jobim – clique aqui para ouvir

Autor: Rafael Ayan

 

É pau, é pedra, tiro, porrada e bomba

Proposta do Bozo, para a segurança

Fala que o dedo é pênis, MEC distribuiu,

O livro pras crianças, e lá vem fake news,

Quer armar as pessoas, e não é com peixeira,

É a Taurus, lucrando, é açaí com escopeta

 

Tentar até que tento, entender as besteiras

Mas Daciolo é profundo, é o mestre da asneira

Ele segue pregando, com a bíblia na mesa

É URSAL, é o cão, monte sua fortaleza

É Marina falando, que é uma mulher guerreira

Cavalo paraguaio, perde sempre a dianteira

É Goulart, é João, déjà vu de sessenta,

É golpe militar, uma história sangrenta

 

Ciro promete o céu, fala de educação

IDEB de Sobral, pobreza no sertão

É um juros bem pouco, o seu nome limpinho

Lá vai tu de novo, comprar outro carrinho

 

É Geraldo, chamando, vice de Kátia Abreu

Ana Amélia responde, também pode, ser eu

São duas ruralistas, tudo da mesma corja

Veneno na comida, as rainhas da soja

Sósia do Fábio Júnior, com botox na cara

Dizendo que é único, podemos dar risada

Aplaude a Lava Jato, mas que cara sinistro

Por ter sangue tucano, quer o Moro ministro

 

Diz que é, democracia, que é partido, cristão,

O chato do Eymael, vem falar, de nação

São as águas do vaso, um tanto de excreção

Fazendo a analogia, chamo de eleição

 

Amôedo e Meirelles, são banqueiros, pois é

Querem os juros lá em cima, sufocando a ralé

Vai você que é mortal pedir desoneração

O governo te xinga: vagabundo, ladrão

A tal, de Vera, quer o trabalho unido

Assembleias com o povo, e assim decidindo

É Manu, é Haddad, já não tem tantos fãs,

Correndo atrás do tempo, invocando o xamã

Que está trancafiado, fora da eleição

E o Aécio tranquilo nunca viu a prisão

 

Pau, pedra, lona, vizinho

Teto, Boulos, é o caminho

Taxa, rico, rica, oh, foice, martelo,

Cinquenta, PSOL

 

É Sonia Guajajara, o voto do povão

É o voto da massa, despejando o patrão

 

 

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Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil.

 

Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

Clique aqui para baixar o conteúdo da carta em PDF

O relato que descrevo abaixo aconteceu com um discente de minha escola, situada na Cidade Estrutural, e fala sobre o descaso do GDF com o Sistema Socioeducativo. Porém, está longe de ser um caso raro no DF.

Na última quinta-feira, 16/08/2018, um estudante residente na Cidade Estrutural e matriculado em escola no mesmo bairro foi detido por estar com um MBA (Mandado de Busca e Apreensão). Motivo: não frequentar regularmente as atividades da UAMA (Unidade de Atendimento de Meio Aberto), esta situada no Guará. O adolescente recebe um cartão de transporte para ir à UAMA, mas sofre com os inúmeros problemas de quem utiliza o transporte público no DF em relação ao cartão. O pai, único responsável legal, trabalha o dia inteiro e não encontra tempo para representar o adolescente na UAMA, cumprindo a agenda de assinar os documentos formais, dentre outras. O adolescente detido estava acompanhado de 2 irmãos e um amigo, este último também cumprindo medida de liberdade assistida. Ao serem questionados sobre o motivo da apreensão, os policiais civis disseram “isso é assunto nosso”, sem falar para onde o levariam. Tal situação apavorou os irmãos e impediu que o pai o procurasse com maior rapidez.

No sábado, 18/08/2018, passei na casa do estudante e vi conversei com o mesmo. Minha preocupação era porque na sexta-feira, 17/08/2018, ele faltou aula e, para mim, ainda estava sob o poder do Estado. No Dia das Mães desse ano, o adolescente passou pelo mesmo procedimento, dormindo na DCA (Delegacia da Criança e do Adolescente) e retornando para casa no dia posterior, ou seja, já são duas faltas em 2018 de discente retido no ano e vítima da incompetência do governo Rollemberg. Foi então que eu soube o motivo da atual apreensão, a mesma de maio desse ano: atualização de cadastro! Detalhe: o adolescente mora no mesmo local de quando foi apreendido em maio, o que significa que se não atualizaram o cadastro novamente, podemos esperar nova apreensão em pouco tempo por causa da ineficiência do poder público.

É comum adolescentes da Cidade Estrutural que cumprem alguma medida de meio aberto deslocarem-se a pé para a UAMA do Guará, uma vez que o bairro não conta com esta unidade da Secriança (Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude), tendo a violação de direitos aumentada exponencialmente. Ora, caso não haja recursos para a construção de UAMA e lotação de servidores na Cidade Estrutural, fato é que deveriam retirar UAMA com menor número de atendimentos e colocar onde se mais necessita. O raciocínio da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) repetido por Rodrigo Rollemberg durante todo o seu mandato, afirmando não ter dinheiro para gastos sociais, não faz sentido, pois das empreiteiras que investiram (e esse é o verbo adequado) em sua campanha, os pagamentos vultuosos só aumentaram.

Aliás: como explicar a falta de dinheiro se o próprio GDF anuncia a criação de mais duas unidades de internação para adolescentes? Isso deixa claro que a política do governo para a juventude é a de encarceramento e não a de aumentar os atendimentos nas UAMAS, que contribuem para que adolescentes não voltem a entrar em conflito com a lei. Logo a Cidade Estrutural que tem a maior população de crianças e adolescentes no DF é privada de políticas sociais básicas, como uma UAMA, ao passo que a verba de publicidade de Rollemberg foi a ordem de 70 milhões em 2017.

Outro ponto importante a ser destacado é que a reiterada apreensão de adolescentes que cumprem medidas de meio aberto faz com que eles voltem cada vez mais violentos para a escola. Ao contrário dos especialistas socioeducativos (pedagogos, assistentes sociais, psicólogos, dentre outros) que trabalham na Secriança e contam sempre com a segurança dos agentes socioeducativos, além de apoio pedagógico, nós professores da Secretaria de Educação não temos qualquer tipo de proteção dentro da escola e vemos nosso trabalho ser extremamente prejudicado pela conjuntura de abandono da proteção social aos adolescentes do DF. Qual será a solução do GDF? Militarizar as escolas? Armas os professores? Construir mais unidades de internação? É mais barato e eficiente chamar todos os aprovados nos concursos Secriança 2015, de orientador educacional e suprir esta e outras necessidades, além de articular um trabalho intersetorial entre secretarias. Esta é uma forma de otimizar o cumprimento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e colaborar com os objetivos do SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo). Infelizmente, não somente pelo calote nos servidores, o que se percebe do governo Rollemberg é o sucateamento e desmonte do serviço público somados às denúncias de incompetência e corrupção.

 

Att,

 

Rafael Ayan

Professor Atividades no CED 01 da Estrutural

 

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Museu Bolsonaro de Escola sem Partido

Portugal nunca pisou na África!

A afirmação é de Jair Messias Bolsonaro, candidato a presidente do Brasil, no Roda Vida de 30/07/2018. Último país a abolir a escravidão e maior destino de africanos escravizados, o Brasil até hoje penaliza a sua população negra, sobretudo a juventude, ora

Jair Bolsonaro no Roda Viva de 30/07/2018.

com uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, ora com políticas públicas que não chegam aos rincões dos grandes centros urbanos ou do sertão nordestino, a não ser as de encarceramento em massa. Restou aos negros contentar-se com o desencargo de consciência cristão da burguesia de que não precisam de cotas e sim de uma educação básica de qualidade, por mais que esse ensino de qualidade nunca tenha chegado – e nem vá chegar.

Ainda assim, há quem diga que não há dívida histórica e que não deve pagar nada a ninguém, quiçá aos negros que (sic)”se entregaram aos portugueses”. Esse alguém é Bolsonaro. Não é a toa que uma das pessoas cotadas para ser vice de Bolsonaro é exatamente o príncipe sem reino, herdeiro dos Bragança e Bourbon e que sonha em recolonizar o Brasil, como não bastasse a eterna desgraça que os portugueses fizeram com o país. Quer conhecer algo mais contraditório que um monarquista disputando a presidência? Então olhe como o Museu Bolsonaro de História Sem Partido reescreveu a identidade brasileira.

 

A ENTREGA

Camaradagem de escravizados: ceder o lugar no transporte é um hábito que herdamos dos africanos nos navios negreiros, como ensinou Rosa Parks.

Um dos momentos mais marcantes da história moderna é a chegada de navios branqueiros, com europeus ávidos por trabalhar no corte da cana-de-açúcar, na exploração de ouro nas minas gerais e nas plantações de café do Oeste Paulista. Os navios eram chamados de branqueiros por causa da quantidade grande de brancos que vinham neles. Eles aceitavam trabalhar sem ganhar nada por isso. Também haviam os navios negreiros, como mostra essa pintura da época, de Rugendas. Perceba que os negros preferiam viajar nos porões do navio, com pouca ventilação e defecando no mesmo local em que comiam, cedendo a “classe executiva” aos portugueses que seguiam na proa.

 

PORTO MARAVILHA: INAUGURADO EM 1503

Fraude: o suposto Cais do Valongo da literatura esquerdopata jamais existiu!

A esquerda insiste que o Porto Maravilha foi o Cais do Valongo, maior porto receptor de escravizados do Novo Mundo. Marcelo Freixo é um deles. Pesquisadores respeitados em todo o mundo como Demétrio Magnoli e Janaína Paschoal sabem bem que o Porto Maravilha foi inaugurado com esse nome e sempre teve estrutura similar à atual. Essa história de que a arquitetura e inclusive o nome do bairro foi modificado para apagar um possível passado escravagista só demonstra a falta de conhecimento histórico dos comunistas, como o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro (ver clicando aqui). Felizmente, com a vitória de Bolsonaro na eleição de 2018, o Colégio Pedro II, mantido pela União, será militarizado e voltará a contar a verdadeira história cartesiana positivista que o povo brasileiro conhece.

 

DEBRET: O PRECURSOR DA LEI ROUANET

Uber do Brasil Colônia: valorização do trabalho negro como motor propulsor do desenvolvimento do país. Tela em óleo de Debret.

O pintor renascentista, realista e dadaísta Debret gostava de retratar o cotidiano do final do Brasil Império e início do Brasil Colônia. Alés dos “istas” já apresentados, Debret também era gayzista, satanista e comunista, mesmo tendo morrido em 1848, ano em que Marx se tornou mundialmente famoso com o Manifesto do Partido Comunista e um século antes dos sucessos de Jean Wyllys e Raul Seixas com os termos. Porém, uma coisa que Debret gostava era de mamar nas tetas da monarquia, seja ela portuguesa ou brasileira, quer dizer, com D. Pedro I, portuguesa também. Pintava momentos inoportunos, como os mostrados acima, dando a entender que havia forte estratificação social no Brasil. O que existiu, de fato, foram negros trabalhando como elevadores (subiam brancos nas costas para acessar andares mais elevados de prédios) ou mesmo transportando pessoas na cidade em armações móveis de rede. Tudo isso fez com que a economia da colônia, à época concentrada no latifúndio da cana-de-açúcar e, posteriormente, com a crise da derrama, houvesse dinheiro em circulação – e o pagamento era na hora, não era como o Uber que só paga na quarta-feira.

 

PAÍSES LUSÓFONOS: O EFEITO PELÉ

Países Lusófonos: a procura pelas escolas de idioma que lecionem português é uma consequência direta do bom futebol brasileiro apresentado no século XX.

Os terra-planistas como Bolsonaro não entendem direito quando se fala que o mundo é uma bola, mas numa coisa concordam: se Portugal nunca pisou na África, então a única coisa que explica africanos deixarem sua língua de lado para falar português foram as investidas de Pelé após consagrar-se tricampeão em 1970, conquistando a Taça Julies Rimmet. O Pelé, falado assim, na terceira pessoa, pelo próprio Edson Arantes do Nascimento, virou uma espécie de divindade, dando palestras e inclusive interrompendo guerras em regiões de conflito do Oriente Médio. O que reforça essa teoria é o fato de Cristiano Ronaldo, o CR7, ter se sagrado 5 vezes o melhor do mundo. Mas se você ainda não acredita, perceba que a Europa tem ganhado as últimas copas, o que explica que os outros países da África falem alemão, italiano, francês e outras línguas européias. Neocolonização e roubo das riquezas naturais africanas é discurso de esquerda rancorosa. A Europa é rica porque tem menos impostos, governos liberais e incentivo ao empreendedorismo.

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Caso tenha achado mais alguma pérola para o Museu Bolsonaro de História Sem Partido, entre em contato com o blog. A obra poderá ser apresentada nesta página. 

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Crônica – Qual sua história no Parque da Cidade?

É possível um brasiliense ficar 30 anos sem ir ao foguetinho do Parque da Cidade Sarah Kubitschek em Brasília?

Sim! Eu fiquei. As últimas vezes que vim à este setor do parque foram em 1988 para aprender a andar de bicicleta com meus pais e depois com Marcia AyanTio Bruno O Mágico e Osmar Beserra Alves Dias para pedalar até o castelinho.

No mesmo parque, após 1988, já fui ao Kart Carrera, nas quadras poliesportivas, no Nicolândia, no campo de areia, no campo de grama (terra), na Escola das Meninas e dos Meninos do Parque, na Escola da Natureza, no Gibão, nas churrasqueiras, no Barulho, ja fiz cooper no maior percurso, fui ao show do Asa de Águia e na Expotchê no pavilhão, nos shows do Bel Marques e tributo à Tim Maia na Praça das Fontes, no pagode do Pirraça, andei de bicicleta de duas rodas (e de 4 rodas também), fora as vezes que matava aula no CASEB (Ensino Fundamental II – 1994 a 1997) e no Setor Oeste (2° e 3° anos – 1999 e 2000) pra ir beber embaixo das árvores perto do pedalinho ou da finada piscina com ondas. Quando tinha 15 anos, até passei pelo buraco na cerca que vai para o cemitério e fiquei com um grupo de góticos discutindo vida pós-morte (sempre com um pé atrás por achar que aquela maquiagem deles estava tão bem feita que eu poderia estar a falar com alguém que já se foi). Perdi a conta de quantas vezes peguei carona ao lado da “Igreja Baleia” pra ir pra casa do Lucas no Cruzeiro Velho, quase sempre descendo no Cruzeiro Novo e volta e meia destilando o preconceito típico dos juvenis da década de 1990: “acho que esse cara era gay, tava olhando pra sua perna, vi até que resvalou a mão quando foi passar a marcha”. Foi ali no Parque da Cidade a primeira vez que experimentei substâncias psicoativas sem o carimbo da ANVISA, sempre na onda de bancar o mais velho com o jargão “claro que já usei né véi?”.

Porém, lá naqueles brinquedos embaixo do foguetinho, ali, nunca mais fui. Volto agora após 3 décadas com minha esposa e filha, revivendo o que é o setor mais tradicional e que criou gerações nos brinquedos mais simples que resistem aos eletrônicos da atualidade. sexta-feira 13 de 2018! Pisar naquela areia é simbólico por saber que ela já foi por mim tocada há 30 anos, sendo que parte dela foi levada pra casa nos ferimentos com sangue dos tombos de bicicleta e na lágrima escorrida no rosto marrom de poeira. A mão direita do meu pai ia no guidão e a esquerda embaixo do banco, empurrando até que eu me equilibrasse por um milésimo de segundo. De novo. Outra vez. Pronto, agora eu já ficava 3 segundos e sorria dizendo que sabia andar, por mais que o tombo fosse maior.

Embora eu e minha esposa sejamos professores da rede pública do DF e façamos muitos passeios para o parque, geralmente eles são para o Nicolândia ou para a parte das quadras. Mas hoje foi a vez de minha filha Raíssa. Eu pensava alto:

“Vai lá filha, corre, se suja, brinca muito. Esta areia também é sua, como é de quem já se foi e de outras pessoas que virão. Vem aqui na arquibancada ver o palhaço, vem. Bem… melhor voltar pra areia porque esse palhaço é muito ruim. Você gosta de pipoca rosa filha?”.

A lanchonete com as máquinas de refrigerante que pareciam colmeias não existe mais. Restaram os banheiros, um bebedouro de desenho mais próximo ao do século XXI e aquele mar de pombos. E claro, ali, ao nosso lado, imponente, o foguetinho, observando tudo e todos. O foguetinho que, para adultos, nunca decolou, mas fez eu e outras crianças viajarmos pra onde queríamos em um simples piscar de olhos. Faça chuva ou faça sol, ele está lá, gratuito, full time, como o balão mágico da década de 1980 que cabia todas as crianças do mundo.

Como numa espécie de batismo do Parque da Cidade, Raíssa colocou areia na boca e ficou com cara de quem comeu jiló. Riu, correu, abraçou a mãe, o pai, fez pose para umas fotos, ignorou outras. Raíssa não foi ao foguetinho, mas fez o reconhecimento de terreno para a sua primeira viagem que será em breve. Sonhe Raíssa, porque infância é pra sonhar mesmo. Chegou sua vez de transformar cada grão de areia em uma história no parque e imaginar o que nem eu ou sua mãe ou qualquer adulto vai conseguir entender. Teu sonho é grande, é como o riso das crianças que brincam contigo: não tem fim. E quando souberes ler e se lembrar desse dia, espero ainda poder ter o prazer de dormir ao seu lado para quem sabe sonharmos juntos uma viagem no foguetinho.

Se você leu esta história até aqui é porque se emocionou e se reconheceu em algumas aventuras, lembrou de outras… Caso queira compartilhar seu momento comigo e outros leitores do blog, pode utilizar o espaço dos comentários para isso ou publique em seu site e me comunique. É sempre um prazer reviver o Parque da Cidade que existe em cada um de nós brasilienses natos ou adotados por este local mágico.

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Plantando uma treta com a esquerda e com a direita

Quer ver eu causar uma treta com a esquerda e a direita ao mesmo tempo?
 
O liberal Anísio Teixeira e o socialista Darcy Ribeiro criaram um dos projetos educacionais mais eficiente e eficaz do mundo na época da construção de Brasília, no Plano Piloto.
 
Pronto, agora a direita vai dizer que o projeto nunca existiu ou foi demasiadamente estatizado e a esquerda vai discutir o estado da arte para saber se Darcy Ribeiro era socialista raiz, nutella ou nem isso, mas o que temos de concreto mesmo, com anos de ataque de Joaquim Domingos Roriz, Cristovam Buarque, José Roberto Arruda, Rogério Rosso, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg são jardins de infância, escolas classe, escolas parque, escola polivalente e centros de ensino médio (Setor Oeste, Setor Leste, Gisno, Paulo Freire, CEAM, Elefante Branco) que formaram para alémdo currículo tradicional milhares de brasilienses natos ou “aconchegados”.
 
O brilhantismo do baiano Anísio Teixeira, criador e ex-reitor da UnB – deposto pelo golpe militar de 1964 -, aliado ao pensamento inovador do mineiro Darcy Ribeiro, também criador e ex-reitor da UnB e perseguido pelos militares, têm muito a ensinar à direita e esquerda atual sobre os perigos de ruptura da democracia, sem capitular para a governança de coalizão (qualquer que seja o nível). “Curiosamente”, para a ditadura militar, os dois educadores eram farinha do mesmo saco.
 
O resultado do militarismo no comando do país todo mundo já sabe: o liberal Anísio Teixeira “apareceu morto” no fosso do elevador do prédio Aurélio Buarque de Holanda, onde residia. Já o socialista Darcy Ribeiro teve os direitos políticos cassados e foi exilado.
 
Não falo isso para que esquerda faça uma chapa com a direita para governar o país, até porque jamais se chegaria à um consenso e, ainda que chegasse, eu não elogiaria e sim criticaria essa fórmula que leva indubitavelmente ao fisiologismo. Contudo, o consenso possível entre os democratas deve ser o de que Bolsonaro não pode ganhar, porque não seria uma derrota dos liberais ou socialistas, mas uma derrota da democracia – e esta, definitivamente, é o que permitiu à Anísio e Darcy sonharem juntos a UnB e a educação básica de Brasília.
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