Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil.

 

Carta Aberta ao governador Rodrigo Rollemberg sobre o Sistema Socioeducativo no DF

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O relato que descrevo abaixo aconteceu com um discente de minha escola, situada na Cidade Estrutural, e fala sobre o descaso do GDF com o Sistema Socioeducativo. Porém, está longe de ser um caso raro no DF.

Na última quinta-feira, 16/08/2018, um estudante residente na Cidade Estrutural e matriculado em escola no mesmo bairro foi detido por estar com um MBA (Mandado de Busca e Apreensão). Motivo: não frequentar regularmente as atividades da UAMA (Unidade de Atendimento de Meio Aberto), esta situada no Guará. O adolescente recebe um cartão de transporte para ir à UAMA, mas sofre com os inúmeros problemas de quem utiliza o transporte público no DF em relação ao cartão. O pai, único responsável legal, trabalha o dia inteiro e não encontra tempo para representar o adolescente na UAMA, cumprindo a agenda de assinar os documentos formais, dentre outras. O adolescente detido estava acompanhado de 2 irmãos e um amigo, este último também cumprindo medida de liberdade assistida. Ao serem questionados sobre o motivo da apreensão, os policiais civis disseram “isso é assunto nosso”, sem falar para onde o levariam. Tal situação apavorou os irmãos e impediu que o pai o procurasse com maior rapidez.

No sábado, 18/08/2018, passei na casa do estudante e vi conversei com o mesmo. Minha preocupação era porque na sexta-feira, 17/08/2018, ele faltou aula e, para mim, ainda estava sob o poder do Estado. No Dia das Mães desse ano, o adolescente passou pelo mesmo procedimento, dormindo na DCA (Delegacia da Criança e do Adolescente) e retornando para casa no dia posterior, ou seja, já são duas faltas em 2018 de discente retido no ano e vítima da incompetência do governo Rollemberg. Foi então que eu soube o motivo da atual apreensão, a mesma de maio desse ano: atualização de cadastro! Detalhe: o adolescente mora no mesmo local de quando foi apreendido em maio, o que significa que se não atualizaram o cadastro novamente, podemos esperar nova apreensão em pouco tempo por causa da ineficiência do poder público.

É comum adolescentes da Cidade Estrutural que cumprem alguma medida de meio aberto deslocarem-se a pé para a UAMA do Guará, uma vez que o bairro não conta com esta unidade da Secriança (Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude), tendo a violação de direitos aumentada exponencialmente. Ora, caso não haja recursos para a construção de UAMA e lotação de servidores na Cidade Estrutural, fato é que deveriam retirar UAMA com menor número de atendimentos e colocar onde se mais necessita. O raciocínio da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) repetido por Rodrigo Rollemberg durante todo o seu mandato, afirmando não ter dinheiro para gastos sociais, não faz sentido, pois das empreiteiras que investiram (e esse é o verbo adequado) em sua campanha, os pagamentos vultuosos só aumentaram.

Aliás: como explicar a falta de dinheiro se o próprio GDF anuncia a criação de mais duas unidades de internação para adolescentes? Isso deixa claro que a política do governo para a juventude é a de encarceramento e não a de aumentar os atendimentos nas UAMAS, que contribuem para que adolescentes não voltem a entrar em conflito com a lei. Logo a Cidade Estrutural que tem a maior população de crianças e adolescentes no DF é privada de políticas sociais básicas, como uma UAMA, ao passo que a verba de publicidade de Rollemberg foi a ordem de 70 milhões em 2017.

Outro ponto importante a ser destacado é que a reiterada apreensão de adolescentes que cumprem medidas de meio aberto faz com que eles voltem cada vez mais violentos para a escola. Ao contrário dos especialistas socioeducativos (pedagogos, assistentes sociais, psicólogos, dentre outros) que trabalham na Secriança e contam sempre com a segurança dos agentes socioeducativos, além de apoio pedagógico, nós professores da Secretaria de Educação não temos qualquer tipo de proteção dentro da escola e vemos nosso trabalho ser extremamente prejudicado pela conjuntura de abandono da proteção social aos adolescentes do DF. Qual será a solução do GDF? Militarizar as escolas? Armas os professores? Construir mais unidades de internação? É mais barato e eficiente chamar todos os aprovados nos concursos Secriança 2015, de orientador educacional e suprir esta e outras necessidades, além de articular um trabalho intersetorial entre secretarias. Esta é uma forma de otimizar o cumprimento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e colaborar com os objetivos do SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo). Infelizmente, não somente pelo calote nos servidores, o que se percebe do governo Rollemberg é o sucateamento e desmonte do serviço público somados às denúncias de incompetência e corrupção.

 

Att,

 

Rafael Ayan

Professor Atividades no CED 01 da Estrutural

 

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Museu Bolsonaro de Escola sem Partido

Portugal nunca pisou na África!

A afirmação é de Jair Messias Bolsonaro, candidato a presidente do Brasil, no Roda Vida de 30/07/2018. Último país a abolir a escravidão e maior destino de africanos escravizados, o Brasil até hoje penaliza a sua população negra, sobretudo a juventude, ora

Jair Bolsonaro no Roda Viva de 30/07/2018.

com uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, ora com políticas públicas que não chegam aos rincões dos grandes centros urbanos ou do sertão nordestino, a não ser as de encarceramento em massa. Restou aos negros contentar-se com o desencargo de consciência cristão da burguesia de que não precisam de cotas e sim de uma educação básica de qualidade, por mais que esse ensino de qualidade nunca tenha chegado – e nem vá chegar.

Ainda assim, há quem diga que não há dívida histórica e que não deve pagar nada a ninguém, quiçá aos negros que (sic)”se entregaram aos portugueses”. Esse alguém é Bolsonaro. Não é a toa que uma das pessoas cotadas para ser vice de Bolsonaro é exatamente o príncipe sem reino, herdeiro dos Bragança e Bourbon e que sonha em recolonizar o Brasil, como não bastasse a eterna desgraça que os portugueses fizeram com o país. Quer conhecer algo mais contraditório que um monarquista disputando a presidência? Então olhe como o Museu Bolsonaro de História Sem Partido reescreveu a identidade brasileira.

 

A ENTREGA

Camaradagem de escravizados: ceder o lugar no transporte é um hábito que herdamos dos africanos nos navios negreiros, como ensinou Rosa Parks.

Um dos momentos mais marcantes da história moderna é a chegada de navios branqueiros, com europeus ávidos por trabalhar no corte da cana-de-açúcar, na exploração de ouro nas minas gerais e nas plantações de café do Oeste Paulista. Os navios eram chamados de branqueiros por causa da quantidade grande de brancos que vinham neles. Eles aceitavam trabalhar sem ganhar nada por isso. Também haviam os navios negreiros, como mostra essa pintura da época, de Rugendas. Perceba que os negros preferiam viajar nos porões do navio, com pouca ventilação e defecando no mesmo local em que comiam, cedendo a “classe executiva” aos portugueses que seguiam na proa.

 

PORTO MARAVILHA: INAUGURADO EM 1503

Fraude: o suposto Cais do Valongo da literatura esquerdopata jamais existiu!

A esquerda insiste que o Porto Maravilha foi o Cais do Valongo, maior porto receptor de escravizados do Novo Mundo. Marcelo Freixo é um deles. Pesquisadores respeitados em todo o mundo como Demétrio Magnoli e Janaína Paschoal sabem bem que o Porto Maravilha foi inaugurado com esse nome e sempre teve estrutura similar à atual. Essa história de que a arquitetura e inclusive o nome do bairro foi modificado para apagar um possível passado escravagista só demonstra a falta de conhecimento histórico dos comunistas, como o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro (ver clicando aqui). Felizmente, com a vitória de Bolsonaro na eleição de 2018, o Colégio Pedro II, mantido pela União, será militarizado e voltará a contar a verdadeira história cartesiana positivista que o povo brasileiro conhece.

 

DEBRET: O PRECURSOR DA LEI ROUANET

Uber do Brasil Colônia: valorização do trabalho negro como motor propulsor do desenvolvimento do país. Tela em óleo de Debret.

O pintor renascentista, realista e dadaísta Debret gostava de retratar o cotidiano do final do Brasil Império e início do Brasil Colônia. Alés dos “istas” já apresentados, Debret também era gayzista, satanista e comunista, mesmo tendo morrido em 1848, ano em que Marx se tornou mundialmente famoso com o Manifesto do Partido Comunista e um século antes dos sucessos de Jean Wyllys e Raul Seixas com os termos. Porém, uma coisa que Debret gostava era de mamar nas tetas da monarquia, seja ela portuguesa ou brasileira, quer dizer, com D. Pedro I, portuguesa também. Pintava momentos inoportunos, como os mostrados acima, dando a entender que havia forte estratificação social no Brasil. O que existiu, de fato, foram negros trabalhando como elevadores (subiam brancos nas costas para acessar andares mais elevados de prédios) ou mesmo transportando pessoas na cidade em armações móveis de rede. Tudo isso fez com que a economia da colônia, à época concentrada no latifúndio da cana-de-açúcar e, posteriormente, com a crise da derrama, houvesse dinheiro em circulação – e o pagamento era na hora, não era como o Uber que só paga na quarta-feira.

 

PAÍSES LUSÓFONOS: O EFEITO PELÉ

Países Lusófonos: a procura pelas escolas de idioma que lecionem português é uma consequência direta do bom futebol brasileiro apresentado no século XX.

Os terra-planistas como Bolsonaro não entendem direito quando se fala que o mundo é uma bola, mas numa coisa concordam: se Portugal nunca pisou na África, então a única coisa que explica africanos deixarem sua língua de lado para falar português foram as investidas de Pelé após consagrar-se tricampeão em 1970, conquistando a Taça Julies Rimmet. O Pelé, falado assim, na terceira pessoa, pelo próprio Edson Arantes do Nascimento, virou uma espécie de divindade, dando palestras e inclusive interrompendo guerras em regiões de conflito do Oriente Médio. O que reforça essa teoria é o fato de Cristiano Ronaldo, o CR7, ter se sagrado 5 vezes o melhor do mundo. Mas se você ainda não acredita, perceba que a Europa tem ganhado as últimas copas, o que explica que os outros países da África falem alemão, italiano, francês e outras línguas européias. Neocolonização e roubo das riquezas naturais africanas é discurso de esquerda rancorosa. A Europa é rica porque tem menos impostos, governos liberais e incentivo ao empreendedorismo.

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Caso tenha achado mais alguma pérola para o Museu Bolsonaro de História Sem Partido, entre em contato com o blog. A obra poderá ser apresentada nesta página. 

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Crônica – Qual sua história no Parque da Cidade?

É possível um brasiliense ficar 30 anos sem ir ao foguetinho do Parque da Cidade Sarah Kubitschek em Brasília?

Sim! Eu fiquei. As últimas vezes que vim à este setor do parque foram em 1988 para aprender a andar de bicicleta com meus pais e depois com Marcia AyanTio Bruno O Mágico e Osmar Beserra Alves Dias para pedalar até o castelinho.

No mesmo parque, após 1988, já fui ao Kart Carrera, nas quadras poliesportivas, no Nicolândia, no campo de areia, no campo de grama (terra), na Escola das Meninas e dos Meninos do Parque, na Escola da Natureza, no Gibão, nas churrasqueiras, no Barulho, ja fiz cooper no maior percurso, fui ao show do Asa de Águia e na Expotchê no pavilhão, nos shows do Bel Marques e tributo à Tim Maia na Praça das Fontes, no pagode do Pirraça, andei de bicicleta de duas rodas (e de 4 rodas também), fora as vezes que matava aula no CASEB (Ensino Fundamental II – 1994 a 1997) e no Setor Oeste (2° e 3° anos – 1999 e 2000) pra ir beber embaixo das árvores perto do pedalinho ou da finada piscina com ondas. Quando tinha 15 anos, até passei pelo buraco na cerca que vai para o cemitério e fiquei com um grupo de góticos discutindo vida pós-morte (sempre com um pé atrás por achar que aquela maquiagem deles estava tão bem feita que eu poderia estar a falar com alguém que já se foi). Perdi a conta de quantas vezes peguei carona ao lado da “Igreja Baleia” pra ir pra casa do Lucas no Cruzeiro Velho, quase sempre descendo no Cruzeiro Novo e volta e meia destilando o preconceito típico dos juvenis da década de 1990: “acho que esse cara era gay, tava olhando pra sua perna, vi até que resvalou a mão quando foi passar a marcha”. Foi ali no Parque da Cidade a primeira vez que experimentei substâncias psicoativas sem o carimbo da ANVISA, sempre na onda de bancar o mais velho com o jargão “claro que já usei né véi?”.

Porém, lá naqueles brinquedos embaixo do foguetinho, ali, nunca mais fui. Volto agora após 3 décadas com minha esposa e filha, revivendo o que é o setor mais tradicional e que criou gerações nos brinquedos mais simples que resistem aos eletrônicos da atualidade. sexta-feira 13 de 2018! Pisar naquela areia é simbólico por saber que ela já foi por mim tocada há 30 anos, sendo que parte dela foi levada pra casa nos ferimentos com sangue dos tombos de bicicleta e na lágrima escorrida no rosto marrom de poeira. A mão direita do meu pai ia no guidão e a esquerda embaixo do banco, empurrando até que eu me equilibrasse por um milésimo de segundo. De novo. Outra vez. Pronto, agora eu já ficava 3 segundos e sorria dizendo que sabia andar, por mais que o tombo fosse maior.

Embora eu e minha esposa sejamos professores da rede pública do DF e façamos muitos passeios para o parque, geralmente eles são para o Nicolândia ou para a parte das quadras. Mas hoje foi a vez de minha filha Raíssa. Eu pensava alto:

“Vai lá filha, corre, se suja, brinca muito. Esta areia também é sua, como é de quem já se foi e de outras pessoas que virão. Vem aqui na arquibancada ver o palhaço, vem. Bem… melhor voltar pra areia porque esse palhaço é muito ruim. Você gosta de pipoca rosa filha?”.

A lanchonete com as máquinas de refrigerante que pareciam colmeias não existe mais. Restaram os banheiros, um bebedouro de desenho mais próximo ao do século XXI e aquele mar de pombos. E claro, ali, ao nosso lado, imponente, o foguetinho, observando tudo e todos. O foguetinho que, para adultos, nunca decolou, mas fez eu e outras crianças viajarmos pra onde queríamos em um simples piscar de olhos. Faça chuva ou faça sol, ele está lá, gratuito, full time, como o balão mágico da década de 1980 que cabia todas as crianças do mundo.

Como numa espécie de batismo do Parque da Cidade, Raíssa colocou areia na boca e ficou com cara de quem comeu jiló. Riu, correu, abraçou a mãe, o pai, fez pose para umas fotos, ignorou outras. Raíssa não foi ao foguetinho, mas fez o reconhecimento de terreno para a sua primeira viagem que será em breve. Sonhe Raíssa, porque infância é pra sonhar mesmo. Chegou sua vez de transformar cada grão de areia em uma história no parque e imaginar o que nem eu ou sua mãe ou qualquer adulto vai conseguir entender. Teu sonho é grande, é como o riso das crianças que brincam contigo: não tem fim. E quando souberes ler e se lembrar desse dia, espero ainda poder ter o prazer de dormir ao seu lado para quem sabe sonharmos juntos uma viagem no foguetinho.

Se você leu esta história até aqui é porque se emocionou e se reconheceu em algumas aventuras, lembrou de outras… Caso queira compartilhar seu momento comigo e outros leitores do blog, pode utilizar o espaço dos comentários para isso ou publique em seu site e me comunique. É sempre um prazer reviver o Parque da Cidade que existe em cada um de nós brasilienses natos ou adotados por este local mágico.

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Plantando uma treta com a esquerda e com a direita

Quer ver eu causar uma treta com a esquerda e a direita ao mesmo tempo?
 
O liberal Anísio Teixeira e o socialista Darcy Ribeiro criaram um dos projetos educacionais mais eficiente e eficaz do mundo na época da construção de Brasília, no Plano Piloto.
 
Pronto, agora a direita vai dizer que o projeto nunca existiu ou foi demasiadamente estatizado e a esquerda vai discutir o estado da arte para saber se Darcy Ribeiro era socialista raiz, nutella ou nem isso, mas o que temos de concreto mesmo, com anos de ataque de Joaquim Domingos Roriz, Cristovam Buarque, José Roberto Arruda, Rogério Rosso, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg são jardins de infância, escolas classe, escolas parque, escola polivalente e centros de ensino médio (Setor Oeste, Setor Leste, Gisno, Paulo Freire, CEAM, Elefante Branco) que formaram para alémdo currículo tradicional milhares de brasilienses natos ou “aconchegados”.
 
O brilhantismo do baiano Anísio Teixeira, criador e ex-reitor da UnB – deposto pelo golpe militar de 1964 -, aliado ao pensamento inovador do mineiro Darcy Ribeiro, também criador e ex-reitor da UnB e perseguido pelos militares, têm muito a ensinar à direita e esquerda atual sobre os perigos de ruptura da democracia, sem capitular para a governança de coalizão (qualquer que seja o nível). “Curiosamente”, para a ditadura militar, os dois educadores eram farinha do mesmo saco.
 
O resultado do militarismo no comando do país todo mundo já sabe: o liberal Anísio Teixeira “apareceu morto” no fosso do elevador do prédio Aurélio Buarque de Holanda, onde residia. Já o socialista Darcy Ribeiro teve os direitos políticos cassados e foi exilado.
 
Não falo isso para que esquerda faça uma chapa com a direita para governar o país, até porque jamais se chegaria à um consenso e, ainda que chegasse, eu não elogiaria e sim criticaria essa fórmula que leva indubitavelmente ao fisiologismo. Contudo, o consenso possível entre os democratas deve ser o de que Bolsonaro não pode ganhar, porque não seria uma derrota dos liberais ou socialistas, mas uma derrota da democracia – e esta, definitivamente, é o que permitiu à Anísio e Darcy sonharem juntos a UnB e a educação básica de Brasília.
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UnB: 10 anos da ocupação de 2008!

Assembleia Estudantil de 9 de Abril de 2008: reocupação da Reitoria da UnB.

Daqui a um mês completam 10 anos que a reitoria da UnB foi ocupada por estudantes. Naquele tempo a UnB figurava nas páginas policiais dos jornais com denúncias de corrupção que pairavam, primeiramente, contra o então reitor Timothy Mulholland. A relação promíscua com fundações de apoio de direito privado, sobretudo a FINATEC, mergulhou a UnB numa forte crise. O patrimonialismo foi tão latente que Timothy morava em um apartamento que era, ao mesmo tempo, residência e representação institucional do GRE (Gabinete do Reitor), ou seja, as contas de água, luz e mobília para o local eram pagos pela UnB, mas desfrutados sem possibilidade de fiscalização pela família do ex-reitor.

O CONSUNI (Conselho Universitário), teoricamente o maior espaço deliberativo da universidade, reuniu-se nas férias de verão para discutir o tema e Timothy afirmou jamais ter visto tamanha perseguição da imprensa à reitoria da universidade. Disse ainda que um dos motivos para tal perseguição foi o modelo de cotas raciais adotado pela UnB em 2004, tentando mitigar os efeitos da crise nos discentes despolitizados. Em vão: após duas assembleias no Ceubinho que não surtiram efeito, a reitoria desdenhou da organização dos estudantes e deixou apenas dois guardas patrimoniais na rampa da reitoria. Na quinta-feira, dia 3 de abril, o 3º andar da Reitoria, onde encontram-se o Gabiente do Reitor e Salão de Atos da Reitoria foi ocupado por cerca de 150 estudantes, um número baixo comparado ao de outras ocupações.

A reitoria da UnB é um prédio relativamente grande e difícil de ser totalmente ocupado. Daí as ocupações concentrarem-se no 3º andar. Como ocorre em todas as ocupações, o reitor ordena que se bloqueie a rampa, desligue os elevadores e reforce a subida da rampa pelo térreo, esperando que os ocupantes desçam e não permitindo a subida de mais pessoas. A estratégia da reitoria foi acertada: no final de semana, a ocupação esvaziou, principalmente por alunos que tiveram sua primeira experiência de ação direta e os que tinham provas próximas. Na Segunda-feira, dia 9 de abril, a ocupação contava com cerca de 60 pessoas – eu fiz esta contagem! Era necessário reocupar o prédio ou a ocupação terminaria naquele dia. Uma assembléia foi marcada para meio-dia e a maioria de 1.600 discentes presentes decidiram reocupar o prédio. Houve pancadaria entre estudantes e prestadores de serviço, sendo que alguns lá estavam a contragosto.

O resultado foi o início de um processo que culminou na destituição da administração da universidade, com fortalecimento de estudantes e técnico-administrativos enquanto categoria, materializado parcialmente no modelo de Paridade Potencial de “eleição” para a reitoria. Para quem acompanhou o movimento pela televisão, achou que o motivo da revolta eram as lixeiras de aproximadamente mil reais compradas pelo ex-reitor para a cobertura na 210 norte, mas a dinâmica do movimento revelou outras demandas mais importantes.

 

Estudantes

 

A gestão do DCE da UnB, “Nada será como antes”, havia tomado posse no dia 1º/11/2007, fim de semestre letivo. Logo, a crise caiu como um grande desafio ao grupo que era composto pela juventude do PSOL, PSTU e estudantes independentes, dentre estes, o Instinto Coletivo, grupo o qual eu participava e que havia ficado em 2º lugar nas eleições pro DCE de 2006. Fortaleceu-se também, durante a ocupação, o grupo Reconstruindo o Cotidiano, com membros ligados à Articulação de Esquerda, corrente interna do PT.

A UJS (União da Juventude Socialista), juventude do PC do B, estava enfraquecida após compor com a juventude da DS (Democracia Socialista), outra corrente do PT, a gestão Para Todos (2006-2007). Continuou desgastada após a ocupação, principalmente por ser diariamente denunciada pela Oposição CCI (Classista, Combativa e Independente), atual RECC. Outros estudantes autonomistas organizavam-se no MPL (Movimento Passe Livre) e foram essenciais na organização de ações direta de segurança do local.

Por fim, havia a UEI (União dos Estudantes Independentes), grupo heterogêneo criado em 2007 por estudantes insatisfeitos com a greve docente – e que teve um racha ideológico relevante com o processo de ocupação da reitoria. Embora muitos estudantes da UnB não saibam, a UEI foi o germe que culminou na criação da Aliança pela Liberdade, grupo de orientação liberal que ganhou quatro eleições para o DCE da UnB. A juventude tucana até arriscou alguma aproximação no momento de efervescência política e mobilização estudantil, mas não obteve o mínimo êxito.

Estes foram os principais grupos estudantis que fizeram parte da mobilização de 2008 e que mudaram um pouco a cultura de hegemonia docente na UnB.

 

Técnicos

 

Historicamente, o PT foi o partido que esteve à frente do SINTFUB (Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília). Assim como nas outras universidades brasileiras, a UnB sustenta a excrescência de haver dois sindicatos: ADUnB (Associação dos Docentes da UnB) e SINTFUB para representar servidores de uma mesma fonte pagadora. Contudo, a categoria dos técnicos sempre foi a mais personalista, com grupos que rondavam nomes e nem sempre projetos políticos, por mais que fossem distintos.

A gestão do SINTFUB também tinha mais cadeiras na FASUBRA (Federação de Sindicato de Trabalhadores Técnico-Administrativos de Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil) e monopolizava o debate sindical de forma bastante ruim, pautando basicamente a defesa da URP, uma gratificação correspondente à 26,05% do vencimento básico dos servidores da UnB.

Havia também o “grupo do Lima”, servidor do COPP (Coordenação de Proteção ao Patrimônio), que foi candidato a reitor da UnB em 1993 – e foi o estopim para que Fernando Henrique Cardoso criasse a lei n. 9.192/1995, eliminando do pleito a presença de estudantes ou técnicos. Lima foi filiado ao PSTU, mas foi afastado após apoiar Márcio Pimentel (Instituto de Geociências) no 2º turno das eleições pra reitoria da UnB em 2008. A expulsão concluiu um desgaste iniciado no 1º turno quando Lima apoiou Volnei Garrafa, professor militante do PT, ao cargo máximo da instituição. Este era um dos grupos mais fortes, com muitos votos na segurança. Por esta razão Pimentel insistiu no apoio de Lima.

O grupo de militantes próximos ao PSOL era composto, dentre outros, por Rogério Marzola, Socorro Marzola e Côrtes. Disputavam com o grupo de Lima os votos de técnicos, uma vez que os votos de quem estava na gestão do SINTFUB eram mais coesos. Também gestava-se o grupo Classe E, um contra-senso jurídico e principalmente político defendido por Frederico Mourão, servidor da BCE (Biblioteca Central). Fred, como é conhecido, reivindicava uma associação para servidores com nível superior que esvaziaria os técnicos Classe E do SINTFUB. O que existia de fato era um preconceito de servidores de nível superior com os de nível médio. Percebendo o enfraquecimento da categoria com esta divisão, a maioria dos técnicos de nível superior não embarcaram na ideia dessa associação.

Por fim estavam os servidores ligados à administração superior, muitos lotados na reitoria. Eram servidores concursados ou prestadores de serviço que concentravam poder sobre outros trabalhadores em função da vista grossa feita pela reitoria. Estavam ligados à limpeza, jardinagem, segurança e cerimonial da universidade. Esse grupo era minoritário e sua defesa da gestão cambaleante de Timothy só fez expor ainda mais o estado de putrefação não republicano em que a UnB se encontrava. Certo é que a maioria dos técnicos apoiou a ocupação.

Uma consequência natural da Paridade Potencial foi o fortalecimento do voto dos técnicos. Em número absoluto, são um pouco maior que o de docentes, mas a maioria está na universidade em dias úteis e votam em peso nas consultas para reitor. O resultado disso foi que a categoria transformou-se no fiel da balança e uma gestão que não tenha bom relacionamento com os técnicos é facilmente derrotada nas urnas. Isso aconteceu com a gestão de José Geraldo Junior (2008-2012) que colocou uma inimiga histórica da categoria na Secretaria de Recursos Humanos. A Secretária quis implantar ponto eletrônico e em 2012, a categoria votou na chapa de oposição: Ivan Camargo (Faculdade de Tecnologia) e Sônia Báo (Instituto de Ciências Biológicas). Por sua vez, Sônia, outra inimiga dos técnicos, quis manter pulso de ferro com os servidores e em 2016 sua chapa de reeleição foi derrotada em 1º turno por Márcia Abraão (Instituto de Geociências) e Henrique Huelva (Instituto de Letras).

 

Docentes

 

É inegável que até o momento das denúncias contra Timothy, o ex-reitor gozava de amplo apoio entre os docentes. Contudo, a gravidade das denúncias, a exposição diária na mídia, a investigação do Ministério Público chegando às unidades acadêmicas e de apoio como o CESPE (atual CEBRASPE) e Editora da UnB e a ocupação e reocupação da reitoria fizeram Timothy declinar do cargo. Numa das assembléias da ADUnB, o professor Tarcísio Marciano Rocha Filho, do Instituto de Física, disse que o saca-rolhas comprado para a cobertura do ex-reitor teria custado o mesmo que sua bolsa de pesquisa. Este é o tipo de fala que choca a moral burguesa de docentes que se consideram imparciais e revela o escárnio em que a UnB, via Conselho Diretor da FUB (Fundação Universidade de Brasília), driblava decisões do CONSUNI e omitia atas de suas reuniões para manter seu poder paralelo. Se era verdade que mais docentes participavam da farra com o dinheiro público, uma maioria – que inclusive votou em Timothy – sentiu-se duramente golpeada e rompeu definitivamente com a gestão, exigindo renúncia imediata. A adesão da UnB ao REUNI (Programa de Reestruturação das Universidades Públicas Federais) sem a discussão com os institutos e faculdades, criando cursos à revelia e sem o consentimento de docentes, foi outro fator que minou Timothy.

No dia 8 de abril, em entrevista coletiva fora da agenda, no CET (Centro de Excelência em Turismo), Timothy informou que não renunciaria e saiu às pressas quando soube que estudantes se deslocavam para o local. Não aguentou por muito tempo: no dia 10 de abril, em carta lida pela ex-decana Dóris Faria na Assembleia de Docentes, Timothy comunicou afastamento do cargo, sendo imediatamente substituído pelo vice-reitor Edgar Mamya, da Faculdade de Tecnologia. Mamya, O Breve, chegou a dizer que não deixaria a universidade acéfala, mas já no dia 12 de abril entregou o cargo e abriu o caminho para a “eleição” de uma gestão pro tempore.

A disputa de poder entre docentes tomou outro contorno com a ocupação da reitoria. Pelo lado dos chamados timothystas havia o professor do Departamento de Filosofia Wilton Barroso Filho, uma espécie de porta-voz da reitoria. Ele foi um dos que, ainda na gestão Timothy, costurou o ato em que servidores foram vestidos de branco à reitoria exigir o fim da ocupação e dizer que queriam trabalhar, simbolizando sua pauta num abraço à reitoria. Na imprensa, servidores que não quiseram se identificar disseram que foram coagidos a comparecer ao ato.

A Diretora da Faculdade de Educação (FE), professora Inês Maria de Almeida, foi outra entusiasta de que Timothy voltaria à reitoria, inclusive divulgando uma carta que falava de crise e no fundo apoiava o fim da ocupação. A Diretora do Instituto de Letras (IL), professora Maria Luiza Ortiz, cubana reconhecida internacionalmente nos movimentos de esquerda, infelizmente caiu nessa armadilha. Isto demonstra a complexidade do movimento docente, pois as Assembleias ampliadas da FE e IL, bem como outras unidades acadêmicas e programas de pós-graduação, aprovaram apoio à ocupação. O apoio à Timothy custou à Inês a não reeleição à Direção da FE em 2010.

Pra se ter uma ideia de como os docentes se movimentavam, houve uma reunião do promotor do Ministério Público com docentes progressistas como Rodrigo Dantas (filosofia), Rita Segatto (Antropologia), dentre outros, na casa do professor Marcelo Hermes-Lima (Instituto de Ciências Biológicas), um impertinente blogueiro liberal que tirou votos da campanha do professor Michelângelo Trigueiro à reitoria em 2008 e fotografava professores sem o seu consentimento para montar novelas em seu blog. Se eu não estivesse nessa reunião não acreditaria em tamanha miscelânea, mas isto comprovou o descontentamento com Timothy.

 

Consequências objetivas e subjetivas da ocupação

 

A ocupação teve várias conseqüências, dentre elas, o debate sobre a democratização dos espaços de decisão da universidade. O número de cadeiras de representação de estudantes e técnicos nos conselhos superiores não aumentou, mas umas das conseqüências com a queda do reitor e vice foi a eleição de uma comissão que elaborou as regras de consulta à comunidade acadêmica para escolha de reitor. A comissão foi eleita entre os membros do CONSUNI.

Participei desta comissão com docentes progressistas como Paulo Cesar Marques (Engenharia Civil) e o saudoso Elício Bezerra (Faculdade de Educação), falecido em 2016. Na Comissão, conseguimos aprovar um documento a ser votado no CONSUNI com redação de Paridade Potencial, ou seja, o denominador da fórmula com a porcentagem de peso de voto por categoria se daria em cima do número de aptos a votar e não de pessoas que votaram. A fórmula despretigiou muito o setor discente, mas foi o possível naquela conjuntura, sendo uma votação apertada no CONSUNI após muita mobilização nos institutos e faculdades – incluindo unidades acadêmicas que em suas bases votaram a favor da paridade e foram representados por professores que agiram de má fé, como ocorreu com o Instituto de Ciências Humanas. A Lista Tríplice encaminhada ao Ministério da Educação (MEC), infelizmente, continuou.

A ocupação permitiu a divulgação de documentos que comprovavam o saldo devedor da FINATEC com a UnB em mais de um milhão de reais. Outro esquema derrubado foi a da Associação de Ex-Alunos, do então presidente Marcelo Valle Sousa, que gerenciava e cobrava 200 reais pela formatura. A partir de 2008 a formatura passou a ser gratuita para todos os cursos.

Os esquemas ligados à técnicos e prestadores de serviço, num primeiro momento, foram parados. Destaca-se que ninguém fazia algum evento na UnB sem que se contratasse o serviço de segurança, por exemplo, de determinado servidor que, por vezes, ganhava em seu horário de trabalho para fazer outro serviço terceirizado. Se você ameaçasse contratar outro serviço de segurança, o servidor dizia que dentro da universidade só ele é quem podia trabalhar. Somava-se à essa máfia e com forma análoga de funcionamento serviços de limpeza que fossem contratados pela comunidade acadêmica para determinado evento. Estudantes de centros acadêmicos ou do DCE que resolviam fazer festas no Centro Comunitário sabem bem como funcionava essa quadrilha.

Quase todos os grupos que lutaram pela paridade indicaram à seus representantes do CONSUNUI que votassem em Roberto Aguiar, ex-professor da Faculdade de Direito, para assumir a reitoria da UnB. Este grupo era apoiado pelo professor José Geraldo Junior, também do Direito, e Cristovam Buarque, ex-reitor e senador da República. Aguiar ganhou e fez uma gestão que não se limitou a organizar a próxima consulta. A venda de imóveis foi um fator de discordância que retirou muitos votos de José Geraldo, seu sucessor no cargo.

A ocupação enquanto instrumento de politização teve muita importância. Ver estudantes que jamais repartiram nem o bolo de aniversário tomando banho utilizando canecas, economizando água e alimentos que vinham puxados por uma corda na janela do Salão de Atos da Reitoria foi uma experiência que me fez perceber o quanto a prática da ação direta, ainda que não revolucionária, fomentou a quebra da inércia do movimento estudantil diante da crise na UnB. Virar a cadeira do reitor e visualizar que é patrimoniada pela FINATEC economiza horas de debate para mostrar como as fundações controlam a universidade. Já diz o ditado: quem paga a banda, escolhe a música!

Entretanto, estes são de longe os maiores problemas. Já no primeiro dia de ocupação, a reitoria desligou a energia e água. Um estudante caiu da rampa mas, felizmente, teve somente escoriações leves. No dia seguinte a reitoria religou os serviços. No dia 9 de abril, a estrategia de descer em grupo, de braço entrelaçado e unido com os poucos que sobraram para encontrar o grupo do térreo e quebrar o bloqueio da segurança foi o que facilitou a entrada de novos manifestantes, com a tomada por completo do prédio. Contudo, a troca de pontapés e socos com guardas patrimoniais machucou vários discentes.

A pauta de reivindicação estudantil não foi integralmente cumprida. Um dos pontos mais graves foi a criminalização de estudantes, como Eduardo Zanata, estudante de Letras, que segurava o caixão do DCE no dia da ocupação do Gabinete do Reitor. A paridade foi parcialmente conseguida, mas o debate da assistência estudantil deixou de ser o quintal das prioridades da reitoria. Prova disso foram as audiências públicas que discentes da CEU (Casa do Estudante Universitário) mobilizaram e conseguiram.

A rádio da ocupação, organizada pelo coletivo Ralacoco, permitiu a contra-informação da grande mídia. Foi realizado um concurso e a rádio recebeu o nome de 5 mil por hora, em “homenagem” à multa que a justiça burguesa estabeleceu ao DCE por não cumprimento da entrega do prédio. A multa, obviamente, não foi paga. Porém, a festa “comemorando” um milhão da multa teve a participação até dos estudantes que eram contra a ocupação e debochavam da cobrança absurda da justiça.

Naquela época o debate de gênero não era tão forte como é hoje. Era comum ver os homens sem camisa na ocupação, algo impensável atualmente. Dois discentes, ambos do DCE, merecem destaque: Luiza Oliveira, estudante de Sociologia, e Fábio Felix, estudante de Serviço Social. Luiza, então militando pelo PSTU e Fábio, referência do PSOL entre os estudantes e militante LGBT, eram conselheiros do CONSUNI e apresentavam-se sempre bastante politizados, desconstruindo categoricamente o discurso de conselheiros docentes contrários à paridade.

As executivas de curso apoiaram a ocupação irrestritamente. À época eu militava na Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) e tinha contato com outras executivas de curso que fizeram sua parte na comunicação, desgastando a reitoria. Discentes de vários lugares do país vieram se somar ao movimento da UnB. Compareceram parlamentares da CLDF como Érika Kokay e Reguffe. A ADUnB, sob a presidência da professora Rachel Nunes (Psicologia), doou marmitas. Outros restaurantes e pais de estudantes fizeram o mesmo. Era comum ver chegar um carro com alguma doação e mensagens de força e apoio às nossas pautas. Uma das novelas da Rede Globo fez menção ao movimento – claro, da sua forma tosca, com uma senhora ao telefone dizendo que aceitava o convite da ocupação para ir dar uma palestra para a ocupação. Docentes ofereceram aulas no hall do prédio. Pra quem não acreditava em almoço grátis, perdeu as bandas que tocaram nas noites sem cobrar um centavo. Poetas, inclusive GOG (salve GOG!), deram seu abraço.

Enfim, este foi um breve relato do processo de ocupação da UnB em 2008. O meu olhar sobre os acontecimentos foram de estudante, técnico, conselheiro do CONSUNI e militante do DCE. Outros olhares virão e é bom que saibamos juntar essas partes para construir o que foi o movimento de 2008 e seus desdobramentos.

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Sem desmonte – paródia do governo Rollemberg

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Sem desmonte

Paródia de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa

Piano: Bruno Camargo (vídeo do youtube)

Cai, cai, cai cai cai cai

Cai o viaduto, cai o viaduto, cai o viaduto

 

Não posso votar

Em mais ninguém do PSB

40 é o número

Não vá esquecer

 

Moro no Itapoã

E seu eu perder a eleição

Que ocorre em outubro agora

Só daqui a 4 anos

 

E além disso DF

Tem outras coisas

Rollemberg não parou de desviar

Sei de 10 por “centô”

Afirmou Renato Santana

 

Cai, cai, cai cai cai cai

Cai o viaduto, cai o viaduto, cai o viaduto

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Como Bolsonaro lavou dinheiro da JBS

Fonte: Folha Vitória.

Para quem acredita que Jair Messias Bolsonaro é honesto, ou não soube ou soube e não se atentou direito para a lavagem de dinheiro que fez com “doação” da JBS, empresa do clã de corruptos dos irmãos Batista. Entenda os passos:

  • A JBS doou 300 mil reais para Jair Bolsonaro, diretamente em sua conta de campanha.
  • Segundo o próprio Bolsonaro diz, DEPOIS de ver quem era o doador, no caso a JBS, afirmou que não queria mais o dinheiro e extornou para o partido, à época o PP (Partido Progressista), partido herdeiro da ditadura e com vários envolvimentos em inúmeros casos de corrupção no país, sendo a Lava Jato apenas um deles.
  • O PP então, no mesmo dia, faz uma transferência eletrônica para a conta de campanha de Bolsonaro que, agora, passa a aceitar os recursos.

Bem, para quem não entendeu a tramoia, essa é a forma mais suja e fácil de se lavar dinheiro: no quintal de casa! É o mesmo fazer campanha numa feira e ver a carteira de uma senhora caindo da bolsa e, ao invés de pegar e avisá-la, deixa que um correligionário pegue a carteira e coloque-a no bolso de seu terno.

Mas há quem diga o seguinte:

“O PP em 2014 tinha 5 milhões de reais de fundo partidário, logo poderia muito bem repassar 200 mil reais à Bolsonaro, até por ele ser puxador de votos”.

Sim, pode sim. Ocorre que qualquer centavo que o PP repasse à Bolsonaro, mesmo que não venha da JBS, é fruto de corrupção. São muitas as captações de dinheiro desviado. O PP tem um fundo partidário grande porque consegue eleger muitos deputados na conhecida fórmula da velha política de vender a alma por um generoso cheque. Então, os 200 mil reais que Bolsonaro fingiu ter rejeitado foram cobrir os gastos de campanha de outros candidatos, enquanto que os 200 mil reais de fundo partidário que foram para pagar seus cabos eleitorais ou panfletos tiveram uma roupagem de verba lícita.

“Mas eu conheço um deputado que se elegeu pelo PP e é honesto, nunca acharam nada contra ele”.

Bem, ainda que algum dia exista esse milagre em uma organização criminosa como é o PP, a corrupção continua gritante. O dinheiro do fundo partidário ou doações de CPF para o PP ou algum candidato do partido não compõem o grosso da receita que, distribuída, foi utilizada para pagar desde a marmita de quem ficou bandeirando para Bolsonaro como as passagens de avião do Ciro Nogueira para encontrar os doleiros ligados à Petrobras.

“Não acredito em você, isso aqui é um blog e não tem compromisso com a verdade”.

Então leia você mesmo no site da Folha de São Paulo:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886798-qual-partido-nao-recebe-diz-bolsonaro-sobre-propina-a-radio.shtml

“Ah, mas a Folha de São Paulo é um jornal comunista”.

Errou de novo! É um jornal ultra conservador que há poucos anos lançou uma matéria chamando a ditadura brasileira de ditabranda, talvez tentando camuflar que nos anos de chumbo emprestava as dependências do jornal para práticas de tortura.

“E quem mais publicou sobre isso?”

A Rádio Jovem Pan, outro meio de comunicação que apoiou o golpe e que não teria motivo algum pra flertar com a esquerda. Leia:

http://jovempan.uol.com.br/programas/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina-qual-partido-nao-recebe.html

“É tudo mentira, ele jamais faria caixa 2”.

Bem, então acredite no que o próprio Bolsonaro entregou como prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na eleição de 2014, clicando no link abaixo:

http://inter01.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2014/abrirTelaReceitasCandidato.action

 

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Crônica – Feliz ano novo, lista de transmissão!

 

Há um fenônemo relativamente novo e que tem a ver com as tecnologias da informação e comunicação (TIC): os votos de felicidade em datas comemorativas! Nestas, o natal e ano novo merecem destaque e, mais do que o natal, o ano novo. Difícil dizer quem não recebeu feliz ano novo ao menos umas 20 vezes em diferentes montagens de aplicativos, mas poucas ligações e ainda menos mensagens pessoalmente.

Essa prática não é tão antiga porque remonta à popularização do uso do celular no país. Lembro-me bem das mensagens de feliz natal com árvores construídas com ponto e vírgula nos celulares analógicos Nokia 3220, quando o jogo Snake I (cobrinha) era uma espécie de “pixel todo pintado” que se movimentava por uma tela de fundo cinza. Depois lembravam de nosso aniversário no MSN com os emoticons de parabéns que colocávamos precedendo o nick. Logo veio o Orkut que não nos deixava mais esquecer a data de aniversário de quem estivesse em sua rede e ai de quem não deixasse uma mensagem em seu scrap book. O Facebook inovou pouco, mas tornou-se o herdeiro natural do Orkut para essa e outras funções. Porém, foi com o WhatsApp que as pessoas sentiram-se abraçadas como nunca com mensagens automáticas do tipo “um ano novo cheio de paz” que vai para uma lista de transmissão com mais de 200 contatos e que volta com alguns “obrigado, pra você também” e um pensamento de “puxa, legal ele ter lembrado de mim” ou então “tio Carlos mandou feliz ano novo aqui no grupo pra todo mundo”.

Mas quem é esse todo mundo?

Ora, o WhatsApp não lembra o aniversário de ninguém, portanto não é tão eficaz como uma rede como o Facebook que já tem até modelo pronto de felicitações para as translações dos indivíduos. Contudo, em datas comemorativas nacionais o Whats App se destaca: você recebe a mesma imagem tanto em grupos como no privado e, claro, faz o seu papel: repassa para seus grupos e contatos individuais. Como a maior parte das pessoas não espera entrar em outros grupos para ver se aquela informação já foi repassada – até porque senão corre o risco de não conseguir ler as milhares de inutilidades que recebem diariamente –, recebem de volta o meme da Dercy Gonçalves dizendo “de novo essa po…” e outras respostas que colocam o internauta como desatento. O todo mundo que você queria atingir já foi atingido por outra pessoa que recebeu a mesma mensagem de todo mundo num grupo ou individualmente. Não entendeu? Experimente ter WhatsApp que vai entender.

Portanto, é como se cada pessoa tivesse uma câmera presa ao peito e caminhasse num grande salão, captando o que as outras pessoas fazem e reproduzindo continuamente até que a Matrix resolva mudar a programação e enviar o “meme do dia” que deve ser repassado adiante. É pior do que as correntes de e-mail com Power point do Yahoo-grupos do início deste século! Eu poderia até dizer que a reprodução das relações sociais tem a ver com a forma como a sociedade moderna molda comportamentos, mas porque quero que as pessoas não parem de ler nesse ponto, prefiro parafrasear o finado comunicador Chacrinha adaptando-o ao século XXI: no “WhatsApp nada se cria, tudo se copia”. De fato, se parássemos para pensar no conteúdo do que escrevemos nas redes sociais, certamente ficaríamos surpresos de perceber que até quando nos achamos autênticos por não encaminhar algo, o que digitamos foi um surrado “kkkk” – com algumas variações de “k” para mais ou para menos – ou emoticons (olha aí o MSN de novo).

Se você concordou com a crônica até este ponto, então prepare-se para uma segunda afirmação, consequência do ponto anterior: os desejos de feliz ano novo não são tão francos quanto você pensa! Conheço inúmeras pessoas que têm lista de transmissão da família, faculdade, trabalho, igreja, crushes e as utilizam de acordo com o objetivo que pretendem alcançar. Vamos ver: uma hashtag #ForaTemer é ótima provocação para o grupo da família que se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Vídeo motivacional do tipo “use filtro solar” com narração do Pedro Bial pode ser utilizado no grupo da empresa para tentar parecer o funcionário pró-ativo e não entrar no Programa de Demissão Voluntária pós Reforma Trabalhista. Sendo foto de cerveja gelada, encaminha-se pro pvt do crush como quem não quer nada, mas entregando o estágio avançado de carência afetiva. Tudo isso encaminhado com bastante velocidade e pouca reflexão sobre o que significa aquela mensagem para quem a recebe – e uma mesma foto pode ter distintas apreensões por cada pessoa.

Com o ano novo não é diferente e não pense que a mensagem foi mais pessoal porque tem seu nome. Tente ver se recentemente você conversou pessoalmente com a pessoa e verá que faz sentido a “lembrança”. Em tempo: fará mais sentido ainda se tiver conversado com ela no WhatsApp, pois na hora de encaminhar vai estar a foto e nome da pessoa lá, tudo para encorajar seu dedo nervoso a repassar o dado adiante. Pode parecer amargo de ler isso, principalmente para quem encaminhou a mesma imagem para muita gente, mas a verdade é que será que se não houvesse a possibilidade de lista de transmissão teriam lembrado de você? Olha confesso que é melhor um ano novo impessoal do que os vídeos sem graça de rally que um amigo engenheiro me envia. Pense bem: se começássemos a devolver os mesmos memes que recebemos para as pessoas que nos enviaram, começaria a III Guerra Mundial. Melhor deixar pra lá.

Obviamente não é necessário acabar com as listas de transmissão ou com outras mensagens automáticas nas redes sociais e, em especial, no WhatsApp na data de 31 de dezembro. Rede social também é entretenimento! Tampouco fique triste se recebeu uma mensagem impessoal no natal ou ano novo, pois não será o único. Em tempo: se fosse o único seria ótimo! Listas de transmissão são ótimas mobilizadoras para manifestações populares ou comunicação interna em organizações públicas e privadas. Quem acha que causa ruído é porque mesmo na comunicação presencial faz questão de brigar por besteira, então até no dia em que dominarmos a telepatia essas pessoas causarão discórdia.

Bem, agora que terminei de escrever esse texto, como bom vascaíno, vou ali encaminhar um meme do Muralha hilário para meus amigos flamenguistas. Antes vou divulgar o link desta crônica individualmente para alguns grupos seletos e contatos VIPs de minha agenda telefônica, claro. Não quero causar a falsa impressão de que você pode ter se reconhecido neste texto, seja como emitente, receptor ou pelas duas coisas. E você? Não vai querer saber qual é o meme do Muralha?

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Crônica – Podemos rir dos atrasados do ENEM?

Casamentos, batizados, encontro com namorada(o) mulher/marido, amante, reunião da empresa, velório, jogo de futebol, pronunciamento do presidente, se tem horário marcado, lá está ele, o atraso. Quando estava na graduação na UnB, havia um ditado que dizia que o Movimento Estudantil chegaria atrasado na revolução. E os bolcheviques não escapam à maldição:  cansei de ouvir bate-boca nos encontros de pedagogia, nas reuniões do DCE, do centro acadêmico e até entre anarquistas e autonomistas nas reuniões do MPL, sempre tendo o atraso como pauta.

Mas podemos rir de quem chega atrasado no ENEM ? Sim, podemos. Não devemos obrigar  aqueles que não querem rir a se juntarem a nós, mas percebo um certo patrulhamento de colegas da esquerda em cima de quem procura os famosos vídeos #showdosatrasados do ENEM. E de fato é um show: grito, esperneio, performances com choro e tudo que acabe com a frase “deixa eu entrar”. Fica difícil “pra mim não rir”. Tivesse aceitado que o portão fechou em vez de tentar “barganhar um por fora”, outra cruel característica de nossa população, não entraria pros vídeos. Portanto, são eles que fazem os vídeos viralizar e não quem os assiste.

Mas os marxistas insistem: às vezes não há ônibus onde ele mora. De fato, há muitos casos assim. Porém, os casos que chamam a atenção são de candidatos(as) abordados(as) de forma desrespeitosa no caminho para a prova ou quem combinou de sair antes do trabalho e o chefe sacaneou segurando mais um pouco. Por estas razões não se vê o patrulhamento ideológico e é claro que não há como saber o motivo da pessoa chegar atrasada. Ir um monte de gente pra porta atrapalhar quem chega e inclusive xingar é lamentável, mas os vídeos e memes estão aí para lembrarmos que a zoeira não pode morrer.

Se é consenso que se os ingleses são conhecidos pela pontualidade, os brasileiros abusam dos 15 minutos de tolerância – que para quem não sabe, não existem no ENEM! Nem se a organização da prova falasse que o horário é 12:45 com 15 minutos de tolerância chegariam no horário. É só dar uma volta nos locais de prova pra ver um monte de carro importado estacionado na calçada, em rampas de acesso, como quem diz “qualquer coisa multa que eu pago”. Se chegaram no horário não queriam andar muito e se chegaram atrasados(as), continuam a errar. Nos dois casos é pouco provável que sejam carros que tenham vindo da periferia, mas ai de quem rir dessas pessoas que estacionam em local errado e querem ter o direito a entrar com 1 minuto de atraso!

E o que eu acho mais sem sentido nisso tudo é ver colegas da esquerda que fizeram bem pior do que rir dos atrasados do ENEM quererem colocar quem faz isso como monstro! Não são todos, mas tem muita gente aí querendo ser mártir da moralidade. Me lembro de um encontro da pedagogia em 2007 na UFMA em que uma colega teve que enfiar a mão no vaso e pegar uma nota de 20 reais. Desde então sua identidade passou a ser “fulana mão na merda”, até para os mais novos que não participaram desse encontro mas sabiam da história. Ela fez isso porque estava com grana sobrando? Tinha outro colega (na verdade era inimigo), de Belo Horizonte, que não tomava banho de jeito nenhum, e não era problema de pobreza pois nos encontros os banheiros eram liberados até pra quem não pagava inscrição. Os apelidos dele eram piores do que qualquer vídeo de choro com portão fechado. Tinha o cara que “comia” macaco, o garanhão do tipo “fui ao banheiro e peguei 11”, a chorona, o “pau de lápis”, o “anaconda”, a “Ré Bordosa” e muita fofoca sobre a vida pessoal de todo mundo. Sei tanto podre de tanta gente que daria para escrever mais do que os volumes d´O Capital. Mas tudo bem, vamos esquecer tudo isso porque agora existem os embaixadores da ONU pra defender os atrasados do ENEM. Querem reclamar? Reclamem de quem chega no horário e espera do lado de dentro do portão só pra ver a galera chegando atrasada e dando show porque não conseguiu entrar. Tá certo que pode ser estratégia para rir e fazer a prova mais leve, mas não deixa de ser uma maldade imensa no coração. Deus tá vendo. Baixa a bola pessoal. Estamos no mesmo barco contra as opressões, mas não confundam isso com os vídeos dos atrasados no ENEM.

Ainda pelo lado dos “defensores dos fracos e oprimidos”, gostaria de saber o que eles podem dizer de pessoas que acampam 2 meses esperando um show. Antes que você pense que foi erro de digitação, permita-me repetir: 2 meses! Sim, é o que um grupo que esperava pelo show da Beyonce no Morumbi (SP) aguardou – e virou até documentário. Não são poucos os casos de acampados para esperar shows, mas certamente não são pessoas miseráveis e nem ricas. Não são miseráveis porque a população em pobreza e extrema pobreza não tem 2 meses livres nem se juntar 10 anos de trabalho e não são ricos porque estes tem outros meios de conseguir acesso exclusivo em shows e não aguentariam uma noite em barraca na rua. Essa galera que espera show acampada por meses é grande parte da classe média chorona dos portões do ENEM, mas ai de quem falar da cultura do atraso perto do Tribunal do Santo Ofício. É claro que não se deve aceitar piadas racistas, classistas ou de discriminação com a população LGBT, mas reclamar de quem ri do show dos atrasados do ENEM é integrar a parte mais chata da esquerda, e pode dizer emendar com “se [defesadeumdireito],  então sou chato(a)”.

Em tempo, eu e minha esposa estávamos inscritos no ENEM 2017. Quando fiz a inscrição ela ainda estava grávida e achávamos que ia dar pra fazer a prova, deixando a nossa filha com alguém ou levando-a para ser amamentada enquanto fazia a prova. Erramos! Por ser nossa primeira filha, vimos que a atenção que ela deve receber é bem maior do que imaginávamos. Preferimos não ir fazer a prova e aproveitamos para ficar com nossa filha em seu aniversário de 6 meses. Fazemos parte dos 30% de abstenção. Não aparecemos em nenhum dos vídeos chegando atrasado porque sequer saímos de casa. Fizemos nossa escolha e estamos satisfeitos com ela. Conforme mostrado acima, há casos de candidatos que de fato tiveram problemas pra chegar no horário, mas há os que sempre utilizam da máxima “vai dar tempo”. Para esses últimos, utilizamos o mesmo critério de quando vimos (e isso inclui os comunistas puritanos) a pegadinha da Anabelle no Silvio Santos: rir muito!

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BRB – DENÚNCIA – DIREITO DO CONSUMIDOR

BRB lança nova versão de seu internet banking

Perdi o meu cartão de crédito e solicitei outro ao BRB. Após 10 dias, por não ter chegado em minha casa, no dia 20/10/2017 fui buscá-lo em minha agência (Conjunto Nacional), como fiz outra vez. O cartão constava no sistema como DESTRUÍDO e fui ao atendimento saber por qual razão um cartão que havia sido solicitado há 3 semanas estava destruído. O atendente ligou na central e me informou que o cartão não estava destruído, mas havia retornado à central e que erraram ao colocar o status no sistema. Ainda, disse para que eu ligasse na quarta-feira (25/10/2017) para ver se o cartão já se encontrava em minha agência.

 

Hoje, 27/10/2017, liguei em minha agência às 11h10 para perguntar se o cartão havia chegado. O mesmo funcionário que me atendeu pessoalmente informou que iria ver no caixa e me retornaria a ligação. Às 11h30, liguei novamente e outro funcionário atendeu, informando que a pessoa com quem eu tratara estava em atendimento e não podia me atender naquele momento. Às 11h50 nova ligação e o atendente com quem eu falara desde o dia em que estive presencialmente na agência ainda não tinha ido ver se o meu cartão estava na agência. Isso depois de 40 minutos do primeiro contato! Às 11h55 ele me ligou e informou que o cartão está na agência, mas que ainda consta no status do sistema como DESTRUÍDO e que após eu pegá-lo no caixa, devo me dirigir à mesa dele para reparar esse erro no sistema. Resumindo: retornarei ao banco após vários dias de ter a informação de que o cartão consta como DESTRUÍDO (ainda que não esteja) e, de posse do cartão, terei que continuar no banco para que eles alterem o status de DESTRUÍDO! A redundância nunca foi tão perfeita numa frase aplicada à um banco.

 

Bem, já são 12h00, estou em Vicente Pires, há 20 km de distância do Conjunto Nacional e de um local de difícil estacionamento, em região central de Brasília. Não vai dar tempo de eu me deslocar até a agência, resolver o problema e retornar para dar aula na Estrutural às 13h00. Hoje é sexta, então são mais 3 dias sem cartão até que na segunda-feira, 30/10/2017, quando o banco abrir às 11h00 eu tente resolver toda esta incompetência do BRB para pegar o cartão.

 

Não irei falar o nome dos funcionários que me atenderam porque não acho que é individualizando a questão que as coisas vão melhorar no BRB. O banco deve contratar mais funcionários e investir na comunicação. Não é possível que para saber se um cartão está na loja um funcionário tenha que se deslocar de sua mesa até o caixa. Senti-me na década de 1980! A internet como meio em processos administrativos de gestão da informação parecem não fazer parte do cotidiano do banco.

 

É por isso, e por não ter um bom aplicativo de smartphones, que uso o BRB apenas para cartão de crédito e fiz portabilidade para o Banco do Brasil, mesmo o GDF quase que nos obrigando a receber o salário e manter a conta em sua Casa da Mãe Joana. Descobri que ainda não fiz o suficiente: é hora de pensar em abandonar o cartão de crédito do banco e concentrar minha vida financeira no Banco do Brasil.

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