Ratio summa, cura gay

BRASÍLIA, DF, 05.04.2017: CONGRESSO-CULTO – Bancada evangélica realiza culto evangélico na Câmara dos Deputados em Brasília. (Foto: Anna Virginia Balloussier/Folhapress)

Não causa estranheza, embora revolte bastante, a decisão do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho em relação à ação movida pela psicóloga Rozângela Alves Justino. O país vive uma onda conservadora que ultrapassou o debate da direita versus esquerda, caminhando para o que há de pior em qualquer modo de produção no mundo. O debate ganhou as redes sociais novamente com o tema da cura gay e, enquanto há os que acham que o juiz não se manifestou a favor das terapias de reversão sexual, há os que consideram que ele legalizou a prática no país.

Para compreender melhor a polêmica que envolve o CFP (Conselho Federal de Psicologia), segue trecho da Ata da Audiência:

 

“Sendo assim, defiro, em parte, a liminar requerida para, sem suspender os efeitos da Resolução nº 001/1990, determinar ao Conselho Federal de psicologia que não a interprete de modo a impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do C.F.P., em razão do disposto no art. 5º. inciso IX, da Constituição de 1988”.

 

Psicologia cristã

 

Não é correto escrever sobre este caso sem que se saiba quem é a proponente da ação. Aliás, esse é um dos aspectos mais importantes nesse debate. Rozângela possui cargo no gabinete do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que está no primeiro mandato e é apadrinhado político de Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Bem, parece que se parássemos por aqui já teríamos elementos suficientes para saber que estamos a lidar com a nata da ignorância brasileira, mas vamos além: Rozângela perdeu o registro de psicóloga em 2009 por promover terapias de reversão sexual para curar homossexualidade masculina e feminina. A justificativa para essas ações era a de que “pessoas abusadas na infância ou adolescência e que sentiram prazer nessas relações, tornavam-se homossexuais”.

Ainda à época em que foi repreendida pelo CFP, Rozângela afirmou que sente-se orientada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais. Em resumo: Rozângela considera-se uma representante divina e agora tem o aval da justiça para continuar sua saga contra o público LGBT. A psicóloga ainda soltou a pérola de que “o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país”. Então é isso: uma cruzada do gayzismo e CFP contra o exército de Deus!

 

Ato jurídico: ter poder não é ter conhecimento

 

O fato de Rozângela ser uma testa de ferro de Silas Malafaia e ter entrado na 14ª Vara do Distrito Federal suscita dúvidas se de fato já não sabia qual seria a decisão do juiz Waldemar. Malafaia também é psicólogo, muito articulado politicamente e ele próprio se envolveu em caso de cura gay recentemente, sendo desautorizado pelo CFP. Dificilmente daria um tiro no escuro ao entrar com um processo na justiça e correr o risco de uma derrota.

Waldemar, por sua vez, se não agiu de má fé, demonstra ignorância e desrespeito em relação aos profissionais de psicologia. A resolução CFP n. 1/1999 afirma, dentre outros aspectos importantes, que:

 

Art. 2° – Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

 

Isto significa que qualquer psicólogo que insiste em dizer que a homossexualidade é doença, perversão, desordem psíquica ou afins, incorre em transgressão à norma do CFP, podendo ser punido de acordo com o código de ética profissional da categoria. A resolução vai além:

 

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

 

Este foi um ponto bastante debatido nas redes sociais. Afinal: se alguém solicitar ao psicólogo uma (re)orientação sexual, para utilizar a mesma expressão do juiz Waldemar, o psicólogo que também deseja fazê-lo tem competência para isso? Segundo o juiz a resposta é afirmativa para esta pergunta. O juiz Waldemar utiliza um engodo em sua linguagens, típica de juristas, chegando inclusive a afirmar que homossexualidade não é crime. Balela! O que importa de sua decisão é a permissão dada à psicólogos que queiram realizar a chamada cura gay. Se o juiz passasse 99 páginas fazendo a defesa de que homossexualidade não é doença e, ao final, desse causa ganha à Rozângela, o resultado seria o mesmo: a legalização da cura gay não mais pelos fanáticos neopentecostais, mas pela ciência.

Alguns dizem que a opinião do juiz é contraditória. Contudo, o que ele fez não passa de um deboche para no final dar uma canetada e dizer que, a partir dali, são válidas as terapias de reversão sexual. Para fundamentar sua decisão, o juiz utiliza-se do Art. 5º, IX da CF/1988, que diz:

 

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

 

Ao confundir liberdade com libertinagem, o juiz retira a autonomia do CFP e todo o acúmulo de pesquisas do conselho e de organismos internacionais para permitir a ação covarde de Rozângela e de todo o bonde de corruptos neopentecostais que vibraram com a decisão de Waldemar. Tal como nos três casos de juízes que bloquearam o Whats App por não ter as informações solicitadas do aplicativo, o magistrado se coloca acima do bem e do mal para decidir um ponto vencido há tempos pela comunidade científica.

Falando nisso, Waldemar reforça o preconceito à comunidade LGBT com a justificativa de “liberdade científica”. Esquece ele que não há nada mais contra a ciência do que a cura gay. A homossexualidade já deixou de ser lida como doença desde 1990. Até Sigmund Freud, pai da psicanálise, em 1935, escreveu que homossexualidade não é doença. Porém, para Waldemar o científico mesmo é a ação de uma beata preconceituosa e os gritos de “nós vamos pro pau” de Silas Malafaia. Tal qual a luta contra o Ato Médico há cerca de 7 anos, que fazia profissionais de saúde se dobrerem aos médicos, iniciaremos a luta contra o Ato Jurídico, que faz todos os profissionais, incluindo os médicos, se dobrarem frente aos juízes.

 

E se o juiz Waldemar julgasse processos semelhantes de outras profissões?

 

Imaginemos as seguintes situações:

  1. Uma assistente social que trabalha com o Marco Feliciano e que considera que a atuação profissional deve se pautar com base na fé e não no código e ética da profissão, iniciando o dia de trabalho com uma oração;
  2. Um médico que trabalha com Eduardo Cunha e diz que a homossexualidade deve-se à concentração de determinados tipos de células no esfíncter que, se inibidas, curam o paciente;
  3. Uma engenheira que trabalha com Marcelo Crivella e diz que para a construção de residências pelo programa Minha Casa, Minha Vida não é necessário seguir as normas técnicas de construção civil, alterando a quantidade de cimento por metro quadrado e economizando verba para a prefeitura;
  4. Um veterinário que trabalha com Antony Garotinho e afirma que a castração de animais em situação de rua é ato contra a vontade de Deus, pois estes nasceram livres como os homens e não podem ter sua natureza modificada; e
  5. Uma farmacêutica prima do bispo Ronaldo Fonseca e que trabalha numa farmácia de manipulação, misturando aos medicamentos uma espécie de óleo da prosperidade dado pelo seu pastor.

As cinco situações acima são qualquer coisa, menos ciência. Acredite: algumas delas são verdadeiras! Todas as profissões acima são qualquer coisa, menos ciência. Ainda que a maioria dos conselhos profissionais sejam ruins e atuem basicamente na reserva de mercado, certo é que todo profissional deve respeitar o que diz as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso (DCN), a Lei de Regulamentação da profissão e o Código de Ética da mesma.

Não é o juiz Waldemar quem tem que dizer que é uma questão de liberdade Rozângela poder atuar com a cura gay, mas sim o CFP que já repudia esta prática há décadas. Em tempo: não há proposta científica na ação de Rozângela. O que ela quer é uma autorização da justiça para aplicar uma roupagem científica à terapias de reversão sexual por via da igreja. De sobra, Rozângela e a Bancada da Bíblia ainda levam de presente a vitória numa queda de braço judicial com o movimento LGBT. Analisando mais profundamente, a bancada BBB (Bala, Bíbliae Boi), que já ocupa o Executivo e Legislativo, acaba de ocupar o Judiciário, dividindo o país em franquias.

A resolução do CFP não tem como objetivo punir Rozângela. Esta foi apenas a consequência da resolução, que antecede em 10 anos a punição da psicóloga. A resolução do CFP foi escrita no âmbito dos direitos humanos, de respeito à diversidade, à forma de ser e estar de cada pessoa, impedindo que ações proselitistas ataquem a dignidade de homossexuais. Este histórico foi ignorado pelo juiz Waldemar.

 

Quem gostou da decisão do juiz?

 

Se após ler este e outros textos você ainda considera a decisão do juiz correta e que ela não legaliza terapias de reversão sexual, saiba que o deputado Sóstenes Cavalcante não é o único “democrata” que comemorou a decisão do magistrado. Malafaia, Feliciano, Crivella e toda sorte de estelionatários que se escondem atrás do discurso da teologia da prosperidade acharam que a justiça agiu corretamente. Logo eles, que há anos lutam pela legalização da cura gay na justiça, acharam na 14ª Vara do DF a chance que precisavam para frear, ainda mais, os poucos avanços conquistados pela comunidade LGBT.

No mínimo, ainda que analisasse somente o Art. 5º, IX da CF/1988, o juiz deveria optar pela opção mais benigna dentre as duas resultantes da interpretação restrita da regra jurídica: a da garantia de direitos no país que mais mata homossexuais em todo mundo. Relativizar a decisão do juiz por conta da manobra literária que ele aplicou para silenciar o CFP é corroborar com o fundamentalismo. Por incompetência ou má fé, Waldemar trocou o martelo pela Folha Universal e decretou: ratio summa, cura gay.

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Razão superior. Dir Espírito de eqüidade que deve determinar a escolha da solução mais benigna, dentre as duas resultantes da interpretação estrita de determinada regra jurídica.

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E (quase) gozamos juntos: crítica de crônica da cidade

A crônica do jornalista Guilherme Goulart no dia 11/09/2017 no jornal Correio Braziliense (CB), impresso de maior circulação no Distrito Federal, causou revolta em muita gente. Vários indivíduos e grupos, não só de mulheres, manifestaram-se contrários à naturalização da exploração da imagem da mulher. Com um agravante: ao que tudo indica, a história parece ser verdadeira! Fossem outros tempos, o autor do texto ganharia títulos do tipo “Nelson Rodrigues Candango” ou algo assim. Felizmente, a sociedade evoluiu e agora cobra retratação pela publicação machista assinada por Goulart.

Se ater aos erros de escrita de Goulart, como quando ele diz que a estagiária Melissa “escondia o nervosismo com o andar tão leve e brilhante quanto pluma e paetê” para em seguida dizer que ela era “segura e independente e não dava ponto sem nó” é reproduzir a misoginia do jornal por não apontar o aspecto político da crônica. Até mesmo os representantes da “fauna masculina” e da “matilha” que agem para proibir exposições de arte sabem bem que nome se dá aos fatos narrados na crônica: assédio sexual. Não fosse a correção do editor de texto do computador do CB, único editor pelo qual Goulart passou, o português arcaico combinaria bem com o linguajar chulo utilizado na crônica.

Por falar em editor, é bom que se diga que o jornalista não publicou sozinho. Nem dono de jornal publica editorial sem que antes se faça uma reunião, minimamente, com os principais diretores da empresa. Dizer que a sociedade da informação exige uma produtividade de publicações em maior velocidade é tentar achar uma resposta técnica para cobrir a postura patriarcal que o CB teve no caso. A riqueza dos detalhes sórdidos se passa no próprio jornal que, ao invés de pedir desculpas à ex-funcionária, publica sua história como um troféu de um caçador na parede da sala. Em outras palavras: a crônica da cidade nunca ofendeu tanto a capital do país e, principalmente, as mulheres. Empurrar o jornalista como escudo é não fazer a confissão de que a redação do CB é um espaço desrespeitoso para estagiárias, legitimando e encorajando quem quiser repetir a narrativa.

A cronologia da história da estagiária no CB lembra bem as histórias da seção Fórum da antiga Ele & Ela, que juntamente com a Sexy concorria com a Playboy na década de 1990 no ramo de revistas ditas masculinas. Neste Fórum, leitores(as) publicavam suas histórias picantes ou “trocavam caixa postal” para se conhecerem. Isso significa que até o público conservador que não achou a publicação de Goulart agressiva, deve reconhecer que em época de Tinder, Whats App e outras redes sociais, o jornalista está completamente desatualizado sobre como e onde escrever seus contos eróticos bizarros como pano de fundo para a sua apatia diante de casos de assédio sexual no trabalho. Parafraseando o Fórum da revista Ele & Ela, faltou somente o final, comum à todas histórias e que felizmente Goulart não conseguiu: “e gozamos (quase) juntos”.

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Crianças da Estrutural estudarão mais longe em 2018!

 

 

Manifestação nesta sexta-feira, 29/09/2017 às 08h00 em frente ao CED 01 da Estrutural!

Venha e traga sua família. Precisamos defender a prioridade absoluta das crianças de estudarem perto de casa.

Lute contra a mudança das crianças do CED 01 para o outro lado da Estrutural.

________________

Alunos do 4º e do 5º ano do Centro Educacional 01 (CED 01) da Estrutural terão que estudar no SIA a partir de 2018. São crianças de cerca de 10 anos que terão que pegar ônibus escolar para ir ao CEF 03 (antiga Escola Classe 1), novo destino de crianças dos Anos Iniciais da Estrutural. É o que garante Afrânio Barros, diretor da Regional de Ensino do Guará, regional que compreende também a Estrutural. Afrânio ainda não fez nenhum tipo de comunicado à comunidade da Estrutural. Portanto, é bom que os pais que estão com os filhos matriculados no 3º ano da Escola Classe 2 e no 4º ano do CED 01 fiquem alertas, pois terão que enviar seus filhos para o outro lado da BR a partir do ano que vem.

Os professores souberam da mudança por meio de boatos na tarde do dia 1º/08/2017. No dia 02/08/2017 a diretora do CED 01, Estela Silva, comunicou formalmente os professores dos Anos Iniciais (4º e 5º ano) do CED 01, que assinaram documento (veja aqui) para tomar ciência do fato. Na semana seguinte, dia 07/08/2017, às 10h30, Afrânio compareceu ao CED 01 com a assessora Andréa Silva, comunicando a mudança e dizendo que queria ouvir os professores, mas sem deixar qualquer espaço para não implementar  esta decisão torpe e autoritária. O CED 01 atenderá alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), invertendo a prioridade de que alunos menores estudem mais próximos à sua residência.

O Diretor Afrânio não apresentou absolutamente nenhum motivo para que a mudança ocorra. Disse apenas se tratar de estratégia de matrícula, estratégia esta que não encontra respaldo na comunidade pela situação de vulnerabilidade em que se encontram crianças da Estrutural e que irá aumentar ao quando elas estudarem longe de casa. Além do mais, o CEF 03 não é uma escola e sim um prédio comercial que em 2016 abrigou temporariamente alunos da Escola Classe 1 da Estrutural, que estavam na EAPE (Asa Sul, quadra 908), enquanto se resolvia o problema de insalubridade devido à quantidade de gás metano em seu antigo terreno. O prédio do CEF 03 é inseguro, possui elevador, salas menores e com péssimo isolamento acústico, próximo à pista de grande circulação de carros (EPTG e vias do SIA) e em área de indústrias que trabalham com metais pesados e muitos poluentes. O tráfego de caminhões é intenso e sabemos que veículos grandes têm mais dificuldade de visualização, aumentando o risco de atropelamentos. O espaço para recreação é “uma cobertura que até parece um ginásio”, nas palavras da própria assessora Andréa Silva na reunião do dia 07/08/2017. Enfim, o CEF 03 não passa do local onde Afrânio quer despejar os alunos menores que atualmente estudam no CED 01.

 

Razões para a permanência das crianças no CED 01

 

Durante a reunião dodia 07/08/2017, foram mostrados à Afrânio inúmeros motivos para que não se retirem o 4º e 5º anos do CED 01, a saber:

1.             Violação de direitos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente, tais como igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (BRASIL, Lei n. 8.069/1990, Art. 53, I e II).

2.             Dificuldade de acesso principalmente para alunos com necessidades especiais, sobretudo cadeirantes.

3.             Diminuição da frequência de pais às reuniões escolares, uma vez que esta já é baixa com a escola próximo à residência dos alunos.

4.             Garantia de que, por razões óbvias, se tiver que haver crianças menores estudando próximas à sua residência e crianças maiores em local mais afastado, essa deve ser a atitude a ser tomada.

5.             O local para o qual irão remanejar as crianças do 4º e 5º ano do CED 01 não é escola e funcionou apenas como um “quebra-galho” das turmas da Escola Classe 1 da Estrutural que saíram da EAPE e foram para o SIA enquanto o GDF não arrumava o problema do gás  na Escola Classe 01.

6.             O CED 01 é uma das 4 escolas da Regional do Guará, dentre 23 avaliadas pelo INEP, que conseguiu atingir a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2015. As outras 3 escolas se localizam no Guará.

7.             Aumento da evasão e do índice de retenção, interferindo diretamente no IDEB da escola, ainda que esta seja uma preocupação menos importante de que a própria frequência e rendimento do aluno às aulas.

8.             Falta de diálogo com a escola e principalmente com a comunidade, fazendo com que os pais saibam da mudança somente no final do ano na renovação de matrícula dos filhos. Esta é uma clara afronta à identidade cultural da comunidade com o estabelecimento de ensino, considerado um patrimônio pelos moradores.

9.             A constante greve de motoristas e monitores de ônibus escolares, com pagamentos atrasados desde o governo passado (Agnelo Queiroz – PT) até o atual (Rodrigo Rollemberg – PSB), conforme manifestações destes trabalhadores em agosto de 2016 demonstrou.

10.         Dificuldade das crianças menores acessarem políticas sociais e serviços de utilidade pública, tais como Conselho Tutelar, Centro Cultural, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Coletivo da Cidade, restaurante comunitário e outros serviços por demanda realizados eventualmente em parceria com o Sistema S (SESC, SENAI, SENAC) e a iniciativa privada na região central da cidade.

 

A reação da escola

No dia 08/08/2017, ou seja,no dia posterior à reunião com Afrânio, os professores dos Anos Iniciais do CED 01 manifestaram-se contrariamente à mudança feita de forma antidemocrática e sem apresentação de motivos realizada pela regional de ensino do Guará. Por unanimidade, ou seja, TODOS os 40 professores dos Anos Iniciais do CED 01 da Estrutural, efetivos e temporários, são contra a mudança absurda proposta pela gestão ineficiente de Afrânio À frente da CRE-Guará.

Segue abaixo memorando n. 139/2017 do CED 01 da Estrutural para a UNIPLAT (Unidade Regional de Planejamento Educacional e de Tecnologia na Educação), setor da regional de ensino do Guará responsável pela estratégia de matrícula.

memo 139/2017 – folha 01

memo 139/2017 – folha 02

memo 139/2017 – folha 03

 

 

 

 

A cobrança do Conselho Tutelar da Estrutural

 

Como professor do CED 01 da Estrutural, assim que soube das mudanças pretendidas pela Regional de ensino do Guará, dirigi-me ao Conselho Tutelar para relatar o ocorrido. Tempos depois a diretora do CED 01, profa. Estela Accioly,  fez o mesmo. Também conversei com o conselheiro tutelar Djalma ainda em agosto na própria escola, que se prontificou a colaborar com a situação do CED 01. Fui atendido pela conselheira Michelle, que me informou que colocaria o assunto em discussão na próxima reunião do CT da Estrutural, que ocorreu no início de agosto de 2017. O CT da Estrutural envio o ofício n. 124/2017 à CRE/Guará, que foi respondido pelo ofício n. 101/2017 no dia 05/09/2017.

Pela primeira vez a regional de ensino recuou e informou que resposta da regional de ensino foi dizer que as turmas de 4º e 5º anos continuariam no CED 01 da Estrutural no ano letivo de 2018. Essa resposta é insuficiente, pois demonstra apenas que a regional optou por fazer a última geração de anos Iniciais no CED 01 em 2018 da forma que segue:

1- Em 2018, alunos aprovados das turmas do 4º ano vão para o 5º ano.

2- Permanecem no CED 01 apenas turmas de 4º e 5º anos de alunos retidos (reprovados);

3- Em 2019, alunos do 5º ano vão para o 6º ano, atingindo o ciclo dos Anos Finais do Ensino Fundamental, e as turmas de 4º e 5º anos, de alunos retidos ou aprovados, vão para o outro lado da Estrutural ou qualquer outro prédio comercial que o governo chame de escola, acabando de uma vez por todas com os Anos Iniciais no CED 01.

A resposta vazia e debochada da CRE/Guará pode ser vista abaixo:

Ofício n. 101/2017 – CRE Guará

 

 

 

 

 

A tentativa da regional do Guará de evitar protestos na comunidade

Em sua milésima tentativa de explicar as razões que não existem para levar alunos do 4º e 5º ano para estudarem a quilômetros de casa, a regional de ensino do Guará enviou, na data de 26/09/2017, o ofício n. 139/2017 – REG 119049/2017 para o CED 01 da Estrutural com o assunto da oferta de matrícula para 2018. Detalhe: a data do ofício é a mesma da reunião da comunidade da Estrutural no auditório do CREAS que discutiu este ataque do governo à comunidade. Isto significa que Afrânio começa a sentir, cada vez mais forte, a mobilização da população da Estrutural contra o ataque que quer fazer com as crianças da cidade. A última coisa que um governador Rollemberg quer são protestos na Estrutural, até porque tem um dos piores índices de aprovação no país e vai tentar a reeleição, mesmo sabendo que não tem chance alguma de ir pro segundo turno e será apenas para marcar posição e defender seu governo caloteiro.

No ofício, a regional diz que o CED 01 continuará a atender a comunidade da Estrutural, algo que sequer foi questionado pela população. Essa é uma estratégia torpe de retórica de tentar ludibriar a comunidade dizendo o óbvio: a escola é e atende a cidade! Tanto é verdade que na continuidade do ofício, a regional relata toda a infraestrutura do CED 01, informando que a escola tem salas, banheiros readaptados e média de 25 alunos por turma. Esquece de dizer que a média aponta turmas que tem (e devem ter) menos alunos, por serem de integração inversa, e que há turmas com mais de 30 alunos, o que forçará ainda mais a demanda em salas menores e sem o devido isolamento acústico como é o caso do CEF 03 no SIA.

A canalhice do ofício da regional é tanta que fala em cumprir o Art. 3º, “parágrafo” IV do Regimento Escolar da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, que diz:

Art. 3º – As unidades escolares, de acordo com suas características organizacionais de oferta e de atendimento, classificam-se em:

(…)

VI – Centro Educacional – destinado a oferecer as séries/ os anos finais do Ensino Fundamental, o Ensino Médio, a Educação de Jovens e Adultos, bem como o ensino Médio e a Educação de Jovens e Adultos integrados.

A primeira observação à este trecho do ofício 139/2017 da CRE/Guará é técnica: não é PARÁGRAFO VI e sim INCISO VI. Pode parecer irrelevante, mas é esta total falta de conhecimento do que há de mais básico no conhecimento da lei que permite com que Afrânio, na reunião do dia 07/08/2017 no CED 01, diga aos professores que nos próximos resultados da Prova Brasil a Escola Técnica do Guará tenha aumento do IDEB, sendo que a Prova Brasil é uma avaliação feita apenas no 5º e 9º ano do Ensino Fundamental, que não é atendido pela Escola Técnica.

A segunda observação é a de que não se pode dar como vencida a questão de que a escola é um CED 01 e deve seguir as características que lhe impõem o Regimento Escolar da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, pois assim como agora, essa mudança não foi discutida com a comunidade. O ofício visa acalmar os ânimos da comunidade falando apenas em que os alunos com necessidades especiais continuarão a estudar no CED 01.

A única coisa que os ofícios da regional do Guará não falam é para onde vão os alunos egressos do 3º ano das escolas classe 1 e 2 da Estrutural, pois são eles que serão mandados pro CEF 03 já a partir de 2018. É este o ponto que a regional se nega a admitir.

Segue abaixo o ofício n. 139/2017 da CRE/Guará, enviado na tentativa de anestesiar a revolta da comunidade contra os desmandos de Rollemberg e Afrânio:

Ofício n. 139/2017 – CRE/Guará

 

 

 

 

 

 

A versão não oficial

 

Existe a especulação de que a mudança do 4º e 5º ano do CED 01 da Estrutural não tenha sido uma estratégia pedagógica e sim um acordo de politicagem entre Afrânio e Wilson, diretor do CEF 03. Wilson perdeu eleição de uma escola no Guará e, como é próximo à Afrânio, teria recebido a proposta de ficar no CEF 03 (antiga Escola Classe 1 da Estrutural). Inicialmente Wilson teria rejeitado, por dizer que se tratava de uma escola difícil de se trabalhar, mas Afrânio o teria convencido. Atenção para a bomba: o diretor da Regional de  O ensino do Guará teria prometido à Wilson que o CEF 03 ficaria com Anos Iniciais a partir de 2018. Foi aí que Wilson teria aceitado e, agora, teria chegado a vez de Afrânio cumprir a sua parte do trato.

 

O que pode ser feito a respeito?

 

Ou a comunidade da Estrutural se mobiliza para ser ouvida ou vai ser tarde quando perceber que foi enganada e suas crianças de 10 anos irão pegar o escolar para estudar fora do bairro. Segue abaixo os órgãos públicos que podem ser acionados pela internet, por telefone ou pessoalmente. Relate o caso e peça urgência na resolução, pois em breve governo irá iniciar o processo de remanejamento dos professores e os docentes que dão aula nos Anos Iniciais terão que pegar outra escola para ir trabalhar. Isto enfraquece a mobilização para a permanência do 4º e 5º ano no CED 01.


DENUNCIE AQUI:

 

Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude – MPDFT

Endereço:  Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude, SEPN 711/911, Bloco B.

Telefones:  (61) 3348-9009 / 3348-9029 / 3348-9041

E-mail: proeduc@mpdft.mp.br

__________

Conselho Tutelar da Estrutural

Endereço: Setor Central Área Especial 19 ao lado do TRE – CEP: 71255-230

Telefones: (61) 3465-5161 / 3465-6909 – Plantão CISDECA – (61) 3217 – 0657

 __________

Ouvidoria do Governo do Distrito Federal

http://www.ouv.df.gov.br/#/

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Eterna Galinha Pintadinha das futuras infâncias

Por muito tempo relutei em saber o que era essa tal de Galinha Pintadinha. Até que minha filha nasceu e fui obrigado a saber o que era, pois diziam que hipnotizava as crianças – o que, de fato, acontece!

Aí dígito no YouTube e vou ver os sucessos desse sucesso infantil, assim, bem redundante. Fui procurar por nome é mal toquei na tecla “G” está lá, “Galinha Pintadinha” – não é mentira, faça o teste se não acredita em mim! Parti pra ouvir as músicas e qual não é a minha surpresa ao perceber que a Galinha Pintadinha nada mais é do.que as mesmas músicas que eu ouvia na década de 1980 e 1990, só que cantadas por um desenho azul que recebeu o nome de Galinha Pintadinha.

Se o médico psiquiatra Flávio Gikovate não tivesse falecido em 2016, talvez eu achasse que seria ele a pessoa por trás da criação da Galinha Pintadinha, tamanha a tara de patentear o senso comum. Certo é que revivi grandes clássicos de minha infância com uma animação tosca em flash que em poucos anos minha filha vai chamar de Galinha Pintadinha, quando na verdade é cantiga que minha vó já sabia no início do século XX em Belém do Pará. Não perdoaram nem “atirei o pau no gato”.

É tudo um musical de Galinha Pintadinha, o galo Carijó e outros animais falantes, mas sem a moral das fábulas. E como desenho não envelhece, anota aí: meus netos vão ouvir achando que Galinha Pintadinha fez mais música infantil que os 20 LPs Xuxa só para Baixinhos. A galinha é atemporal e polissêmica!

Poderia continuar a dar spoiler aqui pra vocês, mas vou ali colocar Balão Mágico pra minha filha ouvir e acalmar o choro.

Adivinha quem vai cantar?
Mix – Galinha Pintadinha: http://www.youtube.com/watch?v=zKOubVELVNw&list=RDEMKITLBk9680k7nmsKd8ITXQ

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3 lições sobre a greve dos servidores da limpeza

No dia 15 de Agosto de 2017 a greve dos servidores da limpeza de escolas do Distrito Federal, dentre outros locais, completou uma semana. A empresa que contrata os terceirizados, Juiz de Fora, alega ter solicitado empréstimo junto ao BRB (Banco de Brasília) para pagar funcionários. Por sua vez, o GDF afirma ter depositado cerca de seis milhões na conta da empresa para pagar atrasados de maio e metade de junho. Podemos ver três lições em relação ao ocorrido: a importância do trabalho não intelectual na estrutura das escolas, a invisibilidade social destes trabalhadores e, por fim, a falta de identidade de classe dos professores com servidores não docentes.

  1. Condições sanitárias de trabalho, embora esquecidas atualmente, já foram uma das principais pautas de ação sindical no início do século XX. Das ruas sombrias de Londres às fábricas têxteis de São Paulo, a organização do trabalho – ou melhor, do trabalho social – frente ao sistema produtivo capitalista impunha uma queda de braço constante entre patrões e empregados. Com o advento do fordismo/taylorismo na década de 1930 e o toyotismo na década de 1990, trabalhadores não intelectuais foram os principais alvos de substituição de mão-de-obra por estruturas mecanizadas ou rearranjos administrativos que sobrecarregavam os que não eram demitidos. A mecanização do campo que acelerou o êxodo rural de 1950 no Brasil era uma breve amostra do que estava por vir. Políticas de desvalorização salarial, dentre outras retiradas de direitos, tornaram-se comuns nesse meio. Pois bem, foi necessário que funcionários da limpeza iniciassem um movimento paredista para que se percebesse que eles existem e fazem um trabalho importante como qualquer outro nas escolas.

Logo, a invisibilidade social destes servidores é latente, a ponto de sequer sabermos seus nomes, uma das coisas mais básicas da condição humana. Quando um professor é substituído por outro, é notável. Quando um servidor da secretaria é substituído por outro também se percebe com facilidade. Contudo, a permuta de servidores da limpeza, cozinha ou segurança parece não fazer parte do sentido de ausência de professores. Tanto é verdade que entre uma greve e outra podem passar dezenas de servidores da limpeza por uma escola, mas os professores só irão lembrar que eles estão lá quando os mesmos deixarem de limpar a sala ou fazer o lanche. A invisibilidade social, catalisada por uma falsa sensação de classe média que muitos professores do DF têm, corrobora a tese da precarização do trabalho por pares na educação. O corporativismo, aqui também, mostra suas garras e sufoca, por dentro, a greve deste importante setor das escolas.

Não obstante, não ter identidade de classe é um gargalo histórico e que cobra o seu preço ao longo da história. Na reportagem do DF TV 2ª Edição desta terça-feira, 15/08/2017 (para ver clique aqui!), uma professora grávida de 8 meses aparece limpando sala da Escola Classe 5 do Guará, falando que os alunos não podem ficar sem aula ou em sala suja. Ora, esse é um dos menores problemas frente à ação da professora. Imaginemos então que quando os professores entrarem de greve o GDF irá substituí-los por professores de contrato temporário ou outra modalidade que esteja por vir, esvaziando física e politicamente o espaço de combate que temos com o governo? Infelizmente, por não se perceber como integrante da mesma classe social que o servidor da limpeza, o professor se propõe a realizar o trabalho dos servidores, fortalecendo ainda mais o governo corrupto de Rollemberg que não fez absolutamente nada pela educação. Sabe o exemplo do empresário que economiza demitindo a copeira e pedindo pra secretária “fazer um cafezinho rápido”, assim, no diminutivo, pra não parecer trabalho? Pois é, somos nós, professores, carregando o gene do opressor.

Portanto, para apoiar a greve dos servidores da limpeza é preciso conhecer seus nomes, tratá-lo com respeito e acima de tudo não querer substituir, nem por uma tarde, seu trabalho. Ao varrer a sala ou realizar outras atividades do tipo fazemos com que os servidores fiquem reféns das negociações com o GDF, pois o professor, que não é pago sequer como docente, acumula a função de servidor da limpeza. Bater palmas para estas ações é o primeiro passo para afirmar “para quê serve Conselho de Classe”, com o Alexandre Garcia a tiracolo. O fato dos professores não discutirem formação política em sua formação inicial ou continuada condiciona mais reportagens como as que apareceram no DF TV 2ª edição.

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Maia bota fogo em Temer

A novela da sucessão presidencial brasileira não chega ao fim. Rodrigo Maia não preside mais nenhuma sessão da Câmara dos Deputados sem que saia para se reunir com representantes do setor financeiro, líderes de partidos da base governista, Centrão e até mesmo com membros do PT. A situação de querer Maia no lugar de Temer é tão grande a ponto de Gleisi Hoffman, presidente do PT, ter que agir publicamente proibindo negociatas entre os parlamentares petistas e o deputado do DEM. Contudo, é o tipo de ação que não surtirá efeito diante do revanchismo, ânsia em derrubar Temer, auto proteção e tudo o mais que envolve a ascensão de Maia ao Planalto.

Na noite dessa quinta-feira (06/07/2017), na Argentina, Maia não parava de pegar o celular em meio à um encontro com parlamentares latinos. Questionado pela imprensa, disse que estava de olho no jogo do Botafogo pela Libertadores da América. Genial! O sucessor de Temer quer passar a ideia de que não é outro vampirão sem sal, entoando a mesóclise de forma equivocada, querendo passar ar de culto e não envolvido com os “notórios bandidos” que há apenas 2 meses frequentavam sua casa. Rodrigo Maia tenta passar a imagem de “nossa gente”. Em meio a tantos escândalos e de afastamento da política do cotidiano, Maia afirma lealdade à Temer ao mesmo tempo em que o cozinha em banho maria e posa de engomadinho playboy de 47 anos que pode salvar o país da crise. O exemplo de Collor como caçador de marajás não nos foi o bastante!

Bem, poderíamos ficar com a análise política do parágrafo anterior, mas verdade seja dita: Maia é a única chance de um botafoguense ganhar algo fora do Rio de Janeiro. Logo, cabe a nós, torcedores de todo o Brasil e principalmente de times cariocas, no mínimo, ter solidariedade com o Glorioso de uma estrela e, mais do que nunca, gritar #ForaTemer

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Vicente Pires e o quase voto distrital

 

Alô população de Vicente Pires! Já sabem da última? Parte dos líderes comunitários de nosso bairro quer eleger um deputado distrital e um deputado federal, digamos, nativo. O que essas pessoas têm em comum? Bem, todos se afirmam de direita, cristãos, ou seja, o contrário de mim, que sou socialista e agnóstico. Porém, a principal diferença é que não sou candidato! Logo, posso falar sem paixões desse processo para a escolha de deputado distrital. Perceba você leitor(a) que utilizando as estatísticas das últimas eleições e conhecendo um pouco os envolvidos na disputa, você irá concordar em gênero, número e grau comigo – quer dizer, os pastores não vão concordar em gênero porque acham que é coisa de esquerdista!

 

Voto Distrital e Voto Proporcional

 

A proposta dos líderes comunitários visa unir todos moradores de Vicente Pires para conseguir uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e outra na Câmara Federal. Até aí tudo bem, mas adivinhe como eles querem fazer isso? Fazendo com que o bairro tenha somente um candidato a deputado distrital e um candidato a deputado federal. Sim, já pode rir, a piada pronta é essa!

Em eleições proporcionais, como são as de deputado distrital e deputado federal, é muito mais fácil atingir o quociente eleitoral e eleger um candidato quando se tem vários candidatos em uma mesma coligação. Assim, um puxa voto para o outro e aquele que tiver mais votos entra. Os partidos sabem bem disso: se um candidato tem pouca inserção na região A, coloca-se um candidato B para puxar votos e os votos de A e B podem eleger A, B e/ou C, D e assim por diante. Se o puxador de votos for bom, como Arruda, Clodovil e Enéas em 2002, Tiririca ou Reguffe em 2010 ou Eduardo Suplicy em 2016, mais candidatos são puxados e ganham a eleição.

Também podem ocorrer coligações bizarras (na verdade elas são regras), como a do PT-PROS em 2014 que elegeu Érika Kokay (PT), militante feminista e defensora dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e, de outro lado, Ronaldo Fonseca, fundamentalista evangélico mentor do Estatuto do Nascituro e Bolsa Estupro – e que está no terceiro casamento, vale lembrar. Quem era contra Kokay ou Fonseca, ao votar em um deles para barrar o outro, levou ambos para a Câmara dos Deputados. Acontece que esses líderes comunitários de Vicente Pires sequer compreendem como ocorre a eleição, mas querem participar dela – e serem eleitos. Não é preciso dizer que falta combinar com os milhares de eleitores de Vicente Pires para votar no candidato que propõem, ainda que não gostem dele, como se o bairrismo de votar em quem os líderes comunitários apontam fosse maior que o corporativismo da polícia, professores ou religiosos que sempre elegem seus representantes.

Portanto, o que os líderes comunitários propõem é o voto distrital, que não existe no Brasil e não passará na Reforma Política do digníssimo #ForaTemer que não tem tempo de fazer nada a não ser se defender de acusações de empreiteiros e especuladores travestidos de açougueiros. No voto distrital os deputados são eleitos por distritos, geralmente separados por quantidade de moradores ou eleitores (e não por região administrativa). Cada representante só pode fazer campanha naquele distrito. Assim, só recolhe votos nas zonas e seções de sua região. No sistema atual, os moradores de Vicente Pires votam em candidatos de qualquer lugar do DF. É bem possível que um candidato tenha mais votos fora de Vicente Pires do que dentro do bairro.

 

Possíveis candidatos de Vicente Pires                 

 

Vamos então conhecer uma pequena lista dos possíveis e eternos candidatos de Vicente Pires.

Dr. Charles – para quem não sabe, foi o “nosso” primeiro deputado nativo e nunca fez nada por Vicente Pires. Ficou famoso por colocar o seu banquinho na Praça do Relógio em Taguatinga e consultar gratuitamente, ou seja, dizer que você tem virose. Ficou famoso por um esquema de funcionários fantasmas e também por ser cooptado para votar em Rogério Rosso em abril de 2010, após a saída de Arruda no escândalo do Mensalão do DEM da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=xZedM4TAba8

Dirsomar Chaves – apadrinhado político de Geraldo Magela (PT), Dirsomar quase ganhou para deputado distrital no pleito de 2010. Dos 11.928 votos em 2010, caiu para 10.186 votos em 2014, uma perda de 15% de eleitorado. Com o PT no painel da Lava Jato, sem palanque de expressão ao GDF, Senado ou ao Executivo Federal e com recursos minguados devido à perda do Buriti e Palácio do Planalto, a tendência é sangrar e diminuir ainda mais a votação em 2018. Sua chance é Temer continuar no poder e Rollemberg continuar com o péssimo governo, sobretudo com os servidores públicos, ala em que o PT tem mais capilaridade. É o puxador de votos pra Magela em Vicente Pires e no governo Agnelo ocupou a pasta da antiga Secretaria de Micro e Pequenas Empresas e Economia Solidária. Guarda a Arvips debaixo do braço como o Tião Galinha guardava o seu diabinho da garrafa, sem nem divulgar o edital de eleição da associação.

Pr. Daniel de Castro – por ser filiado ao PMDBretch, é outro que deve diminuir o número de votos. Tem público cativo de evangélicos, mas que já se atenta para optar por partidos dentro do escopo da direita e com nova roupagem, como o Novo ou o Podemos do deputado distrital e líder religioso Rodrigo Delmasso. Dizem que tem um eleitorado em determinadas regiões da Ceilândia. Não é dos que mais aparecem em Vicente Pires.

Major Cruz – tem o voto cativo de policiais militares, mas seu alcance eleitoral vai até onde permite nossa risada com sua performática chegada de jipe aos locais de votação no dia da eleição. Permanecerá no anonimato. Candidata-se porque é de uma legenda de aluguel (PPL) que ainda não arrumou outro melhor.

Apóstolo Ezequias – na época de Cristo, os apóstolos tinham papel mais razoável na sociedade. Ezequias é do PT do B, outra legenda do baixo clero e que está aí somente para vender seus 10 segundos de TV a quem pagar mais. Sua candidatura não tem outra intenção senão a de fortalecer sua igreja para quem sabe, algum dia em um futuro que oramos para não chegar, ter alguma chance de ser eleito.

Paula Matos – em 2014, tentou de todo jeito colar a sua imagem à de Reguffe, mas só conseguiu mesmo ser comparada à Sandra Faraj e seus posicionamentos retrógrados. Passará outra vez despercebida. Faz o tipo “bela, recatada e do lar” e seu discurso não chama votos, nem com os inúmeros carros de som que colocou pra rodar na campanha de 2014 ou com os santinhos que sujaram os locais de votação um dia antes da eleição.

Alberto Meireles – empresário do mundo das duas rodas, rivaliza com Dirsomar como um dos moradores mais antigos de Vicente Pires! Agora pode até parecer abraçadinho com o petista, mas são inimigos mortais. No Miss Vicente Pires 2011, Meireles chamou Dirsomar de “meu irmão”. Pensei que Meireles tinha virado pastor pra ver se conseguia mais votos, mas lembrei que naquela época o PT havia ganhado o GDF com Agnelo e o terceiro mandato seguido pra presidência, o que deu mais sentido às coisas. Concorreu pelo finado PSL – hoje chamado Livres –, que deve ter mudado de nome por ter recebido meio milhão de reais do mensalão do PT que irrigou a campanha de todos candidatos pelo país. Ele não sabe, mas sou amigo de infância de suas sobrinhas e filhos, inclusive frequentando a casa dele na década de 1990. Naquela época tinha bem menos gente e todos se conheciam, mas nem assim arriscaríamos bancar somente um candidato à distrital como fazem atualmente.

Zenóbio Rocha – concorreu a deputado distrital em 2006. Consegui 3.287 votos e sumiu. Provavelmente, ficou com vergonha de ser filiado ao PSL.

Gilberto Camargos – toma café com Renato Mengana, aquele que acumulou o cargo de vice-governador e administrador interino de Vicente Pires e a única coisa que conseguiu foi chamar uma sala de biblioteca e colocar uma barraca de camping por 24 horas no cruzamento da rua 10 com a 3 e apelidar de gabinete de crise. Gilberto é jornalista, presidente da Amovipe, editor do jornal local Conversa Informal (quero o meu bicho!) e despontou como liderança nos últimos anos com as derrubada na chácara 200 e na 26 de Setembro. Creio ter partido dele a ideia de “candidato único” (ele vai negar e dizer que é apenas um servo, sabemos disso), mas certo é que a reunião do dia 19/06/2017 está toda preparada para lançar seu nome como candidato “““““único””””” de Vicente Pires. Será sua primeira tentativa como candidato. Faz a linha João Doria de “não sou político”.

José Geraldo de Oliveira – é servidor da CLDF e do mesmo grupo político de Gilberto Camargos. Faz o mesmo discurso dele, mas de forma mais contida. Provavelmente realoquem Geraldo para a vaga de deputado federal, que exige muito mais recursos financeiros e pela própria natureza do cargo é um trabalho para a nação e não só pro DF. Caso confirmado, será apenas um candidato pra fazer dobradinha com o candidato a distrital (provavelmente Gilberto) e marcar posição do grupo da Amovipe.

Paulo de Társio – obteve 5.666 votos pelo PHS na eleição de 2010. É empresário na cidade, tem uma loja de aluguel de máquinas para construção e limpeza, além de disk entulho. Se colocasse uma de suas caçambas na entrada do condomínio 218 às 19h00 do dia 19/06/2017, era só recolher às 22h00 e ganhar mais 100 pratas. Perdão por não falar mais nada politicamente de Paulo de Társio, mas tirando o cascalho que ele jogou lá pra cima da rua 4 (a fala não é minha), não há mais nada que se conheça dele.

 

Os verdadeiros motivos para um candidato único

 

Só há dois motivos que justifiquem a proposta de tentarem impor um candidato do bairro. O primeiro, como falei, é o desconhecimento de como funciona o sistema eleitoral brasileiro. O segundo, mais provável, é tentar fazer com que lideranças locais materializadas na figura de militares ou religiosos deixem sua candidatura de lado, fortalecendo o grupo político da Amovipe que tem seus expoentes em Gilberto Camargos e José Geraldo Oliveira. Acontece que não há a mínima possibilidade de sair candidato único de Vicente Pires e quem fala isso não sou eu, mas as estatísticas.

Vamos ver se falo a verdade? Observando a eleição de 2014, vejamos a zona 19, seção 37, que fica na Escola Classe Vicente Pires, onde voto. Nesta seção, o PT foi o partido mais votado, com 58 votos, sendo 40 votos para Dirsomar Chaves. Na mesma zona e seção, Dr. Charles teve 5 votos, Pr. Daniel de Castro 3 votos, Paula Matos 16 votos (sua família toda deve ter votado nesta seção), Major Cruz 7 e Apóstolo Ezequias nenhum. Claro que é um exemplo aleatório, mas percebe-se que não se faz uma eleição pensando apenas em Vicente Pires.

 

Amovipe, Arvips, Amorjoquei e outros egos em forma de coletivo

 

A associação de moradores mais antigas de Vicente Pires é a Arvips, ultimamente cooptada pelo PT. O grupo da Amovipe nasceu em meados do governo Agnelo Queiroz, descontentes com a manipulação da Arvips, única associação até então. Foi nessa época também que o servidor Carlos Masson, criou a Amorjoquei, outra associação de moradores, mas só da rua 1, próxima ao Jóquei (não diga!). Essa época de criação de associações coincidiu com a nossa participação nas reuniões do Orçamento Participativo, que de participativo não teve nada e que não encaminhou nenhuma das mais de 100 propostas que colocamos para o então governo do PT. Com tantas associações sendo criadas e temendo que a cegonha não deixasse a minha, pensei até em criar a AMOROCA (Associação dos Moradores da Pororoca, vulgo Rua 10), acabei somente por acompanhar as reuniões do Orçamento Participativo e fui eleito suplente pro Conselho de Cultura de Vicente Pires – que Agnelo nunca nomeou.

Com o crescimento de Vicente Pires, cresceu também a disputa por espaços de poder, sejam eles externos (como a CLDF) ou internos, como é o caso das associações de moradores. Contudo, associações como a Amovipe investiram muito em ações como contenção de derrubadas, estudos sobre o trânsito e propostas para o Conselho comunitário de Segurança, mas esqueceu do principal: a formação política de seus membros. Esse erro os partidos não cometem e é por isso que o PR (atual partido do Dr. Charles), PT e PMDB não deixarão de lançar seus nomes em Vicente Pires para a disputa da CLDF, seja o que for decidido na reunião dos líderes comunitários do bairro. E podem ter certeza que Rollemberg terá um candidato camuflado nessa reunião pra escolha do candidato único, para vermos o quão perigoso é esse modelo de escolher nomes antes de propostas. Os candidatos ligados à igrejas, como Ezequias, Paula Matos ou Pr. Daniel de Castro não deixarão de se lançar candidatos, pois para além da eleição está a projeção de seus nomes em sua base de arrecadação de dízimos e divulgação de agenda conservadora. Isso é legítimo, não é crime algum! É assim mesmo que se faz política e é aí que os membros da Amovipe comeram mosca, achando que política é somente algo institucional da democracia representativa.

Vamos pegar o exemplo de Júlio César. Ele chegou em Brasília em 2011 a mando de seu partido, o PRB, para assumir a Secretaria-Adjunta de Esporte no governo Agnelo e, mesmo sem ser conhecido, ficou em primeiro lugar na eleição de 2014 devido ao apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Não há como concorrer com o poderio econômico e fiéis desmiolados que aceitam bancar esses candidatos. Pergunto: o candidato único de Vicente Pires vai aceitar ser um representante de mais do mesmo da política do “toma-lá-dá-cá” que tanto criticam nos grupos de whats app?

Analisando os dados da eleição de 2014, vemos que apenas os 6 candidatos da tabela deste texto somam 42.655 votos. Se levarmos em conta apenas Dr. Charles, Dirsomar e Daniel de Castro, são 31.199 votos. Qualquer um desses 3 nomes teve mais votos que Luzia de Paula (PEN), última distrital a entrar para a atual legislatura, com 7.428 votos. Ora, sejamos sinceros: alguém acha que o PR, PT ou PMDB vai deixar de investir num candidato certo para investir no candidato bairrista escolhido na reunião de 19/06/2017? A resposta é não, por mais que esses 3 partidos estejam no olho do furacão das denúncias da Lava Jato.

O que daria uma sobrevida, ao menos em tese, para candidaturas de líderes comunitários seria o fim do financiamento privado de campanha. Seria, pois as eleições de 2016 mostraram que as empresas já deram o seu jeito de burlar a lei. Ainda, partidos grandes como PR, PT e PMDB têm muita estrutura para bancar seus candidatos, mas será que o candidato bairrista do Vicente Pires vai querer subir no palanque destas siglas tão manchadas por corrupção? Portanto, a tendência é de pouca variação nos votos dos candidatos mais votados em Vicente Pires, com queda de 15% a 20% no número de votos. As coligações maiores, feitas com partidos com mais estrutura, saem fortalecidas. Magela, padrinho político de Dirsomar, jamais deixará que ele deixe de sair candidato e construa a sua campanha para Deputado Federal na região. O candidato a “deputado regional” de Vicente Pires não sairá nem agora e nem se houver uma Reforma Política que aprove voto misto.

 

O diabo na pele de pregadores

 

Ainda que Vicente Pires conseguisse eleger um candidato da Amovipe, do baixo clero ou dos grandes partidos, o que me incomoda mesmo é vê-los se apresentarem como cristãos. Gente, vamos passar um óleo de peroba na cara que de cristão vocês não têm nada! Não vamos esquecer que vocês são os que de manhã mandam mensagem falando de perdão e a tarde a mensagem é “bandido bom é bandido morto”. Vocês são as pessoas que divulgam fotos de menores no whats app imputando-lhes crimes que jamais cometeram ou, se cometeram, ainda assim não poderiam ter sua identidade revelada de acordo com a legislação brasileira – e olha que é uma legislação burguesa pra proteger ricos. Vocês querem ser eleitos com proposta de resolver problema de trânsito no viaduto Israel Pinheiro ou de ampliar a via Estrutural pra passar em cima do viaduto do córrego Vicente Pires, quando no Sol Nascente tem gente morrendo de fome, sem água, sem esgoto.

Se cada Região Administrativa fosse ter um deputado distrital, precisaríamos aumentar em 50% a CLDF e mesmo assim seria injusto, pois Ceilândia tem quase 600 mil pessoas e Vicente Pires não chega a 100 mil. Sou professor na Estrutural e no horário do almoço tenho que subir a via pra ir em Taguatinga e retornar pra entrar na rua 10B e ir pra casa, um aumento de 7,5 quilômetros no percurso. Jamais eu gostaria que o GDF ampliasse a via Estrutural para que eu economizasse nesse percurso e de tarde desse aula pra alunos que até hoje não receberam o cartão de material escolar do caloteiro Rollemberg. Prioridade em cima da desgraça dos outros tem nome e muitos genocídios foram feitos assim. Líderes de Vicente Pires que se candidatam com uma pauta bairrista não merecem nada mais do que perderem de lavada uma eleição. É nessas horas que sinto que estou do lado certo ao não frequentar igrejas e ter que lidar com essa hipocrisia em forma de “irmãos, a paz do senhor pra você e sua família”. E dinheiro no seu bolso não é mesmo?

Bem, quem quiser acompanhar esse circo, compareça hoje, 19/06/2017 às 19h00 na rua 8, condomínio 218 de Vicente Pires. É lá que Barrabás Distrital e Pilatos Federal serão escolhido pela comunidade de pecadores para representar o povo de bem que já está cansado de politicagem, principalmente porque acreditada que ela não havia chegado às associações de bairro. Com todo o respeito aos colegas que resolverem participar disso, ou ao menos tentando, mas dar o nome para um cheque em branco de um programa a ser construído e que não será bancado pelos partidos é perder o seu tempo e o dos outros.

 

Estatística – candidatos de Vicente Pires nas eleições de 2014

 

Apóstolo Ezequias:

https://www.eleicoes2014.com.br/apostolo-ezequias/

 

Daniel Castro:

https://www.eleicoes2014.com.br/pr-daniel-de-castro/

 

Dr. Charles:

https://www.eleicoes2014.com.br/dr-charles-22123/

 

Dirsomar Chaves:

https://www.eleicoes2014.com.br/dirsomar/

 

Major Cruz:

https://www.eleicoes2014.com.br/major-cruz/

 

Paula Matos:

https://www.eleicoes2014.com.br/paula-matos/

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Primeiro soneto para Raíssa

 

Este é o soneto que escrevi em comemoração ao primeiro “mêsversário” de Raíssa, minha filha com Danielle. Como o próprio título já diz, é apenas o primeiro de muitos.

 

Primeiro soneto para Raíssa

 

És tão bela, Raíssa, minha filha com Danielle

Ofereço este soneto, o primeiro de tua vida

E lembrando de teu rosto, de teus olhos, de tua pele,

Tu me faz bem mais alegre e por isso é enaltecida

 

Em versos alternados, é assim que a rima rege

Se bocejas no berço, já vou dar uma conferida

Pode até ser exagero, sinal de quem protege

Se a mãe não lhe dá peito, vocifera enraivecida

 

Teu sorriso afasta toda maldade

De qualquer intriga ou coisa vã

Outrora eu diria que é vaidade

 

Mas se com um mês já sou teu fã

Viraste minha primeira prioridade

Te amo Raíssa Escovedo Ayan

 

 

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Quando tudo der errado, tente o óbvio!

Imagine o seguinte diálogo entre um policial federal e um senador:

PF: senador, o senhor está preso.

Senador: tem mandado?

PF: Claro que sim.

Senador: pois eu tenho mandato. Além do mais, roubei dinheiro público e, portanto, não posso ser preso.

PF: …

Pronto, fim de conversa! O que parece – e é – o óbvio exime de qualquer responsabilidade quem o anuncia.

Tudo isso bem que poderia ser mais uma esquete do Porta dos Fundos. Contudo, é mais um triste capítulo da política brasileira. Vejamos a manchete do G1 publicada em 02/06/2017, 11h01:

Filmado com mala de dinheiro, Loures caiu em ‘engodo’, diz ministro Eliseu Padilha

Ali, o objetivo era ter a filmagem’, afirmou ministro da Casa Civil em entrevista a rádio Gaúcha. Para ele, Temer e Loures foram alvos de um processo ‘preparado’.

Bem, a manchete é uma prévia da pérola do que Eliseu Padilha, mais um corrupto do time de ministros de Michel Temer, concluiria com a sua tese de armação ilimitada com um governo tão honesto em que o cargo de ministro serve unicamente para dar foro privilegiado à investigados pela Justiça. Disse Padilha:

“A versão que nos chegou é que ele caiu em um engodo, que havia a necessidade de gravar ele com essa mala, com esse dinheiro. Foi preparado todo um processo em que ele [Temer] e o Rodrigo caíram. Não se deu conta de que estava sendo utilizado. Ali, o objetivo era só ter a filmagem”, afirmou o ministro em entrevista à rádio Gaúcha.”

Sensacional! Padilha assume o crime de Rocha Loures e o leitor fica assim, abismado, perguntando-se: onde está o crime? Ora, se o crime é colocado como algo evidente, notório, não sobra espaço para argumentar que o que foi feito é errado, que é passível de punição. Sim Padilha, havia a necessidade de gravar Rocha Loures com a mala. O que você queria, que avisasse que ele estava sendo filmado? Foi preparado um processo sim, é dessa forma que se faz para pegar corruptos como os do governo Temer. Se Rocha Loures não se deu conta de que estava sendo utilizado, então é sinal de que a PF fez um bom trabalho. E o objetivo não era “só” obter a filmagem num primeiro momento, mas agora esta filmagem tem outros objetivos, como comprovar que o golpista Temer sempre se locupletou de propinas. Padilha assume o crime de Rocha Loures e utiliza-se do óbvio para tentar livrar o colega de entrar pro hall de políticos com tornozeleira eletrônica.

Engana-se quem pensa que este episódio foi o único. A máxima “não nego minhas atitudes, você que vê pelo lado negativo” tomou conta da Esplanada dos Ministérios. As quadrilhas do PSDBretch e PMDBretch que sustentam o governo do vampirão sugador de direitos sociais perderam a vergonha na cara.

No dia 30/05/2017 foi divulgado o diálogo do áudio entre os traficantes de cocaína – e nas horas vagas senadores por Minas Gerais – Aécio Neves (PSDB) e Zezé Perrela (PMDB). No diálogo, Aécio reclama da falta de solidariedade de Perrela que no dia 13/04/2017, em entrevista para a rádio mineira Itatiaia, se esnobou por não estar na lista de Janot. Prosseguindo a conversa, Perrela complementa: “mas eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas”. Aécio ri do comentário do colega parlamentar. Perrela é ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrela, atual secretário de Futebol do Ministério dos Esportes. Ambos estão envolvidos no caso do helipóptero que caiu com meia tonelada de cocaína em Brejetuba (ES), em novembro de 2013. Não seria preciso este caso para saber que Aécio e Perrela são compadres e traficantes de outros tempos, mas essa história chama muito a atenção pelo fato de o juiz ter mandado soltar os pilotos antes mesmo que fossem interrogados. A cocaína, ao contrário do helicóptero que é dos Perrelas, não tem dono, pelo menos não depois da queda do helicóptero.

Você pode pensar que são episódios diferentes, pois o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese sim, mas ocorre que após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

Não julgue que são episódios diferentes, uma vez que o primeiro é uma declaração aberta do ministro Eliseu Padilha enquanto que Perrela e Aécio foram grampeados pela Polícia Federal. Em tese até seria. Porém, após a divulgação do grampo, Perrela veio a público e afirmou que realmente disse aquilo, mas foi em tom de deboche. Essa é a nova variável ao assumir sua culpa: uma pitada de ironia que possa anular o conteúdo criminoso de sua fala como traficante.

 

Vale lembrar que no Brasil a cada três pessoas presas, uma delas é por tráfico de drogas, sendo elas a maioria jovens (15 a 24 anos), negros, moradores de periferias e pegos com poucas quantidades de drogas, algumas vezes até sem provas e que aguardam julgamento em centros de detenção provisória – para os pobres, detenção definitiva. Nesse mesmo país, um senador que escancara para todos que é traficante, tem um helicóptero que é “abatido” por erro do piloto, mas não consegue ser “abatido” pela mesma justiça que lota os presídios de pobres.

No Brasil, mais do que nunca, vale o pensamento do jornalista Aldo Novak: “quando tudo der errado, tente o óbvio”.

 

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Secriança 2015 – Resultado Final – Pedagogo

Bem, parece que a novela do concurso da Secriança 2015 caminha para o fim. Após 14 meses, foi divulgado (atpe que enfim!) pela Fundação Universa o resultado final da Prova de Verificação de Aprendizagem, realizada no dia 30/01/2017. Era a última nota que faltava para compor o resultado final do concurso, resultando na homologação final e na pressão para que o governo caótico de Rollemberg convoque os aprovados.

Segue no link abaixo resultado final do concurso para ESPAF (Especialista Socioeducativo), cargo 102 – Pedagogo, do concurso da Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude. A classificação considera apenas ampla concorrência. O ranking em anexo está de acordo com o Resultado Definitivo da Primeira Etapa RETIFICADO, publicado no DODF de 26/12/2016, bem como com o Resultado Definitivo da Prova de Verificação de Aprendizagem, divulgado no DODF de 15/02/2017.

secria_ranking_pedagogo_16_02_2017_00h35

Até mais e ótimo trabalho à todos(as) aprovados(as), sejam eles ESPAF ou ATRS.

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