#forabolsonaro Fora Bolsonaro! Na internet e nas ruas por um Brasil sem preconceitos!

 

Brasília, 31 de março de 2011. 

“Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.”

Jair Bolsonaro (PP-RJ), em resposta a pergunta da cantora Preta Gil no Programa CQC sobre o que faria se um filho seu se apaixonasse por uma negra.

 

Várias pessoas ficaram chocadas ao ver, no dia 28/03/2011, a entrevista do Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC (Custe o Que Custar), da Rede Bandeirantes. Há aspectos jurídico-políticos que merecem ser discutidos, como a natureza do comentário aliado à condição de parlamentar do réu – é assim que deve ser tratado. Um segundo objeto interessante para se analisar é a tentativa de amenização da declaração, após alertado por assessores e, num terceiro momento, o que fazer para tirar de cena não somente Bolsonaro, mas o seu pensamento conservador e sua prática imbecil de desrespeito a determinados seguimentos da sociedade.

Pra começo de conversa, no aspecto jurídico-político: sim, ele é racista (e isso é crime), homofóbico declarado (e isso não é crime, ainda, e ele é um dos principais parlamentares que quer enterrar o PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia no país) e faz apologia à intolerância (que também não é crime, mas é repudiada institucionalmente desde a conferência de Durban na África do Sul, em 2001, e observada por governos de vários países). Não estou dizendo que ele tenha ser gay, comunista, que siga a ideologia A ou B, mas tais posturas são incompatíveis com a vida numa sociedade democrática em qualquer lugar no mundo. No caso de Bolsonaro, torna-se um agravante por sua condição como deputado, que tem obrigações não somente com seus eleitores, mas com toda uma sociedade que tem negros, gays, usuários de maconha e outros que repudia. Portanto, ser eleito não é ter carta branca (outra expressão racista) para se fazer o que quer e achar que é inimputável. O desrespeito é tamanho que, continuando sua saga, afirmou, depois do caso com Preta Gil, que tem imunidade para falar e para roubar.

 Porém, há um problema que antecede tudo isso, que é o papel do partido político institucionalizado (ou seja, que participa das eleições) na sociedade. Bolsonaro só consegue concorrer a alguma eleição e ganhar não porque votam nele – consequência – mas porque antes disso, em algum momento, um partido permitiu a sua inscrição, filiação, bancou a campanha e não se sente incomodado de ver um parlamentar de sua sigla lançar comentários criminosos (como o racismo) e intolerantes (como a homofobia) em rede nacional. Portanto, também o PP (Partido Progressista) não pode ser negligente nesse debate, a menos que queira mudar seu nome para Partido Preconceituoso.

Após alertado por assessores, Bolsonaro voltou atrás e disse que não compreendeu a pergunta perfeitamente. Pior: disse que havia entendido que Preta Gil tinha perguntado sobre o que faria se o filho se apaixonasse por um gay, e não por uma negra. Ora colegas, esse argumento não procede por dois motivos. Primeiro porque negra e gay são palavras que sequer rimam, o que não daria margem para Bolsonaro confundir algum som. Relembrando Mamonas Assassinas: “o meu nome é Djair, facinho de confundir com João do Caminhão”. Sinceramente não dá! Vamos então para o segundo e mais crítico argumento, o de que mesmo que admitíssemos que Jair Bolsonaro confundiu a pergunta e acreditássemos nisso, que aí sim não há problema algum. Fazendo outra analogia, é o mesmo que justificar que se bateu numa empregada doméstica achando que era prostituta, ou que se queimou um índio dormindo numa parada de ônibus porque se pensou que ele era mendigo. Na verdade, o que Bolsonaro teme é ser condenado por racismo, esse sim crime inafiançável e imprescritível. Daí sua intenção em desviar o foco para a questão dos gays, que infelizmente ainda não gozam desse mesmo dispositivo constitucional como os negros.

Essa jogada medíocre de Bolsonaro para ser enquadrado como intolerante e não como racista permite que continue a emitir seus comentários infames contra os gays, como se esse país não fosse livre, como se os impostos do público LGBT que paga o seu salário para vomitar seus preconceitos fosse moeda menor que o dinheiro dos heterossexuais. Às vésperas de se completar 47 anos do Golpes de 1968, Bolsonaro replica uma imagem estereotipada que muitos militares brasileiros querem apagar de sua história, que é a do sujeito turrão, imbecil, incompetente, relutante a qualquer mudança que vise a democracia e capaz de matar o próprio povo para se manter no poder.

Não é a primeira vez que Bolsonaro destila seu veneno, mas pode ser a última. Em oportunidade anterior, chegou a dizer que iria esbofetear a então deputada Maria do Rosário (PT-RS), hoje Secretária de Estado dos Direitos Humanos. Chegou a empurrá-la e chamá-la de vagabunda, dizendo que nem para ser estuprada serve. Caso o poder público e a sociedade organizada se omitam, mais uma vez estará se dizendo que não existe penalidade para o fundamentalismo no Brasil e, assim, outros germes de Bolsonaros se encorajarão para fazer o mesmo ou ate pior.

Por isso, é primordial uma campanha nacional, na internet e nas ruas, pela saída de Bolsonaro. Com certeza qualquer pessoa concorda que ele é só um sintoma do preconceito em nossa sociedade, e que é preciso atacar a doença na sua raiz e não somente com medidas paliativas, que seria a cassação de Bolsonaro. De fato, cassar Bolsonaro não resolve o problema, mas ajuda muito. Didaticamente falando, a luta pela cassação de Bolsonaro carrega, ela mesma, um processo pedagógico de emancipação, onde as pessoas perceberão que existe um mundo bem melhor livre de racismo, de preconceitos, de Bolsonaro, onde não é necessário pedir a sua cassação porque sequer ele existe, pois não há um PP para filiá-lo e quiçá eleitores que concordem com a intolerância para elegê-lo. Façamos um chamado, então, a todos os brasileiros e brasileiras, ao movimento LGBT, ao movimento negro, ao movimento estudantil, às igrejas, às escolas, às empresas, partidos políticos, universidades, a todas organizações para que figuras como Bolsonaro e sua ideologia estúpida sumam do mapa do Sistema Solar. Resumindo, façamos de nossa vida, em nossa casa e em nosso trabalho, um ambiente de Preta Gil!

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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Uma resposta para #forabolsonaro Fora Bolsonaro! Na internet e nas ruas por um Brasil sem preconceitos!

  1. Josiane disse:

    Parabéns pelo texto!
    Você, como sempre, articulando bem as idéia e trazendo para discussão pontos fundamentais e atuais.
    Orgulho que tenho desse grunge, rs.
    bjão

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