Positivismo, eleições pro DCE da UnB e consequências da despolitização.

Na foto, de 2010, o imparcial, neutro, não-filiado e apartidário Thiago Matias, ex-integrante da Aliança pela Liberdade, como candidato a deputado federal pelo Democratas, abraçado ao aprendiz de bicheiro e agora sem partido – pode até entrar pra Aliança -, Demóstenes Torres. A foto é do blog do próprio positivista.

Época de eleição pra DCE é sempre a mesma conversa: qual o seu partido? Desde quando saí do movimento estudantil, em 2008, até agora, jamais fui filiado à nenhum partido político, ainda que tenha minhas preferências.

O que me intriga é a ignorância de alguns estudantes da UnB que acham que é preciso ser de partido para tomar os mesmos direcionamentos de uma dada sigla. Pura bobagem! Várias são as gestões de DCE que entram em todo o país e tem composição partidária e, no meio do processo, os independentes conseguem dar a linha na gestão, ou os grupos racham, ou acontece uma infinidade de coisas que não é a cartilha do “partido tal é dessa chapa”, como se fosse uma condição sine qua non para um dado fato social (Durkhein) acontecer.

Nas eleições pra DCE da UnB, a Aliança pela Liberdade (outra vez citados na web, virando tag, agradeçam pessoal!) tem posicionamentos que seriam tomados, sem tirar nem por, pela juventude do PSDB ou do DEM. Não à toa PSDB ou DEM se sentem contemplados com a atual gestão do DCE. Não é necessário fazer outra chapa se as propostas da aliança cabem bem num partido como o DEM. Aliás, um dos membros da Aliança, que foi Representante Discente no CONSUNI (Conselho Universitário, maior conselho da UnB), foi candidato a deputado federal pelo Democratas em Goiás, em 2010. Provavelmente para ele esqueceram de pedir o registro de não filiado no TSE, ou ele fraudou, sei lá. Pouco importa! Vamos lembrar quem é ele? Thiago Matias, que na foto acima aparece abraçado ao recebedor de mimos de Carlinhos Cachoeira, o eterno porta-voz contra as cotas raciais e sociais DEMóstenes Torres. Para quem quiser conhecer melhor sobre esse filho pródigo da Aliança pela Liberdade, pode acessar o blog dele e ver a campanha neutra do DEM:

http://thiagomatias.blogspot.com.br/2010_07_01_archive.html

Já a Juventude do Democratas utiliza seu blog para fazer referência à Aliança pela Liberdade, quando essa ganhou a eleição pra DCE em 2011, em reportagem do jornal Valor Econômico:

http://www.juventudedemocratars.blogspot.com.br/2011/11/une-perde-o-protagonismo-nas.html

Pelo que dá pra ver o DEM direciona mais a Aliança pela Liberdade, que não tem nenhum filiado, do que se todos os outros milhares de estudantes da UnB fossem filiados à outros partidos. Mas coitados dos garotos, eles que não podem ser culpados de serem citados pelo Democratas. Estranho mesmo nenhum site progressista tê-los citado, a não ser para criticar, como o DEM cita coletivos LGBTTT ou negros para gozá-los. Mas o Reinaldo Azevedo, sim, aquele que adora generalizar a comunidade acadêmica da UnB como um antro de vagabundos, parece também ter gostado da vitória da Aliança pela Liberdade:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%E2%80%9Calianca-pela-liberdade%E2%80%9D-toma-posse-no-dce-da-unb-e-a-primeira-chapa-nao-esquerdista-a-vencer-a-eleicao-na-historia-da-universidade-ate-eu-fui-citado/

E Reinaldo Azevedo gostou da gestão e em abril de 2012, voltou a defender os “apartidários”, em episódio que novamente envolveu o DEM:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/alianca-pela-liberdade/

Saindo do mundo da fantasia e vindo pra realidade pessoal, pergunto: alguém acredita em coincidência, em imparcialidade, em neutralidade? Uma integrante da gestão Aliança pela Liberdade que em 2012 xingou estudantes comunistas de sujos, demonstra sua raiva, seu ódio sem fundamentação, à grupos que defendem a entrada de estudantes carentes, negros e que apóiam a greve dos professores. A palavra SUJOS revela muita coisa, mas muita coisa mesmo no campo da intolerância, da falta de respeito, de não se entender em coletividade.

Porém, o resultado pior disso tudo não é a Aliança pela Liberdade. Querendo ou não, eles tem seus posicionamentos, seu programa, sua organização, e é isso que estudantes mais progressistas reclamam. Até aqui estamos no campo da política, não há problema algum e o mundo não irá acabar se a Aliança ganhar o DCE por 10 anos seguidos.

O que acho lamentável, contraproducente, é uma Chapa Troll. Isso não é democracia, mas democratismo. Inscrever uma chapa para fazer propostas como “caipirinha no RU”, “trepódromo” ou disciplina “Prática Desportiva de Kama Sutra” é deplorável. Isso sai do campo da política, do que é saudável numa universidade, que é a juventude debatendo os melhores projetos para um DCE, se é o apoio ou não às cotas, fundações, relação com reitoria etc. O mais próximo que a Chapa Troll se aproxima de política é ser uma Chapa Laranja, testa de ferro da Aliança pela Liberdade, falando talvez muita coisa que a Aliança pensa mas tendo a ciência que é outra chapa, ou seja, fazendo a Aliança correr por fora.

Uma Chapa Troll não contribui em absolutamente nada com o processo eleitoral, ou até contribui, de forma covarde, fazendo o papel de escudo de outra chapa. É desse tipo de atitude que nasceu o adjetivo pelego na política. Talvez por isso no debate do Ceubinho da terça-feira, 20/11/2012, a Chapa Troll não tenha comparecido. Será que a Aliança deu uma enquadrada e falou pra eles não irem pra não roubar voto? Será que o papel da Chapa Troll nas eleições é apenas servir de moleque de recado da Aliança e tirar votos de chapas progressistas através de piadinhas? É o que veremos…

– Cotas…cotas… eu acredito no estudo. Estudei muito para chegar à esta universidade. E você o que fez pra estar aqui?
– Além de estudar? Trabalhei bastante né. Afinal, alguém precisa trabalhar neste país.

Estamos num momento crucial na educação superior brasileira. Momento em que a cada ano entrarão pessoas com renda média de 1,5 salário mínimo, que não aceitarão piadinhas classistas como as da Chapa Troll. Vai ser cada vez mais latente o olho-no-olho na sala de aula com estudantes negros, carentes, indígenas, que por décadas foram excluídos da universidade, chegando num meio conservador que não direciona o ensino, pesquisa e extensão para os problemas de suas comunidades. Os partidos são o menor problema do movimento estudantil em todo o país, e são vários os gargalos. É legítimo os partidos levarem qualquer tipo de demanda para dentro de uma gestão de DCE e cabe à ela aceitar ou não, colocando em votação em seus fóruns deliberativos ou, quando for o caso, agir de acordo com o programa com que foi eleita. Os estudantes precisam amadurecer para isso, e quem quer que esteja na gestão vai ter que ter um olhar muito atento para essa questão. Qualquer grupo que ganhar terá que dialogar com os que perderam, pois o encontro da classe proletária com a classe média que historicamente está na UnB não vai se dar de forma tranquila. Os trabalhos em grupo, a fila do RU, os grupos de pesquisa, os comentários em sala de aula, tudo isso agora terá sempre alguém de uma comunidade carente de olho, que não vai aceitar a perpetuação de preconceitos contra seus pares. Definitivamente, a Chapa Troll não se atentou à isso, e parece nem querer se atentar… até que a primeira pedra quebre a janela.

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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3 respostas para Positivismo, eleições pro DCE da UnB e consequências da despolitização.

  1. Nicolas Powidayko disse:

    Simplesmente ridículo este seu texto. Sou coordenador de campanha de reeleição da Aliança e tenho pavor ao DEM. Ridículo.

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  2. Chapa Troll disse:

    Você está defecando pela boca. Grata, Chapa Troll

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