Uma conversa para além do voto

Olá colegas!

Venho aqui dialogar não só com quem ainda não definiu o voto, mas com quem já decidiu, com quem votará nulo, com quem não acredita mais em política, com quem não vota na esquerda de forma alguma, com quem não vota em liberais etc. Além de apresentar meus candidatos, gostaria de esclarecer alguns pontos que são extremamente importantes e que, infelizmente, não são debatidos, pois as pessoas só querem o seu voto e nada mais. Pensemos para além das eleições.

Temos que entender, de uma vez por todas, a diferença entre eleição majoritária e eleição proporcional. Na eleição majoritária vence quem tem o maior número de votos. É o que ocorre com os cargos de Presidente, Governador e Prefeito, no caso do Poder Executivo, e Senador, no caso do Poder Legislativo. Na eleição proporcional, que são os cargos de Deputado Federal, Deputado Estadual (ou Distrital, no caso do DF) e Vereador, os partidos e coligações elaboram uma lista aberta. As vagas dependem do quociente eleitoral, que é o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras que o Estado (ou DF) dispõe, no caso da Câmara dos Deputados. O DF conta com 8 (oito) vagas na Câmara dos Deputados e 24 vagas na Câmara Legislativa do DF. É por isso que muitas vezes o seu candidato, mesmo tendo mais votos, não ganha. É que os votos são contados dentro do partido e coligação e não por candidato. Daí, um candidato com muitos votos fica atrás de outros que, mesmo com menos votos que ele, pertencem ao mesmo partido ou coligação e aí é aquela velha história de sempre: os puxadores de votos!

Foi assim que Enéias puxou vários candidatos em São Paulo, ou Arruda em 2002 puxou candidatos com denúncias de corrupção. Tiririca parece ter descoberto sua vocação: ser puxador de mensaleiros! Em 2010, foi o candidato mais votado em São Paulo e levou consigo os mensaleiros João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto. Esse ano, por incível que pareça, Tiririca está novamente à frente das pesquisas. Em 2014, no DF, as coligações sem consistência ideológica permanecem. Você pode votar na candidata Érika Kokay, uma excelente defensora dos Direitos Humanos e da comunidade LGBT, e eleger o Capitão Bruno da PM (famoso pelo jargão “fiz porque quis” enquanto abusava de autoridade contra manifestantes em ato contra os desmandos da Copa). Porém, a situação é ainda pior: o candidato principal da coligação é Ronaldo Fonseca, mentor do Estatuto da Família e membro da Bancada dos Fundamentalistas Neopentecostais da Câmara dos Deputados. Vejam que coisa bizarra pessoal… Você vota numa candidata progressista e ajuda um representante do conservadorismo.

Portanto, é bom ter coerência na hora do voto. Não basta olhar as propostas do seu candidato, mas saber quem são os concorrentes que estão à frente pelo mesmo partido ou coligação, pois são eles que herdarão o voto daquele candidato que está mais próximo de você por ser da sua categoria profissional, igreja, bairro etc. O PSOL no DF não está coligado com ninguém e qualquer tentativa de ir de encontro às nossas bandeiras, como ocorreu recentemente, é duramente combatida pelo partido, que não aceita que direitos humanos sejam rifados em nome de mais tempo de TV no horário eleitoral, financiamento de cartéis ou eleger candidatos a qualquer custo. Por isso, apresento meus votos em 2014, todos do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), não para que votem neles, mas para que conheçam essas pessoas, pois independente do resultado da eleição, já na segunda-feira (06/10/2014), elas continuarão na luta com a população, como sempre estiveram, como sempre continuarão a estar.

Deputado Distrital: Fábio Felix n. 50.321 – Para Deputado Distrital, meu voto é de Fábio Felix 50.321. Fábio foi meu colega no DCE da UnB na época em que derrubamos o reitor em 2008 e atualmente é Assistente Social da Secretaria da Criança e Adolescente. É mestre em Política Social pelo Departamento de Serviço Social da UnB e participou do VIOLES (Grupo de Pesquisa sobre Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Violência contra a Mulher e Tráfico de Pessoas). É uma das principais lideranças da comunidade LGBT no DF. Trabalha com jovens infratores que cumprem medida sócio-educativa e é um defensor intransigente dos Direitos Humanos. Também esteve no Movimento Fora Arruda e Toda Máfia e no combate aos desvios de verba da Copa do Mundo promovidos pelo GDF.

Deputado Federal: Rafa Madeira n. 5.000 – O Rafa Madeira é um colega de muito tempo. Foi eleito pela comunidade do Plano Piloto Conselheiro Tutelar da Asa Norte por duas gestões e é um incansável defensor dos direitos da criança e adolescente. Participou dos principais atos da política recente no DF, como a Ocupação da Reitoria da UnB em 2008, nos ajudando a derrubar o reitor. Rafa também colaborou no Movimento Fora Arruda e Toda Máfia, no Comitê Popular da Copa, denunciando os abusos feitos pelo Estado para aumentar os lucros da FIFA e empresários. Trabalhou o Disque 100 e com o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua. Rafa é formado em Direito e atualmente estuda Serviço Social comigo na UnB. É uma pessoa inserida nas lutas há muitos anos e será um mandato coletivo na Câmara dos Deputados, com a participação dos movimentos sociais como MST, MTST, dentre outros.

Senador: Aldemário Araújo n. 500 – Para Senador, votarei em Aldemario Araújo, número 500. É procurador da Fazenda, membro da OAB-DF, Professor do curso de Direito da Católica e combate os abusos em financiamentos de campanha, principalmente por bancos e empreiteiras. Já denunciou vários desses financiamentos corruptos que certamente destruirão ainda mais o patrimônio do DF.

Governador: Toninho n. 50 – Para Governador, meu voto vai para Toninho, n. 50. Psicólogo, Servidor do Ministério da Saúde, Toninho não é desses oportunistas que aparecem somente em ano eleitoral com financiamento de multinacionais para ocupar o GDF e lotear as licitações entre seus patrocinadores. O que Toninho fala é coerente com sua prática cotidiana. Defensor dos movimentos sociais, Toninho não abre mão da luta em defesa dos servidores públicos, do concurso, e quer acabar com a farra dos cargos comissionados em que se transformou o GDF, onde a “companheirada” ocupa, sem mérito algum, grande parte dos cargos que deveriam estar à disposição para concorrência pela população.

Presidenta: Luciana Genro n. 50 – Para Presidenta, votarei em Luciana Genro n. 50. Luciana é advogada, militante dos Direitos Humanos e em 2013 enfrentou a polícia que, a mando do próprio pai, Governador do Rio Grande do Sul pelo PT, atacou os manifestantes que fizeram o enfrentamento exigindo redução do aumento da tarifa de ônibus e dos gastos da Copa do Mundo. Luciana foi quem trouxe, pela primeira vez, a questão da criminalização da homolesbotransfobia ao debate dos presidenciáveis. Não tem rabo preso com multinacionais, bancos ou outras empresas que financiam os principais candidatos a presidência e, por isso, tem liberdade para cumprir um mandato de luta e ao lado da população brasileira.

Mais importante que o voto, faço um chamado para que a disposição de mudança permaneça após as eleições. Não podemos discutir política apenas em época de eleição ou votar e delegar funções a parlamentares, dando uma carta branca à atuação deles. É preciso ir além! por isso, organize-se após as eleições, seja em partido, seja na sua reunião de condomínio, no seu sindicato, na sua igreja, em movimentos sociais (movimento estudantil, partidos políticos institucionalizados ou não). Participe da vida política de seu país e contribua para a melhoria do país.

Caso a sua opção seja pela via partidária e queira conhecer o PSOL, estaremos de portas abertas esperando as suas críticas, elogios, sugestões, mas sem dar um passo atrás na defesa dos movimentos sociais, da população socioeconomicamente vulnerável, da comunidade LGBT, dos direitos reprodutivos das mulheres, de uma política de saúde que substitua a guerra às drogas, da não aprovação da redução da maioridade penal. Essas são algumas de nossas bandeiras. Venha conhecê-las, venha fazer parte dessa mudança, de uma política que não é nova porque já a defendemos há muitos anos, mas não se pinta de novidade e tem na sua prática e em seus apoiadores os maiores ladrões desse país.

“Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Mahatma Gandhi

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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