Professoras do DF: uni-vas!

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Contextualizando…

Na tarde dessa quarta-feira, 25/02/2015, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) decretou ilegal a “greve” das professoras do DF. Qual greve? Em assembléia no dia 23/02/2015 as professoras decidiram paralisar as aulas até dia 27/02/2015, quando haverá nova negociação. Portanto, ninguém falou em greve. Tudo bem que o SINDOURADO não queria a greve por agora, pois teme perder o controle da situação e não quer cumprir minimamente o que diz o Estatuto do Sindicato no que diz respeito à formação de Comissão de Negociação com integrantes da base. Porém, o descaso do GDF causou tanta fúria nas professoras que foi natural irem ao Buriti já com a decisão de paralisar as atividades até proposta mais concreta do governo.

O mais curioso é que tanto o Poder Judiciário (TJDFT, TCDF) quanto o Poder Legislativo (CLDF) locais agiram como o SINDOURADO: passaram os 4 anos do governo Agnelo fechando os olhos para todos os atos inconseqüentes do petista. Logo, parte da culpa pelo rombo bilionário nas contas do DF está com esses parasitas que se escondem quando exigimos nossos direitos mas aparecem para cobrar nossos deveres.

ARO: o engodo que o SINDOURADO fez para te enrolar junto com o governador

Direitos trabalhistas como 13º Salário, rescisão das Professoras de Contrato Temporário, diferença da gratificação natalícia e outros não são pontos negociáveis em nenhuma circunstância, menos ainda para serem avaliados por quem não realizou o seu trabalho de fiscalização dos relatórios das contas do DF. O SINDOURADO, bastante desgastado por defender o corrupto governo do PT, tinha que dar uma satisfação à categoria docente e causar o arrefecimento das mobilizações.

A primeira ação do SINDOURADO foi esquecer o governo Agnelo e atacar somente Rollemberg, outro incompetente na política que entrou no Senado pela janela e vai sair do GDF pela porta dos fundos. A rejeição à Agnelo continuou alta mesmo em 2015 e como a estratégia de esquecer o governo do PT não surtiu efeito, o jeito foi tentar valorizar as ações chapa branca do final do governo Agnelo, colocando-as inclusive numa linha do tempo, como se justificassem que a mobilização do SINDOURADO teria começado no governo anterior.

Rollemberg e o PSB nunca tiveram base social: ganharam o GDF mais no contexto de Arruda e a Lei da Ficha Limpa, tal qual Agnelo ganhou em 2010 pelo mesmo contexto contra Roriz. Tanto Agnelo quanto Rollemberg não são figuras expressivas da política do DF a ponto de chegarem a se tornar governadores, como o são Roriz, Arruda e futuramente o picolé de chuchu José Reguffe. Nem no movimento estudantil da UnB o PSB consegue se restabelecer e, com o GDF, vai ficar ainda mais difícil manter o papel nefasto que queriam fazer de companheiros dos movimentos sociais. Porém, a diferença é que o PT ainda tem alguma base social, em processo avançado de esfacelamento – ainda bem – devido aos escândalos tanto de nível federal quanto do pior governo que o DF já teve.

O SINDOURADO, sabendo que está de mãos atadas sem os cargos do governo Agnelo e com pouco diálogo com um governo que derrotou os petistas na eleição e apoiou Aécio no 2º turno contra Dilma, pensou na única solução que poderia lhe mostrar como símbolo de resistência ainda que soubesse que Rollemberg não iria pagar os professores senão de forma parcelada: a ARO (Antecipação da Receita Orçamentária). O SINDOURADO tinha plena consciência que a solicitação da ARO é um processo demorado e que ela só sairia em data praticamente igual à do parcelamento apresentado pela equipe tucana do GDF. Esse foi o “acordo de cavalheiros” entre SINDOURADO e GDF em que de um lado o sindicato parece brigar pela categoria porque achou uma saída técnica para o caso mas que na verdade não passa de um engodo para não se queimar com as professoras e o GDF permanecer com sua orientação inicial de parcelar direitos.

A mídia e seu eterno rabo preso com as verbas de publicidade do GDF

Além do GDF, quem fala em greve são os eternos sanguessugas do dinheiro público através de contratos milionários de publicidade. Dentre esses, os dois maiores exemplos são o Correio Braziliense e a Globo, esta última usando o arauto da moralidade Alexandre Garcia. Obviamente que ninguém acredita em parcialidade e que da grande mídia, da qual fazem parte Globo, Diários Associados (Correio Braziliense) e outros grupos de poder não vão ser imparciais ou direcionar sua preferência à demanda das trabalhadoras, mas a falta de caráter é tanta que chegam a querer reverter a situação até o ponto de nos chamarem de improdutivas.

Nos governos Roriz a situação de simbiose com a imprensa já era assim. Com Arruda (2007-2009) e Agnelo (2011-2014), a receita de “molhar a página” dos maiores jornais de circulação (um impresso e outro na TV) seguiu pelo mesmo caminho. Rollemberg e seu testa de ferro, que é jornalista, não perdeu tempo e tratou logo de amansar Globo e CB enchendo suas borras de ouro, pois já sabia que com o pacote de austeridade fiscal que iria iniciar precisa do apoio de uma comunicação aparentemente imparcial e de grande circulação funcionando como porta-voz do governo. Nada melhor do que pagar vendidos como Alexandre Garcia e CB para voltarem a população do DF contra as demandas das professoras.

Aprovar o indicativo de greve na Assembléia de 27/02/2015

Diante dos ataques do GDF à nossa categoria, é urgente que saibamos dar a devida resposta ao governo. Abaixar a cabeça e concordar com o calendário proposto pelo governo é aceitar o Caixa 3 de empréstimos que Rollemberg faz com o BRB, afundando mais as professoras por não pagá-las. Funciona mais ou menos assim…

João: ei Zé, tem 100 reais pra me emprestar?

: tenho sim, mas por favor, me pague mês que vem que vou precisar.

João: pode deixar comigo.

E no mês seguinte…

: fala João, tô precisando daqueles 100 reais. Por favor, poderia me pagar?

João: eita Zé, não vai dar. Mas olha só, como você está precisando muito, posso te emprestar 100 reais e te cobrou um juros de 1,69%. Aí você me paga mês que vem R$ 101,69 e todo mundo sai ganhando.

João: …

Devemos aprovar o indicativo de greve e, em seguida, greve geral. Não podemos esperar a boa vontade do GDF em nos pagar e tampouco um sindicato que está perdido porque nos últimos anos fez papel de Secretaria de Educação. Outros pontos que nos foram tomados como a retirada de coordenadores, o calendário escolar imposto por Júlio Gregório e os aumentos de março e setembro que o GDF ameaçou não pagar só serão conquistados com mobilização agora. Aceitar a retirada de direitos ou condicionar as conquistas históricas da classe trabalhadora ao pacote de austeridade do PSB é abrir a guarda para um governo que não tem base popular e que por isso é mais fácil de ser derrubado.

Pra não dizer que só temos notícias ruins, soube que havia um carro de som passando no Guará informando que as escolas estavam fechadas por todo o descaso do GDF com a educação. Essa foi uma atitude simples que independe de sindicato e desgasta bastante Rollemberg. Se não tivermos carro de som, que as nossas coletivas, nossa ida para casa no metrô, no ônibus, nossos grupos de whats app, nosso Facebook, listas de e-mail, nosso momento de café na igreja ou reunião com responsáveis das alunas, que todos esses espaços sejam de militância, de denúncia de um governo medíocre que escolheu a educação para aplicar seu plano neoliberal.

Resistiremos. Todas à Assembléia de sexta, 27/02/2015 no Buriti.

Professoras, avante!

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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