TICs e sindicalismo: questão de transparência

Antes de tudo… não deixe de assinar a petição on line que solicita ao SINPRO a transmissão ao vivo das reuniões com o Governo do Distrito Federal. Se você acha que o SINPRO deve começar a transmitir as reuniões com o governo, entre na petição no link abaixo e se manifeste, dura cerca de 16 segundos. Se possível, ajude a divulgar em seus grupos de Facebook, whats app, listas de e-mail, nas reuniões pedagógicas da escola etc. Colabore com essa luta para democratização das ações do SINPRO-DF.

http://migre.me/oOizy

Definição

Você já deve ter ouvido falar em drone mas, se tivesse que responder agora, iria falar que não sabe do que se trata mas deve ser algo referente a tecnologia? Está no caminho certo! Drone é uma aeronave não tripulada, controlada por controle remoto via rádio. Se você acompanhou as últimas manifestações das professoras do DF, viu que há sempre um drone sobre nós. Ele tem capacidade para filmar e fotografar com excelente qualidade, de ângulos melhores que qualquer ser humano poderia fazê-lo. Além das imagens, pode captar áudio – ainda com menor qualidade devido à tecnologia atual.

Muitas colegas professoras acham que o uso da tecnologia é algo chato ou desnecessário. Há um jargão nas escolas que diz: “tem muito professor que dá aula com giz e quadro muito melhor do que professores que usam computador”. Só esqueceram de falar pra eles que além do computador, o giz, o quadro, o ábaco, os canudinhos, as tampinhas, o material dourado, o livro, são todas tecnologias físicas. O construtivismo, o método montessouriano, a Pedagogia Libertadora de Freire, o ensino tradicional, essas estariam dentro do escopo das tecnologias organizadoras, também relacionadas ao modo de produção como o taylorismo e o fordismo. Já as tecnologias que dizem respeito à forma como nos comunicamos, seja escrita, oral ou pictórica, chamamos de simbólicas.

O drone é apenas um exemplo de como o governo utiliza a tecnologia a seu favor. E nós, podemos usar as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) para mobilizar nossa classe e dar mais transparência às reuniões do sindicato?

O que isso ter a ver com sindicalismo?

O uso das TICs para mobilizar as classes populares

O uso das TICs é cada vez mais comum na sociedade e, infelizmente, logo os movimentos progressistas como a esquerda e grupos autônomos tem ficado de fora desse debate. Digo logo eles porque foram quem começaram a utilizar a internet para mobilizar a população, ainda na década de 1990, em Seattle, EUA. Subutilizamos a internet! Dentro da categoria docente, o Facebook é mais utilizado como um divã, um muro das lamentações, como se o GDF fosse ficar com pena das inúmeras súplicas ali existentes. Sabemos que somente a luta organizada de nossa categoria, potencializada por um meio – a tecnologia -, pode reverter esse quadro.

Exigir a transmissão ao vivo das reuniões entre SINPRO e GDF

Ao término da assembléia de segunda-feira, dia 23/02/2015, o GDF informou à mídia burguesa que o SINPRO não repassa corretamente as informações das reuniões. De outro lado, o SINPRO insiste que o GDF mente para os professores e não cumpre o que acorda com a categoria. Em meio à tudo isso estão as professoras que não tem confiança para acreditar num sindicato cada vez mais desgastado que presta mais atenção nas ordens da CUT do que em nossas pautas, ou de um governo que mesmo depois de 2 meses não conseguiu fechar a conta de qual o verdadeiro rombo deixado por ONGnelo Queiroz (PT-DF).

Chegando ao ponto: as reuniões entre SINPRO e GDF devem ser filmadas e transmitidas ao vivo para as assembleias. À primeira vista pode parecer contraditório que com todo esse choque de informações nem GDF ou SINPRO queiram que suas reuniões sejam filmadas, menos ainda ao vivo, sem cortes. O problema é que caso isso fosse feito, trabalhadoras de outras áreas iriam exigir o mesmo direito e isso eliminaria todos os jogos de empurra-empurra entre governo e sindicatos em que ambos se aproveitam de não serem gravados para falar o que quiserem para sua base.

A transmissão pode se dar através de um canal exclusivo de streaming (transmissão de dados via web), ocultando a URL (endereço na web) para que outras pessoas não acessem de seus computadores pessoais e sobrecarreguem o servidor. O SINPRO garantiria a instalação de telões no Buriti com o sistema de áudio plugado na mesa de som do caminhão. Com isso teríamos maior controle sobre o sindicato e governo, ao invés de confiar em deliberações marcadas pelo jogo sujo do poder. O maior problema que teríamos seria um lag (latência, atraso na transmissão) de poucos segundos, com algum descompasso entre as imagens e o áudio, mas nada que atrapalhe a qualidade da transmissão e a lisura do processo de negociação entre sindicato e governo.

Um cuidado fundamental: assembleia é presencial!

Um cuidado fundamental que devemos ter atenta para não sermos capitulados em um suposto recuo do governo e SINPRO, acatando a proposta de filmar as reuniões mas condicionando-a a uma metodologia divisionista e de esvaziamento do espaço político das assembleias presenciais. Explico: o governo pode cadastrar as escolas com uma senha para entrar no canal de transmissão e, com isso, dizer que as escolas passarão as assembleias ao vivo em seus auditórios e assim os professores não precisam se deslocar até o Buriti. Com isso, retira nossa classe de frente da sede do governo, passando a ideia de uma transparência que nem fecha as vias da frente do Eixo Monumental e quiçá coloca os professores em contato para uma deliberação mais qualificada. Esse é um ponto que deve ser completamente refutado, como foi rejeitada a proposta do SINPRO na assembleia do dia 27/02/2015 de abandonar o Buriti e ir para a Câmara Legislativa “fazer pressão” nos deputados distritais. Esse comportamento tinha o único intuito de enfraquecer a assembleia, coisa típica de pequeno-burguês que se pauta unicamente pelo Estado.

Pra você que não acredita…#fikadica – alguns exemplos de uso das TICs na militância

1- A Ocupação da Reitoria da UnB em 2008. Lembro-me da ocupação da Reitoria da UnB em abril de 2008, quando integrei o DCE (Diretório Central dos Estudantes). Reivindicávamos democracia na universidade e, dentre outros pontos, a saída do reitor Timothy Mulholland, que nessa semana foi demitido pelo MEC por (sic) possíveis irregularidades entre UnB e fundações de apoio. Já no segundo dia de ocupação, a Justiça determinou que o DCE deveria pagar uma multa de 5 mil reais por hora por conta da ocupação do prédio. Tal atitude fascista de criminalização de um movimento popular deu nome à nossa rádio: 5 mil por hora. A rádio funcionava pela internet e tinha uma programação diária com música, informes da ocupação, do processo de negociação e era livre para que todos os grupos que estavam participando da ocupação se manifestassem. Colaboravam nessa rádio os colegas Arthur Sinimbu, Danilo Silvestre, Marcelo Arruda e muitos outros. Paralelo à isso, a Rádio Ralacoco – essa utilizando antena com amplitude em toda Asa Norte e parte da Asa Sul, Lago Norte e Setor de Autarquias Sul -, situada na Faculdade de Comunicação da UnB e coordenada por estudantes, colaborava na divulgação de informações que contradiziam a mídia corporativa. O resultado disso foi que fizemos uma festa para comemorar a multa quando esta chegou a 1 milhão de reais e, obviamente, o CNPJ do DCE continuou limpo sem ter que pagar nenhum centavo à esse processo maluco. O sucesso da rádio via internet foi tanto que as pessoas passaram a acompanhar a ocupação por ela e não pelas notícias desencontradas que saíam nos grandes jornais.

2- Ocupação da CLDF no Fora Arruda e Toda Máfia. A ocupação da Câmara Legislativa do Distrito Federal ocorreu na primeira semana de 2009, logo após estourar o escândalo da Caixa de Pandora. Uma das principais pautas era a saída imediata do governador Arruda. No terceiro dia de ocupação fui à casa de Gustavo Freitas Amora, amigo que mora na Asa Norte. Ele me falou de um streaming que ficava num bom servidor e transmitia áudio e vídeo do computador. Falou-me que esse tipo de serviço via web estava cada vez mais presente no Brasil, mostrou-me como funcionava e na mesma noite abri uma conta gratuitamente, fazendo minha primeira transmissão. Eu tinha um notebook de baixa configuração (placa de vídeo e processador), com microfone e câmera embutida. Comprei apenas um modem com um plano de 1 MB de velocidade (que sabemos que não chega a isso nem mesmo hoje) e transmiti várias de nossas assembleias na ocupação da CLDF. A população e colegas de militância participavam ao vivo pelo chat e os membros do governo tentavam identificar os líderes do movimento, como de praxe.

3- MEPe (Movimento Estudantil de Pedagogia). A primeira tentativa de socializar as discussões do MEPe antes das deliberações ocorreu no X FoNEPe (Fórum Nacional das Entidades de Pedagogia, UFC, 01 a 04/11/2007). Para mim esse evento foi marcante, pois foi quando tomei posse como Coordenador de Comunicação da ExNEPe (Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia). Conseguimos sistematizar as propostas dos Grupos de Discussão às 05h00, portanto 3 horas antes do início da Plenária Final. Enviamos a sistematização para a lista nacional do MEPe (pedagogiaestudantes@yahoogrupos.com.br) e assim os centros acadêmicos e executivas estaduais de estudantes de pedagogia puderam entrar em contato com seus representantes que estavam no Ceará para delinear como seria o voto da entidade. A segunda vez foi na reunião da ExNEPe em março de 2008 na USP, juntamente com o colega estudante de Pedagogia da UFPR, Daniel Ikenaga e Marco Aurélio Silva, do CAPPF/USP. Foi a primeira tentativa de socialização de reunião via internet em tempo síncrono. Criamos um grupo no extinto MSN (programa de chat) e, ao mesmo tempo que discutíamos a programação, atualizávamos essas informações no site da ExNEPe. A reunião tinha como pauta organizar o XI FoNEPe (USP, 19 a 21/04/2008). Em maio do mesmo ano, na UFES, com a mesma metodologia do ocorrido na reunião da USP, a reunião discutiu a organização do XXVIII ENEPe (Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia), UFES, 19 a 25/07/2008. Porém, o maior avanço veio mesmo em dezembro de 2009 na reunião da ExNEPe na sala de reuniões da Faculdade de Educação da UnB. A reunião tinha como pauta o XXX ENEPe (UnB, 17 a 24/07/2010). Eu já havia formado e estava ajudando na organização do evento. Aproveitando do know-how da transmissão na ocupação da CLDF que ocorrera na semana anterior, utilizando a mesma estrutura mas com uma internet melhor (rede wi fi da Faculdade), fizemos a transmissão por streaming. Pela primeira vez no MEPe, quem não foi à reunião pôde acompanhar por áudio e vídeo, com atraso de mais ou menos 4 segundos, tudo o que era deliberado na reunião, inclusive podendo participar por chat – e muitos nomes para as mesas redondas foram indicações via web de estudantes. A Faculdade de Educação da UnB, uma das pioneiras na discussão do uso educacional das TICs e que pesquisa o tema desde a década de 1960, mais uma vez saía na frente nesse debate. Soube que depois disso o MEPe continuou a utilizar essa ferramenta, principalmente com Deise Rocha e Tayane Pessoa, hoje também professoras da SEEDF.

4- Estudantes do Sistema UnB/UAB. A Universidade Aberta do Brasil (UAB), através de universidades públicas, oferta gratuitamente – é bom dizer, embora pareça pleonasmo em tempos de avanço do neoliberalismo na educação – cursos de graduação a distância, com foco em licenciatura para professores leigos. Na greve das universidades federais de 2010 e 2012, o curso de Pedagogia da UnB foi o único que paralisou suas atividades na universidade, mantendo a postura de que não diferenciamos a graduação a distância da presencial em termos de qualidade de ensino. Talvez tenha sido a primeira greve da educação a distância no país. Especificamente em 2012, o Comando de Greve da ADUnB (Associação dos Docentes da UnB) realizou atividade que foi transmitida para todos os polos, com articulação da Professora Maria Luiza Pinho Pereira e dos Professores Erlando Reses e Carlos Alberto Lopes de Sousa. Quando fiz o mestrado, dediquei uma parte da dissertação à essa passagem. Caso queira saber mais, CLIQUE AQUI.

http://repositorio.unb.br/handle/10482/15138

Contradição: a seletividade do uso das TICs pelo SINPRO

Enfim, passou da hora do sindicato atuar com mais transparência e ética. O SINPRO tem muito dinheiro. estima-se que a folha de arrecadação do SINPRO seja mais ou menos 2 milhões de reais mensais. Desse montante, a CUT deve abocanhar 10% e por isso desloca militantes de todo o país para fazer campanha para as suas chapas brancas de 3 em 3 anos. Os cutistas (ou petistas, como queiram) não podem admitir que um dos sindicatos mais ricos da América Latina fique nas mãos da oposição, até porque seria um importante fundo de financiamento indireto da campanha da companheirada aos parlamentos do país.

Nosso sindicato trabalha com um sítio eletrônico e recentemente, principalmente após as críticas que escrevi sobre a comunicação do SINDOURADO, começou a movimentar mais o seu perfil no Facebook e Instagram. Diz que não quer fazer anúncio na mídia burguesa para não financiá-los. Nesse ponto até tenho certa concordância com o SINPRO, por achar que temos que manter canais de comunicação independentes. Porém, o Programa Alternativo é hospedado dentro de um canal de TV da grande mídia, o que traz consequências nada cumulativas para nossa queda-de-braço com o GDF. Há o jornal Quadro Negro, conhecido na categoria por Quadro 13, que durante as eleições de 2014 sofreu uma ação por fazer campanha para Agnelo Queiroz e Dilma Roussef. O Sinpro conta ainda com outras publicações e mais recentemente tem feito vídeos sobre o atraso dos pagamentos. Quem apresenta são seus diretores, insossos, com a mesma linguagem chata de sempre.

O GDF não possui publicações como jornais e revistas. Para isso, compra estatísticas e anúncios em jornais de grande circulação, seja mídia impressa, digital ou na TV. Também trabalha gratuitamente para o GDF os bobos da corte órfãos da dama de ferro britânica, como Alexandre Garcia. Esse é especialista em falar besteira e destilar seu moralismo logo na hora do almoço, mas se esquece que sua família e ele mesmo já pintou e bordou pelos asfaltos candangos desde os anos 80, quando puxou saco da rainha da Inglaterra no caso das Ilhas Malvinas contra a Argentina. Essa babação lhe rendeu o título de The Big Apple Polisher (O Grande Puxa-Saco).

Estamos cercados de inimigos e infelizmente assistimos quietos a raposa vigiando o galinheiro. Tantas quantas forem as vezes que o SINPRO for negociar com o GDF, pela composição do SINPRO e do GDF, seremos enganados. A forma de garantir o mínimo de ética e principalmente transparência é exigir que as reuniões sejam transmitidas. E se alguém do SINPRO quiser lhe intimidar perguntando se acaso está duvidando da idoneidade do sindicato, responda prontamente:

– Sim, eu estou. Mas não se trata disso, até porque quem não deve não teme. Duvidando ou não da idoneidade do sindicato, vocês não prestam contas do gasto financeiro somente conversando mas sim com notas fiscais, recibos e extratos bancários. Chegou a hora da prestação de contas das reuniões com o governo. E dessa vez com provas concretas.

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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