Professor(a): sempre quebrado(a), mas é do vidro que as pessoas tem pena

collage

Qual das duas fotos acima lhe chama mais a atenção?

Provavelmente você dirá que é a primeira, por não lhe ser tão familiar quanto a do professor Raimundo, personagem brilhantemente interpretado pelo finado humorista Chico Anysio. Quando a imprensa divulga uma foto de um vidro quebrado a primeira ideia que lhe vem à cabeça é violência. Essa violência, por princípio burguês, religioso, apolítico ou tudo isso junto, não pode ser associada à imagem de um(a) docente.

A figura do(a) professor(a) não é a de profissão, mas de vocação. Portanto, se dá aula por amor, se faz tudo pelos(as) alunos(as), não precisa de salário: o que vier é lucro. Por décadas nos acostumamos a rir ao ouvir a expressão “e o salário ó!” do Professor Raimundo, sem entender que a genialidade de Chico nunca foi a de ferir a honra dos(as) docentes, mas usar da ironia para demonstrar a falta de respeito com a categoria. Porém, há muitas pessoas interesadas em manchar a imagem dos(as) professores(as). Não basta ter vocação para ser explorado(a): é preciso baixar a cabeça e não se revoltar contra as diretrizes do governo.

Em outras palavras: foi Rollemberg (PSB) quem mandou quebrar o vidro na manifestação em frente ao Palácio do Buriti na manhã de 11/11/2015!

Não precisava estar no ato para comprovar isso. Quem desligou a TV quando o Alexandre Garcia começou seu show de horror e entrou em qualquer grupo de professores(as) no Facebook viu as pessoas que lá estavam com uma história completamente diferente da Globo ou do Correio Braziliense. Aliás, esses dois veículos de comunicação recebem o dinheiro de nosso reajuste em forma de propaganda do GDF ou incentivo fiscal como perdão de dívidas, ambas situações já ocorridas no governo “socialista” do PSB.

Resumindo: os estilhaços de vidro estavam todos para fora do Buriti, o que indica que foi quebrado do lado de dentro, local não acessado por ninguém da manifestação. O resto de vidro que ficou no chão foi varrido mais rápido do que o reajuste de nossas contas. Além disso, a manifestação não se aproximou da porta, de modo que pudesse quebrar o vidro com um chute ou outro objeto. Por fim, não há pedras no local, mas novamente sobrou cacetete e gás de pimenta nos(as) professores(as). O Palácio do Buriti é totalmente monitorado por câmeras, principalmente do lado de dentro, mas obviamente Rollemberg não vai entregar o capataz que pagou para quebrar o vidro e colocar a culpa no ato. Tampouco o Ministério Público, nosso arauto da imparcialidade e defensor da população irá solicitar as imagens para ver quem realmente quebrou o vidro. Parece que para termos direitos já concedidos, só se for na porrada, ainda que nessa briga entremos sem nenhuma proteção ou reação e a PM com todo o seu aparato de guerra. E no final nós que somos os(as) vândalos(as).

Essa tática de quebrar patrimônio público e colocar a culpa em servidor é mais velho que o trem da alegria que colocou o Rodrigo Rollemberg como concursado no Senado Federal. Timothy Mulholland, o ex-reitor da UnB famoso pelas lixeiras de mil reais, também tinha seus capangas que quebraram vidros no térreo da reitoria em local que nenhum manifestante acessou.

Os militares (sempre eles) também deram a sua contribuição com essa tática imunda: em 1981, no Rio Centro, antes da apresentação de artistas como Gonzaguinha, Chico Buarque, Gal Costa e Alceu Valença que iniciava as comemorações do Dia do Trabalho, detonaram uma bomba matando um dos seus, o sargento Guilherme do Rosário. Colocaram a culpa em quem? Claro, nos perigosos comunistas radicais comedores de criancinhas que queriam dominar o país. Descoberta a farsa, os militares admitiram que a intenção era matar os artistas. Até a Globo que sempre acobertou os vândalos, digo, militares, teve que reportar o fato. Clique no link abaixo e relembre o caso na reportagem do Fantástico:

Militares assumem ter a intenção de matar artistas no Rio Centro

E então, qual é a sua preocupação? Você olha para onde a mídia manda, que agora é a janela do Buriti, ou já aprendeu a olhar pros seus direitos, renegados diariamente pela imprensa?

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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2 respostas para Professor(a): sempre quebrado(a), mas é do vidro que as pessoas tem pena

  1. Rox fussa disse:

    tentando enganar quem amigo??????
    pelas filmagens fica claro que veio de fora, da pra ver os estilhaços dentro do buriti.

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    • ayanrafael disse:

      Olá Rox Fussa. Não quero enganar ninguém. Se ver o foco de meu texto, perceberá que a discussão é outra. Vi que está bastante preocupada com o vidro, mas parece que a porta passa bem e já foi colocado outro vidro. E sobre o reajuste dos professores? O que acha desse tema?

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