Temer anuncia ministros

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A semana começou com uma notícia que é uma bomba: o vice-presidente Michel Temer acaba de anunciar parte de sua equipe de governo e antecipa pontos importantes do documento “Uma ponte para o futuro”, construído pelo PMDB, seu partido, para acelerar o processo de impeachment de Dilma Roussef.

Confira a íntegra da entrevista que Temer deu ao blog do Professor Rafael Ayan nesse domingo (13) no belo jardim do Palácio do Jaburu, Residência Oficial da Vice-Presidência da República.

RA: Bom dia senhor vice-presidente.

MT: Boa Tarde Rafael. Já são 12:01.

RA: Perdão vice-presidente, meu relógio se enganou. O senhor afirma que já tem nomes para um possível governo do PMDB no caso do impeachment da presidente Dilma Roussef. Não considera que o momento é inapropriado para esse tipo de pronunciamento?

MT: Não e eu explico o motivo. O impeachment já é algo dado, uma vez que a base do governo não garantiu a votação da comissão especial de deputados que dará início aos trabalhos. O PT fez conchavos com mais da metade do parlamento e se estes partidos não apoiam o governo, então não há golpe.

RA: E quanto aos votos da eleição de 2014?

MT: Os votos da eleição tomaram as ruas para dizer que não querem mais o governo petista. Os votos da mesma eleição que foram para Dilma também foram para os 272 deputados que optaram por iniciar o impeachment. Eles também foram eleitos pelo povo e não vejo o PT falar nisso. A economia do país afunda exponencialmente. Não dá mais para esperar.

RA: Falando em economia, vamos para a composição do seu governo. Quem será o seu ministro da economia?

MT: Não precisei pensar muito para optar pelo nome de Joaquim Levy para o cargo. Levy é economista do Bradesco, um dos bancos que mais bateu recorde de lucros desde que o PT entrou no governo em 2003. Portanto, não se pode mexer nessa fórmula de variação cambial com juros altos para trabalhadores e aprovações sistemáticas de isenções fiscais e desoneração para empresas bilionárias. Com Levy ficamos longe de propostas de tributação progressiva, como o IGF (Imposto sobre Grandes Fortunas), criado no governo FHC e graças a Deus até hoje sem regulamentação. Temos que calar vozes que querem abrir o debate sobre esse tema. Nisso temos que bater palmas pro PT que seguiu a agenda neoliberal e não deu a mínima importância para essas ideias. Fosse o contrário, nossa balança comercial estaria pior, principalmente com a venda de commodities pelo agronegócio. Outro nome que irá ajudar na pasta será Setúbal do Banco Itaú. Como iremos privatizar a aposentad… quer dizer, incentivar os planos de previdência complementar, precisamos de nomes experientes para isso. Com Setúbal e Levy temos os dois maiores bancos no controle da economia do país.

RA: Já que tocou no ponto das commodities, quem será seu ministro da agricultura?

MT: Será ministra e o nome dela é Kátia Abreu.

RA: Mas ela é acusada de trabalho escravo e apóia o agronegócio sem limites, quer dizer, o senhor não tem medo que ela crie uma espécie de “desmatamento sem fronteiras” em que as fronteiras agrícolas deixarão de ter esse nome justamente por não ter fronteiras?

MT: Bobagem! Kátia é preparada, sabe lidar com os pecuaristas e com o avanço da plantação de soja sobre a região amazônica. É dela o mérito de segurar os ambientalistas para que os produtores possam fazer o plantio de eucalipto próximo à nascentes. Quem é contra essas medidas são os capitalistas selvagens do Green Peace que querem tomar nossas florestas. Pergunte aos estrangeiros onde está a floresta em que Robin Hood foi feliz e me diga a resposta. Além de tudo, Kátia sabe lidar com machistas como José Serra, o que elimina mais um presidenciável de querer me derrubar.

RA: O Brasil participou da COP 21 na França e prometeu reduzir ainda mais o desmatamento e a emissão das taxas de carbono, dentre outras medidas. Isso vai de encontro à sua plataforma?

MT: Depende de como você vê a questão. Nessa semana será votado o Código de Mineração, redigido pelo deputado Leonardo Quintão do PMDB e…

RA: Um momento senhor vice-presidente, esse código foi redigido pela Vale do Rio Doce. Já foi comprovado que um escritório foi contratado para isso. Assim como o código florestal já aprovado com uma relatoria esdrúxula do pseudocomunista Aldo Rebelo (PC do B), nem após o maior desastre ambiental do Brasil, ocorrido em Mariana e espalhado por 500 quilômetros até chegar ao Oceano Atlântico, o Código de Mineração respeita a natureza e quem depende dela.

MT: Bobagem. Temos que ser flexíveis e encontrar uma solução boa para todos, mas principalmente para as empresas que geram emprego e renda.

RA: E isso não tem nada a ver com o irmão do Leonardo Quintão ser dono de empresa de mineração? Isso não vicia o processo?

MT: Creio que não. Quintão é um ótimo parlamentar e substituiu o antigo líder do PMDB, Picciani, para trazer novas ideias ao partido e à casa. Com a devida importação de tecnologia, contratando empresas que tem experiência em esburacar terras (e orçamento público, claro) e aumentar o plantio de soja, por exemplo, para não falar somente da mineração, o Brasil vai ter uma ponte para o futuro.

RA: Mas não podemos utilizar de tecnologia para aumentar nossa produtividade sem destruir o meio ambiente com o uso de agrotóxicos – que não deixa de ser tecnologia – e aumento de áreas de plantio, evitando assim um maior desgaste da natureza?

MT: Agora você tocou num ponto fundamental que é o capital cultural. O Brasil não tem capital cultural para produzir tecnologia. Tudo temos que importar e, como liberal, acho até melhor que façamos isso do que investir em nossa educação para sermos nós os produtores de conhecimento. Pra isso precisamos de um ministro da educação que tenha um pensamento arejado, que apoie a iniciativa das OS (Organizações Sociais) e pressione os professores para aumentarem sua produtividade.

RA: E quem será o seu Ministro da Educação?

MT: Aloísio Mercadante.

RA: Perdão, não entendi…

MT: Aloísio Mercadante do PT. Mercadante já deu inúmeras declarações se mostrando favorável à entrada das OS na educação. Além do mais, quer aprovar leis que endureçam tentativas de greve de professores, que são um verdadeiro problema para nossos jovens. Nem no DEM, no PSDB, no PPS ou qualquer outro partido de direita vejo opiniões tão sensatas.

RA: O Brasil vive um processo de conurbação em que os grandes centros urbanos sofrem com engarrafamentos, aumento da violência, falta de moradia e concentração de renda. Os programas sociais, como a terceira fase do Minha Casa Minha Vida, além de programas de saneamento básico, podem melhorar as condições de vida da população. Quem será o nome do Ministério das Cidades responsável por esse desafio?

MT: Gilberto Kassab (PSD). Ao trazer Kassab para o governo, com bom relacionamento com a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), trago junto o setor empresarial e aumento o nível de investimento no país.

RA: Mas Kassab não é o ex-prefeito de São Paulo que em 2007 agrediu um senhor dentro de uma unidade de saúde que reclamava de não conseguir arrancar um dente? (veja o vídeo clicando aqui!). Não é necessário uma pessoa com diálogo no Ministério das Cidades?

MT: Bobagem. O diálogo, como disse, é com os empresários. A população quer saber é de ter serviços e não diálogo. O governo não pode se transformar em programa de fofoca. É assim que resolveremos o problema do déficit habitacional e construiremos casas com saneamento básico para a população.

RA: Em relação à saúde, a área tem o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios e trabalha com uma demanda cada vez mais necessitada, ainda mais em épocas de Zika Vírus. Quem será o dirigente da pasta?

MT: ainda não tenho nome para o Ministério da Saúde.

RA: Mas será alguém do PMDB, claro!

MT: Bobagem. De forma alguma eu faria isso. Do PMDB já basta a Kátia Abreu. Somente um idiota chamaria o PMDB para o governo. Para a vice-presidência, então, já sairia da idiotice para o campo da loucura.

RA: Mas senho vice-presidente, acho que já vi essa composição de sua equipe em algum lugar.

MT: Bobagem. Se viu, não foi no governo do PT não é mesmo Professor Rafael Ayan? Um governo de esquerda como o PT jamais teria essa orientação.

RA: Tenho a impressão de que o senhor está me confundindo… Bem, e sobre sua carta para Dilma. O quê a motivou? O senhor se sente desprestigiado?

MT: Tento falar com a Dilma desde o início do mandato e ela me ignora. Até com o FHC ela fala, menos comigo. Tentei whats app, ICQ, SMS, telefone, recado com o porteiro da Granja do Torto e até uma sala no bate-papo do UOL com senha pra evitar robôs com propaganda e imagens de sexo, senão ira virar o grupo de whats app do Governador Rollemberg do Distrito Federal. Juro que nada deu certo. Já ia editar uma lei mandando voltar o MSN quando um dia, jogando FIFA 2016 no Playstation 4, vi que a Dilma estava on line. Aproveitei para mandar uma mensagem breve pelo próprio console (o diáloo segue abaixo)

@temeroso: – Dilma, por favor, precisamos conversar. O PSDB quer compor um governo comigo. Queria saber se ficará chateada caso aceite o convite do nobre partido”.

@dilma13: – Sabe pra quê serve a parte de contratos do FIFA 2016?

@temeroso: – Sim, serve para contratar os jogadores que estão melhores colocados no ranking. O Neymar tá bom, deve ganhar a Bola de Ouro esse ano. E quanto a minha pergunta?

@dilma13: – Saco. Pensei que poderia contratar a Andrade Guerrez, Odebretch, Camargo Corrêa, Eike Batista, André Esteves e outros por aqui para construir uns estádios. Não quero ser o próximo Delcídio Amaral. Tenho saudades do #vaitercopa e essas manifestações de Fora Dilma não param. Beijo @temeroso tchauzinho.

RA: Então você acha que a presidente boicotou o senhor?

MT: claro que sim. Era perigoso ela querer jogar apostando o governo, só que ela com o Barcelona e eu com o Vasco da Gama. Dilma só quer as coisas do jeito dela.

RA: E quanto aos movimentos sociais? O ato do dia 16 de dezembro deve abafar a tentativa do senhor adiantar o impeachment de Dilma?

MT: Tenho plena certeza que não. Já mandei o Lobão e o Roger do Ultraje a Rigor para fazerem um show em frente à sede da UNE só com músicas da década de 1980 que é pra bater aquela nostalgia gostosa e eles ficarem tão anestesiados como quando recebem dinheiro das carteirinhas estudantis. Ademais, como adiantei o nome de minha equipe de governo, tenho a leve impressão de que esses movimentos simpatizaram com a composição e não tentarão me derrubar. Diria até que seria incoerente.

RA: Não sei por que mas acho que o senhor está certo. Obrigado pela entrevista preside… digo, vice-presidente.

MT: Não precisa se desculpar, pode me chamar de presidente Professor Rafael Ayan.

RA: Tá amarrado isso não vai acontecer.

MT: Desculpe, o quê disse?

RA: Tá falado e eu tô torcendo pra você!

 

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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