O vermelho das bandeiras

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As pessoas que dizem que a nossa bandeira jamais será vermelha demonstram uma falta de conhecimento de Brasil e de mundo. O vermelho, presente não só em bandeiras de países socialistas mas também de países liberais representa muita coisa, como por exemplo, o sangue dos que lutaram por independência.

O vermelho da bandeira francesa, um país capitalista, representa uma das cores do brasão de Paris e, historicamente, está associado aos sans cullotes da Revolução Francesa de 1789. Na bandeira das Filipinas o vermelho representa a justiça e na do Japão, o Sol. Na bandeira da Itália o vermelho simboliza o sangue derramado nas lutas pela independência do país, mesmo significado que possui o vermelho das bandeiras de Cuba, Estados Unidos, Colômbia, México, Peru e Portugal. Portanto, o vermelho é uma das cores mais representativas para se colocar em bandeiras de nações, sejam eles capitalistas ou socialistas.

Essa briga de vermelhos X azuis é algo que já acontecia no interior do país. Lembro de uma reportagem, em 2014, no Profissão Repórter – um dos poucos programas que consegue abordar o jornalismo de forma séria na Globo golpista – que tratou o tema. Essa luta por cores e não por ideologia já permeava o imaginário popular em cidades do interior do Brasil. Infelizmente, esse tipo de disputa rasteira se estendeu às cidades e agora somos reféns de vândalos que atacam pessoas por causa de uma camisa vermelha, como um catador que em 2015 foi agredido e sequer tinha preferência na eleição de 2014, tanto que não votou. Ainda que tivesse, nada justifica a violência desses vagabundos que optam pela agressão a qualquer custo por enxergar no vermelho a cor do inimigo.

Boa parte da cultura do vermelho como algo negativo foi divulgado pelo macartismo pós II Guerra Mundial pelo senador estadunidense Joseph McCarthy, para associar as mazelas do mundo a cor vermelha da bandeira da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Antes não existia esse negócio de “nota vermelha”, “caneta vermelha para corrigir” ou “a empresa está no vermelho”. As pessoas que seguem com o ódio ao vermelho ou não estudaram história social e política do mundo ou estudaram e fazem o terror com a cor vermelha por má fé, como se o problema de um partido ou país fosse a cor vermelha e não a corrupção (dos parlamentares e dos não parlamentares), o “troco do café”, o tapinha nas costas e outras formas de burlar a lei. Fosse isso, bastava trocar a cor vermelha por outra qualquer e do dia para a noite o Brasil seria a primeira economia do mundo.

O mais intrigante é que as mesmas pessoas que não querem que a nossa bandeira seja vermelha – e acredite, ela não vai ser, com ou sem impeachment – são aquelas que votam em políticos que por décadas saquearam o erário público. São as pessoas que votam em Bolsonaro, o nazista que se diz liberal e que votou a favor do Código Florestal que retira o verde de nossa bandeira – aprovado com voto favorável do relator Aldo Rebelo do PC do B. São os que se dizem contra o PT mas não publicam memes do Eduardo Cunha em seu Whats App, o atual presidente da Câmara que costura um acordão para que seja aprovado o Código de Mineração, que vai acabar com o que resta do ouro e outras riquezas do Pará e Minas Gerais,  o amarelo de nossa bandeira. São os que nada dizem do PMDB, do deputado Leonardo Quintão, irmão de dono de mineradora que polui os rios de nosso país, eliminando o azul da bandeira nacional. São os que aplaudem as arbitrariedades de Gilmar Mendes no STF, fazendeiro assassino de índios em suas terras roubadas em Mato Grosso do Sul, acabando com a paz representada pelo branco da bandeira nacional. Sobra o lema positivista Ordem e Progresso, esquecido pelos militares de 1964 a 1985 e pelos que defendem a volta desse, ao aumentarem substancialmente a dívida externa e tornar o país uma franquia dos Estados Unidos.

Vale a reflexão se é viável continuar a propagar mensagens contra bandeiras vermelhas pela web. Mais do que isso, vale a reflexão se vale a pena continuar a revelar sua preguiça intelectual de procurar saber o significado do vermelho das bandeiras e parar de agredir pessoas que discordam de seu posicionamento na rua. Cada vez que você usa as redes sociais para destilar seu ódio camuflado por sua burrice, você aumenta sua contribuição para o acirramento da incipiente guerra civil catalisada por Sérgio Moro. Pior do que Foro privilegiado, é Moro privilegiado.

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Sobre ayanrafael

Pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade. Professor de Atividades da SEEDF (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal).
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3 respostas para O vermelho das bandeiras

  1. Natali Brust disse:

    DISCURSO PETISTA HEHEHEHEHE

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    • ayanrafael disse:

      Veja só como sou democrático: até fake tem comentário publicado neste blog! Ao contrário desta pessoa que se esconde – e deve esconder o voto no traficante internacional de cocaína, migrando agora para o ditador que é citado na lista de Furnas -, eu publico meus posicionamentos sem pseudônimos e é só por isso que ele vem aqui de forma exaltada.

      Segue o baile.

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  2. LUCIANO disse:

    Estou vendo a Bandeira dos ESTADOS UNIDOS, ela é vermelha, na visão dos “coxinhas” os EUA seriam comunistas.

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